Exposição Jonas 3 (A pregação de Jonas)
Notes
Transcript
Texto Base
Texto Base
1 Veio a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas, dizendo:
2 Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo.
3 Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor. Ora, Nínive era cidade mui importante diante de Deus e de três dias para percorrê-la.
4 Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.
5 Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor.
6 Chegou esta notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre cinza.
7 E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem os levem ao pasto, nem bebam água;
8 mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos.
9 Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?
10 Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez.
Introdução
Introdução
Vimos nos cultos passados as informações e curiosidades a respeito do livro de Jonas.
Vimos que o livro de Jonas foi escrito provavelmente no século IV a.C, que Jonas foi um contemporâneo de Oseias e Amós e que viveu no reino do norte, era da cidade de Gate-Hafer (próxima a cidade de Nazaré) e viveu no período de Jeroboão II (793 - 753a.C). Jonas viveu em um período de prosperidade política para o reino do norte, profetizando a expansão de seus territórios ao rei mas viveu em um período de forte corrupção espiritual onde anúncios de juízo divino pelos assírios estavam sendo dados pelo profeta Oseias.
E é nesse contexto que Jonas é chamado para pregar a grande cidade de Nínive, cidade importante da Assíria que mais tarde veio a se tornar a sua capital.
Dividimos o livro do seguinte modo:
O Chamado de Jonas (Jn 1:1-2)
A fuga de Jonas (Jn 1:3-16)
A salvação de Jonas (Jn 1:17 - 2:10)
A Pregação de Jonas (Jn 3)
A Frustração do Profeta (Jn 4)
Nos cultos passados falamos sobre:
1 - O chamado do profeta. (Jn 1:1-2)
Vimos como Jonas recebe da parte do Senhor uma palavra de ordem, uma palavra autoritativa vinda da parte de Deus por meio de uma revelação imediata e como isso colocava Jonas em uma posição de ter que se submeter a essa palavra que lhe dava uma ordem para ir para a grande cidade de Nínive.
2 - A fuga do profeta. (Jn 1:3-16)
Vimos como Jonas se rebela contra a palavra de Deus e se dispõe a rebelião contra ela por meio de uma fuga da ordem dada por Deus.
Deus havia dado uma ordem para que Jonas fosse a grande cidade de Nínive (800km ao oriente) e Jonas vai em direção a Társis (2300km ao ocidente) com as dimensões dessa fuga geográfica exaltando o tamanho da rebelião do profeta.
Porém vimos que Deus não permite que Jonas siga na dureza de seu coração e envia uma grande tempestade afim de barrar a fuga do profeta. Essa tempestade não atinge apenas a ele mas a todos que estavam com ele no barco, causando tamanho problema que Jonas vê apenas uma solução para resolver aquela situação, sendo essa solução sua própria morte ao se lançar ao mar revolto.
3 - A salvação do profeta. (Jn 3)
Vimos como Deus em sua soberania e graça salva Jonas da maneira unilateral.
Deus envia um grande peixe e não permite que Jonas afunde nas águas daquele mar revolto e ao dispor o peixe Deus muda o coração de Jonas que passa a clamar ao Senhor que responde a Jonas com o peixe vomitando o profeta de volta a terra.
Encerramos o culto passado com os seguintes versículos:
9 Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence a salvação!
10 Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra.
Veremos hoje a restauração de Jonas e sua pregação em Nínive.
Explicação
Explicação
Faremos a divisão desse texto do seguinte modo:
A restauração do Profeta (V1)
A ordem de Deus (V2)
A pregação de Jonas (V4)
A fé de Nínive (V5)
O avivamento nacional (V6-9)
A salvação de Deus (V10)
1 - A restauração do Profeta
1 - A restauração do Profeta
1 Veio a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas, dizendo:
O capítulo 3 começa nos dizendo que veio a segunda vez a palavra do Senhor a Jonas.
Isso é interessante porque a primeira vez que palavra do Senhor tinha vindo a Jonas havia sido no capítulo 1, verso 1, ou seja, na abertura do livro.
1 Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
Porém entre o capítulo 1 e o capítulo 3 nós temos toda a narrativa da fuga desesperada do profeta, seu lançamento ao mar e a salvação oferecida por Deus a Jonas.
Terminamos o capítulo 2 do livro com a seguinte frase:
10 Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra.
Depois de Deus salvar Jonas e coloca-lo em terra, Deus restaura a Jonas seu chamado.
Aplicação:
Aplicação:
É interessante notar que a salvação de Deus em nossas vidas não visa apenas a salvação de nossa alma, mas a restauração do propósito original e inicial de Deus.
O propósito original de Deus para Jonas antes de fugir da presença do Senhor era que ele fosse a Nínive e agora restaurado esse propósito lhe é apresentado novamente.
Nós vemos o mesmo padrão ocorrendo com Pedro que fora chamado por Deus para abandonar a pesca e se tornar pescador de homens. Porém quando Pedro nega Jesus ele abandona seu chamado de pescar homens e volta a pescar peixes e o que vemos é que após a ressurreição de Jesus Ele chama novamente a Pedro e restaura seu ofício original.
Aqui estamos falando de ofícios. Ofício profético e apostólico, mas o mesmo é valido para outros ofícios.
A escritura nos diz que a salvação visa a restauração da imagem do filho de Deus em nós:
28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Quando expusemos o sétimo mandamento tratamos a família como um dos propósitos originais de Deus, o casamento, o ter muitos filhos.
Tudo isso faz parte do processo de restauração de Deus aos salvos.
Quando somos salvos, somos salvos para retornar ao plano original. (Obs.: Obviamente que existem pessoas que não chegam a desfrutar dessa restauração em vida, vide o ladrão da cruz, mas isso não anula que este é o padrão de Deus ao salvar os pecadores.
2 - A ordem de Deus (V2)
2 - A ordem de Deus (V2)
2 Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo.
Como vimos no ponto anterior a restauração de Jonas incluiu seu ofício profético e agora Deus o chama a proceder com um profeta fiel e transmitir a mensagem dita por Ele.
Cornélius Van Til, um grande erudito e filósofo cristão ao desenvolver sua epistemologia disse algo importante: Nós pensamos os pensamentos de Deus após Ele.
Ao analisarmos a palavra de Deus a Jonas, percebemos algo que se soma a essa frase de Van Til, que além de pensarmos os pensamentos de Deus após Ele nós falamos as palavras de Deus após Ele.
Nenhum homem tem autoridade para inventar a mensagem que vai levar após ser enviado por Deus. — “O pregador não é a fonte da verdade, mas o eco da verdade revelada” —
Ao anunciarmos as palavras de Deus precisamos ter o cuidado de anunciar apenas aquilo que Ele disse, sem infundir ou colocar nossas visão de mundo, nosso pensamentos ou nossas palavras a mensagem.
Muitos homens e mulheres ao interpretarem a escritura usam de suas visões de mundo, suas crenças, filosofias e ideologias para incutir na palavra de Deus aquilo que ele não disse e isso é extremamente grave.
Paulo escreve a Corinto:
6 Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.
Veja a seriedade com que é tratado o fato de se levar uma mensagem que Deus não ordenou:
Deuteronômio 18.20 “20 Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto.”
Aplicação:
Aplicação:
Precisamos ser prudentes em nosso evangelismo e em falar em nome de Deus. Deus tem uma mensagem e é essa a mensagem que deve ser comunicada.
Abordamos isso de maneira mais profunda ao tratar do terceiro mandamento, vale a pena escutar para se aprofundar no assunto.
3 - A pregação de Jonas (V4)
3 - A pregação de Jonas (V4)
4 Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.
Aqui vemos qual era o conteúdo da mensagem que Deus havia dado a Jonas. O conteúdo dessa mensagem é paradoxal com a palavra hebraica usada para nossa tradução subverter é a palavra haphak que tem em seu sentido primário a ideia da suberverção/destruição como é traduzido na NVI mas tem em seu significado a ideia de transformar.
Aquela sentença de juízo que Jonas estava levando aquela cidade poderia ser o meio pelo qual aquela cidade não seria subvertida mas transformada.
E é muito interessante analisarmos o elo existente entre o conteúdo da mensagem e a intenção de Deus ao enviar Jonas a Nínive.
Em primeiro lugar, o envio de um profeta a uma nação pagã não era algo comum. Temos aqui aquilo que chamamos de Proto-Evangelho, uma sombra, um evento que da luz a uma revelação que fica clara no Novo Testamento com o envio dos discípulos a todos os povos da terra.
Ao enviar Jonas a Nínive Deus estava declarando seu amor por todos os povos que se manifestaria claramente na Nova Aliança.
Porém o pensamento moderno ao analisar o conteúdo da mensagem dada por Deus a Jonas pode objetar se de fato essa mensagem representava um amor de Deus a Nínive, ou seja, que amor é esse que anuncia a destruição de uma cidade inteira?
Precisamos entender que Deus não tem obrigação missionária. Deus não precisava enviar Jonas para lá, ele poderia permitir que aquele povo morresse e fosse destruído como consequência de seus próprios pecados. Os Assírios eram um povo cruel e maléfico, eles ficaram famosos pelo uso de técnicas de empalamento como uma ferramenta de causar terror psicológico em outros povos e diferente de outras etnias que ao invadir uma região permitia que aqueles povos vivessem ali em paz por meio do pagamento de tributos, os Assírios cometiam extermínio étnico e cultural ao dizimar cidades e ao praticar a miscigenação das etnias ali envolvidas.
Portanto, para usar uma linguagem neotestamentária de Paulo, podemos dizer que Deus poderia tê-los entregado aos seus próprios pensamentos. Mas não é essa a ação de Deus, Ele envia um homem com uma mensagem de juízo e com poder transformador para que por meio dessa mensagem eles pudessem se arrepender e ser salvos.
Ezequiel declara que não é a vontade de Deus que o iniquo morra em sua iniquidade, mas que se arrepende e se converte e seja salvo (Ez 18:23).
Porém só poderão ser salvos se souberem do juízo divino aos impenitentes.
Aplicação:
Aplicação:
O evangelicalismo moderno trocou a mensagem que pode salvar os pecadores por uma mensagem de auto ajuda, por uma mensagem que anestesia a consciência, uma mensagem de aceitação que permite que o ímpio continue em sua impiedade se sentindo aceito e amado por Deus sem nunca saber das consequências que uma vida de pecado proporcionam aqui e na eternidade.
Não podemos alterar a mensagem de Deus aos homens, precisamos recuperar o evangelismo e a mensagem do Evangelho. Sim, a palavra evangelho significa uma boa notícia que anuncia sim o perdão e a restauração de todas as coisas, mas deve ser oferecida de modo que o pecador compreenda qual é a realidade de não estar em Cristo Jesus.
Resumo: “Sem a má notícia (40 dias e será subvertida), a boa notícia (Deus perdoa) não faz sentido.”
4 - A fé de Nínive (V5)
4 - A fé de Nínive (V5)
5 Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor.
O texto nos mostra uma reação surpreendente da cidade de Nínive: Eles creem em Deus, jejuam e se humilham.
Vemos aqui claramente aquilo que Paulo fala mais tarde:
16 Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
O poder da mensagem do evangelho é algo surpreendente. Nessa pregação, Jonas não pregou essa mensagem com o intuito de produzir salvação, ele a pregou esperando condenação. Percebemos aqui que o agir de Deus ocorre não por causa do profeta, mas apesar do profeta e é algo tão poderoso que aquele povo respondeu a mensagem com fé e frutos de arrependimento.
Nós temos aqui um modelo da fé salvífica, uma fé que vem acompanhada de obras de justiça.
Existe uma excelente frase que é atribuída ao reformador João Calvino: "Portanto, é somente a fé que justifica, e contudo a fé que justifica não está só."
Existe um debate hipotético entre Tiago e Paulo onde um da ênfase em obras e outro na fé, porém o que temos aqui na fé de Nínive é a conciliação dessas duas verdades.
A fé sem obras está morta.
5 - O avivamento nacional (V6-9)
5 - O avivamento nacional (V6-9)
6 Chegou esta notícia ao rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou de si as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e assentou-se sobre cinza.
7 E fez-se proclamar e divulgar em Nínive: Por mandado do rei e seus grandes, nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas provem coisa alguma, nem os levem ao pasto, nem bebam água;
8 mas sejam cobertos de pano de saco, tanto os homens como os animais, e clamarão fortemente a Deus; e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos.
9 Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?
Porém o negócio não para por ai. O texto nos diz que a salvação alcança o rei, muda os decretos daquela nação e produz uma transformação (haphak) nacional. A outrora perversa Nínive agora é a cidade da justiça.
Aplicação:
Aplicação:
Precisamos voltar a acreditar no poder de Deus para salvar pecadores, precisamos voltar a acreditar no poder do evangelho.
Sim, do mesmo modo que Jonas foi chamado a ir para Nínive, Jesus 7 séculos depois chamou seus discípulos para irem por toda a terra.
O evangelho ao longo desses últimos dois milênios tem se espalhado e dado frutos. Temos na história reis que se converteram, nações que se tornaram Cristãs, avivamentos em países inteiros.
Nós não precisamos de técnicas, de retórica, de eventos, de luzes, nós precisamos falar o que Deus fala.
O poder do evangelho não depende do mensageiro, depende da mensagem. Jonas apesar de má vontade entregou a mensagem correta e ela produziu frutos.
Não se assuste com o fim do mundo, com o fim dos tempos, com o anti cristo, com o falso profeta (expusemos essas verdades em Marcos 13, defendo uma visão preterista parcial a respeito desses assunto, ouça o sermão no Spotify), Deus não destinou o mundo ao caos mas a completa sujeição e submissão ao Filho de Deus.
10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,
11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.
15 O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.
Conclusão
Conclusão
O desfecho final da história se dá com a seguinte frase:
10 Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez.
Alguns tentam usar esses versos afim de dizer que Deus se arrepende, mas isso já estava implícito na pregação de Jonas, esse era o desejo de Deus ao enviar o profeta, ele apenas realizou a sua soberana vontade.
Aplicação:
Aplicação:
Precisamos confiar na verdade revelada de Deus de restaurar todas as coisas.
Aplicações finais:
Aplicações finais:
1 - Se você já caminhou com Deus e está precisando de uma segunda chance, saiba que Deus tem poder para te restaurar ao teu estado original.
2 - Seja fiel a mensagem do evangelho, fale as palavras de Deus após Ele.
3 - Se você tem vivido uma vida de pecado como Nínive, siga seu exemplo, se arrepende e se humilhe debaixo da mão do Senhor.
4 - Trabalhe para um futuro onde povos, línguas e nações se prostrem diante de Deus.
