Vir ao culto não é o mesmo que adorar
Cristianismo do dia-a-dia • Sermon • Submitted • Presented
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· 4 viewsEm João 4.19–24, Jesus conversa com a mulher samaritana e redefine radicalmente o conceito de adoração. Ele ensina que o verdadeiro culto não depende de lugares sagrados ou rituais externos, mas da condição interior do crente. A mensagem destaca que "vir ao culto" não garante uma adoração genuína. A aplicação central é que Deus busca adoradores que se relacionam com Ele em "espírito e em verdade", submetendo suas vidas e preferências inteiramente à vontade revelada na Bíblia.
Notes
Transcript
João 4.19–24 (NAA)
19A mulher então lhe disse:
— Agora eu sei que o senhor é um profeta! 20Nossos pais adoravam neste monte, mas vocês dizem que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21Jesus respondeu:
— Mulher, acredite no que digo: vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém vocês adorarão o Pai. 22Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Porque são esses que o Pai procura para seus adoradores. 24Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
Introdução
Introdução
Continuando com nossa série de pregações “Cristianismo do Dia a Dia”, hoje abordaremos a questão do culto.
E, para começar, faço a vocês uma pergunta que parece simples à primeira vista, mas que exige nossa atenção:
Para cultuar ao Senhor, o que é mais importante: a forma de cultuar ou a sinceridade ao cultuar?
Mas antes de responder, vamos ao contexto do texto desta pregação.
Jesus estava na região da Judeia, onde fica a cidade de Jerusalém, e a fama dele estava aumentando muito. Ao contrário do que a maioria das pessoas faria, Jesus não “aproveitou a fama” para aparecer mais. Ao contrário, ele decidiu voltar para a Galileia, onde apareceria menos (Jo 4.1-4, cf. Jo 7.2-5).
Mas para chegar na Galileia, ele passou pela cidade de Sicar, da Samaria. Lá chegando, enquanto os discípulos estavam ausentes, Jesus sentou próximo a um poço e pediu água para uma mulher samaritana que chegou lá.
Jesus estava quebrando barreiras escandalosas ao fazer isso. Primeiro, porque judeus e samaritanos não se davam bem havia séculos. Os samaritanos eram um povo misturado, considerados impuros pelos judeus, que inclusive haviam destruído o templo de Samaria tempos antes. Segundo, porque os samaritanos insistiam em adorar no monte Gerizim, uma forma de culto que, à luz da Lei, era considerada errada pelos judeus. Terceiro, porque os rabis não falavam com mulheres em público, pois era considerado desonroso.
E é dessa maneira escandalosa que Jesus inicia a conversa. No início, a mulher mostrou desconforto. Todavia, como Jesus escolhia as palavras certeiras, logo a conversa tomou um rumo espiritual e a mulher se viu na situação de entrar em um tema delicado de sua vida (ela vivia com um homem que não era marido dela).
Mas o desconforto não fez com que ela se afastasse daquele judeu estranho. E é aí que a conversa toma um outro rumo, ainda espiritual, mas mais profundo que a discussão sobre as confusões da vida da samaritana.
Dessa conversa, vemos que a verdadeira adoração deve ser feita por aqueles que Deus chama e do jeito que Deus quer.
Exposição
Exposição
A pergunta errada – Onde devemos adorar?
A pergunta errada – Onde devemos adorar?
v.19-20 - A mulher então lhe disse: — Agora eu sei que o senhor é um profeta! Nossos pais adoravam neste monte, mas vocês dizem que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
v.19-20 - A mulher então lhe disse: — Agora eu sei que o senhor é um profeta! Nossos pais adoravam neste monte, mas vocês dizem que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
[Desenho: "A Caixa Bonita Vazia vs. A Caixa Simples Cheia". Descrição: Desenho de duas caixas de presente abertas. A Caixa 1 é cheia de laços e enfeites por fora, mas está totalmente vazia por dentro. A Caixa 2 é uma caixa de papelão simples, sem enfeites, mas dentro dela há um coração brilhante ou uma luz forte.]
A mulher samaritana foi ao poço por volta do meio-dia, a hora mais quente (Jo 4.6). Bom ela já havia tido cinco maridos e agora ou estava ajuntada com outro homem ou tinha um relacionamento com um homem casado (Jo 4.17-18).
É possível que ela fosse “mal falada” e tenha ido àquela hora para evitar o contato com as outras mulheres. Mas também é possível que ela tenha sido injustamente rejeitada e se visse como uma “coitada”. Seja qual for a motivação, a verdade é que a vida dessa samaritana estava uma bagunça por más escolhas e coisas ruins que ocorreram.
Mas ela não se sentiu rejeitada por Jesus. Mesmo quando Ele citou a situação dela, ela viu nele uma autoridade espiritual confiável e aproveitou a oportunidade para resolver uma dúvida que estava no coração. Mesmo com a “vida torta”, ela sentia a necessidade de saber o caminho certo para Deus. A dúvida dela tinha a ver com o local de culto.
Algumas coisas me vêm à mente quando penso nesta passagem.
Primeiro, que as pessoas nem sempre são simpáticas quando apresentamos o Evangelho, mas isto não quer dizer que o rejeitarão. Todo mundo tem dúvidas que só o Evangelho pode resolver.
Segundo, que Jesus veio atrás de gente com a “vida bagunçada” mesmo. Na igreja devemos ser sensíveis para notar que uma pessoa “problemática” hoje, pode se tornar um crente sincero amanhã.
Terceiro, a adoração a Deus não é um assunto secundário. Como Deus onisciente e onipotente, Jesus conduziu esta conversa para chegar no assunto da adoração, que estava no coração dela (Jo 2.23-25). Ele passou pela situação moral da mulher, mostrando que era algo relevante, mas quando tratamos dos pecados uns dos outros nosso alvo é mudar mais que o comportamento (parar tal pecado), mas mudar a adoração delas (quem elas realmente amam, qual o deus que realmente servem).
A resposta inesperada – Deus não está preso a lugares
A resposta inesperada – Deus não está preso a lugares
v.21-22 - Jesus respondeu: — Mulher, acredite no que digo: vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém vocês adorarão o Pai. Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
v.21-22 - Jesus respondeu: — Mulher, acredite no que digo: vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém vocês adorarão o Pai. Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
[Desenho: "O Vento Soprando Janela Afora". Descrição: Uma igrejinha simpática com as portas e janelas bem abertas. Vemos linhas de movimento (swirls) representando o Vento saindo de dentro da igreja, soprando folhas e flores para fora, em direção a um parquinho ou casas vizinhas.]
A resposta de Jesus quebra a lógica da disputa entre judeus e samaritanos. Jesus não diz o local nunca importou. Ele diz que está chegando a hora que o local não importará mais.
Jesus deixa claro que os samaritanos faziam uma adoração ignorante. O culto com sacrifício foi instituído na Lei e o lugar escolhido por Deus acabou por ser Jerusalém (2Cr 6.6, cf. Dt 12.5-6, 11; 26.2). Mas a esta escolha tinha uma função no tempo e Jesus, o Emanuel (Deus conosco) é o cumprimento do propósito de Jerusalém como presença de Deus (Jo 1.14).
Agora, não é mais o templo de Samaria ou de Jerusalém. Jesus faz questão de enfatizar que “a salvação vem dos judeus”, referindo-se ao fato de que o Messias prometido vem do povo judaico (alguns versículos adiante, a mulher vai reconhecer que Jesus é o messias prometido).
Assim, o culto não será mais baseado no que alguns acham que é o certo (samaritanos), nem centrado pra sempre na Lei de Moisés (como queriam os judeus), mas será o cumprimento de toda a revelação bíblica que aponta para a vinda do Salvador (como Dt 18.15; 2Sm 7:12–13; Sl 2.7-8; Is 9.6-7; Mq 5.2).
E essa não é só uma discussão antiga. Ainda hoje as pessoas tendem a achar que Deus tem um lugar mais santo na terra que os outros: o prédio da Igreja. E como a gente percebe isso?
Por exemplo, o culto é um momento importante e deve ser feito com ordem e decência (1Co 14.40) para mostrar nosso respeito e amor a Deus, então o bom comportamento dos adultos e das crianças é necessário e devemos nos esforçar nessa direção.
O problema é quando queremos bom comportamento só no templo. No resto dos lugares, nós achamos que “tudo bem um pecadinho leve”, não pode é pecar no “templo”. Não pode pecar em lugar nenhum! E crianças? Cobramos comportamento na igreja, mas nos outros lugares elas podem “tocar o terror”!
Pecado é pecado em qualquer lugar e deve ser evitado sempre. Já o comportamento deve ser adequado à cada situação. Mas se você (ou seus filhos) não oram e não leem a Bíblia em casa, não conversam sobre Deus em casa, ou até fazem estas coisas, mas se comportam durante a oração e leitura da Bíblia como se estivesse fazendo qualquer outra coisa, como esperam agir diferente no culto?
Outro exemplo, é daqueles que acham que “a oração é mais forte” na igreja. A oração em comunidade é uma das práticas do culto (At 2.42), mas a Bíblia não diz que a oração é mais forte no prédio da igreja. Na verdade, Deus quer tanto a oração no culto quanto em casa (1Timóteo 2:1–2,8)
Mas Jesus continua e explica porque o lugar não tem mais tanta importância:
A pergunta certa – A quem você responde com a vida?
A pergunta certa – A quem você responde com a vida?
v.23-24 - Mas vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Porque são esses que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
v.23-24 - Mas vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. Porque são esses que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
[Desenho: "Notas Musicais na Vassoura". Descrição: Uma criança (menino ou menina) varrendo o quarto ou guardando os brinquedos numa caixa. Enquanto ela faz essa tarefa comum, notas musicais saem da boca dela ou flutuam ao redor da cabeça.]
E a resposta de Jesus resume o que o Senhor Deus sempre quis do culto: que fosse feito por pessoas que realmente são de Deus, habitadas pelo Espírito de Deus (“em Espírito”) e, porque são de Deus, são pessoas que têm um relacionamento real com Deus e fazem a vontade dele (“em verdade”).
Deus sempre “buscou” este tipo de adorador. Através dos profetas, Deus se queixou da hipocrisia do povo, que mantinha os rituais e festas, mas cujo coração estava longe dele (ex.: Is 1.11-13; Am 5.21-23; Jr 7.4-6; Os 6.6). Cumpriam o ritual de servir a Deus toda semana, mas no restante dos dias, vivia cada um para si mesmos.
O ritual exterior, sem a santidade interior, ou seja, sem o coração convertido a Deus, é só hipocrisia, fingimento.
Mas o contrário também não vale de nada. Dizer que é convertido, mas querer cultuar do seu próprio jeito, ignorando o que o Senhor deseja, é igualmente hipocrisia. Deus ordenou que o culto fosse do jeito que Ele determinou (Lv 10.1-2; Dt 12.30-31; 2Cr 26.16-19). Paulo teve que enfrentar um problema similar ao falar com os irmãos colossenses:
Colossenses 2.23 “De fato, essas coisas têm aparência de sabedoria, ao promoverem um culto que as pessoas inventam, falsa humildade e tratamento austero do corpo. Mas elas não têm valor algum na luta contra as inclinações da carne.” NAA (RA “culto de si mesmo”)
Veja que Deus quer um culto “em verdade”, ou seja, um culto em resposta ao Deus que se revelou plenamente em Cristo, e não segundo preferências pessoais. E isso inevitavelmente leva-nos a cultuá-lo de maneira submissa à revelação, à Bíblia.
Algumas pessoas pensam que devemos colocar danças, outras querem músicas antigas, outras modernas, teatro ou pregadores engraçados. Todo mundo querendo fazer a própria vontade, mas quando o culto será para fazer a vontade de Deus?
O culto deve ser agradável a Deus e, se nós nos agradamos dele, o culto também será agradável a nós. E nós não vamos agradar a Deus prestando um culto a Ele contrário à Sua Palavra. Isso não significa que a Bíblia prescreva cada detalhe litúrgico, mas que ela define os princípios que governam o culto.
Conclusão
Conclusão
Então, para cultuar ao Senhor, o que é mais importante: a forma de cultuar ou a sinceridade ao cultuar?
AMBOS.
Cultuar a Deus é algo que deve vir de um coração convertido, sincero. Você já se arrependeu dos seus pecados? Já se entregou a Jesus? Então, você pode adorá-lo em Espírito.
Além disso, cultuar a Deus deve ser feito em submissão à vontade dele. Você está satisfeito em cultuar a Ele de acordo com a Bíblia ou insiste que o culto deve agradar primeiro a você? Se você deseja fazer a vontade dele, então, você pode adorá-lo em verdade.
A pergunta não é apenas se você vem ao culto, mas se o Deus que se revelou em Cristo é aquele a quem você responde com toda a vida.
