INTRODUÇÃO AO SERMÃO DO MONTE -

SERMÃO DO MONTE  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 3 views
Notes
Transcript

SERMÃO DE ABERTURA DA SÉRIE

O Sermão do Monte: A Vida do Reino de Deus

Texto-base: Mateus 5–7 Leitura inicial: Mateus 5.1–2

INTRODUÇÃO

Irmãos, poucas passagens das Escrituras são tão conhecidas — e ao mesmo tempo tão mal compreendidas — quanto o Sermão do Monte. Muitos o tratam como um ideal ético elevado; outros, como um conjunto de princípios morais para melhorar a sociedade. Mas isso é reduzir drasticamente aquilo que Jesus está fazendo aqui.
Martyn Lloyd-Jones afirma:
“O Sermão do Monte não é uma descrição do que todos deveriam ser, mas do que os cristãos são.”
Jesus não está oferecendo conselhos. Ele está revelando uma vida. Não está chamando pessoas a se esforçarem mais, mas descrevendo o caráter daqueles que já foram alcançados pela graça. O Sermão do Monte não é o caminho para entrar no Reino, mas o retrato de quem já entrou.

I. O SERMÃO DO MONTE É PARA OS DISCÍPULOS E REVELA UM PADRÃO IMPOSSÍVEL SEM NOVO NASCIMENTO

(Mateus 5.1–2)
“Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte; e, como se assentasse, aproximaram-se dele os seus discípulos.”
Esse detalhe inicial não é apenas narrativo — é teológico. Jesus não se dirige à multidão como se todos já pertencessem ao Reino. Ele chama os discípulos para perto e passa a descrevê-los.
Martyn Lloyd-Jones afirma:
“O Sermão do Monte não nos diz como entrar no Reino, mas como é a vida daqueles que já entraram.”
Isso significa que o Sermão do Monte:
Não ensina como alguém se torna cristão. João 1.12–13 “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”
O sermão do Monte Ensina como vive quem já nasceu de novo. 2Coríntios 5.17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
John Stott reforça essa verdade ao dizer:
“O Sermão do Monte é um retrato do discípulo cristão, não uma lista de requisitos para se tornar um.”
No entanto, quando Jesus começa a expor esse retrato, o que Ele descreve é um padrão completamente fora do alcance da natureza humana caída.
Jesus exige:
Um coração pobre de espírito (Mt 5.3);
Um amor que alcança os inimigos (Mt 5.44);
Uma justiça que excede a dos fariseus (Mt 5.20);
Uma vida íntegra diante de Deus no secreto (Mt 6.1–6);
Uma confiança total no Pai, livre de ansiedade (Mt 6.25–34).
Martyn Lloyd-Jones declara com precisão:
“O Sermão do Monte foi dado para nos mostrar que, por nós mesmos, somos totalmente incapazes de vivê-lo.”
Esse padrão não existe para nos conduzir ao desespero, mas à dependência. A Escritura afirma:
“Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.20).
E Jesus mesmo diz:
“Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5).
Tim Keller resume essa tensão ao afirmar:
“Jesus eleva o padrão moral não para nos afastar, mas para nos mostrar o quanto precisamos de graça.”
Aplicação.
Se o Sermão do Monte não nos confronta, é porque nós o amenizamos. Se ele não nos humilha, é porque o reduzimos à nossa própria medida. E se ele não nos conduz a Cristo, nós o distorcemos, transformando graça em moralismo religioso.
Por isso, a pergunta central não é: “Eu consigo viver isso?” mas: “Eu já nasci de novo?”
Uma vez que Jesus deixa claro quem são os destinatários do Sermão e qual é a impossibilidade natural de vivê-lo, Ele agora nos mostra onde tudo começa: não nas ações externas, mas no coração transformado.

II. O SERMÃO DO MONTE DESCREVE QUEM SOMOS ANTES DO QUE FAZEMOS.

Jesus começa com as bem-aventuranças (Mt 5.3–12), não com mandamentos externos. Ele começa com o ser, não com o agir.
Pobres de espírito
Mansos
Misericordiosos
Puros de coração
John Stott afirma:
“As bem-aventuranças são o retrato falado do discípulo cristão.”
Essa ênfase ecoa 1 Samuel 16.7:
“O homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.”
Tim Keller resume bem essa verdade:
“Religião diz: eu obedeço, logo sou aceito. O evangelho diz: sou aceito, logo obedeço.”
👉 Aplicação: O Reino de Deus não produz atores religiosos, mas filhos transformados (Rm 8.15). A justiça do Reino não é exibida, é frutificada (Mt 7.16–18).

IV. O SERMÃO DO MONTE MOSTRA QUE O CRISTÃO É RADICALMENTE DIFERENTE DO MUNDO

Jesus afirma:
“Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13–14).
Isso implica contraste.
O mundo vive para si; o cristão vive para Deus (Rm 14.7–8);
O mundo revida; o cristão perdoa (Mt 5.39);
O mundo busca aplauso; o cristão busca a aprovação do Pai (Mt 6.1–4).
Lloyd-Jones diz:
“O cristão não é alguém que vive um pouco melhor que os outros, mas alguém completamente diferente.”
👉 Aplicação: Se nossa fé não nos diferencia em valores, reações e motivações, precisamos reexaminar se é a fé do Reino (Mt 7.21).

V. O PROPÓSITO FINAL DO SERMÃO DO MONTE: NOS CONDUZIR A CRISTO

O Sermão do Monte não termina em nós. Ele aponta para Cristo.
Ele é o único que viveu perfeitamente Mateus 5–7 (1Pe 2.22);
Ele cumpriu toda a justiça (Mt 5.17);
Ele morreu por nossa incapacidade de viver essa justiça (2Co 5.21).
Tim Keller afirma:
“Jesus não apenas nos ensina o Sermão do Monte; Ele o viveu em nosso lugar.”
E Paulo declara:
“Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1.27).
👉 Aplicação final: Não entramos nessa série para nos tornarmos moralmente melhores, mas para nos tornarmos mais quebrantados, mais dependentes e mais parecidos com Cristo.

CONCLUSÃO

Ao iniciarmos essa caminhada pelo Sermão do Monte, oremos para que Deus nos livre de dois perigos:
Da justiça própria, que se orgulha (Lc 18.9–14);
Do desespero, que esquece da graça (Rm 8.1).
Que o Espírito Santo use esse sermão para nos examinar (Sl 139.23–24), nos transformar (2Co 3.18) e nos conduzir diariamente a Cristo.
Que ao final dessa série possamos dizer não apenas: “Aprendemos mais”, mas: “Fomos mais moldados à imagem do nosso Rei.”

Ilustração Real: O Sermão que Mudou um Império — e Revelou um Coração

No ano 363 d.C., o imperador romano Juliano, conhecido na história como Juliano, o Apóstata, tentou restaurar o paganismo no Império Romano e enfraquecer o cristianismo.
Ele observou algo curioso.
Juliano escreveu que o maior problema do paganismo não era a falta de templos ou de rituais, mas o fato de que os cristãos viviam de forma diferente. Eles:
cuidavam dos pobres,
acolhiam estrangeiros,
ajudavam viúvas e órfãos,
amavam até os inimigos.
Juliano admitiu, com frustração, que o Império estava sendo vencido não por espadas, mas por uma ética de vida que vinha dos ensinos de Jesus — especialmente do Sermão do Monte.
Ele tentou copiar essa ética, mandando que sacerdotes pagãos criassem obras de caridade semelhantes às dos cristãos.
📌 O resultado? Fracasso total.
Por quê?
Porque o Sermão do Monte não funciona quando é apenas imitado externamente. Ele só pode ser vivido por quem foi transformado internamente.
📖 O que Juliano percebeu, sem querer, foi isso:
O cristianismo não conquistou o mundo antigo porque tinha melhores leis, mas porque tinha pessoas com novos corações.
👉 O Sermão do Monte não é um ideal social para ser copiado por qualquer cultura. É a expressão visível de uma vida regenerada.

Aplicação para a introdução

“O mesmo Sermão que mudou o coração dos discípulos, confrontou um imperador. Ele pode ser admirado, copiado, elogiado — mas só pode ser vivido por quem nasceu do alto.”
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.