29ª Parábola - Servo inútil

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Lucas 17.1–10 NVI
1 Jesus disse aos seus discípulos: “É inevitável que aconteçam coisas que levem o povo a tropeçar, mas ai da pessoa por meio de quem elas acontecem. 2 Seria melhor que ela fosse lançada no mar com uma pedra de moinho amarrada no pescoço, do que levar um desses pequeninos a pecar. 3 Tomem cuidado. “Se o seu irmão pecar, repreenda-o e, se ele se arrepender, perdoe-lhe. 4 Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe”. 5 Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” 6 Ele respondeu: “Se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, poderão dizer a esta amoreira: ‘Arranque-se e plante-se no mar’, e ela lhes obedecerá. 7 “Qual de vocês que, tendo um servo que esteja arando ou cuidando das ovelhas, lhe dirá, quando ele chegar do campo: ‘Venha agora e sente-se para comer’? 8 Ao contrário, não dirá: ‘Prepare o meu jantar, apronte-se e sirva-me enquanto como e bebo; depois disso você pode comer e beber’? 9 Será que ele agradecerá ao servo por ter feito o que lhe foi ordenado? 10 Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’ ”.

Introdução e desenvolvimento

Meus irmãos essa pequena parábola está no meio de um ensino que vem sendo construído por Jesus, Lucas é muito sábio ao construir toda essa narrativa do que Jesus estava ensinando.
Ha um crescente confronto entre a graça soberana de Deus e a religiosidade farisaica, culminando na correta compreensão do discipulado autêntico e da fé genuína, cuja expressão final é apresentada na parábola de Lucas 17.7–10. Nos capítulos anteriores, Jesus expõe a Loooonga distância entre o coração de Deus e a postura dos líderes religiosos. No capítulo 15, quando falamos de algumas das parábolas da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho perdido, revela-se o amor compassivo do Pai que busca ativamente os pecadores e se alegra com o arrependimento. Essas parábolas surgem como resposta direta à acusação dos fariseus de que Jesus “recebia pecadores e comia com eles”, demonstrando que tal atitude reflete exatamente o agir do próprio Deus. A figura do irmão mais velho concentra a postura dos fariseus: ressentida, autocentrada, incapaz de compreender a graça e são totalmente hostis à restauração dos perdidos.
No capítulo 16, essa crítica aos fariseus fica ainda mais profunda. A atitude do irmão mais velho se revela não apenas pecaminosa, mas também espiritualmente insensata, pois aqueles que permanecem endurecidos não herdarão as moradas eternas. A parábola do administrador astuto ensina que, embora os “filhos deste mundo” frequentemente ajam com maior sagacidade prática, isso não implica aprovação da desonestidade. Pelo contrário, o ensino culmina na afirmação decisiva de que não se pode servir a Deus e a mamom(Riquezas). Os fariseus, descritos como amantes do dinheiro, escarnecem de Jesus (vs14)porque tentam conciliar exteriormente/ aparentemente uma devoção “santa” a Deus com um coração dominado pela avareza. Embora se apresentem como defensores da lei, são justamente os que a transgridem, especialmente em sua prática distorcida quanto ao matrimônio e ao divórcio(vs18). A parábola do rico e Lázaro (que vimos na semana passada) esclarece o destino final desses que se justificam a si mesmos e rejeitam o arrependimento: o juízo é inevitável e irreversível.
Então a gente entra no capítulo 17, o foco desloca-se explicitamente para os discípulos. Os fariseus não apenas permanecem impenitentes, mas também escandalizam outros, tornando-se instrumentos de tropeço. Diante disso, Jesus adverte que as tentações são inevitáveis, mas terrível é a responsabilidade daquele por meio de quem elas vêm. Ou seja quem provoca a tentação no outro e faz os outros caírem e se desviarem… E claro oposto a isto em contraste com a dureza farisaica, os seguidores de Cristo são chamados a viver uma ética marcada por cuidado, perdão e humildade. Conscientes de sua própria insuficiência, os apóstolos respondem ao ensino de Jesus com o pedido: “Aumenta-nos a fé”.
Só que precisamos olhar a importância desse pedido dos discipulos a Jesus - “Aumenta-nos a fé”. Não sabemos os sentimentos íntimos que produziram o pedido deles. Talvez o coração dos apóstolos tenha desanimado ao ouvir dos lábios de nosso Senhor ensinamentos árduos, uns após os outros. Talvez eles tenham pensado: “Quem é suficiente para essas coisas? Quem pode entender doutrinas tão difíceis e seguir tão elevado padrão de conduta?”. Só pensando aqui meus irmãos...Mas uma coisa é certa e evidente: o pedido dos apóstolos era profundamente importante: “Aumenta-nos a fé”.
A fé é a raiz do cristianismo que salva. “Sem fé, é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). A fé é a mão por meio da qual a alma se agarra e se une a Jesus Cristo, tornando-se salva. É o segredo de todo o conforto e de todo o crescimento espiritual do crente. A paz, a esperança, o vigor, a coragem, a vitória sobre o mundo e a determinação de um crente serão proporcionais à sua fé. Ao apresentarem a Jesus esse pedido a respeito da fé, os apóstolos o fizeram com sabedoria.
A fé é uma virtude que admite graus. Ela não atinge pleno vigor e perfeição imediatamente após ser plantada no coração por intermédio do Espírito Santo. Há a pequena e a grande fé, a fé vigorosa e a frágil. A Bíblia nos fala sobre todas elas. Todas serão vistas nas experiências do povo de Deus. Quanto mais fé um crente possuir, mais feliz, santo e útil será. Promover o crescimento e o progresso da fé deve ser a oração diária e o empenho de todos os que amam a vida. Os apóstolos fizeram bem ao pedir: “Aumenta-nos a fé”.
Irmãos Nós realmente temos fé? Acima de tudo, temos aqui um importante questionamento que pode ser suscitado em nosso coração. A fé salvadora não é apenas a simples repetição de um credo, dizendo: “Eu creio em Deus, o Pai; em Deus, o Filho; e em Deus, o Espírito Santo”.
Milhares de pessoas estão utilizando essas palavras regularmente, mas não conhecem a verdadeira fé. Nesse sentido, as palavras do apóstolo Paulo são solenes: (2Tessalonicenses 3.2 “2 Orem também para que sejamos livres das pessoas perversas e más; porque a fé não é de todos.” ) “A fé não é de todos” . A fé verdadeira não é algo natural ao homem; ela vem do céu; é um dom de Deus.
Se temos uma pequena fé, oremos para que a tenhamos em mais intensidade. Viver na dependência de uma antiga medida de fé e não ter fome e sede de crescer na graça, esse é um péssimo sinal do estado espiritual de uma pessoa. Em nossas devoções diárias, oremos para que tenhamos mais fé e desejemos sinceramente os melhores dons.
É nesse contexto que a parábola de Lucas 17.7–10, conhecida como a do servo inútil, assume papel culminante e esclarecedor. Nela, Jesus descreve um servo que, após cumprir suas tarefas no campo, continua servindo ao seu senhor sem esperar reconhecimento especial.
No mundo materialista da sociedade ocidental em que todos nós estamos inseridos, a parábola do fazendeiro e seu servo parece, de certo modo, fora de lugar. As disputas trabalhistas, de um tipo ou de outro, são comuns, hoje em dia. Salários mais altos e jornadas mais curtas são parte das exigências da força de trabalho. Um empregado de determinado setor não pode, simplesmente, passar para outro. Cada trabalhador deve fazer a tarefa para a qual foi contratado.
A parábola contada por Jesus deixa entrever parte da relação empregador-empregado daqueles dias. Embora as circunstâncias atuais sejam outras, a aplicação da parábola não tem limite no tempo. A mensagem transmitida nesse esboço da vida agrícola da sociedade do século 1º é permanente e relevante ainda hoje. Ele queria apenas usar um fato real da vida daqueles dias para mostrar que os cristãos são servos de Deus e que o serviço prestado a Ele não deve ser nem entendido, nem praticado como fonte de méritos: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer (v. 10).
Então, como aceitar isso? Ora, basta lembrarmos que servir à vontade de Deus não é ir contra a nossa vontade, porque a vontade dele é a nossa vontade mais profunda. Em outras palavras, servir ao que Deus quer é servir ao que nós mesmos queremos. Afinal, a vontade dele é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2). Quem ainda não descobriu isso não conhece o Deus verdadeiro, porque Ele é a fonte da liberdade e da vida. Servir a Deus é encontrar essa liberdade e vida que tanto procuramos.
O contexto da parábola é esse relacionamento frio e impessoal do mundo antigo, quando o que se esperava de um escravo era que obedecesse ao que seu senhor ordenasse. Se o dono desse ordens ao servo para arar o campo durante o dia e preparar o jantar, quando voltasse, ele, simplesmente, obedeceria, pois sabia que essa era sua tarefa. Era simples assim. E, por ter feito sua tarefa, o escravo não recebia agradecimentos, porque não era costume agradecer-lhes.
O que Jesus está dizendo com essa parábola?
É uma MARRETADA que nosso Senhor deu na justiça própria. Ele declarou aos seus apóstolos: “Depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.
Naturalmente, todos nós somos orgulhosos e cheios de justiça própria. Pensamos de maneira elevada a respeito de nós mesmos, de nossos merecimentos e de nosso caráter, mais do que realmente temos o direito de fazê-lo. Essa é uma doença sutil que se manifesta de muitas maneiras DIFERENTES. Muitos podem achá-la nas outras pessoas; poucos admitirão sua presença em si mesmos. Dificilmente encontramos uma pessoa que, embora seja bastante ímpia, não bajule secretamente a si mesma, dizendo que existem pessoas piores do que ela mesma. Raramente encontraremos um crente que, em algumas ocasiões, não será tentado a se contentar e a se sentir satisfeito consigo mesmo. Existe um tipo de orgulho que veste a capa da humildade. Não existe um coração sobre a terra que não contenha um pequeno aspecto do caráter dos fariseus. COmo se diz aquela máxima - Não se trata de ter ou não ter ORGULHO, mas o quanto de orgulho você tem?!!
Abandonar a justiça própria é algo absolutamente necessário para a salvação. Aquele que deseja ser salvo deve confessar que, em si mesmo, não existe qualquer coisa boa; que não possui nenhum mérito, nenhuma bondade, nenhuma dignidade própria. Precisa estar disposto a renunciar à sua justiça pessoal e confiar na justiça de outro, o próprio Senhor Jesus Cristo. Tendo sido perdoados, devemos seguir a jornada diária da vida sob a profunda convicção de que somos “servos inúteis”. No melhor de nós mesmos, cumprimos apenas nossas obrigações e nada temos de que nos gloriar. E, mesmo quando as cumprimos, isso não acontece por nossa própria força ou por nossa capacidade, e sim pelo poder que Deus nos outorga. Não temos qualquer reivindicação diante de Deus ou dignidade alguma para merecer coisas da parte dele. Tudo que temos, nós o recebemos; tudo que somos devemos à soberana e eminente graça de Deus.
Qual é a verdadeira causa da justiça própria? Como podemos explicar que uma criatura frágil, desamparada e caída como o homem pode sonhar que merece alguma coisa de Deus? A justiça própria resulta da ignorância. Os olhos de nosso entendimento espiritual estão naturalmente cegos. Não conseguimos ver a nós mesmos, nem nossa vida, nem Deus ou sua lei da forma como deveríamos. Quando a luz da graça divina resplandece no coração de uma pessoa, o reino da justiça própria termina. As raízes do orgulho podem ainda permanecer e produzir frutos amargos. Mas o poder do orgulho é quebrado quando o Espírito Santo entra no coração de uma pessoa e lhe revela seu próprio eu e a Deus. O verdadeiro crente nunca confiará em sua própria bondade. Ele dirá, assim como o apóstolo Paulo: “Sou o principal dos pecadores” (1Tm 1.15); “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6.14).
Ao final, o servo não reivindica mérito, mas reconhece: “Somos servos inúteis; fizemos apenas o que devíamos fazer”. O ensino central não é a desvalorização do serviço, mas a correção da mentalidade religiosa baseada em mérito, direitos e recompensas. Jesus mostra que a fé genuína não opera de maneira mecânica, calculista ou interesseira, como se Deus estivesse em dívida com o ser humano. Ao contrário, o verdadeiro discipulado flui de um coração transformado pela graça, no qual a obediência é expressão natural de amor, e não tentativa de autopromoção espiritual. Assim, a parábola desmonta a lógica farisaica e estabelece que, diante da soberania e da graça de Deus, todo serviço é resposta humilde, e não fundamento de reivindicação, não moeda de troca.
O que conta não é quanto temos, mas em que espírito o fazemos: Tanto Caim quanto Abel apresentaram uma oferta. Tanto o fariseu quanto o publicano entraram no templo para orar. Em cada caso, quão grande foi a diferença!
O bom servo reconhece que poderia ter se esforçado muito mais no cumprimento da tarefa que lhe foi encomendada. Isso exige humildade, entrega, dependência e compromisso com Deus.
Dessa forma - na contramão de como se move esse mundo de hoje: os discípulos são servos do Senhor Jesus Cristo. Eles lhe pertencem — espírito, alma e corpo. À luz do Calvário, nada que possam fazer para o Salvador é suficiente para recompensá-lo pelo que ele tem feito. E, assim, depois que o discípulo tiver feito tudo o que foi mandado no NT, ele ainda deve admitir que é um servo inútil que fez apenas o que devia fazer.
No reino de Deus – Onde a gente reconhece alegremente a soberania de Deus – as coisas são inteiramente diferentes. Seguramente que aqui também os filhos de Deus querem fazer sua vontade, mas eles a fazem com alegria de coração, no espírito de amor e gratidão.
SDG
E isso nos faz merecedores de algum prêmio especial? Não! Talvez o prêmio deva ser dado a Deus. Você tem servido a Deus com qual motivação? Alegre-se pela possibilidade de servi-lo!

Jesus disse:

3  — Bem-aventurados

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