Tristeza, lágrimas que lavam a alma - Sl 42

Entre Lágrimas e promessas: A voz de Cristo no Silencio  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O Salmo 42 é o desabafo de um povo que, ao que tudo indica, vivia longe de casa, da família e do templo — mas, acima de tudo, é o clamor de um adorador impedido de adorar. Sem saber quando poderiam voltar, eles se lembravam do passado e se firmavam nas promessas de Deus para o futuro

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TRISTEZA, LÁGRIMAS QUE LAVAM A ALMA
Salmo 42
Quem já assistiu Divertidamente sabe: a história de Riley mostra uma menina vista como forte e alegre, alguém que parecia viver só de cores vivas e risos fáceis. Mas, dentro dela, também habitava a Tristeza — pequena, azul, silenciosa, caminhando devagar e enxergando tudo com mais profundidade.
Por muito tempo, Riley achou que sentir tristeza era errado. Tentou escondêla, tentou ser forte, tentou manter o sorriso mesmo quando o coração pedia descanso. A alegria parecia mais prática, mais aceita, mais certa.
Mas chegou um tempo de mudanças, daqueles que mexem fundo. E, quando a alegria já não dava conta do peso que Riley carregava, foi a Tristeza que se aproximou. Ela tocou as memórias da menina — não para apagálas, mas para laválas. As lágrimas que vieram não mostravam fraqueza, mas sinceridade. E, ao chorar, Riley permitiu que outros a enxergassem de verdade, se aproximassem, cuidassem e a ajudassem a se levantar.
Assim, Riley descobriu que a tristeza não rouba a alegria; prepara o caminho para que ela volte mais madura. Algumas lágrimas não afogam — lavam. E, quando acolhida, a tristeza se torna parte da cura, não da derrota.
Quem nunca experimentou a tristeza? Todos nós já sentimos esse peso que, às vezes, parece morar dentro da gente. A tristeza faz parte da nossa condição humana; não é sempre fruto de um erro pessoal. O próprio Jesus, fonte de alegria e tão humano quanto nós, também se entristeceu e chorou, como os Evangelhos mostram.
O Salmo 42 é o desabafo de um povo que, ao que tudo indica, vivia longe de casa, da família e do templo — mas, acima de tudo, é o clamor de um adorador impedido de adorar. Sem saber quando poderiam voltar, eles se lembravam do passado e se firmavam nas promessas de Deus para o futuro.
Esse salmo nos mostra que a tristeza pode nos prostrar e nos abater, mas, quando voltamos o coração para Deus, o choro se converte em culto e o lamento se transforma em louvor. A Bíblia chama isso de lamento — não é abandono da fé, mas uma fé que se recusa a mascarar a dor. Lamentar é permitir que o sofrimento, em vez de nos afastar de Deus, nos conduza de volta a Ele.
O Salmo 42 revela a tristeza dos servos de Deus, que antes eram cheios de alegria (v.4), mas agora enfrentam os desgostos da vida. A tristeza se tornou a grande batalha daquele povo, dia após dia — constante, persistente, uma dor profunda que parecia não ter fim (v.3,7). Não era algo momentâneo; virou o próprio ambiente em que a alma deles passou a habitar.
Esse sentimento não era isolado. Não era apenas um homem chorando, uma mulher lamentando ou uma criança gemendo — era um povo inteiro sofrendo. A tristeza alcança qualquer pessoa; não faz distinção de idade, gênero, etnia, classe social ou estado civil. Ela é atemporal, mas nasce das circunstâncias. Não há um momento certo para chegar, mas sempre existe algo que pode nos entristecer. Uma roupa, um sabor, um gesto, uma palavra, um lugar, uma pessoa, uma lembrança — qualquer detalhe pode encher nossos olhos de lágrimas e abater a nossa alma.
A tristeza dói. Às vezes, ela nos cega com as próprias lágrimas, nos silencia com nossos gemidos e nos paralisa dentro da dor. É um sentimento quieto, que não faz alarde; chega de repente, de forma sutil, e nos esconde, nos isola, nos afasta, a ponto de ninguém nos ver, ou de não queremos ser vistos.
O Salmo nos mostra que opositores daquele povo ainda reforçavam essa dor, lembrandoos do que mais machucava. Era como se estivessem cercados por tudo aquilo que os entristecia, e qualquer direção que olhassem parecia confirmar que a tristeza seria permanente.
Você já viveu algo assim — uma tristeza tão profunda que faz parecer que o sorriso não volta, que a luz continua acesa, mas as lágrimas deixam tudo embaçado. A tristeza nos abate (v. 5,11), esgota nossas forças, nos faz pensar em desistir, abandonar sonhos e, às vezes, até questionar a Deus. Ela nos curva, impede que levantemos os olhos, como se uma pedra pesada estivesse sempre à frente, bloqueando o caminho.
Essa é a tristeza que nos prende em casa quando todos querem sair, que tira a satisfação de um bom trabalho, o sabor de uma boa refeição, o prazer de uma boa companhia e até a alegria de um casamento. A mesma tristeza que nos torna indiferentes à felicidade dos outros, roubando o sentido, o sabor, a cor e até o amor. Quantas vezes você deixou de sair, de comer, de conversar, de agradecer e até de cultuar porque estava triste?
Ficamos assim porque nos percebemos incompletos; algo que desejamos e não temos parece arrancar a nossa alegria. E, quando acreditamos que nada nem ninguém além daquilo que queremos pode nos satisfazer, acabamos nos recolhendo, nos fechando, nos afastando.
A tristeza é real, comum, às vezes silenciosa e sempre à espreita — mas não é invencível. É isso que este salmo nos mostra. Se você está triste, tem vivido dias pesados ou se entristece com facilidade, preste atenção ao que ele nos ensina, você vai economizar horas e muitos reais de terapia.
Logo no início, o salmista afirma que a única saída para sua tristeza é Deus (v.1,2,5b,9). Ele chega a essa certeza porque, na solidão que a tristeza provoca, sua única companhia é a própria alma. E é nesse diálogo interior que ele se confronta e se chama de volta ao caminho (v.5a), praticando a antiga e necessária arte da auto exortação bíblica.
Na maioria das vezes, o que precisamos é parar e conversar conosco mesmos, pensar e refletir sobre nossas prioridades, afetos e contradições. É necessário desnudar a alma, tentar enxergar quem realmente somos e o que, de fato, estamos sentindo — raiva, decepção, vaidade, tristeza.
Precisamos nos perguntar: O que tem ocupado mais meus pensamentos hoje — o Reino de Deus ou minhas preocupações. O que me entristece mais — ferir o coração de Deus ou lidar com as consequências do pecado. A quem preciso perdoar, ou de quem preciso pedir perdão. E, o mais importante, o que amo mais — as bênçãos de Deus ou o Deus que abençoa.
O salmista converte a tristeza em contrição, a dor em cura, as lágrimas em culto e a súplica em louvor. Ele entende que não pode alterar o que acontece ao seu redor, mas pode enfrentar o que se passa dentro de si. A tristeza vem de fora, mas faz morada no íntimo. Por isso ele volta o olhar para dentro, procurando a origem de sua dor, a razão do abatimento de sua alma.
De alguma forma eles estavam longe da Casa de Deus, tinham perdido o acesso, assim como muitas vezes nós também não conseguimos recuperar o que perdemos, corrigir o que fizemos ou trazer de volta o que se foi.
O que tem feito você chorar — o erro cometido ou as acusações recebidas? A perda em si ou a necessidade de reconstrução? A dor da partida ou o desejo do reencontro? A crise da fé não começa quando sentimos dor, mas quando não conseguimos mais interpretar Deus dentro dela. Há momentos em que o maior sofrimento não é a dor em si, mas a sensação de que Deus está ausente dela.
No diálogo sincero com sua alma, o salmista percebe, mesmo em meio às lágrimas, que sem Deus, Jerusalém é apenas uma cidade, sua casa apenas abrigo, o templo apenas um prédio, e sua vida apenas existência — porque é Deus quem dá sentido a tudo isso.
Deus é a resposta para o sofrimento (v.11). É Ele quem torna Jerusalém sagrada, quem transforma a casa em lar, o templo em altar, a vida em culto. Por isso o salmista deseja Deus: porque Deus é sua resposta, sua alegria, sua satisfação. Ele entende que precisa buscar o Senhor em todo tempo — perto ou longe, tendo ou perdendo, de pé ou caído, são ou ferido.
Deus é a resposta para a tristeza. Só Ele pode dar sentido às nossas dores, trazer alívio às aflições, vitória em meio às lutas e consolo em meio às perdas (v.8). Por isso ele não espera ocasião oportuna para adorar a Deus (v.4,8b), ela não espera voltar a Jerusalém, não espera está sentado na poltrona da sua casa com seus filhos aos seus pés, não espera o templo acender o incensário, não espera está feliz para adorar a Deus. Ele adora a Deus em meio ao sofrimento, pois entender que nada pode impedir a adoração a Deus.
O que nós estamos esperando para se alegrar em Deus? A cura de uma enfermidade? A venda de bens? A conversão de algum parente? A promoção no serviço, o aumento salarial? Nossa adoração não pode está condicionada ao que queremos, mas a quem temos e servimos, Cristo que nos salvou.
É na busca por Deus que a tristeza encontra seu fim; é ao encontrar satisfação n’Ele que a alegria é restaurada; é no culto a Deus que somos transformados. Diante d’Ele, lágrimas se convertem em riso, o sofrimento dá lugar à cura, e a solidão é transfigurada em solitude cheia de sentido.
Essa é a grande mensagem anunciada pelo profeta Isaías:
“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres; enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a conceder aos que choram em Sião uma coroa em lugar de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto e manto de louvor em lugar de espírito angustiado. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.” (Is 61.1–3)
É isso que o Evangelho realiza. É assim que Cristo opera: transformando dor em redenção, luto em esperança e ruínas em testemunho da glória de Deus
A tristeza da perda, para o salmista, transformouse em anseio e desejo por Deus. Da mesma forma, a sua própria tristeza pode se tornar motivo de culto, quando você decide voltar o olhar para o Senhor, buscálo e desejálo mais do que a própria felicidade.
Talvez, como o salmista, pensemos que Deus nos abandonou. Mas Ele não se esqueceu de você (v.9). Ele não está ausente, mesmo quando parece distante. Não partiu junto com o que você perdeu, não deixou de existir com o que se quebrou, não morreu com quem se foi. Ele permanece presente — mais do que nunca — porque é Ele quem ampara o abatido e renova as forças do cansado. A graça não aparece depois da crise; ela brota justamente no meio dela.
O salmo “não resolve o problema do silêncio de Deus, mas ensina como viver enquanto Ele silencia”. Não espere sentir esperança para esperar em Deus. Maturidade espiritual não significa viver sem crises, mas aprender a esperar em Deus enquanto passa por elas. Espere em Deus — e a esperança chegará no tempo certo.
Esperar em Deus não é negar a dor; é não permitir que ela tenha a última palavra.
Por isso...
Chore, mas permita que suas lágrimas reguem a sua fé.
Lamente, mas não se entregue à reclamação — eleve a voz ao seu Salvador.
Sofra, mas lembrese de que Cristo carregou a dor mais profunda por você na cruz.
Afastese, não da Igreja nem de Deus, mas de tudo o que enfraquece sua adoração.
Questione, mas questione a si mesmo, buscando enxergar onde realmente está o seu coração.
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