DO ÉDEN AO DESERTO - O DEUS QUE VEM ATRÁS DO HOMEM

Marcos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Ao pecar, o homem foi para o deserto de onde não sabe voltar e não pode voltar sozinho; Jesus, movido pelo Espírito foi ao deserto ao encontro do homem.

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Gn.3.24; Mc.1.12

INTRODUÇÃO – Dois movimentos opostos
Há textos na Bíblia que parecem distantes entre si, mas quando colocados lado a lado revelam a grande história de Deus. A Bíblia começa com um movimento doloroso: o homem sendo expulso da presença de Deus (Gn 3.24).
E o Evangelho de Marcos apresenta um movimento surpreendente: o Filho do Homem sendo impelido pelo Espírito ao deserto(Mc 1.12).
Um é expulso por causa do pecado. Foi lançado para longe. O outro é enviado por causa do amor. Enviado para estar perto do que foi expulso.
O primeiro movimento é o da queda: o homem fugindo de Deus. O segundo é o da graça: Deus indo atrás do homem.
A história da salvação é exatamente isso: o homem se afastando e Deus se aproximando.
A partir desses dois textos, vemos que a Bíblia não é apenas a história do homem que se perdeu, mas do Deus que se recusa a perdê-lo (parábola de Lc.15). E é sobre esse Deus — que entra no deserto para resgatar o expulso — que vamos refletir hoje.
DESENVOLVIMENTO
1. Ocorrendo o pecado o ser humano foi expulso do Éden (Gn 3.24)
O texto diz que Deus “expulsou” o homem e o colocou fora do jardim. A palavra traz a ideia de ser impelido (ou melhor: EXPELIDO) para longe, arrancado do lugar da comunhão.
O homem fora proibido de “retornar” por sua própria vontade.
O que o pecado faz?
Rompe a comunhão – Rm.3.23.
Gera medo e vergonha – Gn.3.10.
Cria distância.
Constrói desertos interiores.
O homem sai do jardim e entra no deserto da existência humana: um lugar de incerteza, confusão, solidão e busca.
O deserto representa a condição espiritual do ser humano sem Deus.
Aplicação: Todos nós conhecemos esse deserto — escolhas erradas, vazios, dúvidas, caminhos sem saída.
2. Por amor ao homem perdido, o Filho do Homem é impelido ao deserto (Mc 1.12)
Marcos usa a mesma força verbal: o Espírito “impeliu” Jesus ao deserto.
O homem foi impelido para longe de Deus. Jesus é impelido para perto do homem.
Para Jesus o deserto não foi um acidente. Foi uma missão.
Jesus vai ao deserto porque é lá que o homem está desde Gênesis.
Aplicação: Deus não espera o homem voltar; Ele vai atrás. Jesus entra no deserto da nossa vida para nos resgatar.
3. Os dois textos nos mostram os movimentos da Vida Cristã - cumes da visão e os vales da tentação.
Logo após o batismo — céu aberto, voz do Pai, Espírito descendo — Logo após vem o deserto.
A vida espiritual tem esse ritmo:
Revelação, alegria, chamado para os Cumes.
Tentação, dúvida, silêncio Nos Vales.
Como diz o Beacon: “Uma pessoa começa uma vida de discipulado com uma subida, uma alegria. A seguir vem o deserto da dúvida e da incerteza.”
Mas o deserto não significa ausência de Deus. Significa processos de Deus.
4. O homem pecador está perdido no deserto da vida
O homem, desde o Éden, perambula pelos desertos:
desertos de culpa - de vícios - de decisões erradas - desertos de medo - de solidão - desertos de identidade.
Ele não sabe para onde ir. Não sabe como voltar. Não sabe como recomeçar.
O deserto é o símbolo da humanidade caída.
5. Após seu batismo e a glória revelada pelo Pai, Jesus entra no deserto para encontrar o homem.
Aqui está o coração do Evangelho:
O homem foi expulso do jardim por causa do pecado. Jesus entra no deserto por causa do homem.
Ele vai onde o homem está.
Ele enfrenta o inimigo que o homem não consegue enfrentar.
Ele vence a tentação que o homem não consegue vencer.
Ele abre o caminho que o homem não consegue abrir. Jesus não veio apenas anunciar um caminho; Ele abriu um.
Onde antes havia distância, Ele criou acesso. Onde existia separação, Ele construiu ponte. Onde o pecado levantava muros, Ele rasgou o véu e escancarou a porta que conduz ao Pai.
Jesus diz: “Sem mim nada podeis fazer” – Jo.15.5.
Jesus é o Pastor que:
deixa as noventa e nove
entra no deserto
procura a ovelha perdida
a encontra
a carrega de volta
O deserto que deveria ser o fim do homem se torna o início da sua restauração.
6. Resultado:
1. Deus não espera você voltar — Ele vai atrás de você.
Mesmo quando você se sente longe, Ele está vindo ao seu encontro.
2. O deserto não é sinal de abandono, mas de propósito.
Se Jesus foi levado ao deserto, você também será — mas Ele estará lá. Sl.23.4.
3. O deserto revela quem você é, mas também revela quem Deus é.
É no deserto que a graça se torna mais visível e o aprendizado torna a prática.
4. O deserto não é o destino final.
Jesus saiu do deserto “no poder do Espírito”. O deserto é passagem, não morada (Israel no deserto).
CONCLUSÃO
A história começou com o homem sendo expulso do jardim, caminhando rumo ao deserto da culpa, da dúvida e da distância. Mas termina com Jesus entrando nesse mesmo deserto para encontrá-lo.
O que o pecado separou, o amor de Deus alcançou. O que o homem perdeu, Cristo veio restaurar. O deserto que parecia o fim se tornou o início da redenção.
Se hoje você se sente longe, seco, confuso ou perdido, lembre-se: Jesus vai ao deserto onde você está. Ele não espera você voltar — Ele vem ao seu encontro. Ele não desiste da ovelha perdida — Ele a carrega de volta.
O Deus que expulsou por justiça é o mesmo Deus que busca por amor. E o convite final não é expulsão, mas acolhimento: “Vinde a mim.”
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