A doce graça em meio a dor

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2 Coríntios 12.1-10 (IBRedentor)

Texto em contexto: “É necessário que eu continue a gloriar-me com isso” 12.1 - Com isso o que?
O texto que acabamos de ler faz parte de um contexto maior. Nessa carta, Paulo expressa características de seu ministério. Apesar de ser uma carta multitemática, Paulo em geral mostra que esse ministério nos capitulos 1-7 é um serviço de conforto e encorajamento divino em meio a sofrimentos e dificuldades. A ideia é mostrar que existe uma esperança para além desta vida, de que os sofrimentos são leves e momentâneos e estão produzindo uma glória eterna que pesa mais do que todos eles (4.17).
Os crentes ao receberem essa mensagem deveriam se animar pela renovação que acontece interiormente todos os dias, apesar do exterior naturalmente se desgastar (4.16).
Constantemente nos deparamos com a exortação de que o nosso anseio não deve estar nas coisas terrenas, passageiras, mas naquilo que não se vê, que é eterno (4.18) e é por isso existe o anseio pela habitação celestial (cap 5).
O tom é suave e agradável ao mencionar todas essas coisas, mas existe uma mudança de tom no capítulo 10 em diante, onde Paulo vai defender de forma incisiva o seu ministério apostólico, em um embate contra os “superapóstolos”.
Observe por exemplo:
Eles diziam que Paulo era “duro” em suas cartas, mas pessoalmente não impressiona e sua palavra é desprezível (10.10)
11.5-6 Todavia, não me julgo nem um pouco inferior a esses “super-apóstolos”. 6 Eu posso não ser um orador eloqüente; contudo tenho conhecimento. De fato, já manifestamos isso a vocês em todo tipo de situação.” 11.5-6
(11.13-15) “Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo. 14 Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. 15 Portanto, não é surpresa que os seus servos finjam que são servos da justiça. O fim deles será o que as suas ações merecem.” (11.13-15)
(11. 21-29) “Naquilo em que todos os outros se atrevem a gloriar-se — falo como insensato — eu também me atrevo. 22 São eles hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também. 23 São eles servos de Cristo? — estou fora de mim para falar desta forma — eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. 24 Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. 25 Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. 26 Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. 27 Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. 28 Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas. 29 Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro?”
Exposição:
Nova Versão Internacional 12.1 A Visão de Paulo

É necessário que eu continue a gloriar-me com isso. Ainda que eu não ganhe nada com isso, passarei às visões e revelações do Senhor. 2 Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe. 3 E sei que esse homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei, mas Deus o sabe — 4 foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas indizíveis, coisas que ao homem não é permitido falar. 5 Nesse homem me gloriarei, mas não em mim mesmo, a não ser em minhas fraquezas. 6 Mesmo que eu preferisse gloriar-me não seria insensato, porque estaria falando a verdade. Evito fazer isso para que ninguém pense a meu respeito mais do que em mim vê ou de mim ouve.

Paulo agora “gloria-se” em algo que aconteceu há catorze anos antes. É interessante que essa experiência não aparece em nenhuma de suas cartas, a não ser aqui.
Eu creio que essas experiências aconteciam com o apóstolo Paulo, a observar por exemplo a sua conversão e outras histórias em Atos. Paulo era um apóstolo chamado por Jesus Cristo para lançar os fundamentos da igreja.
Porém, essas visões e revelações não eram mencionadas por ele e suas cartas e o motivo disso está exposto no verso 6. Ele não queria que as pessoas pensassem a respeito dele mais do que de fato ele era. Seu objetivo era glorificar a Cristo.
Como uma forma de combater os falsos apóstolos, Paulo faz algo incomum no seu ministério. Mas o motivo do “gloriar-se” não estava no fato de ter uma visão ou revelação, mas como ele diz, nas fraquezas (v.5).
Paulo provavelmente tinha uma tendência para o orgulho. Mas isso não é uma característica de Paulo apenas, mas do homem. E eu creio que aqui está o grande ensinamento dessa perícope para nós! Oberve a próxima parte!
Exposição:
Nova Versão Internacional 12.1 A Visão de Paulo

Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. 8 Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. 9 Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. 10 Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.

Para impedir que me exaltasse - Deus conhece seus servos. Deus conhecia o apóstolo Paulo.
Um espinho na carne - é praticamente inútil tentar saber o que era, já muitos opinaram sobre isso, mas como regra hermeneutica, precisamos entender qual é a finalidade do texto.
O que sabemos é que era algo que o humilhava. Deus preservou de sabermos o que era de fato, para que possamos olhar para essa história e nos vermos nela.
Mensageiro de Satanás - o diabo não age a parte de Deus, mas Deus o usa para cumprir seus propósitos.
Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim - não sabemos se ele pediu 3 vezes seguidas ou em tempos diferentes, mas ele diz que roga 3 vezes e parece que a resposta vem somente na terceira vez
William Hendriksen: “Paulo sabe que Deus está no controle, não Satanás. Se Satanás realizasse seu desejo, ele teria preferido que o apóstolo Paulo fosse orgulhoso em vez de humilde.”
D.A Carson escreve: “Os interesses [de Satanás] seriam muito melhor servidos se Paulo fosse se tornar insuportavelmente arrogante”
A minha graça é suficiente pra você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza
O próprio Paulo pôde testificar dessa verdade dizendo à igreja em Filipos: “E o meu Deus há de suprir cada uma de suas necessidades segundo suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (Fp 4.19).
Pontos de aplicação aqui:
Ao lidar com dor e sofrimento, Paulo faz algo que todos nós devemos fazer: ele ora! (ENFATIZAR A ORAÇÃO)
A oração é um benefício que nós temos, e que deveríamos fazer com mais constância. Ele ora e faz um pedido justo a Deus. Deus não responde da maneira que ele gostaria, mas certamente responde da maneira que Paulo precisa.
Podemos e devemos orar para que tenhamos saúde, vida familiar boa, bom emprego etc. Paulo mesmo ensina em 1 Timoteo que devemos orar pelas autoridades para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica. Mas nem sempre isso vai acontecer! E pra isso nós precisamos ter a certeza do que o Senhor nos ensina em sua palavra, Deus pode não nos livrar do sofrimento, mas nos dará algo infinitamente melhor: a sua graça para suportarmos!
Deus não retira o sofrimento, mas da algo melhor para o apóstolo. A graça suficiente para que ele confie em Cristo. Deus pode usar um homem machucado, doente, mas não um home ensimesmado, soberbo e orgulhoso.
Somos frágeis! E por vezes Deus se utilizará de nossas fragilidades para nos tornarmos mais dependentes dEle, isso inclui as adversidades da vida. Na nossa fraqueza, nós oramos mais meus irmãos, buscamos mais a Deus.
Aplicação: Paulo deveria ter seu espinho na carne ao escrever Romanos 8.28; Deus age em TODAS as coisas para o bem daqueles que o amam. Meu irmão, na sua vida de oração, você receberá correções da parte de Deus, as dores e sofrimentos fazem parte da nossa vida, mas devemos ter em mente que se estamos em Cristo, temos a promessa da graça suficiente para lidar com tais situações, e estaremos satisfeitos nEle.
Ênfase na graça em meio a dor encontrada na oração
Nova Versão Internacional 12.1 A Visão de Paulo

Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. 10 Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.

Por fim, Paulo conclui que ele se gloriará com alegria nas suas fraquezas, pois quando se reconhece limitações, é que o poder de Cristo fica evidente.
Isso é uma aplicação importante a todos os cristãos, e de uma forma ainda mais intensa àqueles que se ocupam com a pregação e cuidado com o rebanho de Deus.
A vida cristã, bem como o ministério pastoral e missionário, só podem ser exercidas pelo poder de Cristo. Isso porque qualquer sensação de força, poder, autossuficiência na verdade é a queda do homem.
Calvino: Daí, a pessoa que se envergonha de gloriar-se desta maneira fecha a porta contra a graça de Cristo e, de certo modo, a expulsa, pois só damos lugar à graça de Cristo quando, com espírito resignado, sentimos e confessamos nossas próprias fraquezas. Os vales são regados com chuvas para se tornarem férteis, enquanto o cume das imponentes montanhas permanece seco. Uma pessoa tem de tornar-se um vale, caso deseje receber as chuvas celestiais da graça espiritual de Deus.
A força do cristão reside na humildade que provém da consciência de quem somos perante o Senhor!
E é aqui que reside o poder do evangelho! Cristo crucificado!
Conclusão:
Meus irmãos, nossas experiências pessoais pode ter algum valor, mas nossas vidas não podem se fundamentar nelas. Nosso fundamento está na pregação do evangelho. Cuidado com aqueles que conquistam seus seguidores através de histórias que não se sabe a procedência. Veja se há obediência ao evangelho.
Na vida debaixo do sol, estamos sujeitos a problemas diversos. Dores, sofrimentos, perseguições, doenças… isso é a vida acontecendo. Mas é necessário lembrar que Deus cuida dos seus filhos dando a eles graça suficiente para suportar.
Tim Keller: Enquanto outras visões de mundo nos levam a viver esperando a dor mesmo em meio a alegrias, o cristianismo nos capacita a ficar no meio das dores deste mundo, saboreando a alegria que há de vir.
Ore! Ore a Deus e você pode sim apresentar seus pedidos. Mas a vontade de Deus prevalece e é necessário que sejamos maduros na fé para seguir adiante diante de uma negativa. Deus muitas vezes não concede o que pedimos para nos dar algo maior: Ele mesmo.
Por último, em meio a dor, há uma doce graça nos esperando. A dor também exerce um papel fundamental em nossas vidas.
(História de Paul Brand)
Agradeça a Deus e se alegre nas dores, nas provações, nas angústias. Que a nossa satisfação esteja em Cristo.
John Piper diz que “Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nEle”
Que sejamos como Davi no salmo 63, capazes de dizer, em meio a dor que “a sua graça é melhor do que a vida!”
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