Um homem que ora e se coloca à disposição de Deus

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Tema: Um homem que ora e se coloca à disposição de Deus

Texto Bíblico: Neemias 2.1–8

Introdução

Como vimos no último sermão, a história de Neemias se inicia com uma verdadeira tragédia nacional. Jerusalém, a cidade santa, encontrava-se em ruínas: seus muros estavam derrubados e suas portas queimadas, deixando o povo vulnerável e envergonhado diante das nações.
Neemias exercia uma função de extrema confiança na corte persa: era copeiro do rei Artaxerxes. Ao ouvir os relatos trazidos por seus irmãos acerca da situação de Judá, ele foi profundamente afetado. A dor do seu povo tornou-se também a sua dor.
Entretanto, Neemias não se limitou à lamentação. Ele levou sua aflição ao Senhor em oração, reconhecendo que a restauração de Jerusalém só poderia vir do Deus soberano que governa reis e nações. Ele sabia que a missão era humanamente impossível, mas também sabia que servia a um Deus que faz o impossível acontecer.
Ao longo da exposição deste texto, veremos que Neemias não apenas orou, mas também se colocou à disposição para ser instrumento nas mãos de Deus. Sua atitude ecoa as palavras do profeta Isaías:
“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8).
Neemias se prontificou para a obra do Senhor, mas fez isso de maneira correta: orando, esperando e buscando direção divina. Suas atitudes nos ensinam valiosas lições sobre oração, fé e obediência.

Versículo 1

Segundo estudiosos, o intervalo entre os acontecimentos do capítulo 1 e do capítulo 2 foi de aproximadamente três a cinco meses. Deus não respondeu imediatamente à oração de Neemias, mas ele perseverou. Sua oração não era movida por interesses pessoais, mas pelo zelo pela obra do Senhor e pela glória de Deus.
Nesse dia específico, Neemias exercia normalmente sua função como copeiro real. Contudo, a situação de Jerusalém o afetava de tal maneira que sua tristeza tornou-se visível. Pela primeira vez, ele aparece triste diante do rei.

Versículo 2

A tristeza de Neemias era tão profunda que o próprio rei percebeu que não se tratava de enfermidade física, mas de uma angústia interior. Diante disso, o texto afirma que Neemias ficou com muito medo.
Como observa Tiberius Rata, os servos do rei eram obrigados a manter sempre um semblante alegre diante de sua presença, especialmente em ocasiões festivas. Demonstrar tristeza poderia ser interpretado como desrespeito ou até ameaça ao rei.
Aquela atitude poderia resultar em punição severa, inclusive prisão ou morte. Neemias estava diante de um rei pagão, conhecido por decisões duras, não diante de um servo do Senhor. Ainda assim, Deus já estava agindo silenciosamente naquela situação, preparando um desfecho completamente inesperado.

Versículo 3

Neemias inicia sua resposta com uma saudação comum aos reis daquela época, demonstrando respeito e sabedoria. Em seguida, responde com ousadia e sinceridade.
Aqui percebemos a coragem de Neemias, pois, historicamente, já havia existido uma tentativa de reconstrução dos muros de Jerusalém que fora interrompida por decreto real. O próprio Artaxerxes havia proibido a obra, conforme registrado em Esdras 4.7-23, após acusações levantadas contra o povo judeu.
Neemias deixa claro que sua tristeza estava ligada à situação de sua cidade e ao sofrimento de seu povo. Ele não se rebela contra o rei, mas expõe com reverência a dor que carrega no coração.

Versículo 4

De forma surpreendente, o rei pergunta diretamente a Neemias o que ele desejava. Essa pergunta, humanamente falando, poderia ter deixado Neemias perplexo.
Contudo, o mais impressionante não é a atitude do rei, mas a reação de Neemias: ele ora ao Senhor. Provavelmente foi uma oração silenciosa e breve, uma súplica por graça e direção. Algo como: “Senhor, seja feita a tua vontade”.
Esse detalhe é fundamental, porque a Escritura nos ensina que o poder humano nunca está fora do controle divino. Salomão afirma em Provérbios 21.1: “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina.” Artaxerxes podia parecer o homem mais poderoso daquele império, mas, na realidade, seu coração estava sob o governo de Deus. O mesmo Deus que ouviu a oração silenciosa de Neemias era aquele que dirigia a decisão do rei. Assim, antes que Neemias falasse, Deus já estava agindo.
Antes de falar com o rei da Pérsia, Neemias fala com o Rei dos céus.

Versículo 5

Agora, Neemias apresenta sua petição de forma clara e objetiva: pede permissão para ir a Jerusalém e reconstruir os muros da cidade de seus pais. Ele não age impulsivamente, mas demonstra convicção de que aquela missão vinha do Senhor.

Versículo 6

O texto informa que o rei estava acompanhado de sua esposa, a rainha Damaspia, indicando que essa conversa provavelmente ocorreu em um ambiente mais reservado.
O rei então pergunta sobre o tempo da viagem, e Neemias responde com precisão. Isso demonstra que ele já havia planejado sua ação durante o tempo de oração. Quando Deus respondeu, Neemias estava preparado. O texto afirma que o rei ficou satisfeito com sua resposta.

Versículos 7–8

Neemias ainda faz outros pedidos: cartas de autorização para os governadores da região e provisão de madeira por meio de Asafe, guarda das florestas do rei. O nome Asafe, de origem judaica, pode indicar que Deus já estava posicionando pessoas estratégicas para cooperar com a obra.
O texto se encerra com uma afirmação fundamental: Neemias obteve tudo o que pediu porque a boa mão de Deus estava sobre ele. O sucesso não veio de sua habilidade política, mas da graça soberana do Senhor.

Aplicações

Deste texto, podemos extrair importantes lições para nossa vida cristã:
1. Neemias era um homem de oração e de ação. Ele perseverou em oração, mas não permaneceu passivo. Colocou-se à disposição para ser usado por Deus. Assim também nós somos chamados a orar, mas também a agir com obediência na obra do Senhor.
2. Neemias reconhecia que tudo vinha de Deus. Ele sabia que não foram seus talentos ou esforços que lhe deram êxito diante do rei, mas a mão bondosa de Deus. Isso nos ensina gratidão e humildade, reconhecendo que tudo o que temos vem do Senhor.
3. Deus é soberano e Deus é bom. Às vezes, as dificuldades nos fazem perder essa perspectiva. Mas a Escritura nos lembra:
“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).
Deus transformou uma situação aparentemente impossível em um caminho de restauração. Esse mesmo Deus nos amou de tal maneira que entregou seu Filho unigênito para nos dar vida eterna. Que as circunstâncias não nos façam duvidar do amor de Deus. Ele nos ama, Ele cuida de nós, e Ele conduz a história.
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