POR ESSA RAZÃO, EU ME AJOELHO - Efésios 3.14-15

A nova vida em Cristo  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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INTRODUÇÃO

Antes de Paulo nos ensinar o que pedir em oração, ele nos ensina de onde a oração verdadeira nasce.
Em Efésios 3, ele começa dizendo: “Por essa razão, oro, eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus…” (v.1)
Mas interrompe o pensamento.
Nos versículos 2 a 13, Paulo relembra o plano eterno de Deus agora revelado: o mistério do evangelho, a igreja como expressão da multiforme sabedoria de Deus e o acesso livre ao Pai por meio de Cristo — mesmo em meio às tribulações.
Somente no versículo 14 ele retoma a frase: “Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai.”
A oração de Paulo não nasce da prisão, mas da contemplação do que Deus está fazendo em Cristo.
É nesse contexto que entramos nesta oração: não como reação às circunstâncias, mas como resposta ao evangelho.
E Paulo nos ensina três verdades essenciais sobre a vida de oração.

I. A ORAÇÃO NASCE DA CONTEMPLAÇÃO DO PLANO DE DEUS

Ephesians 3:14 NVI
14 Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai,
A expressão “por essa razão” conecta esta oração a tudo o que Paulo ensinou até aqui. Ela aponta para o fundamento da oração cristã e revela algo essencial para a maturidade da fé.
Paulo escreve como prisioneiro por causa de Cristo, sofrendo pelo progresso do evangelho e pela edificação da igreja.
Ainda assim, sua oração não nasce do desejo de mudança das circunstâncias, mas da contemplação do plano e da vontade de Deus.
Isso nos ensina que a oração cristã não começa na urgência do momento, mas na revelação do propósito eterno de Deus.
Por isso, Jesus nos ensinou a orar:
Matthew 6:9–10 NVI
9 Vocês, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. 10 Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
A oração começa com Deus, não conosco. Começa com o Reino, não com as nossas necessidades.
Como bem afirmou John Stott:
“Não temos autoridade alguma para orar por qualquer coisa que Deus não revelou ser sua vontade. Por isso, a leitura da Bíblia e a oração devem caminhar sempre juntas.”
Paulo ora ancorado no Evangelho revelado em Cristo.
Ephesians 3:11–12 NVI
11 de acordo com o seu eterno plano que ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor, 12 por intermédio de quem temos livre acesso a Deus em confiança, pela fé nele.
Aqui está o pavimento seguro da oração cristã: o plano eterno de Deus, realizado plenamente em Jesus Cristo.
Paulo não dobra os joelhos por desespero, mas por convicção teológica.
Ele ora porque sabe que o plano já foi estabelecido, o acesso já foi aberto e a obra já foi consumada em Cristo.

Aplicação Pastoral

O grande problema da nossa vida de oração não é falta de palavras, mas falta de conhecimento e convicção da vontade de Deus.
Oramos pouco — e muitas vezes oramos mal — porque começamos por nós mesmos: pelas circunstâncias, pela dor, pelo medo, pela urgência.
Paulo está acorrentado, mas espiritualmente ajoelhado — não para negociar saídas, mas para se alinhar ao propósito eterno de Deus.
A igreja não ora para convencer Deus a agir, mas porque confessa que Deus já agiu decisivamente na cruz.
Cristo é o pavimento seguro da nossa oração. Se Ele não tivesse morrido e ressuscitado, ajoelhar-se seria um gesto vazio.
Mas porque Ele venceu, ajoelhar-se é um ato de fé, reverência e confiança absoluta.

II. A POSTURA DE HUMILDADE E DEPENDÊNCIA NA ORAÇÃO

Ephesians 3:14 NVI
14 Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai,
Na tradição judaica, a oração normalmente era feita em pé.
A Bíblia, portanto, não sacraliza uma postura física específica para a oração.
Encontramos homens e mulheres orando em pé, assentados, ajoelhados, andando e até deitados.
Ainda assim, a postura do corpo nunca é irrelevante.
Ao nos apresentarmos diante daquele que está assentado em um alto e sublime trono, nossa postura revela algo do estado do nosso coração.
Ajoelhar-se, no contexto bíblico, expressa:
profunda reverência,
reconhecimento da própria insuficiência,
submissão voluntária diante de Deus.
Paulo está preso, mas não se apresenta como vítima. Ele se apresenta como adorador.
Seus joelhos dobrados revelam não fraqueza, mas consciência de quem Deus é e de quem ele mesmo é diante dEle.
Paulo nos ensina que a oração trata menos da posição do corpo e mais da postura do coração, pois joelhos dobrados podem esconder um coração altivo.
Orar é reconhecer nossa insuficiência e nossa profunda necessidade de um Salvador.
Como afirmou Calvino:
“Nada nos estimula tanto a orar com sinceridade quanto o senso profundo de nossa própria necessidade e miséria.”

Aplicação Pastoral

Irmãos, o maior perigo da igreja não é a perseguição externa, mas a autossuficiência espiritual.
Quando a igreja deixa de se ajoelhar diante de Deus, inevitavelmente começa a se curvar diante de métodos, números, agendas e resultados.
Podemos manter a liturgia, os ministérios e até o discurso correto, e ainda assim funcionar sem dependência real do Senhor.
Oramos, mas não esperamos. Planejamos, mas não suplicamos. Executamos, mas não nos dependemos.
Paulo escreve ajoelhado não porque está fraco, mas porque conhece o poder de Deus.
Cristo é o maior exemplo dessa postura.
O Filho eterno, que nada precisava provar, dobrou os joelhos no Getsêmani e se submeteu à vontade do Pai, dizendo:
“Não seja feita a minha vontade, mas a tua.”
Se o próprio Filho aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu, como ousamos viver uma fé que ora pouco e confia tanto em si mesmos?
A oração nos coloca no lugar correto: não como gente capaz, mas como servos dependentes da graça.

III. O DEUS DIANTE DE QUEM ORAMOS, É NOSSO PAI

Ephesians 3:14–15 NVI
14 Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, 15 do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra.
A oração de Paulo é dirigida a Deus como Pai.
Embora Deus seja Pai de toda a humanidade no sentido criacional, Ele é Pai, em sentido redentor, apenas daqueles que foram gerados pela adoção em Cristo (Gl 4.6).
A igreja não existe por afinidade social ou engajamento cultural. Ela existe porque foi adotada.
Ephesians 1:5 NVI
5 Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade,
Isso muda completamente a forma como oramos.
Como diz Timothy Keller:
“Se Deus é realmente nosso Pai, então a oração não é uma tentativa de convencer alguém relutante, mas o ato confiante de um filho que se aproxima.”
É por isso que o autor de Hebreus nos diz:
Hebrews 4:16 NVI
16 Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.
Paulo afirma que Deus é o Pai que nomeia toda a família nos céus e na terra.
Essa família é a igreja — o povo comprado pelo sangue de Cristo, reunido de todas as eras, na terra e na glória.

Aplicação pastoral

Se Deus é nosso Pai, então a igreja não é algo opcional.
Ela não é um serviço religioso que frequentamos, mas uma família à qual pertencemos.
Não escolhemos nossos irmãos — fomos adotados juntos.
Cristo não morreu para salvar indivíduos isolados, mas para formar um povo com nome, identidade e destino eterno.
Só podemos chamar Deus de Pai porque Cristo foi tratado como o Filho rejeitado na cruz.
Ali, Ele experimentou o abandono para que nós — inimigos e órfãos espirituais — fôssemos recebidos como filhos amados.
Assim, quando a igreja se ajoelha em oração, ela não o faz como estranha tentando acesso, mas como família se aproximando do Pai.
E isso nos confronta com uma pergunta final:
A pergunta não é apenas se você ora, mas se ora como filho e vive como família de Deus?
Porque quem reconhece Deus como Pai aprende a amar a igreja como lar e a interceder por ela — com todas as suas imperfeições — sabendo que é exatamente ali que o Pai decidiu nos formar à imagem de Cristo.

CONCLUSÃO

A oração cristã nasce da contemplação do plano de Deus em Cristo. Ela se expressa em humildade e dependência. E se dirige a um Pai que nos adotou por meio do Filho.
Orar não é recurso de emergência, mas ato de fé. Não é tentativa de convencer Deus, mas descanso na obra consumada de Cristo.
A igreja pode até estar cercada por lutas, como Paulo, mas não perde o chão.
Porque seus joelhos estão firmados em um pavimento seguro: Jesus Cristo.
Que sejamos uma igreja que se ajoelha não por desespero, mas por confiança firme em Nosso Pai Celestial.
S.D.G
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