O que é o batismo?
Cristianismo do dia-a-dia • Sermon • Submitted • Presented
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· 10 viewsEm Romanos 6.3-5, o batismo é apresentado não como um rito de salvação, mas como um sacramento de união mística com Cristo. Mais que uma tradição cultural, o batismo bíblico é o anúncio público de que morremos para o domínio do pecado e ressuscitamos para uma "novidade de vida". É o momento de dizer adeus ao velho eu e assumir uma nova identidade, vivendo agora sob o senhorio de Jesus e em comunhão visível com Sua Igreja.
Notes
Transcript
Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida.
Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
Introdução
Introdução
Hoje prosseguimos com a série Cristianismo do Dia a Dia, tratando de um dos dois sacramentos bíblicos: o batismo e a ceia. Simplificando, um sacramento é um rito bíblico ao qual a própria Escritura atribui um mistério especial — aliás, a palavra 'sacramento' vem do latim e significa justamente “mistério”.
Focaremos no batismo. Como a maioria dos brasileiros passou por um batismo quando bebês, em um ritual católico, muitas pessoas, quando se convertem a Cristo, ficam com dúvida se devem se batizar na igreja evangélica, se o batismo anterior tem validade.
Além disso, ao sermos convidados por parentes para batizados católicos, surge a dúvida: podemos participar? Ser padrinhos? Compreender o batismo bíblico fortalece nossa fé e resolve essas questões práticas.
E esse texto é um excelente ponto de partida para conhecer o batismo revelado por Deus. Aqui, Paulo não pergunta se o cristão peca, mas se ele pode viver confortável no pecado após ter sido batizado — e a resposta está no significado do próprio batismo.
Veremos que o batismo, mais que um ritual, é o momento em que publicamente dizemos adeus ao velho eu e assumimos uma nova vida — uma vida que não pertence mais ao pecado, mas a Cristo.
Por isso, vamos ao texto.
Exposição
Exposição
Ser batizado é anunciar que não vive mais para o pecado
v.3 - Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
v.3 - Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
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Até o capítulo 5 da carta aos Romanos, Paulo estava apresentando a doutrina da justificação pela fé somente, ou seja, somos salvos pela graça de Deus, não por nossas obras.
Ao terminar de explicar essa doutrina, Paulo antecipa um abuso: “já que Deus é glorificado por usar sua graça na salvação, então, quanto mais a gente pecar, mais graça Deus usará e mais glória ele terá.” Em outras palavras, alguém poderia achar que pode pecar à vontade e ainda assim agradar a Deus.
Paulo fica profundamente indignado com essa possibilidade, porque faz do pecado algo bom, contrariando tudo o que Deus havia revelado até aquele momento.
E, para rebater esse absurdo, Paulo começa a falar do batismo. E a primeira coisa que o apóstolo faz é falar da natureza do batismo: é um batismo “em Cristo”.
Essa expressão antecipa o que Paulo dirá depois sobre a união com Cristo (v.5). Esta é a união mística que cada crente tem com Jesus a partir do momento da conversão, união que é simbolizada no batismo. Então perceba que, ao falar de batismo, Paulo aponta para a salvação operada no crente.
O batismo não é um ato de salvação. A morte de Cristo sim. E aqui nós, evangélicos, nos afastamos do catolicismo. Na ICAR, é crido que o batismo é um meio que Deus usa para aplicar a salvação (ex opere operatur). A Bíblia não ensina isso, mas ensina que a fé no sacrifício de Cristo é o meio para salvação (Ef 2.8-9).
Ao mesmo tempo, perceba que o batismo não é apenas um rito, mas algo que deve ser feito em Cristo, ou seja, uma participação consciente na morte dele ou, em outras palavras, uma declaração de que morremos para o pecado e um rompimento com quem nós éramos antes de estar com Jesus.
Esse é o primeiro passo da caminhada cristã e Jesus fala sobre em:
Marcos 8.34 “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, Jesus lhes disse: — Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
Não é que o crente não peca mais, mas que ele já não está sob o domínio do pecado (Rm 6.14) e o batismo simboliza isso. Foi assim que pensou o diácono Filipe quando evangelizou o eunuco etíope:
Atos dos Apóstolos 8.36–38 “Seguindo pelo caminho, chegaram a certo lugar onde havia água. Então o eunuco disse: — Eis aqui água. O que impede que eu seja batizado? [Filipe respondeu: — É lícito, se você crê de todo o coração. Então ele disse: — Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.] Então mandou parar a carruagem, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco.”
Memorize: O batismo é o momento em que dizemos adeus ao velho eu com descanso no coração, confiando que, em Cristo, aquilo que nos prendia ficou para trás e já não define mais quem somos.
Mas o evangelho não é tanto sobre deixar de pecar, como sobre se tornar como Cristo. Por isso Paulo precisa complementar essa ideia.
Ser batizado é anunciar que vive para Deus
v.4 - Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida.
v.4 - Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida.
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Mas o evangelho não é tanto sobre deixar de pecar, como sobre se tornar como Cristo. Então, o apóstolo explica que assim como a morte de Cristo derrotou o pecado e o batismo simboliza que nosso pecado não nos domina mais, a ressurreição de Cristo sinaliza que temos uma nova vida.
A expressão para “novidade” de vida (καινοτης) indica, não uma vida melhorada, mas algo totalmente novo. Mais à frente, Paulo Paulo explicará que essa novidade de vida é a vida no Espírito (Rm 7.6), ou seja, justamente a vida comum de cada crente genuíno, habitado e guiado pelo Espírito Santo de Deus.
Mas como é essa nova vida? Paulo vai explicar nos versículos seguintes que, apesar do crente ser salvo pela graça, ele é salvo para fazer boas obras, oferecendo “ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm 6.13), algo muito semelhante ao que o apóstolo diz em:
Efésios 2.10 “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”
Dessa maneira, o batismo simboliza que além de não estar mais sobre o domínio do pecado (escravo), o crente está agora sob o domínio de Cristo. Não é somente uma mudança de religião, mas uma mudança de Senhor.
Contudo, se mudou o Senhor, mudam também os pensamentos, os sentimentos e as práticas. Alguns tendem a pensar no evangélico como alguém que não bebe, não fuma e muitos outros “nãos”. Mas isto é uma visão muito limitada daquilo que o Espírito faz em nossas vidas.
Mais que não falar palavrão (chamar nome), o crente começa a abençoar as pessoas (Rm 12.14). Mais que não roubar, o crente agora vai se tornando generoso com o necessitado (Ef 4.28). Mais que largar a ansiedade, o crente agora se entrega à oração, à gratidão e à confiança (Fp 4.6) e assim por diante. Essa é uma mudança muito radical que só os que participam da ressurreição de Cristo conseguem.
Lembre: O batismo é o momento em que dizemos adeus ao velho eu e somos apontados para um novo caminho: uma vida que aprende a andar em liberdade, a escolher o bem e a servir a Deus no novo modo do Espírito.
Mas um detalhe não pode passar despercebido
Ser batizado é deixar claro para todos a sua nova identidade em Cristo
v.5 - Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição
v.5 - Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição
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Paulo continua seu raciocínio citando novamente, de maneira mais clara, a união do crente com Cristo em sua morte. Contudo, ao se referir à ressurreição, prefere a palavra semelhança (ομοιωμα), que aponta para a identidade do batizado.
Entenda: quando você vai tirar seu documento de identidade, é necessário apresentar sua certidão de nascimento, pois ali estão as informações que confirmam quem você é. Nome, nome dos pais, local de nascimento, entre outras informações, individualizam você, para que você não seja confundido com outros e possa participar de certos direitos como cidadão.
De forma semelhante, após a sua conversão (certidão de nascimento), você se submete ao batismo (RG) de maneira que você não deve ser confundido com outros (velho “eu”) e agora viva totalmente integrado à sua nova vida e à igreja visível (cidadania).
Semelhança é algo visível, que pode ser comparado com outra coisa, no caso, com Cristo. De maneira que você não é chamado para se converter e guardar sua fé escondida, mas para que seja anunciada por sua boca e vivida em suas obras.
Guarde isso: O batismo é o momento em que dizemos adeus ao velho eu e, diante de Deus e da comunidade, confessamos uma história inteira: morremos com Cristo e vivemos com ele — e, por isso, assumimos o chamado de viver de forma coerente com essa nova realidade.
Aplicações
Aplicações
Diante disto, quero deixar algumas reflexões.
Primeiro, que o batismo nas águas não é um ato isolado, nem um ato salvador. Todo batismo pressupõe um relacionamento de aliança com Cristo antes. Então, não trate o batismo como fazem algumas pessoas que querem batizar o bebê para que ele “fique mais calmo” ou para que ele “deixe de ser pagão”.
Segundo, o batismo não é para pessoas perfeitas. Se você é crente, mas está pensando em parar de pecar antes de ser batizado, você nunca será batizado. Batismo é para redimidos, comprados pelo sangue de Jesus que morreram espiritualmente com Cristo para ressuscitar com Ele também.
Terceiro, por outro lado, quando somos batizados, anunciamos que Cristo nos libertou da escravidão do pecado e que agora viveremos para Ele. Isso significa que temos o compromisso diante de Deus e dos homens de viver para fazer a vontade de Cristo. Significa também que teremos que lutar dia após dia contra as tentações de nossa velha natureza. Significa ainda que as pessoas saberão quando estamos agindo de forma contrária a essa nova vida em Cristo.
Conclusão
Conclusão
No fim das contas, o batismo não aponta primeiro para nós, mas para Cristo. Ele aponta para a cruz, onde o nosso velho homem foi crucificado com Ele, e para o túmulo vazio, onde uma nova vida começou. Quando alguém é batizado, está dizendo publicamente: a minha história agora está unida à história de Jesus — sua morte é a minha morte, e sua vida é a minha vida.
Por isso, o batismo não é apenas uma experiência pessoal entre o indivíduo e Deus. Ele acontece diante da igreja porque marca a nossa entrada visível no povo de Deus. A igreja reconhece essa nova identidade, e o batizado assume viver essa nova vida em comunhão, responsabilidade e testemunho.
Talvez haja aqui pessoas que creem em Cristo, amam o evangelho, mas ainda não deram esse passo público de obediência. Se esse é o seu caso, lembre-se: o batismo não é o prêmio para quem já venceu o pecado, mas o testemunho de quem foi alcançado pela graça. Não é o fim da caminhada, mas o início visível de uma vida vivida para a glória de Deus.
E eu pergunto: será que temos vivido como quem morreu e ressuscitou para um nova vida em Cristo?
Que o Senhor nos ajude a viver todos os dias à altura dessa realidade gloriosa: não mais como escravos do pecado, mas como pessoas que pertencem a Cristo, caminham em novidade de vida e testemunham, juntos como igreja, que Jesus é o nosso Senhor.
