O coração do discípulo! | Mateus 5.1-6
O caráter do discípulo! - Culto de Domingo! • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução!
Introdução!
Pensando sobre o nosso ANO DO DISCIPULADO pensaremos nesse mês de fevereiro sobre O CARÁTER DO DISCÍPULO.
O mês de Janeiro nos apresentou JESUS CRISTO e agora nós vamos olhar sobre O CARÁTER DO DISCÍPULO DE JESUS.
Infelizmente nós temos percebido que algumas pessoas tem avaliado a vida espiritual por aquilo que é visível.
Consideramos muitas vezes FORTES NA FÉ aquelas pessoas com uma desenvoltura na igreja.
As vezes pela segurança como essas pessoas falam ou então pela imagem que essas pessoas projetam de suas vidas diante dos outros.
Esse tipo de pensamento não é novo. Ele já estava presente no mundo religioso do PRIMEIRO SÉCULO.
As pessoas do primeiro século tinham uma confiança profunda nos sinais externos de piedade e tradição religiosa.
Muitos imaginavam que o FAVOR DE DEUS estava associado à força e ao sucesso espiritual aparente.
É nesse cenário que vemos Jesus chegando e iniciando a sua PREGAÇÃO. O tão conhecido SERMÃO DO MONTE.
O sermão do monte vai trazer para nós CARACTERÍSTICAS que temos que ter como DISCÍPULOS DO MESTRE.
Iremos dividir em 3 mensagens pela manhã, a primeira parte vamos ver JESUS tratando O CORAÇÃO DO DISCÍPULO.
Vamos ver que JESUS começa arrumando de DENTRO PRA FORA.
Antes da missão, Jesus quer formar o NOSSO CORAÇÃO.
Ler o texto: Mateus 5.1-6.
O que pode nos chamar atenção nesse sermão como um TODO é o seu início.
Jesus não começa com mandamentos diretos.
Jesus não começa corrigindo comportamentos.
Jesus não apresenta exigências éticas imediatas.
O que Jesus faz nesse início através do seu SERMÃO é descrever QUEM SÃO OS VERDADEIROS CIDADÃOS DO REINO DOS CÉUS.
Mateus faz questão de mencionar que Jesus sobe ao monte, se assenta e passa a ENSINAR COM AUTORIDADE.
Jesus vai entregar aos seus discípulos características necessárias daqueles que FAZEM PARTE DO REINO DOS CÉUS.
As palavras de Jesus em Mateus 5.1-6 servem como a porta de entrada de todo o sermão do Monte.
Jesus estabelece como deve ser o retrato interior do seu discípulo.
Então antes de falar sobre a vida prática do Reino, Jesus estabelece o retrato interior dos seus discípulos.
Passando os versículos 1-2 onde Mateus nos deixa a informação do que Jesus fez, a partir do v.3 começa de fato O ENSINO DE JESUS.
A primeira verdade que JESUS ENSINA é que O DISCÍPULO RECONHECE A SUA INCAPACIDADE.
O discípulo reconhece a sua incapacidade! v.3
O discípulo reconhece a sua incapacidade! v.3
Jesus começa as bem-aventuranças com uma afirmação que iria DESMONTAR a lógica religiosa daquele tempo.
Jesus abre as bem aventuranças dizendo: “BEM-AVENTURADOS OS POBRES EM ESPÍRITO”.
Jesus está dizendo nessa expressão inicial é: ABENÇOADOS SÃO POR DEUS aqueles que se encontram nessa condição espiritual.
Jesus nos ensina que POBREZA aqui não é na parte econômica, mas sim na parte ESPIRITUAL. Ele vai dizer “POBRES EM ESPÍRITO”.
O termo “POBRE” é a descrição de alguém completamente desprovido, uma pessoa sem recursos próprios.
O complemento “EM ESPÍRITO” delimita o campo dessa pobreza.
Aqui se trata de RECONHECER A SUA PRÓPRIA INCAPACIDADE DIANTE DE DEUS.
Não é uma autodepreciação emocional, mas uma AVALIAÇÃO CORRETA DA CONDIÇÃO HUMANA diante da SANTIDADE DE DEUS.
Jesus começa exatamente com essa afirmação porque esse entendimento é a PORTA DE ENTRADA DO REINO.
O discípulo de Jesus Cristo não inicia a sua caminhada apresentando suas conquistas ou apresentando seus méritos.
O discípulo de Jesus Cristo começa a sua caminhada RECONHECENDO A SUA INCAPACIDADE DIANTE DE DEUS.
Isso confronta diretamente a AUTOSSUFICIENCIA RELIGIOSA que sempre foi uma TENTAÇAO PRO CORAÇÃO HUMANO.
A promessa que acompanha essa bem-aventurança REFORÇA ESSA VERDADE. “DELES É O REINO DOS CÉUS”
Essa expressão está no PRESENTE. O Reino não é apenas uma esperança futura, mas já é uma realidade concedida agora àqueles que dependem da GRAÇA.
O entendimento do REINO PRESENTE não exclui a sua dimensão escatológica, mas nos garante segurança e pertencimento no agora.
O discípulo de Jesus Cristo PRECISA RECONHECER A SUA INCAPACIDADE DIANTE DE DEUS.
O próprio Jesus conta uma parábola sobre isso. Em Lucas 18.9-14 Jesus conta uma parábola “para alguns que CONFIAVAM EM SI MESMOS, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:” v.9
A história é essa: 2 homens foram ao templo para orar.
Um deles (o fariseu) estava confiante em sua própria justiça e apresentava suas obras diante de Deus.
O outro, um publicano, permanecia a distancia, não ousava levantar os olhos aos céus e apenas clamava: “Ó Deus, tem pena de mim, que sou pecador” v.13
Jesus afirma para os seus ouvintes que o PUBLICANO foi quem saiu JUSTIFICADO.
O publicano não ofereceu argumentos, méritos e nem explicações. Ele apenas RECONHECEU A SUA INCAPACIDADE diante do Senhor.
Essa parábola é a IMAGEM VIVA da POBREZA EM ESPÍRITO citada por Jesus.
Quantas vezes nos aproximamos de Deus com defesas, justificativas e até mesmo comparações, em vez de simplesmente reconhecer a nossa INCAPACIDADE?
Talvez você tenha aprendido a se apresentar diante de Deus com mais argumentos do que honestidade.
Talvez sua caminhada cristã seja sustentada por aquilo que você faz, sabe ou representa e não por uma dependência real de Deus.
Jesus nos confronta logo no início das bem-aventuranças.
O que sobra de nós quando todas as nossas credenciais são removidas?
Jesus nos chama a abandonar a nossa AUTOSSUFICIENCIA RELIGIOSA.
O Reino de Deus não se abre para quem confia no seu desempenho. O Reino de Deus se abre para quem se lança completamente na dependência de Deus.
Um coração pobre em espírito não se compara e não negocia com Deus, mas descansa na sua graça.
Reconhecer a sua incapacidade diante do Senhor não vai te diminuir, mas vai fazer de você um discípulo de JESUS.
Jesus estabeleceu o ponto de partida para aqueles que desejam ser seus DISCÍPULOS.
Agora Jesus vai avançar no seu ensino. Ele vai falar sobre a resposta interior daquele que reconheceu a sua pobreza espiritual.
Jesus vai nos ensinar que O DISCÍPULO LAMENTA PELO PECADO.
O discípulo lamenta pelo pecado! v.4
O discípulo lamenta pelo pecado! v.4
O v.4 diz: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.
A sequencia que Jesus traz não é mera coincidência.
O lamento pelo pecado nasce NATURALMENTE quando alguém enxerga a sua real condição diante de Deus.
O “choro” que nos é apresentado aqui não se refere as dores comuns da vida humana e nem aos seus sofrimentos.
Choro aqui se trata do LAMENTO ESPIRITUAL que é ligado ao ARREPENDIMENTO e a CONSCIÊNCIA DO PECADO.
Esse ponto corrige uma distorção comum em nosso tempo.
Vivemos em uma cultura que evita o lamento e muitas vezes tem minimizado o pecado.
Muitos querem consolo sem arrependimento e isso é um grande problema.
Essa bem-aventurança afirma que todos aqueles que se LAMENTAM PELO PECADO eles desfrutam do CONSOLO DO SENHOR.
“Consolados” aqui está empregado na forma passiva, indicando assim que o consolo vem de DEUS.
É o consolo que nasce do perdão, da restauração, da RECONCILIAÇÃO COM DEUS.
Quando olhamos para a vida do Rei Davi não o vemos tentando se justificar. Ao ser confrontado pelo profeta Natã sobre o seu pecado ele não minimiza a sua culpa.
Ele escreve o Salmo 51 e lamenta profundamente o seu pecado e clama ao Senhor por misericórdia.
Com o exemplo do Rei Davi nós entendemos que o choro de um arrependimento verdadeiro não é sinal de fraqueza, mas de sensibilidade diante de Deus.
Um coração duro não chora pelo pecado, mas um coração transformado, esse sim entende que é pecador e se LAMENTA DOS SEUS PECADOS.
Quando foi a última vez que o pecado te entristeceu de verdade? Não por medo das consequências, mas por ter ofendido a Deus?
É possível frequentar a igreja, servir e até conhecer a bíblia, sem jamais se lamentar pelo pecado.
Aos poucos o coração pode entrar no modo “rotina” e se acostumar com aquilo que antes nos feria a consciência.
O lamento do qual Jesus falou aqui não é desespero e nem culpa. É uma sensibilidade espiritual.
É perceber que o pecado não é apenas um erro, mas é ruptura de relacionamento com Deus.
Quando essa dor desaparece, algo está errado, não com Deus, mas conosco.
Saiba que em Cristo o arrependimento não termina com vergonha, mas com restauração.
Se arrependa verdadeiramente pelo pecado e desfrute do consolo restaurador do Senhor.
Logo depois de tratar da consciência interior do discípulo diante de Deus, Jesus avança em seu ensino.
Jesus vai ensinar agora que O DISCÍPULO VIVE EM MANSIDÃO.
O discípulo vive em mansidão! v.5
O discípulo vive em mansidão! v.5
O v.5 vai dizer: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”
A mansidão não aparece aqui como um traço isolado de personalidade.
Pelo contrário, nos mostra o FRUTO NATURAL de um coração que já reconheceu sua POBREZA ESPIRITUAL e que já se LAMENTOU PELO PECADO.
“MANSIDÃO” apresentada aqui não significa certa PASSIVIDADE.
“MANSO” aqui fala sobre uma pessoa que é caracterizada por ser HUMILDE, GENTIL e SUAVE.
Os mansos também tem uma promessa: “HERDARÃO A TERRA”.
Essa expressão nos remete a dimensão escatológica do Reino.
Aqueles que são MANSOS, HUMILDES, GENTIS e SUAVES participarão da eternidade.
Ser manso não é abrir mão da verdade, mas e confiar que Deus é o JUSTO JUIZ.
Ser manso não é se omitir, mas agir sem arrogância.
Ser manso não é perder espaço, mas é descansar na promessa de que Deus é quem concede a herança.
A mansidão deve moldar o nosso coração para descansar no Senhor mesmo quando o controle escapa das mãos.
Devemos ter cuidado como reagimos em nossos relacionamentos.
Jesus deseja que a MANSIDÃO faça parte do caráter dos seus discípulos.
Se desejamos ser DISCÍPULOS DE JESUS, a MANSIDÃO precisa ser praticada em todas as áreas da nossa vida.
Jesus segue avançando em seu ensino.
No v.6 Jesus vai nos ensinar que O DISCÍPULO TEM O DESEJO PELA JUSTIÇA.
O discípulo tem o desejo pela justiça! v.6
O discípulo tem o desejo pela justiça! v.6
Jesus diz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”.
Jesus não fala aqui sobre um desejo leve ou eventual. As imagens que Jesus usa comunicam URGÊNCIA e PRIORIDADE ABSOLUTA.
“FOME” e “SEDE” não admitem negociação. Elas não podem ser adiadas indefinidamente.
Aquele que tem fome, busca alimento. O que tem sede, busca água.
Assim o texto descreve que o discípulo de Jesus deve ter um anseio profundo e contínuo pela JUSTIÇA.
Não se trata apenas de uma justiça social ou da justiça moral individual, mas se trata de viver em um relacionamento correto com Deus e que se manifesta em uma vida transformada e alinhada a vontade do Senhor.
Gosto da definição de John Stott sobre a justiça bíblica:
Ele diz que a justiça bíblica tem 3 aspectos: Justiça legal, moral e social.
Justiça legal: é a nossa justificação por meio do sacrifício de Jesus.
Justiça moral: uma vida que agrada a Deus. Obedecendo os seus mandamentos e ensinamentos.
Justiça social: a busca pela libertação do homem de toda opressão junto com a promoção dos direitos civis, jurídico, integridade, honra e nos relacionamentos familiares.
Gosto também de uma frase de Martyn Lloyd-Jones que diz o seguinte: “Se cada homem e mulher neste mundo soubesse o que significa “ter fome e sede de justiça”, não haveria perigo de explodirem conflitos armados. Esse é o caminho para a verdadeira paz.”
Essa bem-aventurança corrige uma falsa espiritualidade acomodada.
Jesus afirma que o verdadeiro discípulo não se acomoda, mas tem um desejo crescente por aquilo que Deus deseja.
A essa bem-aventurança está associada a promessa: “serão saciados.”
Essa saciedade já começa no tempo presente, a medida que a justiça de Deus se manifesta na vida do crente, mas também aponta para a sua plenitude futura, quando o Reino será consumado.
Jesus ensina que os seus discípulos precisam ter DESEJO PELA JUSTIÇA DE DEUS.
Devemos desejar transformação, santidade, alinhamento com o coração de Deus.
Esse desejo não nasce do esforço humano, mas é ação da graça de Deus sobre a nossa vida.
Quanto mais experimentamos a justiça que Deus nos concede em Cristo, mais passamos a deseja-la.
Devemos desejar profundamente pela justiça de Deus confiando que Ele mesmo é quem vai nos saciar.
Conclusão!
Conclusão!
Jesus não inicia o Sermão do Monte com exigências, mas com uma descrição.
Antes de Jesus falar sobre o que os discípulos devem fazer, Ele revela quem os seus discípulos são quando o Reino dos céus governa o coração.
O discípulo de Jesus reconhece sua incapacidade espiritual, lamenta pelo seu pecado, vive em mansidão e tem um desejo contínuo pela justiça de Deus.
Esse é o retrato que todo aquele que deseja seguir a Jesus deve buscar.
Hoje Jesus está nos convidando a olhar para aquilo que é essencial.
O discípulo de Jesus Cristo entende que deve se render ao governo de Deus em sua vida.
Renda o seu coração ao Senhor. Permita que ele governe a sua vida. Viva hoje como um cidadão do Reino dos céus.
Comece hoje a viver como um discípulo de Jesus.
Se entregue ao Senhor nessa manhã.
