Filipenses 3:20-4:1

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Notes
Transcript
17 Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós.
18 Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.
19 O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.
20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
21 o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.
4.1 “Portanto, meus irmãos, amados e muito saudosos, minha alegria e coroa, permanecei, assim, firmes no Senhor, amados.”
Na última escola dominical dividimos o texto em pelo menos 3 partes que se referiam ás 3 formas como Paulo se apresentava, atleta, pastor e cidadão dos céus. Não que fossem umas independentes das outras, mas que todas fazem parte da mesma idéia.
Na segunda face vimos como Paulo tem uma linguagem pastoral que o leva a alertar os crentes a terem cuidado com o caminho dos inimigos da cruz, agora Paulo diz que há um outro caminho, acaba por ser um contraste entre estes dois caminhos que Paulo reflete nestes versos
Veremos hoje a última face da pirâmide que é o caminho do cidadão dos céus.

🧭 1. CIDADANIAQuem somos

Objeto: 🛂 Passaporte / Cartão de cidadão
20 “Pois a nossa pátria está nos céus,”…
A palavra pátria no seu original designa tanto o direito à cidadania como a comunidade, a associação civil, que confere o direito do cidadão.
O termo também é usado de preferência para designar uma colônia de estrangeiros. Talvez Paulo escolha essa formulação peculiar justamente na carta a Filipos porque essa cidade era uma colônia militar romana que do ponto de vista administrativo estava diretamente ligada a Roma, sem responder às autoridades provinciais da Macedônia, sendo detentora do direito romano (o ius italicum). Por isso a metáfora podia ser particularmente compreensível para os filipenses
Por causa da expectativa de habitar em uma cidade superior:
Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11.13–16). Mas viveu na expectativa de uma terra prometida.
Moisés dispôs-se a abdicar dos tesouros do Egito (Hb 11.24–26). Pois sabia que o Egipto não era a sua terra e a sua nacionalidade não era egípcia.
Outra vez aparece o “já… e o ainda não”. Somos cidadãos dos céus, lá está a nossa pátria, mas ainda não vivemos lá, vivemos aqui.
Paulo lembra aos cristãos que a identidade vem antes do comportamento. Antes de dizer o que fazer, ele diz quem somos.
Assim como um passaporte, não diz onde estamos, mas a que país pertencemos, a nossa vida cristã começa com esta verdade:
👉 pertencemos ao Reino dos céus.
Pergunta❓: Que coisas nos fazem esquecer a nossa identidade celestial?

🔭 2. CONFIANÇAO que esperamos

Objeto: 🔍 Binóculos / Luneta
“…de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:20)
Esta palavra aguardar não significa estagnação nem indiferença enquando se espera por algo mas sim, esperar por algo com expectativa e ávidamente.
Três coisas podemos entender desta frase:
Aquele que vem é o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele é o Salvador. Nele nossa salvação foi realizada e consumada. Ele venceu a morte, ressuscitou, ascendeu ao céu e voltará.
Aquele que vem é Senhor, assentado à destra do Pai. Jesus está no céu em uma posição de honra. Ele está no trono e tem o livro da História em suas mãos. Ele governa e reina soberanamente sobre a Igreja e todo o Universo pois Ele é Senhor!
A palavra “senhor” tem perido o seu significado e a sua autoridade. Quando os filipenses, ex-soldados romanos falava em senhor, referiam-se ao imperador, o “dominador mundial”. Jesus é de facto O SENHOR, acima da nossa vida, acima dos governos, acima dos impérios, acima dos tempos, acima de todo o universo CRISTO É O SENHOR, ELE TEM AUTORIDADE!
Aquele que vem é o conteúdo da nossa esperança. A Igreja é a comunidade da esperança. Somos um povo que vive com os pés no presente, mas com os olhos no futuro. Vivemos cada dia na expectativa da iminente volta de Jesus. F. F. Bruce diz que cada geração sucessiva da Igreja desfruta o privilégio de viver como se fosse a geração que haverá de saudar o retorno de Cristo. A esperança do regresso de Cristo tem poder santificador: “E a si mesmo se purifica todo aquele que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1Jo 3.3).
Confiança bíblica não é otimismo vago. É confiança firme numa Pessoa: Jesus que vem.
O binóculo ajuda-nos a:
ver além do imediato
focar no que ainda não chegou
A fé cristã ensina-nos a viver o presente sem perder o futuro de vista.
É bom lembrar o contexto em que vivemos onde a ansiedade começa já nas escolas diante um exame e a depressão afecta cada vez mais gente nova por causa das comparações e expectativas de futuro. Pensando nisto:
Pergunta❓: Como podemos relacionar “…de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” com a ansiedade e a depressão que afeta tantos nos dias de hoje?
R:Ansiedade cresce quando imaginamos um futuro sem redenção, mas diminui quando lembramos que o futuro tem um Salvador.
Depressão diz que nada vai mudar, mas o evangelho afirma que a história ainda caminha para Cristo.
Esperar em Cristo não substitui ajuda médica ou psicológica Mas dá um horizonte que a dor sozinha não consegue dar
Esperança cristã não nega a dor presente, mas impede que ela seja a palavra final.
“Aguardamos” significa viver o sofrimento como processo, não como destino definitivo.
Esperar por Jesus não significa sentir-se bem todos os dias, significa saber que o sofrimento não é o destino final.”

🌱 3. CONSUMAÇÃOO que seremos

Objeto: 🌰 Uma semente
Podemos ver três ensinos no verso 21:
O nosso corpo será glorificado:
“O qual transformará o nosso corpo de humilhação…”
Portanto, este corpo de humilhação que por vezes adoece, outras vezes se aleija, outras vez tem doenças graves mas que com o passar do tempo vai-se desgastando… com menos cabelo, mais sensibilidade ao frio, menos força, etc… este corpo não será aniquilado mas será transformado.
Quando a trombeta de Deus soar, e Cristo vier com os seus anjos anjos, acompanhado dos santos glorificados, os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos imortais, incorruptíveis, gloriosos, poderosos e celestiais (1Co 15:43–56). Os vivos, nessa ocasião, serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4.13–18).
Pergunta❓: O crente pode ser cremado ou não deve?
Agora, quanto à CREMAÇÃO, os cristãos que a rejeitam geralmente o fazem não por achar que ela impediria a ressurreição (pois Deus é perfeitamente capaz de ressuscitar até as cinzas), mas por razões simbólicas e teológicas:
O corpo tem dignidade e é parte da criação boa de Deus. O ser humano foi criado “à imagem de Deus, possuindo dignidade e valor inerentes”. Por isso, muitos entendem que enterrar o corpo com respeito reflete essa dignidade — uma “semeadura” que aguarda a ressurreição (1 Coríntios 15:36-38).
O enterro expressa a esperança cristã. Desde os primeiros séculos, o sepultamento foi visto como um ato de fé na ressurreição dos mortos (cf. Atos 7:59-60). O corpo é colocado no solo “em esperança”, como uma semente que há de brotar em glória.
A cremação pode ser vista como símbolo de destruição. Embora não haja proibição bíblica, alguns cristãos evitam-na porque, culturalmente, ela foi associada a visões materialistas ou pagãs que negavam a ressurreição. Assim, preferem práticas que afirmem — e não neguem — a continuidade do corpo.
Por outro lado, há também crentes que não veem problema na cremação, desde que ela não seja feita com espírito de negação da ressurreição, mas simplesmente por questões práticas (custo, espaço, higiene etc.).
📖 Resumo
Filipenses 3:21 ensina que a transformação do corpo é uma obra soberana de Cristo, e portanto nenhum método de disposição dos restos mortais limita o poder de Deus. Mas a maneira como tratamos o corpo pode testemunhar nossa esperança na ressurreição futura e no valor da criação de Deus.
2. O nosso corpo será semelhante ao corpo glorificado de Jesus
“…para ser igual ao corpo da sua glória…”
Seremos “… conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). “… devemos trazer também a imagem do celestial” (1Co 15.49). “Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2b).
Ou seja, este corpo, que cada vez esta mais usado ou gasto… NÃO VELHO… será transformado num igual ao de Jesus
Caracteristicas do corpo de Jesus:
1️⃣ Continuidade corporal ➡️ O corpo ressuscitado mantém identidade com o corpo terreno, pois Jesus ressuscitou com as marcas da crucificação, os discipulos reconhecem-no gradualmente.(João 20:27; Lucas 24:39).
2️⃣ Corporeidade real ➡️ O corpo ressuscitado é físico e palpável, pois Jesus declarou ter “carne e ossos” e permitiu ser tocado (Lucas 24:39–40).
3️⃣ Incorruptibilidade e imortalidade ➡️ O corpo ressuscitado é livre da morte e da corrupção, pois Cristo, uma vez ressuscitado, “já não morre” (Romanos 6.9 “9 sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele.” ; 1 Coríntios 15:53).
4️⃣ Capacidades glorificadas além das limitações atuais ➡️ O corpo ressuscitado é físico, mas opera sem as limitações naturais, pois Jesus entrou em lugares fechados e desapareceu da vista (João 20:19; Lucas 24:31).
5️⃣ Capaz de participar da vida material sem dependência ➡️ O corpo ressuscitado pode comer, não por necessidade, mas como expressão de comunhão, como Jesus ao comer peixe após a ressurreição (Lucas 24:42–43).
6️⃣ Adequado à glória e à presença de Deus ➡️ O corpo ressuscitado é plenamente glorificado e apto para a presença celestial, pois Jesus ascendeu corporalmente aos céus (Atos 1:9–11; Filipenses 3:21).
O corpo ressuscitado de Jesus define a esperança cristã
Não haverá:
Aniquilação do corpo
Reencarnação
Existência etérea
Haverá:
Transformação
Continuidade
Glória
💬 Como confessamos na fé cristã: não cremos na libertação do corpo, mas na redenção do corpo.
3. É pelo poder de Cristo
“…segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas…”
A esperança cristã não repousa primariamente na transformação do corpo, mas no Cristo todo-poderoso, cujo domínio eficaz sobre todas as coisas garante a consumação final da redenção.
O poder absoluto de Cristo: Jesus exerce um poder eficaz e soberano, pelo qual governa e submete todas as coisas sem exceção (Fp 3:21).
O poder que estabelece ordem (subordinar, organizar em ordem de dependência do inferior ao superior): O senhorio de Jesus Cristo coloca toda a realidade na ordem correta, confrontando a desordem dos valores humanos.
O poder que garante a consumação: O mesmo poder soberano de Cristo conduz toda a obra da salvação ao seu cumprimento final, para a glória eterna de Deus.

🪨 4. CONSTÂNCIA — Como devemos viver agora

Objeto: 🪨 Pedra / Rocha
“Portanto… permanecei, deste modo, firmes no Senhor” (Fp 4:1)

Ideia central

O “portanto” liga tudo:
Se temos CIDADANIA celestial (Fp 3:20)- diz quem somos
Se vivemos com CONFIANÇA aguardando o Salvador (Fp 3:20) - o que esperamos
Se esperamos a CONSUMAÇÃO da transformação final (Fp 3:21) - o que seremos
👉 então somos chamados à CONSTÂNCIA: permanecer firmes no Senhor (Fp 4:1). COMO DEVEMOS VIVER AGORA
A palavra grega que Paulo usa para “estar firmes” era aplicada ao soldado que permanecia firme na batalha diante de um inimigo que queria superá-lo. Em vez de dar atenção aos falsos mestres ou se entregar às desavenças internas, a igreja deveria pôr a sua confiança no Senhor Jesus.
A igreja deve permanecer firme, apesar da hostilidade dos legalistas (3.2) e dos libertinos (3.18,19). Deve permanecer firme diante dos sinais de desarmonia nos relacionamentos (2.3,4) e dos desacordos de pensamento (4.2).
Esta firmeza só é possível porque a base desta firmeza é Cristo, não a nossa força ou o nosso esforço.
A pedra:
não impede que venham ventos e chuva
mas dá um chão firme para não sermos arrastados
lembra-nos que a estabilidade não está nas circunstâncias, mas no fundamento
“Constância é ficar de pé em Cristo quando tudo à volta abana.”
Firmeza não é perfeição.
Não é “nunca falhar”
É voltar ao Senhor, continuar a caminhar, continuar a confiar
É permanecer ligado a Cristo mesmo quando a fé é testada por pressão, dúvidas, cansaço, tentações ou comparações
Pergunta❓: O que hoje ameaça tirar-nos da firmeza no Senhor?
(pressão no trabalho/estudos, medo do futuro, pecado “normalizado”, solidão, comparação nas redes, desgaste espiritual, etc.)
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