A Felicidade Segundo Jesus
O Evangelho do Rei • Sermon • Submitted • Presented
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Texto base:
Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.
Consciência e Verdade
Consciência e Verdade
Existe alguém que gosta de ir ao hospital? Como se fosse um passeio no parque ou então uma visita à Disney? Eu acredito que a maioria de todos nós só decide ir ao hospital não quando as coisas estão ruins, mas quando as coisas estão muito ruins.
Porque, quando elas estão apenas ruins, a gente tenta resolver tomando um remédio em casa ou tenta resolver com alguma dica que encontra na internet. Mas, quando as coisas estão muito ruins, a gente se rende a necessidade de ir até o hospital.
Eu penso que um paciente, diante do seu médico, deve em primeiro lugar, fazer um exercício de consciência. Ele precisa olhar para si mesmo e ser capaz de, pelo menos, apontar os sintomas que está sentindo. Já em segundo lugar, ele deve ser verdadeiro. Porque, se disser que a dor está no pé, quando, na verdade, a dor que ele sente é na cabeça, será o pé que vai ser tratado e ele continuará com a dor de cabeça.
Consciência e verdade são coisas importantes e surpreendentemente é assim que o Reino de Deus começa.
O novo e superior Moisés
O novo e superior Moisés
Já aprendemos que Mateus tem um objetivo muito bem definido quando escreve seu evangelho. O seu propósito é demonstrar ao seu povo, o povo judeu, que Jesus é o verdadeiro e esperado Rei. Por esse motivo, podemos perceber que, desde o início, Mateus associa a pessoa de Jesus a personagens importantes na história do povo de Deus. Logo no primeiro versículo, Jesus é descrito como “filho de Davi” (Mt 01.01) — aquele que tem por direito o poder de se assentar no trono. Logo após, Jesus é descrito como “filho de Abraão”(Mt 01.01) — ou seja, Jesus é verdadeiramente judeu.
Porém, existe um outro personagem muito importante na história do povo de Deus e que, embora o seu nome não tenha sido mencionado até o momento, a maneira como Mateus organiza a sua escrita e nos conta a história de Jesus nos leva a perceber as semelhanças e as coincidências divinas entre Jesus e esse grande personagem do povo de Israel que é Moisés.
As associações que Mateus faz não são aleatórias, existem um motivo bem definido em cada relato. É por isso que, ao longo dos primeiros capítulos, Mateus vai costurando a história de Jesus com elementos que todo judeu reconheceria imediatamente e chegaria à conclusão de que Jesus não somente seria um novo tipo Moisés, que guiaria seu povo, como também, seria alguém superior a Moisés.
Por exemplo, assim como Moisés, Jesus nasce sob um decreto de morte. Em Moisés,nós temos a figura de temível Faraó; em Jesus, a figura do louco Herodes. Sob o risco de morte ambos são guardados e preservados em um lugar improvável, o Egito.
Ao sair do Egito, Moisés e o povo passam pelas águas do Mar Vermelho. Jesus passa pelas águas do batismo. É então, o número quarenta surgir: quarenta anos o povo de Israel peregrinou pelo deserto; por quarenta dias e quarenta noites, Jesus jejuou no deserto. E, finalmente, chegamos ao capítulo 05 de Mateus.
“Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou...”
Em meio a todas essas semelhanças e as coincidências divinas, subir ao monte, nesse contexto, para um judeu, não é um mero detalhe geográfico. Entretanto, é nesse momento que passamos a perceber, não mais semelhanças, mas diferenças importantes entre Moisés e Jesus.
Moisés sobe ao monte para se encontrar com Deus. Jesus é o Deus que desce à terra, mas que sobe ao monte para se encontrar com as pessoas.
Moisés sobe o monte em meio a sinais extraordinários: relâmpagos e trovões, sons de trombeta e o monte fumegando. Jesus sobe ao monte em absoluta simplicidade.
Moiséssobe ao monte e o povo fica à distância, com medo do que estavam vendo. Jesussobe ao monte e os seus discípulos, e toda a multidão, se aproximam dele.
Moisés sobe ao monte para receber a revelação de Deus para o povo. Jesus, que é a revelação de Deus, sobe ao monte para comunicar a respeito de si e sobre o seu Reino.
Moisés sobe ao monte como um servo. Jesus se assenta sobre o monte como um mestre. Moiséscomunica a vontade de Deus como um porta-voz. Jesus fala a partir de si mesmo. É ele quem tem autoridade para dizer: “Eu, porém, lhes digo”.
Moisés aponta para algo que ainda viria. Jesus inaugura algo que já chegou. Moisésdesce do monte carregando tábuas de pedra. Jesus se assenta no monte e começa a revelar o seu Reino aos corações dos homens.
As características do cidadão do Reino
As características do cidadão do Reino
Eu trabalho com o meu pai e, em um certo dia, quando estávamos prestando um atendimento para um cliente, em dado momento, meu pai precisou ir até o carro buscar um material. E, enquanto eu adiantava as coisas onde estávamos trabalhando, o rapaz que nos acompanhava virou para mim e perguntou: “É pai e filho, não é?”.
Eu respondi que sim, pensando que a pergunta dele fosse por alguma semelhança física que ele notou. Mas ele completou dizendo: “Eu percebi. Percebi por causa da maneira como você o trata”.
Jesus, no início do seu sermão, não nos apresenta um checklist, não nos apresenta uma lista de obrigações para cumprirmos e então podermos entrar em seu Reino.Não. O que Jesus nos apresenta no início do seu sermão, e que nós chamamos de bem-aventuranças, são as características daqueles que fazem parte do seu Reino. São características que demonstram que estamos ou não no Reino e sob o seu governo. O que precisamos estar atentos é que Jesus não está nos dizendo nesse momento inicial “faça aquilo”, mas, sim, “seja isso”. E é assim que Ele inicia o seu sermão.
Felizes são os pobres
Felizes são os pobres
“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.
Em primeiro lugar, ser “bem-aventurado”, para Jesus, não é uma questão de sorte, nem algum tipo de emoção humana e muito menos sobre mérito. Ser “bem-aventurado”é uma declaração do próprio Cristo a respeito dos cidadãos do seu Reino. Ser bem-aventurado é desfrutar de um estado que inclui: bem-estar espiritual, a certeza da aprovação divina e a segurança de um destino eternamente satisfatório.
Porém, quando Jesus fala sobre a primeira característica que define as pessoas que pertencem ao seu Reino, ele fala sobre algo absolutamente inesperado. Os bem-aventurados não são os fortes. Ele não elogia os santarrões. Ele declara bem-aventurados os pobres em espírito.
Aqui, ser pobre não é uma questão de ter ou não ter dinheiro. Ser pobre em espírito não é sobre as posses que temos, mas sobre a consciência a respeito de nós mesmos e da nossa condição pecaminosa. Ser pobre em espírito é enxergar com lucidez quem eu sou e quem você é diante de Deus.
A ideia que esse termo, no seu original, traz é de mendicância, fala sobre quem pede esmola, alguém totalmente desamparado, necessitado em todos os sentidos. Bem-aventurados são aqueles que entendem que nada podem oferecer e que, por isso, são pessoas que carecem da ajuda de alguém.
Ser pobre em espírito é olhar para si e reconhecer que não há mérito que possamos apresentar a Deus. Não existe força própria para nos ostentarmos e nem mesmo um currículo espiritual capaz de nos defender. Ser pobre em espírito é ter a consciência de quem realmente somos. É o reconhecimento pessoal da nossa falência espiritual.
É então que Jesus nos surpreende novamente Pois não basta dizer que bem-aventurados são os pobres em espírito. De maneira fantástica Ele diz: “Esses pertencem ao e o reino pertence a eles”.
"...pois deles é o Reino dos céus.”
Como veremos no decorrer dos próximos domingos, quase todas as bem-aventuranças falam de uma recompensa futura. No entanto, está nos fala sobre algo presente. O Reino pertence aos que sabem que nada têm. Aqueles que reconhecem e são conscientes de que não possuem nada em suas mãos são os que possuem a coisa mais preciosa de todo o mundo.
Feliz é quem chora
Feliz é quem chora
É então que Jesus parte para a segundo bem-aventurança, que está totalmente conectada com a primeira:
Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.
Reconhecer a própria falência diante de Deus é algo que não nos permite permanecer neutros. Quando alguém realmente enxerga como é diante da santidade de Deus, isso deve produzir em nós uma resposta, um tipo de dor, um tipo de sentimento.
“Bem-aventurados os que choram...”
Jesus não está falando aqui de qualquer tipo de choro. Ele não se refere simplesmente às dores da vida, às perdas inevitáveis ou às tristezas comuns da nossa existência. Esse choro nasce da nossa pobreza em espírito. Esse choro é o desdobramento da nossa consciência.
Em primeiro lugar, eu reconheço quem eu sou diante de Deus. Depois, eu sou afetado por essa verdade. Os que choram são aqueles que não apenas admitem a sua falência espiritual, mas cuja sua realidade miserável acaba atravessando o seu ser por inteiro.
Diante do pecado ou da queda de algum irmão, a postura daqueles que fazem parte do Reino de Jesus, deve ser de total repulsa e ira santa, não pelo pecador, mas pelo pecado. Esse é o tipo de sentimento que deveria nos invadir quando percebemos a gravidade do nosso pecado diante de um Deus santo como o nosso.
Os que choram e por isso são bem-aventurados perceberam quem realmente são e por isso respondem a essa realidade. No entanto, em meio a esse tipo de tristeza e dor, Jesus anuncia uma promessa:
“...pois serão consolados.”
Se o nosso Mestre parasse apenas no “bem-aventurados os que choram”, o evangelho seria um peso insuportável. O choro ao qual Jesus se refere não é um caminho sem saída.
A promessa de consolo é a certeza que nós temos de que o pecado não tem a última palavra nas nossas vidas. O consolo aqui não é apenas sentir-se melhor, não é um alívio passageiro, não é um tapa nas costas dizendo que tudo vai ficar bem ou que o tempo cura.
Quando o pecado nos leva às lágrimas, o consolo que vem da parte de Deus é a certeza de que Ele está perto de nós. Em outras palavras, não é somente o pecado que nos afasta de Deus, mas também a nossa insensibilidade diante do pecado.
Da tristeza que vem de Deus
Da tristeza que vem de Deus
O grande sucesso de Satanás não é nos levar a cometer grandes pecados, mas, sim, nos levar a diminuir, normalizar ou relativizar o pecado. Até porque, quando uma grande queda acontece, é porque, por inúmeras vezes, falhamos em perceber a gravidade dos pequenos tropeços.
Aquele que pode ouvir de Jesus “bem-aventurado” é quem compreende que até a menor falha é uma grande afronta à santidade de Deus. O cristão corre um grande risco não somente quando é exposto à tentação dos grandes pecados, mas, principalmente, quando se torna insensível às pequenas brechas.
No início deste sermão, eu falei que ir ao hospital é um exercício de consciência e de verdade. Pois, em primeiro lugar, você precisa reconhecer as suas dores e os seus sintomas para, então, poder externalizar isso de forma verdadeira e sincera diante do médico que pode te ajudar.
Eu sei que hoje aqui existem algumas pessoas que pertencem e que possuem o Reino de Deus, porque são conscientes das suas falhas e pecados e demonstram isso com um coração quebrantado diante do Senhor. No entanto, eu também sei que existem pessoas aqui que estão às portas do Reino. Talvez você tenha ouvido a mensagem, talvez você tenha tido um contato com o evangelho, porém ainda está muito distante. Você pensa estar perto, mas está longe. Talvez aquilo que você faz, pensa, fala ou ouve seja algo normal demais, a ponto de os seus olhos estarem secos como um deserto.
Talvez o problema não seja que você não conhece o evangelho. Talvez o problema seja que você se acostumou com ele. Talvez o seu coração não seja de pedra. Talvez os seus ouvidos estejam abertos. Entretanto, você continua insensível.
O maior perigo espiritual não é o pecado escancarado, mas o pecado normalizado. Não é aquilo que nos choca, mas aquilo que não nos incomoda mais.
Pois quando deixamos de chorar pelo pecado, isso não é um sinal de maturidade espiritual, mas, sim, um sinal de distanciamento. Ninguém vai ao hospital quando não precisa de ajuda. Assim também é o Reino de Deus.
O mesmo Jesus que subiu ao monte para ensinar os seus discípulos e a todos nós é o mesmo que desceu dos altos céus para nos salvar.
O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido.
Saia das portas do Reino. Saia dos atalhos, dos becos, e venha até aquele que pode realmente te ajudar. Pare de lutar com as suas próprias forças. Pare de tentar resolver algo que está além da sua capacidade.
Veja, perceba, responda, chore. Pois é Jesus quem nos diz: “bem-aventurados os pobres em espírito”, “bem-aventurados os que choram”, porque deles é o Reino e porque eles não choram sozinhos.
Que Deus tenha misericórdia de nós. Amém.
Sermão exposto no dia: 01 de fevereiro de 2026
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Carvalho
Soli Deo Gloria
