Quando o pecado não reina mais

Cristianismo do dia-a-dia  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 9 views
Notes
Transcript
Romanos 6.5–14 (NAA)
5Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado. 7Pois quem morreu está justificado do pecado. 8Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. 9Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. 10Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. 11Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
12Portanto, não permitam que o pecado reine em seu corpo mortal, fazendo com que vocês obedeçam às suas paixões. 13Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça. 14Porque o pecado não terá domínio sobre vocês, pois vocês não estão debaixo da lei, e sim da graça.

Introdução

Dando continuidade à nossa série de pregações Cristianismo do dia-a-dia, Hoje trataremos da tensão entre pecado e santidade.
Na última pregação, vimos que o batismo nos dá uma nova identidade. Agora, veremos que, porque Deus nos uniu a Cristo, a vida cristã acontece em movimentos do coração: enfrentamos o pecado com esperança não para sermos aceitos, mas porque já pertencemos a Deus.
Veremos esses movimentos:

Exposição

1º MOVIMENTO: SABER O QUE DEUS JÁ FEZ (vv. 6–10)

6sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado. 7Pois quem morreu está justificado do pecado. 8Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. 9Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. 10Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

[Desenho: ]
Nesse bloco de versículos, Paulo cita duas vezes o verbo saber, mas de formas diferentes.
Na primeira vez, Paulo usa 'sabendo' (v.6) indicando um conhecimento em andamento. Não é algo que dominamos de cara, mas que vamos reconhecendo ao longo da vida. À medida que enfrentamos quedas e consolações, compreendemos que fomos crucificados com Cristo: o pecado perdeu a autoridade e nossa união com o Senhor permanece firme.
"Na segunda vez que o verbo saber aparece, vemos que essa certeza não se baseia apenas na nossa fé, mas no que Jesus fez por nós. Com o termo 'sabemos' (v.9), Paulo relembra que a ressurreição encerrou o domínio da morte. Jesus recebeu a punição que merecíamos, logo, o pecado foi vencido e não pode ameaçar quem está unido ao Senhor. Estamos seguros não pelo nosso conhecimento do sacrifício, mas porque esse sacrifício de fato derrotou o inimigo que nos escravizava."
Então, tanto esse aprendizado diário — aquilo que vamos entendendo melhor ao longo da caminhada — quanto essa certeza aprendida de uma vez por todas — a obra completa de Cristo por nós — servem para nos lembrar continuamente do que Deus já fez e do fundamento seguro sobre o qual nossa vida cristã está edificada.
Imagine que você é um soldado em guerra. Sozinho, diante de um inimigo fortemente armado, suas chances seriam mínimas. Mas chega a notícia: o exército principal destruiu o quartel-general inimigo. A guerra foi decidida.
Mesmo assim, ao avançar, você ainda enfrenta focos de resistência. Soldados inimigos ainda atiram e o medo volta, mas sua confiança cresce ao notar que as defesas deles estão cada vez mais fracas. O que sustenta você não é apenas a notícia da vitória, mas o fato de que o inimigo realmente foi derrotado. Mesmo que você não soubesse do ocorrido, o resultado da guerra não mudaria.
Assim é a vida cristã. O pecado ainda resiste e assusta, mas seu centro de poder foi destruído na cruz e na ressurreição. Nossa segurança não depende do quanto entendemos isso, mas do que Cristo já fez. Não lutamos para derrotar o pecado; lutamos porque ele já foi derrotado.
No fim, a obra de Cristo é quem nos garante a vitória diária contra o pecado, mas ver o poder perdoador de Deus a cada dia é profundamente motivador para continuar.
Mas não basta saber o que Deus fez. Paulo aponta para outro movimento que acontece no coração do cristão. E é importante entender que esses movimentos não são etapas separadas, mas acontecem juntos, repetidas vezes, ao longo de toda a vida cristã.
2º MOVIMENTO: CONSIDERAR QUEM AGORA SOMOS (v. 11)

11Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

[Desenho: ]
Paulo traz uma ordem contínua: “considerem-se”. Todos os dias devemos nos ver como pessoas libertas que podem agradar a Deus. Enquanto relembramos o perdão na cruz, precisamos olhar para nós mesmos com duas perguntas:
Primeira: “Estou agindo como alguém morto para o pecado?”. Isso nos ajuda a ajustar a direção.
Segunda: “O quanto sou diferente de quando não estava unido a Jesus?”. Essa pergunta evita que nos meçamos apenas pelos fracassos. Ao olharmos para quem éramos, vemos pecados e sentimentos que não nos dominam mais. Isso revela a graça em nossa história e mostra que a transformação acontece de forma real e progressiva.
Devemos avaliar a vida baseados na realidade de que, em Jesus, estamos libertos para viver para Deus.
Muitos de nós caminhamos com medo de falhar, de decepcionar pessoas ou de não corresponder às expectativas que imaginamos que Deus tenha de nós. Mas, ao avaliarmos a vida pelos parâmetros corretos — morte e vida em Cristo — percebemos que Deus não nos chama a lutar pelo medo, mas pela segurança de já sermos seus filhos. É essa certeza que nos capacita a enfrentar as lutas que ainda estão à nossa frente.
3º MOVIMENTO: OFERECER O CORPO AO DEUS QUE NOS RECEBE (vv. 12–13)

12Portanto, não permitam que o pecado reine em seu corpo mortal, fazendo com que vocês obedeçam às suas paixões. 13Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça.

[Desenho: ]
Paulo argumenta que: “[1] já que Cristo nos livrou da condenação e garante nossa nova vida; e [2] já que avaliar a vida pela obra d'Ele nos fortalece e previne desvios; então [3] agora podemos e devemos enfrentar o que resta do pecado em nós.
Entenda: não é uma ameaça de perda de salvação. A obediência é uma resposta de gratidão por tudo que o Senhor fez. Paulo diz 'não reine... não ofereçam' porque sabe que a obra de Jesus quebrou o domínio do pecado. E, embora ele não tenha mais autoridade sobre o nosso destino final, o pecado ainda está presente em nós e pode causar sérios problemas no dia a dia.
Imagine o pecado como um rei tirano e cruel. Esse rei foi deposto por um inimigo muito mais forte, mas não foi morto. Ele ainda está no país e tem servos leais. Apesar de não ser mais o soberano, ele ainda causa problemas e busca voltar ao trono.
Nosso trabalho agora é combater as influências desse antigo tirano, não porque ele realmente possa voltar a nos dominar, mas porque agora pertencemos ao exército de um novo rei, infinitamente melhor.
E como lutamos? Paulo usa dois verbos claros.
Quando diz 'não permitam que o pecado reine', fala de domínio. Reinar é governar e dar ordens. Às vezes pensamos que vencer o pecado é apenas evitar quedas escandalosas, mas Paulo vai além: qualquer coisa — mesmo lícita — pode se tornar um senhor sobre nós. Aquilo sem o qual 'não conseguimos viver', que define nossas reações e prioridades, pode acabar ocupando um lugar que não lhe pertence.
Já quando diz 'não ofereçam', Paulo fala de participação voluntária. Há pecados que nos surpreendem, mas há outros aos quais nos expomos conscientemente: situações que alimentamos e ambientes que escolhemos frequentar. Por isso a Escritura mostra tanto José fugindo quanto Jesus ordenando que Satanás se retirasse.
Esses dois verbos nos lembram que essa luta não é pontual, mas um combate diário que acompanha toda a vida cristã.
Nosso trabalho agora é resistir às influências desse antigo tirano, não porque ele ainda possa nos dominar, mas porque pertencemos a um novo Rei — infinitamente melhor, mais justo e mais amoroso.
O cristão, grato por tudo o que recebeu, deve oferecer todo o seu corpo — toda a sua vida — a Deus. Se antes seus membros (boca, olhos, mãos) serviam aos desejos do pecado, hoje você deve servir a Deus com seu corpo como forma de culto e agradecimento (Rm 12.1).
A obediência cristã não nasce do medo de perder Deus, mas da alegria de já termos sido recebidos por Ele. Não obedecemos para provar algo; obedecemos porque fomos amados primeiro (1Jo 4.19, cf. Jo 14.21).

Aplicações

1º Movimento — SABER o que Deus já fez
Pare de medir sua salvação pelo seu humor ou pelo dia que você foi "mal". Se você está unido a Cristo, o que vale é a cruz d'Ele, não se você acordou mais ou menos santo hoje.
Sentir tentação não é o mesmo que estar derrotado. O inimigo ainda atira, mas ele já perdeu a guerra. Não confunda a luta com a derrota.
2º Movimento — CONSIDERAR quem agora somos
Pare de se comparar com os outros e olhe para quem você era antes de Jesus. Veja as pequenas vitórias: aquele palavrão que você não diz mais, aquela paciência que não tinha. Isso é a graça de Deus agindo em você!
Não deixe que suas falhas de ontem definam quem você é hoje. Você não é mais o "pecador escravo"; você é um filho que está aprendendo a andar.
3º Movimento — OFERECER o corpo a Deus
Sua explosão de raiva ou seu ciúme dizem muito sobre quem está mandando no seu coração. Fique de olho no que faz você perder o controle; é ali que o "antigo rei" está tentando mandar de novo.
Não facilite para o pecado. Se você sabe que tal lugar ou tal conversa te faz cair, mude o caminho. Troque o hábito ruim por um tempo de oração ou serviço aos irmãos.
Use seu corpo como ferramenta de trabalho para Deus. Use sua boca para dar uma palavra boa, suas mãos para ajudar um vizinho, seu tempo para a igreja. Se o seu corpo mudou de dono, mude também o uso que você faz dele.
Obedeça a Deus para dizer "obrigado", não para tentar "comprar" o favor d'Ele. Ele já te ama; agora você obedece porque é grato.

Conclusão

Paulo encerra com uma promessa poderosa:
Romanos 6.14 “Porque o pecado não terá domínio sobre vocês, pois vocês não estão debaixo da lei, e sim da graça.”
Observe: Paulo não diz “o pecado não terá domínio se vocês forem fortes” ou “se nunca errarem”. Ele diz: não terá domínio porque vocês estão debaixo da graça.
A razão da nossa esperança não é o nosso desempenho, mas o lugar onde estamos firmados. Não estamos debaixo da cobrança da lei, mas debaixo do cuidado gracioso de Deus.
Por isso, Deus não está formando cristãos assustados, que vivem com medo de errar. Ele está formando filhos, que aprendem a viver livres porque são amados. A graça não nos solta da obediência; ela nos sustenta nela.
Em Cristo, o pecado perdeu o trono. Em Cristo, nós ganhamos uma nova vida. Por isso obedecemos — não para conquistar Deus, mas porque já pertencemos a Ele.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.