Vocês são Sal e Luz para o mundo
Evangelho de Mateus • Sermon • Submitted • Presented
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Tema Geral: Vocês são Sal e Luz para o mundo
Textos Bíblicos: Sl 112.1-9; Is 58.3-9; 1Co 2.1-16; Mt 5.13-20
Objetivo do Sermão: Conduzir a comunidade a reconhecer sua identidade recebida em Cristo — como sal e luz — e a viver essa identidade de forma integral, cotidiana e missionária, confiando na ação silenciosa e eficaz do Espírito Santo.
Doutrina:
Justificação pela graça, por meio da fé (identidade recebida, não construída).
Santificação como fruto da fé, não como condição de aceitação.
Vocação cristã no mundo (o chamado de Deus vivido na criação, nas relações e no cotidiano).
Ação do Espírito Santo como agente principal da transformação.
Necessidade em relação ao tema: Vivemos o risco constante de perder a consciência da nossa identidade cristã, reduzindo a fé a momentos religiosos isolados ou a ativismo moral, esquecendo que somos discípulos em tempo integral.
Uma imagem do texto: Um lugar de pausa, contemplação e reenquadramento da realidade, de onde Cristo nos permite ver quem somos e para onde caminhamos — antes de nos enviar de volta à estrada da vida.
Uma missão - uma ação que resulta do sermão: Descer do “mirante” e viver conscientemente como sal e luz nas pequenas ações do cotidiano: preservando a fé, oferecendo consolo, orientando com amor e testemunhando Cristo sem buscar protagonismo.
Ênfase vertical:
Cristo define quem somos: “vocês são”.
A identidade cristã é dom, não conquista.
O Espírito Santo age de forma invisível, mas eficaz.
Cristo cumpriu plenamente a Lei por nós.
Ênfase horizontal:
Preservar a esperança em um mundo em ruína.
Iluminar caminhos para quem está perdido.
Viver a fé de forma pública, coerente e integral.
Cuidar das pessoas, da comunidade e da criação de Deus.
Músicas:
1 - Jesus em tua presença
2 - Confiança (proj. Sola)
3 - Os que amam a Deus (LS 131)
4 - Trabalho - Celebrai
5 - Te agradeço (finalizar culto on-line)
6 - SC - Tua Palavra
7 - SC - Rei dos Reis Hillsong)
8 - Deus vos Guarde pelo Seu Poder (HL - 508)
INTRODUÇÃO
Algo que é relativamente comum, não sei se vocês costumam fazer isso, que quando estamos subindo uma serra ou talvez apenas passando por um lugar um pouco mais alto, tenha pequenos espaços e com placas apontando - aqui tem um Mirante. É um um pequeno sinal nos convidando a parar e a contemplar o lugar.
Talvez a gente esteja com pressa, com desejo de chegar logo ao destino e acabamos passando reto. Mas hoje, somos convidados a parar, a sair do carro, a não olhar para o relógio, a se desconectar daquilo que nossa mente e coração estavam pensando, por pelo menos alguns minutos simplesmente a olhar para algo que o Senhor Jesus quer nos mostrar.
Pode parecer algo insignificante, mas é as vezes na pequenez aparente de momentos assim, que percebemos a beleza da Criação e do amor do Senhor Jesus por cada um de nós.
Quero convidar você a abrir o Evangelho de Mateus capítulo 5. Esse é um momento em que Jesus sobe ao monte para ensinar não só os discípulos, mas uma grande multidão. Esse texto é conhecido como a pregação do monte ou o sermão da montanha.
Jesus tinha acabado de ensinar e curar muitas pessoas na região da Galiléia. Pessoas tinham vindo da Judeia, de Jerusalém e de além do Jordão para vê-lo, para ver esse pregador… buscando não só ouvir suas palavras, mas a receber um milagre… pessoas que tinham as mais diversas aflições.
As multidões olhavam para Jesus com admiração…. talvez até um tom de espanto. Tente imaginar… tente imaginar alguém que não pode andar ou não pode enxergar, que não pode falar… e, de repente, Jesus lhe concede cura. É como se você estivesse começando a vida novamente. Imagine, a partir do encontro com Jesus, um novo futuro agora está diante de seus olhos.
Nesse monte, Jesus reúne seus seguidores, mas também essa grande multidão que estava admirada com aquilo que Jesus estava fazendo… e enquanto eles se perguntam como será essa nova vida… como será uma nova vida tendo Jesus junto com eles?
Jesus queria que eles pudessem enxergar além do milagre, além da cura, além até mesmo do que seus olhos estavam testemunhando e vendo.. Jesus queria que eles, ao voltar para a rotina de suas vidas, pudessem responder, basicamente uma pergunta “Quem somos nós?” Quem eu sou? O que Jesus diz que eu sou?
Jesus quer que eles saibam quem eles são (5.13–16).
SAL PARA A HUMANIDADE
SAL PARA A HUMANIDADE
A primeira imagem é que Jesus nos vê em relação ao mundo que nos envolve. O que me chama atenção é como Jesus nos enxerga em relação com aquilo que de fato é o nosso chamado enquanto estamos aqui.
Jesus os faz enxergar que todos que estavam ali… que vieram de Jerusalém, da Judeia, que vieram dos mais diversos lugares de São Paulo, que moram neste bairro ou até mesmo distantes dessa Congregação… Jesus quer que vocês saibam: Vocês são sal para a humanidade. Vocês são luz para o mundo.
Poderíamos pensar em muitas aplicações do que significa ser sal e ser luz. Neste momento, quero a pensar em apenas uma característica para cada imagem. O Sal como algo que preserva… e a luz que aponta o caminho certo.
Nos tempos de Jesus, um dos destaques que muitos comentaristas fazem é que a importância do Sal talvez não fosse tanto para dar gosto aos alimentos, algo que nós hoje, facilmente identificamos, mas num contexto em que não se tinha energia e nenhum lugar para preservar alimentos, era ali, que o Sal ganhava destaque, porque tinha esse aspecto de preservação.
A criação de Deus geme e sofre as consequências do pecado. Sabemos que tudo o que está em nossa volta não caminha, para que daqui alguns anos, tenhamos recursos ilimitados da criação, mas sim, que cada ano que passa, vamos sentir cada vez mais a escassez das coisas que o Senhor criou…
O pecado trouxe a destruição e a ruída de tudo o que o Senhor criou. O diabo inverteu os valores e nos move a preservar àquilo que nos faz mal… nos faz querer aquilo que nos prejudica.
Incrível que apenas uma pitada da graça de Deus já nos serve para percebermos a beleza da criação, o amor de Deus por nós ser humanos, que estávamos perdidos e sem esperança.
Reconhecemos e confessamos hoje o nosso pecado, mas ao mesmo tempo, nos agarramos na promessa que muitos já receberam em seu Batismo. O Senhor nos deu uma nova vida… experimentamos essa graça e somos chamados a salgar a humanidade dando sentido à vida de muitos que estão perdidos no pecado.
Essa é a nossa identidade! É isso que o Senhor Jesus quer que saibamos… É isso que somos - Somos filhos redimidos, perdoados, Salvos.
Essa imagem que Jesus nos convida a ver. Então, antes de descer desse mirante ou de continuar a viagem, Jesus fez questão de chamar atenção também para a falta de sal no mundo, ou seja, quando o sal perde o gosto.
Interessante que a tradução poderia ser: “se o sal enlouquecer, se o sal ficar tolo ou insensato, deixa de ser sal”, parece que não tem muito sentido se lermos dessa forma. Mas compreendendo a imagem desse versículo, pensar dessa maneira nos ajuda a compreender melhor o sentido do texto.
Quando uma pessoa fica tolo ou insensato? Quando ela perde a razão. Quando Perde o propósito de sua identidade… Quando vive alienada de tudo que a envolve.
Então, “se o sal é insensato/tolo com que se salgará a humanidade?” é a pergunta. Se o sal ficar tolo significa que o sal deixa de ser sal. Se o “sal enlouquecer” significa perde a salinidade, perde o seu poder de preservar e evitar com que os alimentos estraguem… trazendo para a nossa vida… um sal que enlouqueceu.. é um cristão que não vive a sua fé… que não tem como propósito preservar a esperança em seu coração e no coração das pessoas.
Mas tem um detalhe importante:
Para todos que estavam ali, Cristo afirma: “vocês são”.
O que me impressiona é que Cristo não fala de algo que eles se tornarão no futuro, mas Cristo diz algo que eles são.
A palavra Cristo é clara: “Vocês são o sal da humanidade”. Ele não diz: “Eu sou sal da humanidade”.
Quando Jesus fala EU SOU… é usado por ele em outros contextos.. e isso é uma declaração bem clara da sua tarefa de resgate da humanidade: “Eu sou ressurreição, eu sou o caminho, etc.”
Aqui Jesus não está falando de sua missão, mas Jesus está falando da missão, da tarefa da igreja.. da tarefa que Jesus nos confiou… A missão de salgar é confiada a Igreja. É evidente que salgar significa conduzir Cristo à vida das pessoas e afastá-las, preservá-las para que elas não percam a sua fé.
Se os cristãos não salgam a humanidade, eles perdem a sua função, perdem a razão principal dada por Deus. Se tornam tolos, loucos, insensatos.
O que mais me impressiona nessa imagem que Jesus apresenta é que podemos observar o sal de longe. Sabemos que ele existe, mas é somente quando ele é colocado em ação… quando colocamos em algum alimento, que vamos sentir o seu efeito… e quando o sentimos, não se torna mais visível… o sal desaparece.
Assim acontece com o ato salgar a humanidade com o Evangelho. Muitos não veem o resultado imediato de participar dos cultos, de ouvir a palavra, meditar nela dia e noite, orar por alguém em necessidade, de cantar e louvar, de convidar um irmão, um amigo a Casa do Senhor…
Porque a ação do Espírito Santo é invisível aos nossos olhos, mas na vida diária, no dia a dia, é nítido o sabor que é ser uma nova criatura, um novo ser. A um pai e uma mãe, mesmo no contexto caótico do dia a dia, a orar, a pedir, a agradecer… a sentar e a contar histórias de Jesus. É nítido o gosto que esses momentos trazem, mas também tem um efeito duradouro…
Somos aqueles que foram chamados por Deus para ser um refúgio aos cansados, uma palavra que gere consolo aos que sofrem, atos de misericórdia aos indefesos e aos pobres.
Somos chamados a preservar uma comunidade que anuncie a esperança da ressurreição e da Vida Eterna, por causa da Ressurreição de Jesus Cristo.
Como cristãos somos chamados a cuidar também da sua criação.
Esse cuidado com o mundo reforça que aquilo que Deus criou, importa. As pessoas que não estão conosco, importam. Ter uma comunidade cristã, importa.
Jesus nos convida a olhar, não aos nossos próprios interesses e gostos, mas para o mundo que está ao nosso redor, ao mundo cansado e que necessita descansar na graça de Deus.
Jesus convida a olhar para a sua criação, mesmo marcada pelo pecado, mas com as lentes de Jesus.
A LUZ DO MUNDO
A LUZ DO MUNDO
Sim, somos chamados a preservar este mundo em que vivemos até o seu retorno, mas também, enquanto aguardamos, somos chamados a iluminar o caminho de quem anda afastado da fé.
Se por um lado o sal é imperceptível aos olhos. O Sal não aponta para si, não chama atenção para si, mas busca dar sabor e preservar a fé e a esperança, num mundo que perdeu o sabor do Evangelho, ser luz, tem uma imagem diferente, quem é luz precisa ser visto e de longo.
A imagem usada por Cristo vem ser mais interessante quando entendemos alguns elementos do tempo de Jesus.
Não há como ocultar uma cidade. As cidades eram sempre edificadas sobre um monte. Era uma questão estratégica. Atacar uma cidade sobre o monte era sempre mais difícil. Da cidade se tinha uma visão maior sobre os seus limites. Os vigias da cidade enxergavam mais longe e a cidade podia facilmente se defender dos ataques eventuais de seus inimigos. Mas o destaque que quero fazer é que em noites escuras, quando não havia luz, a cidade era o único ponto de orientação para aqueles que estavam perdidos. O mundo se orientava em torno da cidade. As pessoas buscavam a luz que vinha da cidade.
Desta forma, Cristo nos afirma que nós somos luz do mundo. Ser luz do mundo é ter a ousadia de fazer brilhar a graça de Deus… A não termos vergonha de ser cristão e testemunhar a fé, mesmo num contexto cada vez mais pós-cristão.
Para exercermos essa função, Cristo nos orienta para não nos escondermos em um canto escuro, mas, pelo contrário, Cristo nos conduz a sermos uma cidade no alto do monte, que não pode se esconder, mas que conduz outros para Jesus.
O último versículo reforça isso: “Assim também a luz de vocês deve brilhar para que outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.”
Existe diferença entre um ser humano e um objeto. Num objeto a luz brilha automaticamente. Só precisa ligar os desligar. Cristo não se dirige a nós como objetos passivos. Os discípulos são chamados a agir. Eles tem uma participação viva e ativa naquilo que estão fazendo.
Salgar e iluminar requer uma participação ativa, consciente, planejada, organizada, mas também porque somos sal e luz, essa é a nossa identidade… a vida cristã também é fluída, leve, a partir das oportunidades que se apresentam… E em todos os momentos, reconhecendo a nossa deficiência, julgando que somos, inclusive, indignos dessa tarefa.
Cremos que é o Espírito Santo que transforma pequenos atos de amor, mesmo que seja uma ação aparentemente insignificante, em algo muito significativo para o nosso próximo. As pessoas percebem as coisas boas que fazemos e isso se torna um testemunho da nossa fé.
Qual é a boa obra do Sal? Hoje salgar, mas no tempo bíblico tinha o propósito de preservar. Qual é a boa obra da luz? Iluminar. Qual é a boa obra do cristão? Viver a sua fé todos os dias.
O escândalo desse texto.. e a sua implicação para nós é que não podemos dividir o nosso tempo: 3 horas por semana eu sirvo a Deus e o restante eu vivo como eu quiser.
De forma simples Jesus está dizendo que ser discípulo de Cristo é ser discípulo de tempo integral, em casa, no trabalho, na sociedade… em todos os lugares.
Não sei onde você está em sua caminhada da sua vida. O que eu sei que você vai precisar voltar para o carro e seguir a viagem.
Nessa caminhada rumo a eternidade… Deus nos presenteia com momentos únicos..
É a chegada de um filho e a oportunidade educá-lo nas suas mais diversas fases.
Nos desafia a começar uma faculdade, mesmo com a cabeça cheia de dúvidas: será que é isso mesmo que eu quero para a minha vida.
Nos carrega em nossas lutas diárias e na saudade de ter perdido alguém… da luta de um tratamento… de uma sobrecarga física e emocional.
Onde quer que você esteja, não se esqueça de quem vocês é.
Vocês são Sal e Luz para o Mundo.
Talvez, vocês vão entrar no carro, vão voltar para casa, tentando pensar o que significa essas palavras de Jesus…
E na rotina da vida… terão que estudar para mais uma prova, a colocar o seu filho para dormir, precisarão ligar para alguém que precisava de suas palavras de ânimo, precisarão dar um abraço carinhoso no seu cônjuge, darão um testemunho de fé ao amigo em dúvidas…
Testemunhar a nossa fé não precisa ser algo complicado… como um sal, em muitas vezes ele nem é visto… mas que faz uma diferença na vida daqueles que recebem essas pitadas da graça de Deus. ah…. isso faz!
O Espírito Santo age assim. De maneira silenciosa, mas poderosa.
Ao mesmo tempo, também não queremos ofuscar o brilho do Evangelho. Não existe botão de ligar e desligar…. agora eu ilumino e agora eu quero ficar no escuro… Somos sal. Somos luz. Somos discípulos de Jesus em tempo integral.
Sim, Jesus nos permite ver isso com clareza do alto do monte… Mas somos convidados a descer… E ao descer, levamos conosco aquilo que vimos.
Com corações transformados, vamos continuar olhando para Jesus com um misto de alegria, admiração e temor. Vamos olhar para Jesus como aquele que cumpriu todas as promessas… cumpriu a lei totalmente… e ele fez isso por você.
Este é o mundo em que você vive, um mundo criado e abençoado por Deus, também é um mundo de muito sofrimento.
Mas a promessa que haverá um dia, que os Céus e a Terra celebrarão a alegria de não precisarmos mais olhar para esse mirante eterno, por alguns instantes apenas, mas vamos ser chamados a viver na presença do Senhor todos os dias da nossa vida.
Semana que vem, vamos voltar e visualizar outro mirante… será de Jesus, ao lado de Moisés e Elias. O Jesus transfigurado. E ali, com os olhos dos discípulos, vamos também ver a promessa Eterna se cumprindo. Amém!
