Provérbios 18:20,21,23,24

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Notes
Transcript
Esses dois versículos têm como objetivo tratar do destino dos faladores, ou seja, aquelas pessoas que falam bastante. É claro que o livro de Provérbios alerta sobre o risco de falar muito e transgredir por causa disso (Pv 10.19). Mas nem toda fala abundante é ruim. Salomão alerta que as palavras sempre produzem resultados, que podem, sim, ser ruins, mas que podem ser bons também. Por isso, ele alerta que “do fruto da boca enche-se o estômago do homem; o produto dos lábios o satisfaz”. Assim, ele compara as palavras a alimentos que são comidos por aquele que as diz. Entretanto, a qualidade desse alimento depende da qualidade da conversa. Se forem palavras boas, edificantes, misericordiosas, amorosas e de bom testemunho, os resultados serão bons. Se forem palavras ruins, cheias de intrigas, mentiras, agressões e imoralidades, serão como alimento estragado. Independente da qualidade das palavras, elas sempre terminarão no estômago de quem as fala.
Existe uma relação profunda entre o coração e a boca—a boca expressa o que procede do coração, e simultaneamente o coração se alimenta daquilo que a boca fala. O provérbio ensina que tudo aquilo que dizemos para impactar outros terá impacto pleno sobre nós mesmos, retratando as palavras como algo que nos alimenta e influencia nosso comportamento.
Quando a boca profere palavras sábias, bondosas e edificantes, o coração se satisfaz com seus frutos—essas palavras abençoam não apenas quem as ouve, mas também quem as profere, alimentando o coração tanto dos ouvintes quanto daqueles que as proclamam. O que dizemos pode construir, abençoar e beneficiar a nós mesmos e aos outros, mas também pode esmagar, amaldiçoar e condenar tanto a outros quanto a nós mesmos.
Isso cada um de nós podemos comprovar com a nossa própria experiencia: quando estamos falando aqui que edifica com um espirito manso e tranquilo nos sentimos bem por fazermos assim, mas quando estamos cheios de ira, de rancor e estamos derramando isso em alguém por meio das nossas palavras, não ficamos bem, ficamos nervosos, batimentos alterados, trêmulos, angustiados.
O versículo seguinte conecta-se a essa verdade ao afirmar que a morte e a vida estão no poder da língua. Essa progressão revela que nossas palavras não são vazias—elas carregam consequências reais que moldam nossa própria existência e a dos que nos cercam.
Como é bom ser portador de boas-novas! Como é bom ser instrumento de Deus para consolar os tristes! Como é bom abrir a boca para falar a verdade em amor e encorajar as pessoas diante dos dramas da vida! Quando semeamos na vida dos outros, nós mesmos colhemos os frutos dessa semeadura. Quando plantamos boas sementes na lavoura do nosso próximo, vemos essas mesmas sementes florescendo e frutificando em nosso próprio campo. As bênçãos que distribuímos para os outros caem sobre a nossa própria cabeça.
Verso 21
Este versículo comunica uma verdade fundamental sobre o alcance e as consequências da fala. A língua possui autoridade equivalente à vida e morte.
A língua funciona simultaneamente como instrumento de cura ou destruição. Contrariamente ao ditado popular que minimiza o impacto de insultos, as palavras causam dano profundo—não apenas externamente, mas especialmente no interior das pessoas.
Podemos vivificar ou destruir um relacionamento conforme nos comunicamos; a qualidade de relacionamentos conjugais e interpessoais depende de como gerenciamos a comunicação.
 A comunicação é o oxigênio dos relacionamentos. Certa feita, um jovem espertalhão quis colocar numa enrascada um sábio ancião que vivia em sua vila. O velho sempre tinha respostas sábias para todos os dilemas que lhe eram apresentados. O jovem, então, disse para si mesmo: “Vou levar um pássaro bem pequeno nas minhas mãos e perguntar ao velho se o pássaro está vivo ou morto. Se ele disser que o pássaro está morto, eu abro a mão e deixo o pássaro voar. Se falar que está vivo, eu aperto as mãos, esmago o pássaro e o apresento morto. De qualquer forma, esse velho estará encrencado comigo”. Ao se aproximar do ancião, o jovem o desafiou nestes termos: “O senhor é muito sábio e sempre tem respostas certas para todos os dilemas. Então, responda: O pássaro que está dentro das minhas mãos, está vivo ou morto?” O velho olhou para ele e disse: “Jovem, o pássaro está vivo ou morto; só depende de você”. A comunicação dentro da sua casa, no seu casamento, no seu trabalho, na sua escola, na sua igreja só depende de você, pois a morte e a vida estão no poder da língua.
Verso 23
“O pobre fala com súplicas, porém o rico responde com durezas.”
Provérbios 18.23 retrata o rico respondendo com “durezas” em contraste com o pobre que se aproxima com súplicas. Essa resposta áspera e arrogante caracteriza muitos ricos, embora nem todos os que possuem riqueza ajam dessa forma.
O provérbio ilustra uma dinâmica de poder desigual nas relações sociais. O rico, confiante em seus bens, fala com dureza e age com prepotência, considerando-se superior aos outros e usando seu poder financeiro para humilhar quem o procura. Essa atitude revela mais sobre o caráter do que sobre a riqueza em si: quem não fala com doçura expõe entranhas amargas, e a dureza no trato demonstra um coração maligno.
A estrutura do versículo utiliza verbos complementares (“fala” e “responde”): enquanto o pobre fala “suplicantemente” (expressões que brotam de uma mente perturbada pelo terror), o rico responde com aspereza. O pobre, de maneira geral, comunica-se de forma delicada, humilde e suplicante, enquanto o rico frequentemente responde com aspereza e arrogância.
O contraste vai além da simples diferença de tom. O provérbio situa próximo ao centro temático aquele que é imerecidamente pobre em contraste com aquele que é materialmente rico mas espiritualmente pobre. O rico é censurado implicitamente por sua resposta inexorável aos clamores do homem pobre e por ignorá-lo. Enquanto os pobres não têm outra opção senão falar com súplicas, os ricos têm a opção de não responder e, portanto, são responsáveis por sua atitude.
Lições praticas
Provérbios 18.23 oferece várias lições práticas sobre como devemos nos relacionar com outros e com Deus, especialmente considerando dinâmicas de poder e posição social.
Cultive humildade independentemente de sua situação econômica. Quem carece de recursos tende a aprender a fazer súplicas aos outros, e essa condição pode gerar humildade, ainda que nem sempre genuína. A aplicação aqui não é apenas para pobres—pessoas de qualquer condição devem examinar se sua segurança material as torna arrogantes. O pobre geralmente fala com delicadeza e humildade, enquanto o rico frequentemente responde com aspereza e arrogância, mas essa não é uma lei imutável. Nem todos os ricos se comportam dessa maneira, o que significa que a riqueza não determina automaticamente o caráter.
Seja intencional sobre como você trata quem depende de você. Os ricos que confiam em seu dinheiro tendem a ser descuidados ou ásperos em suas respostas1. Se você possui recursos ou influência, examine se sua resposta aos outros reflete dureza ou benevolência. A forma como você fala revela seu coração. Ou seja, como você trata os que de alguma forma precisa de você?
Verso 24
“O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão.”
Provérbios 18.24 afirma que “o homem que tem muitos amigos sai perdendo”, mas o versículo apresenta uma segunda parte que oferece uma perspectiva contrastante e esperançosa sobre a amizade genuína.
Podemos entender que Provérbios 18.24 apresenta um contraste entre ter muitos amigos e possuir um amigo verdadeiro. A aplicação prática desse ensinamento na escolha de amigos envolve reconhecer a diferença fundamental entre quantidade e qualidade nas relações.
O versículo contrasta um círculo amplo de “conhecidos” com um “amigo” especial. As amizades superficiais frequentemente se formam em torno de benefícios mútuos—as pessoas se aproximam esperando ganhar algo, não oferecendo genuinamente.
Então A razão pela qual ter muitos amigos resulta em perda está conectada à natureza superficial dessas relações. O contraste do versículo opõe um círculo amplo de “conhecidos” a um “amigo” especial—a quantidade de relacionamentos não garante qualidade ou lealdade genuína.
Pessoas que cultivam muitas amizades insinceras podem ser feridas por esse tipo de atividade, pois há aqueles que se fingem amigos para conseguir alguma vantagem pessoal. Essas relações baseadas em interesse mútuo desaparecem quando o benefício termina, deixando a pessoa vulnerável e enganada.
O contraste central do versículo emerge na sua conclusão: enquanto alguns que se denominam amigos, o verdadeiro amigo é mais próximo que um irmão. A lealdade e constância formam a essência da amizade genuína.
A mensagem prática é clara: quantidade de amigos não garante segurança ou satisfação; a qualidade—sinceridade, lealdade e constância—determina o verdadeiro valor de uma amizade.
Na prática, escolha poucos amigos verdadeiros em vez de muitos superficiais. Priorize aqueles que demonstram sinceridade, lealdade, prudência e disposição de ajudá-lo a crescer. Evite relacionamentos baseados apenas em conveniência ou benefício pessoal.
Que tipo de amigo você é?
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