Série Alianças - Sermão 1 - Gn 2.4-17

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Criados sob uma Aliança

Texto: Gênesis 2.4-17
Tema: Criados sob uma Aliança
FDT: Quais as implicações de sermos criados sob uma Aliança?
I. Crer que o Senhor da Aliança é o Criador (4-7);
II. Entender que sob a Aliança temos plena comunhão (8-14);
III. Reconhecer que a Aliança tem seus deveres e consequências (15-17).

INTRODUÇÃO

- Você sabe o que é uma Aliança?
- Você sabia que você nasceu debaixo de uma Aliança?
- Você sabia que esta Aliança tem implicações para sua vida?
- Aliança é algo que permeia a nossa vida... de modo geral, Aliança é o mesmo que pacto, acordo ou contrato...
            - Quando nos casamos estabelecemos uma aliança;
            - Ao comprar um carro ou uma casa, você assina um contrato, faz uma aliança...
            - Ou seja, tudo que fazemos legalmente, está firmando em uma aliança.
- Uma das doutrinas basilares de nós como igreja reformada, é a doutrina da Aliança;
- O texto que acabamos de ler trata-se da base para aquilo que denominamos de “pacto das obras”, explicado no Cap. VII da Confissão de Fé de Westminster;
- Que é substituído por um “pacto de graça” a partir da queda... mas...
- Precisamos buscar compreender cada vez mais aquilo diante do que vivemos, esse pacto, essa aliança com o criador.
- Série de sermões sobre Aliança: criação, queda, manutenção, lei, promessas, realeza, encarnação... a Aliança de Deus permeia todo o ensino das Sagradas Escrituras até revelar-se na pessoa de Cristo Jesus!
- Assim, o tema do sermão desta manhã é: criados sob uma Aliança!
FDT: Quais as implicações de sermos criados sob uma Aliança?

1º CREIA QUE O SENHOR DA ALIANÇA É O CRIADOR (4-7);

- A primeira implicação de sermos criados sob uma Aliança é crer que o autor desta Aliança e também criador de todas as coisas é o nosso Deus;
- Por mais que pareça ser algo óbvio em nosso meio, mas esse aspecto aliancista na gênese de todas as coisas é um distintivo na nossa doutrina reformada;
- O texto começa com vs.4 “Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados”;
- Estamos diante do início da primeira grande seção do livro de Gênesis... por 10x a expressão “Esta é a gênese” ou “esta é a genealogia” é utilizada no livro de Gênesis, sempre começando uma nova seção;
você vai notar essa mesma estrutura nos capítulos 5, 6, 10, 11, 25, 36 e 37.
- O relato de Moisés acerca da criação é aqui tem um foco especial na figura do homem e da mulher;
Enquanto no capítulo primeiro o autor do livro narra o relato da criação, agora como em um zoom, ele detalha o que e como Deus fez para criar a humanidade.
- O vs. 4 continua: “quando o SENHOR Deus os criou”;
            - Queridos, temos algo precioso aqui:
- Moisés não apenas apresenta a Deus como o soberano criador, mas também como o Deus da Aliança, o EU SOU, o Senhor que elegeu o seu povo antes da fundação do mundo;
SENHOR Deus... durante todo o texto que lemos, Moisés sempre refere desta forma: יְהוָ֥ה אֱלֹהִ֖ים – SENHOR Deus;
- Moisés, o autor do texto, inspirado por Deus, reconhece que desde aquele momento, desde a criação de todas as coisas, o SENHOR está agindo e criando dentro de um compromisso de Aliança para com a sua criação;
- O Senhor nosso Deus, nosso criador, desde o princípio de tudo, estabeleceu com a humanidade a sua Aliança;
- Em nenhum momento durante a leitura do texto vimos a palavra ‘aliança’, mas em cada detalhe daquilo que Deus faz, desde a criação, vemos essa marca implícita nos detalhes das suas ações;
            - Portanto, creia que o Senhor nosso Deus, o Deus da Aliança é o criador.
- vs. 5 e 6: “Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o Senhor Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo. Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.
            - Em sua infinita graça, o Deus da Aliança prepara todo o ambiente ao homem;
            - Ele cria todas as coisas:
                        - Prepara seu terreno para o trabalho;
                        - Prepara ao homem um solo arável, próprio ao plantio;
- Mesmo sem chuvas, Deus sustenta a umidade necessária regando a superfície da terra;
- Tudo isso aponta para os deveres cabíveis ao homem criado sob uma Aliança;
- Vamos explorar isso melhor na terceira implicação, mas desde já pensemos:
- Não fomos criados para ficarmos parados, o trabalho não deve ser algo odiado...
- O trabalho não é apenas um dever, mas é uma bênção estabelecida por Deus, que, infelizmente, também foi deturpado com a queda;
APROFUNDAR NESSA APLICAÇÃO… CONDIÇÕES DO TRABALHO...
- Diante de todo esse preparo maravilhoso da parte de Deus, o vs. 7 narra: “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.
            - O SENHOR Deus, o criador de todas as coisas, o Deus da Aliança, cria o homem;
- Em uma ação especial e miraculosa, Deus forma o homem do barro e sopra em suas narinas, dando-lhe a vida;
- O Senhor da Aliança é o ator principal aqui...;
- Pense na figura do oleiro preparando um vaso… ou em um ourives produzindo uma aliança… ou ainda em um artista pintando um quadro...
Deus é aqui o grande e perfeito artista... dando forma ao homem;
- Essa criatura complexa, cheia de nervos, músculos, órgãos... onde cada mísera célula tem suas próprias partes e funcionam em perfeição...
- Muitas vezes na nossa correria e ceticismo, não paramos para pensar em toda preciosidade e complexidade que é a criação do homem.
- De maneira maravilhosa, o Deus da Aliança nos traz a vida na pessoa de Adão;
- Vivemos em um tempo de muito ceticismo, mesmo dentro das nossas igrejas... tudo que é sobrenatural ou miraculoso parece não ter validade se não puder ser provado;
- Essa herança do racionalismo, de como as crianças são ensinadas nas escolas, a formação pessoal, os pressupostos podem estar deturpados, corrompidos...
- Mas o que o texto nos narra, e de modo literal... não apenas uma alegoria ou uma metáfora... é que o Deus da Aliança é o Criador de todas as coisas;
- Portanto, creia que o Deus da Aliança é o criador!

2º ENTENDA QUE SOB A ALIANÇA TEMOS PLENA COMUNHÃO (8-14);

- A segunda implicação que podemos extrair desse texto, quanto a sermos criados sob uma Aliança, é o fato de desfrutarmos de plena comunhão com o Deus criador;
- O vs. 8 inicia: “E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente,”;
- No meio daquele lugar santo, Deus cria um jardim...
- Mas este não é um Jardim qualquer... não era apenas para ser um belo lugar para que o homem contemplasse
- O jardim representava um lugar de comunhão plena entre o homem e Deus;
            - O local de comunhão entre O SENHOR da Aliança e a sua criação.
- Assim como é o Deus da Aliança que cria todas as coisas, ele mesmo, em sua soberana graça, é quem providencia o local de comunhão;
- E é nesse lugar que ele coloca a primazia da sua criação... vs. 8: “e pôs nele o homem que havia formado.
- O homem foi criado para essa comunhão plena com o seu criador...
- Mesmo que como consequência do pecado não habitemos mais no Jardim, Deus em sua infinita graça e misericórdia, sempre providenciou um lugar de comunhão com ele...
- Com a perda do paraíso Deus instituiu o Tabernáculo, o local de habitação da presença de Deus, guiando e sustentando o povo em sua peregrinação...
- Estabelecidos na Terra Prometida Deus instituiu o Templo, um Tabernáculo fixo, onde a Lei de Moisés era cumprida, onde todos os ritos que apontavam para Cristo eram realizados;
- Isso culmina na pessoa de Cristo, o verdadeiro Templo, onde nós, redimidos por Ele temos comunhão com o Deus...
- É por isso que na última Ceia, naquele momento de comunhão plena com o Deus encarnado, o próprio Cristo diz: “Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.
- É pela Nova Aliança no sangue de Cristo que temos plena comunhão com o da Aliança...
- É por isso que estamos aqui nesse momento de culto ao Senhor, vivendo debaixo dessa Aliança eterna estabelecida pelo próprio Deus;
            - Cumprindo as suas ordenanças... agindo conforme a sua vontade...
- É o sangue de Cristo que nos faz pertencentes do povo do Senhor, da família de Deus.
- Toda essa comunhão, gerada pelo próprio Deus é representada no primeiro pacto naquele santo lugar, o Jardim no Éden;
- Além do Senhor gerar essa comunhão, ele também sustenta... vs. 9-14: “Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços. O primeiro chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro. O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix. O segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de Cuxe. O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates.
- Duas questões nos chamam atenção nesse trecho...
            - Primeiro: Deus é quem sustenta em abundância a comunhão...
- Note que havia todo o tipo de árvores para alimento... assim também, saia dali um rio que regava todo o jardim;
- O homem estava em lugar de abundância e plenitude… não há necessidade de comer do fruto proibido… não há necessidade de experimentar o que está além do que lhe convém para comunhão.
                       
- Trazendo tal questão para nós, afetados pela queda... mesmo assim, é Deus quem sustenta a sua Igreja, é Deus quem sustenta seu povo;
- Por várias vezes no decorrer da Bíblia vemos o povo se preocupar com as coisas terrenas, mas o que Deus sempre requer de nós, assim como queria do povo, era um coração fiel...
- Creia que é o Senhor quem nos sustenta e consequentemente a própria comunhão para com Ele;
- Segundo: Ali também Deus planta duas árvores: árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal;
                        - Aquelas duas árvores tinham propósitos estabelecidos:
- A primeira era um símbolo da eternidade, que transcende o natural...
- A providência e sustento do perfeito Deus, que estabeleceu a sua Aliança e que cumpre o que prometera;
- Ela está no meio do jardim, em uma posição de destaque, representando a importância dessa comunhão plena com o criador;
- Isso é tão precioso, que ao ver o Novo Éden, a criação restaurada, João diz em Apocalipse 22.1-2: “Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos.”;
- Estar em plena comunhão com o Senhor, é ter certeza de vida eterna...
- A segunda, era um lembrete para a Adão da autoridade e soberania de Deus;
- Como afirma o Rev. Palmer Robertson: “Adão precisava entender que, embora fosse uma criatura gloriosa, ele não era uma criatura soberana”;
- Comer daquele fruto significaria uma quebra da comunhão... uma perda dos privilégios do acesso a Deus.
- (EXPLORAR NA 3ª IMPLICAÇÃO).
- Diante disso, vemos que o Deus da Aliança é quem providencia e sustenta a plena comunhão da sua criação com ele mesmo;
- Desde o jardim até Cristo, o que reflete no culto que prestamos na presença do Senhor;
- Portanto, entenda que somente sob, debaixo da aliança do nosso Deus é que temos plena comunhão com Ele.

3º RECONHEÇA QUE A ALIANÇA TEM SEUS DEVERES E CONSEQUÊNCIAS (15-17);

- A terceira implicação que podemos extrair desse texto, quanto a sermos criados sob uma Aliança, é reconhecer os nossos deveres e consequências;
- O breve catecismo na pergunta 12 diz: Que ato especial de providência Deus exerceu para com o homem, no estado em que ele foi criado?
Resposta: Quando Deus criou o homem, fez com ele um pacto de vida, com a condição de perfeita obediência, proibindo-lhe comer da árvore da ciência do bem e do mal, sob pena de morte.
- Esta “perfeita obediência pessoal” a qual nossos símbolos de fé se referem, diz respeito não apenas ao comer do fruto proibido, que era o essencial ali, mas também deixar de cumprir aqui que Deus ordenara;
- Note que o texto começa, vs. 15: “Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.”;
            - Mais uma vez é o SENHOR da Aliança que está agindo...
- Deus coloca o homem no jardim do Éden, nesse lugar santo, de comunhão plena... não apenas para usufruto, mas também para desfrutar da bênção do trabalho e sacerdócio;
- A Adão cabia o cuidado da terra, a administração correta dos bens dados por Deus;
- Se voltarmos pra gênese de Adão no capítulo 1.26-28, Deus deu a Adão o domínio sobre a terra, ele era o Rei, o embaixador estabelecido por Deus no meio da criação;
- Isso envolve o dever de Adão do cuidado com as coisas criadas;
- No texto posterior ao que estamos expondo, Deus cria a mulher e isso também agrega responsabilidade à Adão...
            - A ele caberia também o cuidado da sua esposa por ordem de Deus
- Mas voltando ao nosso texto, além do cultivo e cuidado real com a criação, era Adão que tinha o dever de guardar o jardim, ou seja, de preservar a comunhão...
            - Perfeita obediência pessoal...
**Veremos a quebra do pacto no próximo sermão**
- Mas cabe aqui pensarmos... o erro de Adão e Eva se consuma no ato de comer do fruto...
- Mas pense, as coisas começam a dar errado quando Eva dá ouvido à serpente... A atitude de Adão e Eva deveria ser a de guardar o jardim;
- Mas aquilo toma conta do coração de Eva e posteriormente de Adão...
- Eles são iludidos pelo desejo de autonomia... deixam de cumprir a função que Deus os deu, a de guardar o jardim.
- A prisão no pecado começa com coisas sutis, que ludibriam a tua mente, até te envolver por completo;
- O texto prossegue e com ele a ordem específica da parte de Deus, vs. 16-17a: “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás
- O Deus da Aliança tem uma ordem: não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal;
- Quantas vezes nós queremos ser autônomos, agir por conta própria, achar que temos controle da situação?
- Quantas vezes queremos ser como Deus? Rebeldes? Negligentes à Aliança?
- Quantas vezes, mesmo diante do banquete de “toda árvore do jardim”, preferimos o que não nos pertence?
- Aquela árvore não era ruim, ela simplesmente não havia sido feita para Adão... e estava ali como uma prova dessa relação pactual que requeria uma perfeita obediência pessoal;
- No decorrer da história vemos como a busca pela autonomia por parte do homem sempre o leva ao fracasso, a frustração... ao pecado;
- Por isso o texto se encerra: “porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”;
- Assim como ser criado sob uma Aliança tem seus deveres, também tem a suas consequências;
- Deus deu a oportunidade para Adão de viver em perfeita obediência pessoal;
            - De viver em plena comunhão com Ele;
            - De desfrutar de todos os benefícios dessa Aliança eterna...
- Mas Adão preferiu ser como Deus e isso o levou a morte, a quebra da comunhão, a maldição da desobediência;
- Vale pensarmos que mesmo que não vivamos especificamente debaixo deste pacto de Deus com Adão, descrito neste texto... Deus ainda requer do seu povo, perfeita obediência pessoal;
- Mesmo sabendo que iremos falhar, este deve ser o nosso foco e ao mesmo tempo, certos de que em Cristo cumprimos todas as cláusulas deste pacto;
- Mas também cientes que sofremos e sofremos as consequências do nosso pecado, ainda que isso não tire de nós a salvação garantida pelo sangue do Cordeiro;
- Portanto, reconheça os deveres e consequências de viver sob uma Aliança e deste modo vida de modo obediente a Deus.

CONCLUSÃO

- Concluindo...
- Desde o princípio de todas as coisas Deus nos criou sob uma Aliança;
            - Aliança que é administrada por Ele;
            - Aliança que implica em todas as áreas da nossa vida;
- Aliança que requer de nós fidelidade, compromisso... que nos possibilita ter comunhão com o criador, ainda que tenhamos caído;
- Aliança que nos garante uma vida plena com nosso Deus, alimentando a nossa esperança pelo Messias que há de vir e então desfrutaremos da presença dele.
Portanto:
Creia que o Senhor da Aliança é o Criador (4-7);
Entenda que somente sob a Aliança temos plena comunhão (8-14);
Reconheça que a Aliança tem seus deveres e consequências (15-17).
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