Comunhão com Deus, rendição, fidelidade e a Cruz

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Textos Bíblicos Básicos

Gn 22:2,12
Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. [...] Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.
Rt 1:16-17
Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone e deixe de seguir-te. Porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
Ez 1:1,28
No trigésimo ano, no quarto mês, no dia quinto do mês, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus. [...] Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do SENHOR; vendo isso, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.

Introdução

Estes quatro textos revelam dimensões profundas da comunhão com Deus: Abraão rendeu tudo; Rute manteve-se fiel contra todas as probabilidades; Ezequiel viu a glória de Deus e foi transformado pela visão; Jesus rendeu-se à cruz. Cada uma destas experiências mostra-nos que a comunhão com Deus é radical, transformadora e muitas vezes custosa. Mas sempre vale a pena.

1 — A Comunhão com Deus Exige Rendição Total

Uma das verdades mais difíceis — mas também mais libertadoras — sobre a comunhão com Deus é esta: ela exige que rendamos tudo. Não apenas os pecados óbvios. Não apenas as coisas más. Mas também as coisas boas — os sonhos, os planos, as pessoas que amamos. Tudo precisa de ser colocado no altar.
Abraão aprendeu isto da forma mais dolorosa possível. Deus pediu-lhe para oferecer Isaque — o filho da promessa, o filho que ele esperara durante décadas, o filho que amava mais do que a própria vida. Génesis 22:2 regista o pedido de Deus: "Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto."
Não podemos imaginar a dor de Abraão. Mas ele foi. Levantou-se de madrugada, preparou a lenha, levou Isaque ao monte. E quando estava prestes a descer a faca, Deus interveio: "Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho" (v.12). Abraão não teve de sacrificar Isaque — mas teve de estar disposto. E essa disposição mudou tudo.
“A rendição total não é algo que fazemos uma vez e acabou. É uma escolha diária. Todos os dias, colocamos tudo no altar novamente — os nossos planos, os nossos sonhos, as nossas vontades. E todos os dias, Deus mostra-se fiel.” — Andrew Murray
Abraão - O que rendeu tudo
Abraão tinha esperado 25 anos por Isaque. Havia recebido a promessa de que seria pai de muitas nações através desse filho. E agora Deus pedia-lhe para sacrificá-lo. Não fazia sentido. Mas Abraão tinha aprendido a confiar em Deus mesmo quando não entendia. Hebreus 11:17-19 revela o que se passava no coração de Abraão: ele acreditava que Deus podia ressuscitar Isaque dos mortos. A rendição de Abraão não era desespero — era fé. Ele confiava que Deus era bom e fiel, mesmo quando o pedido parecia impossível. E Deus honrou essa fé. Proveu um carneiro no lugar de Isaque. E a promessa continuou.
A lição de Abraão é esta: Deus não quer realmente tirar-nos as coisas que amamos. Mas quer que as amemos menos do que a Ele. Mateus 10:37 diz: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim." A rendição não é sobre perder — é sobre ordenar corretamente as nossas prioridades.
E quando rendemos tudo a Deus, algo extraordinário acontece. Recebemos de volta muito mais do que demos. Abraão recebeu Isaque de volta — mas agora numa base diferente. Antes, Isaque era a sua possessão. Depois, era uma dádiva de Deus. A rendição transforma a forma como seguramos tudo na vida.
“Só podemos manter aquilo que rendemos. Quando agarramos as coisas com as mãos fechadas, elas escapam-nos. Mas quando as oferecemos a Deus com as mãos abertas, Ele devolve-as como bênçãos, não como ídolos.”— Amy Carmichael

2 — A Comunhão com Deus Produz Fidelidade Inabalável

A fidelidade é uma das qualidades mais raras — e mais preciosas — da vida cristã. Vivemos numa cultura de conveniência, onde as pessoas mudam de opinião, de compromissos e de relacionamentos assim que as coisas ficam difíceis. Mas a comunhão com Deus produz algo diferente: uma fidelidade que permanece mesmo quando tudo parece perdido.
Rute é um dos exemplos mais belos de fidelidade em toda a Bíblia. Ela era moabita — não fazia parte do povo de Deus. Casou-se com um israelita, mas o marido morreu. A sogra, Noemi, decidiu voltar para Israel e disse às noras que voltassem para as suas próprias famílias. Orfa foi. Mas Rute ficou.
As palavras de Rute em Rute 1:16-17 são algumas das mais comoventes da Escritura: "Não me instes para que te abandone e deixe de seguir-te. Porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus." Esta não foi fidelidade baseada em vantagem pessoal. Foi fidelidade baseada em amor e em compromisso com Deus.
“A fidelidade não é fácil. Custa algo. Rute deixou a sua terra, a sua família, a sua cultura. Mas a sua fidelidade abriu portas que ela nunca imaginaria. Porque Deus honra aqueles que permanecem fiéis mesmo quando tudo está contra eles.— Andrew Murray

Rute - A fiel

Rute não tinha razão para ficar com Noemi. Não havia futuro visível. Não havia segurança. Apenas uma sogra viúva e amarga voltando para uma terra estranha. Mas Rute escolheu a fidelidade. E Deus viu. Rute acabou por casar-se com Boaz, um homem piedoso e rico. Tornou-se bisavó do rei David. E está na linhagem de Jesus Cristo (Mateus 1:5). A sua fidelidade num momento de escuridão tornou-se parte do plano redentor de Deus para toda a humanidade. Nunca subestimemos o poder da fidelidade.
A fidelidade não é apenas sobre permanecer quando as coisas são difíceis. É sobre permanecer porque conhecemos Aquele a quem servimos. Quando vivemos em comunhão profunda com Deus, desenvolvemos uma lealdade a Ele que ultrapassa as circunstâncias. 2Timóteo 2:13 diz: "Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo." A nossa fidelidade é sempre uma resposta à fidelidade de Deus.
E há algo mais: a fidelidade cria raízes profundas. Numa cultura de superficialidade, aqueles que são fiéis destacam-se. Provérbios 20:6 pergunta: "Homem que proclama a sua bondade, é fácil achá-lo; homem fiel, porém, quem o achará?" A fidelidade é rara. Mas quando é cultivada na comunhão com Deus, torna-se a nossa marca distintiva.

3 — A Comunhão com Deus Prepara-nos para a Cruz

A última dimensão — e talvez a mais profunda — é esta: a comunhão com Deus prepara-nos para carregar a cruz. Não a cruz de Jesus (essa só Ele podia carregar), mas a nossa própria cruz — o chamado a morrer para nós mesmos, a entregar a nossa vontade, a seguir Jesus mesmo quando o caminho passa pelo Getsêmani e pelo Calvário.
O próprio Jesus mostra-nos isso. No Getsêmani, na noite antes da crucificação, Ele orou: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua" (Lc 22:42). Esta não foi uma oração fácil. Lucas 22:44 diz que Jesus estava "em agonia" e que "o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra". Ele não queria a cruz. Mas queria mais a vontade do Pai.
A comunhão de Jesus com o Pai foi o que o susteve. Ele tinha passado noites inteiras em oração. Tinha vivido em constante dependência do Pai. E quando chegou o momento mais difícil, essa comunhão deu-lhe força para dizer "sim" — mesmo à cruz.
“A cruz não é o fim da comunhão com Deus. É a sua expressão suprema. Porque na cruz, Jesus rendeu tudo — a sua vida, a sua vontade, tudo. E foi exatamente nessa rendição total que a salvação de toda a humanidade foi conquistada.”— Dietrich Bonhoeffer
Jesus no Getsêmani - O que abraçou a cruz
Jesus sabia o que o esperava. Não foi apanhado de surpresa. Ele sabia que seria traído, preso, torturado, crucificado. E ainda assim foi. Porquê? Porque a sua comunhão com o Pai era tão profunda que a vontade do Pai era mais importante do que a sua própria sobrevivência. No Getsémani, Jesus lutou. Orou três vezes. Suou sangue. Mas no final, rendeu-se. E caminhou para a cruz. A comunhão com o Pai deu-lhe força para fazer o que nenhum outro ser humano poderia fazer — carregar o pecado de toda a humanidade e morrer em nosso lugar.
Jesus disse em Mateus 16:24: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me." A cruz não é opcional para quem quer seguir Jesus. É essencial. E a única forma de carregarmos a nossa cruz é viver em comunhão profunda com Deus, como Jesus viveu.
A cruz que somos chamados a carregar pode ser diferente para cada pessoa. Para alguns, é a renúncia a um sonho. Para outros, é perdoar alguém que não merece perdão. Para outros ainda, é servir num lugar difícil ou amar alguém difícil de amar. Mas seja qual for a nossa cruz, só podemos carregá-la na força que vem da comunhão com Deus.
E há algo extraordinário aqui: a cruz não é o fim. É o caminho para a ressurreição. Jesus morreu na sexta-feira. Mas no domingo, ressuscitou. E o mesmo padrão aplica-se a nós. Quando morremos para nós mesmos, Deus ressuscita algo novo em nós. Gálatas 2:20 diz: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." A morte leva à vida. A cruz leva à ressurreição.
Conclusão
Chegamos ao fim desta série de cinco estudos sobre comunhão com Deus. Percorremos um caminho longo e profundo juntos. Começamos com os fundamentos — a comunhão como base, como caminho para o avivamento e para o revestimento de poder. Aprofundamos com o custo, os obstáculos, as disciplinas e os frutos. Expandimos para o deserto, a comunidade, a adoração e a missão. Exploramos santidade, sofrimento, espera e eternidade. E agora fechamos com rendição, fidelidade, visão profética e a cruz.
Estes não são apenas temas teológicos. São realidades vividas por pessoas reais — Abraão, Rute, Ezequiel, Jesus. E são realidades que Deus nos chama a viver também. A rendição de Abraão ensina-nos a colocar tudo no altar. A fidelidade de Rute mostra-nos que vale a pena permanecer mesmo quando tudo está contra nós. A visão de Ezequiel revela-nos que Deus abre os céus para aqueles que vivem em comunhão com Ele. E Jesus no Getsémani mostra-nos que a comunhão com o Pai dá-nos força para abraçar a cruz.
A comunhão com Deus não é um extra na vida cristã. É o centro. Sem ela, tudo o mais se torna vazio. Com ela, tudo ganha sentido. A rendição torna-se liberdade. A fidelidade torna-se força. A visão profética torna-se clareza. E a cruz torna-se o caminho para a ressurreição.
“O chamado de Deus não é para uma vida fácil. É para uma vida de comunhão profunda. E nessa comunhão, encontramos tudo o que precisamos — força para render, coragem para permanecer, olhos para ver e graça para carregar a cruz.”— Andrew Murray
Aplicação Prática
Como aplicação final, aqui vão quatro desafios que integram os quatro pontos deste estudo:
• Pergunte ao Espírito Santo se há algo que Ele está a pedir-lhe para render — pode ser um sonho, um plano, uma pessoa, um controlo. Não tenha medo. Deus não quer tirar-lhe nada. Quer apenas ser o primeiro em tudo. Coloque isso no altar e confie que Ele é bom.
• Escolha uma área da sua vida onde precisa de ser mais fiel — pode ser um compromisso que assumiu, uma promessa que fez, um relacionamento que está a negligenciar. Decida permanecer fiel mesmo quando é difícil. E peça a Deus a força para isso.
• Passe tempo em oração pedindo a Deus que abra os seus olhos para ver como Ele vê. Pode ser uma situação na sua vida, algo no mundo, ou alguém que conhece. Peça visão profética — não para impressionar os outros, mas para servir melhor.
• Reflita sobre a sua cruz — o que Deus está a pedir-lhe para morrer. Pode ser o ego, a necessidade de controlo, a autopiedade, o ressentimento. Seja o que for, traga-o ao Getsêmani. Lute se precisar. Mas no final, renda-se. E confie que a ressurreição vem depois da cruz.
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