Comunhão com Deus, intimidade, temor, autoridade e presença

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Textos Bíblicos Básicos
Jo 12:3
Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo.
Êx 33:18,20
Então, lhe disse Moisés: Rogo-te que me mostres a tua glória. [...] E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.
Js 6:2,20
Disse o SENHOR a Josué: Olha, entreguei na tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos. [...] Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruiu o muro.
Êx 40:34-35
Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do SENHOR encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo.

Introdução

Estes quatro textos revelam dimensões complementares da comunhão com Deus: Maria expressa intimidade através da adoração extravagante; Moisés experimenta o temor ao pedir para ver a glória de Deus; Josué exerce autoridade espiritual fundada na presença de Deus; e o tabernáculo manifesta a glória tangível de Deus entre o povo. Juntos, estes textos mostram-nos o que significa viver em profunda comunhão com o Deus vivo.

1 — A Comunhão com Deus Cria Intimidade Profunda

A comunhão com Deus não é apenas teológica ou doutrinária. É profundamente pessoal e íntima. É um relacionamento onde conhecemos a Deus e somos conhecidos por Ele. Onde amamos e somos amados. Onde nos entregamos completamente e somos completamente recebidos. Maria de Betânia mostra-nos o que é essa intimidade.
João 12:3 descreve a cena: "Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo." Este não foi um gesto calculado. Foi adoração extravagante nascida de amor profundo. O nardo valia um ano de salário — e Maria derramou tudo sobre Jesus. Quebrou o vaso, derramou o perfume e usou o próprio cabelo para enxugar os pés de Jesus.
Judas criticou-a, dizendo que o perfume deveria ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres (João 12:5). Mas Jesus defendeu-a: "Deixai-a; ela guardou isto para o dia do meu sepultamento" (v.7). Maria não estava a desperdiçar nada. Estava a expressar amor. E Jesus recebeu-o. Porque a intimidade com Deus não se mede por regras ou eficiência — mede-se por amor.

Maria de Betânia - A íntima de Jesus

Maria tinha um histórico de escolher a comunhão com Jesus acima de tudo. Lucas 10:39 diz que ela "sentou-se aos pés do Senhor e ficou escutando o seu ensino" enquanto Marta estava ocupada a servir. Jesus disse que Maria tinha escolhido "a boa parte" (v.42). E agora, em João 12, Maria faz de novo a mesma escolha — mas desta vez de forma ainda mais extravagante. Derrama tudo sobre Jesus. Não guarda nada. Porque quando amamos alguém profundamente, o sacrifício não é sacrifício — é alegria. A intimidade de Maria com Jesus era tão profunda que ela não se importou com o que os outros pensavam. Só queria expressar o seu amor.
A intimidade com Deus não é reservada apenas para místicos ou santos. É para todos os que escolhem passar tempo na presença de Deus. João 15:15 regista as palavras de Jesus: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer." Deus quer intimidade conosco. Quer que o conheçamos, não apenas que saibamos sobre Ele.
E a intimidade com Deus transforma tudo. Salmo 34:5 diz: "Olhai para ele e sede iluminados." Quando passamos tempo na presença de Deus, algo muda em nós. O nosso rosto reflete a sua glória. O nosso coração bate com o seu ritmo. As nossas prioridades alinham-se com as suas. A intimidade com Deus não nos deixa como estamos — transforma-nos.
“A maior necessidade da alma humana é intimidade com Deus. Não bênçãos. Não respostas. Não milagres. Mas Ele próprio. Quando temos a Deus, temos tudo. Quando não o temos, temos nada — não importa o que mais tenhamos.” — D.L. Moody

2 — A Comunhão com Deus Produz o Temor do Senhor

Uma das verdades mais negligenciadas na igreja contemporânea é esta: a intimidade com Deus não elimina o temor — aprofunda-o. O temor do Senhor não é terror ou pânico. É reverência profunda, admiração santa, consciência de que estamos diante do Deus Todo-Poderoso. E quanto mais perto chegamos de Deus, mais profundo se torna esse temor.
Moisés experimentou isso no monte Sinai. Depois de quarenta dias na presença de Deus, Moisés teve a ousadia de pedir: "Rogo-te que me mostres a tua glória" (Êx 33:18). Ele queria ver mais. Mas Deus respondeu: "Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá" (v.20). A glória de Deus é tão intensa, tão santa, tão pura que nenhum ser humano pode contemplá-la completamente e sobreviver.
Deus colocou Moisés na fenda da rocha e cobriu-o com a sua mão enquanto a sua glória passava (v.22). E quando Moisés desceu do monte, o seu rosto resplandecia com a glória de Deus — tanto que o povo tinha medo de se aproximar dele (Êx 34:29-30). O encontro com Deus tinha marcado Moisés de forma visível. A comunhão com Deus não tornou Moisés casual ou familiar — tornou-o reverente e transformado.
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Não é o fim — é o princípio. Quando perdemos o temor de Deus, perdemos tudo. Porque sem o temor do Senhor, não há santidade, não há reverência, não há transformação verdadeira.” — Jonathan Edwards

Moisés no Sinai - O que viu a glória

Moisés tinha uma relação extraordinária com Deus. Êxodo 33:11 diz que "falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo." Mas essa intimidade não criou familiaridade irreverente. Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, Deus disse-lhe que era impossível. Nenhum homem pode ver a face de Deus e viver. A intimidade de Moisés com Deus era real — mas o temor era igualmente real. Ele sabia que estava a falar com o Deus Santo, o Criador de tudo, o Eterno. E esse temor santificava a intimidade.
O temor do Senhor é essencial para a comunhão verdadeira. Provérbios 9:10 diz: "O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo, prudência." Sem o temor de Deus, a nossa comunhão torna-se superficial, casual, até profana. Mas com o temor de Deus, a comunhão aprofunda-se, santifica-se, transforma-se.
E o temor do Senhor não nos afasta de Deus — aproxima-nos. Isaías 6:5 regista o grito de Isaías quando viu a glória de Deus: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros." Mas foi exatamente nesse momento de temor que Deus enviou a purificação (v.6-7). O temor do Senhor expõe a nossa pecaminosidade — mas também nos abre para a graça purificadora de Deus.
“Deus é amor — mas é também fogo consumidor. Precisamos de ambas as verdades. Sem o amor, o temor torna-se terror. Sem o temor, o amor torna-se sentimentalismo barato. Mas juntos, amor e temor criam comunhão verdadeira.” — R.A. Torrey

3 — A Comunhão com Deus Confere Autoridade Espiritual

Quando vivemos em profunda comunhão com Deus, algo notável acontece: recebemos autoridade espiritual. Não autoridade sobre as pessoas (isso é domínio humano), mas autoridade sobre as forças espirituais, sobre as circunstâncias, sobre tudo o que se opõe aos propósitos de Deus. Josué experimentou isso em Jericó.
Jericó era uma cidade fortificada, impossível de conquistar por meios humanos. Mas Deus disse a Josué: "Olha, entreguei na tua mão a Jericó" (Js 6:2). Repare: não disse "vou entregar" — disse "entreguei". No reino espiritual, a vitória já estava conquistada. E quando Josué obedeceu — marchando ao redor da cidade durante sete dias e depois gritando — "ruiu o muro" (v.20). A vitória veio não da força militar, mas da presença de Deus com Josué.
A autoridade de Josué não era dele próprio. Vinha da presença de Deus. Josué 1:5 regista a promessa: "Como fui com Moisés, assim serei contigo." A presença de Deus era a fonte da autoridade. E quando Josué andava nessa presença, impossíveis tornavam-se possíveis.
“A autoridade espiritual não se conquista. Recebe-se. E só se recebe de uma forma: vivendo em comunhão profunda com Deus. Quando a presença de Deus está connosco, temos autoridade. Quando não está, não temos nada.” — D.L. Moody
Josué em Jericó - O que andava na presença
Josué tinha aprendido a viver na presença de Deus. Êxodo 33:11 diz que quando Moisés saía da tenda da congregação, "o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda." Enquanto outros saíam, Josué ficava. Ele valorizava a presença de Deus acima de tudo. E quando chegou o momento de liderar Israel, Deus fez-lhe a mesma promessa que tinha feito a Moisés: "Serei contigo." A autoridade de Josué em Jericó não veio de estratégia militar. Veio da presença de Deus. E com essa presença, muralhas impossíveis ruíram.
A autoridade espiritual é sempre relacional. Atos 19:15 conta a história de exorcistas que tentaram expulsar demónios usando o nome de Jesus sem conhecerem Jesus. O espírito maligno respondeu: "Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?" A autoridade não vem de fórmulas ou técnicas. Vem de relacionamento com Deus.
E a autoridade espiritual é sempre humilde. Aqueles que têm verdadeira autoridade não precisam de a proclamar ou de a exibir. Simplesmente caminham nela. E quando falam, as forças espirituais obedecem — não porque a pessoa é poderosa, mas porque Deus está com ela. Lucas 10:19 regista as palavras de Jesus: "Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano." Mas essa autoridade está sempre ligada à comunhão com Jesus (v.20).
“A autoridade sem humildade é arrogância. A humildade sem autoridade é fraqueza. Mas quando a humildade e a autoridade se unem numa vida vivida na presença de Deus, impossíveis acontecem.” — Jonathan Edwards

4 — A Comunhão com Deus Manifesta a Sua Presença

A dimensão final — e talvez a mais importante — é esta: a comunhão com Deus não é apenas algo que sentimos interiormente. Manifesta-se. Torna-se tangível. A presença de Deus é real e pode ser experimentada de formas que vão além do subjetivo. A arca da aliança no tabernáculo mostra-nos isso.
Êxodo 40:34-35 descreve o que aconteceu quando o tabernáculo foi completado: "A nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do SENHOR encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo." A presença de Deus era tão real, tão tangível, tão poderosa que nem Moisés conseguia entrar.
A arca da aliança era o símbolo dessa presença. Dentro dela estavam as tábuas da lei, o maná e a vara de Arão — tudo símbolos da provisão, da orientação e da presença de Deus. E sobre a arca estava o propiciatório, onde Deus prometeu encontrar-se com o povo (Êx 25:22). A arca não era mágica — mas representava a realidade de que Deus escolheu habitar no meio do seu povo.
“A presença de Deus não é uma ideia abstrata. É uma realidade concreta. E quando Deus se manifesta, tudo muda. Doenças são curadas. Pecados são confessados. Corações são quebrantados. Vidas são transformadas. A presença de Deus é a maior necessidade da Igreja.” — R.A. Torrey

A Arca da Aliança - Símbolo da presença

A arca da aliança era o objecto mais sagrado de Israel. Representava a presença de Deus no meio do povo. Quando Israel viajava, a arca ia à frente (Nm 10:33-36). Quando cruzaram o Jordão, as águas pararam quando os sacerdotes que carregavam a arca entraram no rio (Js 3:13-17). Quando a arca foi capturada pelos filisteus, eles a devolveram porque a presença de Deus trouxe juízo (1 Sm 5-6). A arca não tinha poder próprio — mas representava o Deus Todo-Poderoso. E onde quer que a presença de Deus estivesse, coisas extraordinárias aconteciam.
A presença de Deus é o bem supremo. Salmo 27:4 expressa o desejo do salmista: "Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo." Não bênçãos. Não provisão. Mas a presença de Deus. Porque quando temos a presença de Deus, temos tudo.
E no Novo Testamento, a presença de Deus já não está limitada a um tabernáculo ou a um templo. 1 Coríntios 3:16 declara: "Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" Nós somos o templo. E a presença de Deus habita em nós através do Espírito Santo. Mas ainda precisamos de cultivar essa presença, de a honrar, de viver de forma que ela se manifeste.
E quando a presença de Deus se manifesta numa comunidade, é inconfundível. Atos 2:2-4 descreve o Pentecostes: "De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo." A presença de Deus era tangível. E três mil pessoas foram salvas naquele dia (v.41). Quando a presença de Deus se manifesta, vidas são transformadas.
Conclusão
Chegamos ao fim deste sexto estudo sobre comunhão com Deus. Exploramos quatro dimensões profundas e essenciais: a intimidade que nos leva a adorar extravagantemente como Maria; o temor que nos santifica como santificou Moisés; a autoridade que derruba muralhas impossíveis como derrubou Jericó; e a presença manifesta de Deus que transforma tudo como transformou o tabernáculo.
Estas quatro dimensões não são opcionais. São essenciais. E estão profundamente interligadas. Não podemos ter intimidade verdadeira sem temor. Não podemos ter autoridade sem presença. Não podemos ter presença sem comunhão. Tudo flui de uma vida vivida na presença de Deus — dia após dia, momento após momento, escolha após escolha.
Maria ensinou-nos que a intimidade com Deus vale tudo o que temos. Moisés mostrou-nos que o temor do Senhor aprofunda a comunhão. Josué demonstrou que a autoridade espiritual vem da presença de Deus. E a arca lembrou-nos que a presença de Deus é real, tangível e transformadora. Juntos, estes exemplos chamam-nos a uma comunhão mais profunda do que jamais imaginámos.
“A comunhão com Deus não é um meio para um fim. É o fim. Deus não nos chama a fazer coisas para Ele. Chama-nos a estar com Ele. E quando estamos com Ele, tudo o resto flui naturalmente.” — D.L. Moody
Se há um convite que este estudo nos deixa é este: não nos contentemos com menos. Não nos contentemos com uma fé que é apenas doutrina. Que é apenas actividade. Que é apenas serviço. Busquemos a intimidade. Cultivemos o temor. Andemos em autoridade. E ansiemos pela presença manifesta de Deus. Porque foi para isso que fomos criados — para viver em comunhão profunda, íntima, reverente e poderosa com o Deus vivo.

Aplicação Prática

Aqui vão quatro desafios práticos baseados nos quatro pontos deste estudo:
• Como Maria, escolha um momento esta semana para adorar extravagantemente. Não se preocupe se é 'demais' ou se alguém vai criticar. Derrame o seu amor sobre Jesus — através de oração profunda, adoração prolongada, ou algum ato de generosidade radical. A intimidade com Deus merece tudo.
• Medite em Provérbios 9:10: 'O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria.' Pergunte ao Espírito Santo se há alguma área da sua vida onde perdeu o temor de Deus — onde está a tratá-lo com demasiada familiaridade ou casualidade. Arrependa-se e volte à reverência.
• Identifique uma 'muralha de Jericó' na sua vida — algo impossível que precisa de cair. Em vez de tentar derrubá-la com força humana, passe tempo na presença de Deus. E depois obedeça ao que Ele disser, confiando que a autoridade espiritual vem da presença, não da força.
• Separe tempo esta semana — talvez uma hora, talvez uma manhã — apenas para esperar na presença de Deus. Não para pedir. Não para fazer. Apenas para estar. E peça que a presença de Deus se manifeste de forma tangível na sua vida.
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