Comunhão com Deus, perseverança, contentamento e alegria

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Textos Bíblicos Básicos
Lc 2:36-37
Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações.
1 Sm 1:27-28
Por este menino orava eu; e o SENHOR atendeu à petição que eu lhe fizera. Também o trago como devolvido ao SENHOR, por todos os dias que viver; pois do SENHOR o pedi. E adorou ali ao SENHOR.
Fp 4:11-12
Não digo isto por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez.
Lc 1:46-47
Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador.

Introdução

Estes quatro textos revelam dimensões essenciais da comunhão com Deus: Ana perseverou em oração durante décadas; Ana (mãe de Samuel) rendeu o filho à vontade de Deus; Paulo aprendeu o contentamento em todas as circunstâncias; Maria expressou alegria transbordante no Magnificat. Juntos, mostram-nos que a comunhão com Deus produz algo radicalmente diferente do que o mundo oferece.

1 — A Comunhão com Deus Produz Perseverança na Oração

Uma das maiores dificuldades da vida de oração é a perseverança. Oramos uma vez, duas vezes, dez vezes — e quando a resposta não vem, desistimos. Concluímos que Deus não está a ouvir ou que a resposta é "não". Mas há uma forma diferente de orar: a perseverança que vem de uma comunhão tão profunda com Deus que simplesmente não conseguimos parar de orar, mesmo quando as respostas demoram.
Ana, a profetisa, é um exemplo extraordinário de perseverança. Lucas 2:36-37 diz que ela "era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações." Ana tinha estado no templo durante décadas. Não sabemos exatamente pelo que orava — mas sabemos que perseverou. E quando o Messias nasceu, ela estava lá. Foi uma das primeiras pessoas a reconhecê-lo (v.38).
A perseverança de Ana não era teimosia. Era fé. Ela confiava que Deus é fiel, mesmo quando a resposta demorava. E a sua comunhão com Deus — adorando noite e dia — era o que a sustinha. Não orava apenas quando "sentia" vontade. Orava porque vivia em constante comunhão com Deus.
“A perseverança na oração não vem de força de vontade. Vem de comunhão profunda. Quando conhecemos o coração de Deus, não conseguimos parar de orar — mesmo quando as respostas demoram. Porque sabemos que Ele é fiel.” — John Piper
Ana, a profetisa - A que perseverou
Ana tinha todas as razões para desistir. Casou-se jovem, mas o marido morreu após apenas sete anos de casamento (Lc 2:36). Ficou viúva — numa cultura onde as viúvas eram marginalizadas e vulneráveis. Mas em vez de se tornar amarga, Ana voltou-se para Deus. E permaneceu no templo durante décadas, adorando, jejuando e orando. Não sabemos se orava por consolo pessoal, pela redenção de Israel ou por outra coisa. Mas sabemos que perseverou. E quando Jesus nasceu, Ana estava lá. A sua perseverança foi recompensada. Deus honra aqueles que não desistem.
Jesus ensinou sobre a perseverança na oração através da parábola da viúva e do juiz injusto (Lucas 18:1-8). A viúva continuou a pedir justiça até que o juiz, cansado de a ouvir, atendeu-a. E Jesus disse: "Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite?" (v.7). Deus não é como o juiz injusto — mas o princípio da perseverança permanece. Continuamos a orar porque confiamos em Deus.
E há algo mais: a perseverança na oração muda-nos. Não apenas porque recebemos respostas (embora isso aconteça), mas porque o próprio ato de perseverar aprofunda a nossa comunhão com Deus. Aprendemos a confiar quando não vemos. Aprendemos a esperar quando não compreendemos. E aprendemos que Deus é suficiente, mesmo quando as respostas demoram.
“Deus não demora a responder porque é cruel. Demora porque está a fazer algo mais profundo em nós do que simplesmente dar-nos o que pedimos. Está a transformar-nos através da perseverança.” — Elisabeth Elliot

2 — A Comunhão com Deus Leva à Rendição de Sonhos

Uma das dimensões mais dolorosas — mas também mais libertadoras — da comunhão com Deus é a rendição de sonhos. Há coisas que desejamos profundamente, que pedimos a Deus, que Ele até nos dá. E depois pede-nos para as rendermos de volta. Não porque é cruel, mas porque quer ensinar-nos que Ele é suficiente — mesmo sem as dádivas que nos deu.
Ana (mãe de Samuel) viveu isto de forma extraordinária. Ela era estéril — e numa cultura onde a infertilidade era vista como vergonha, Ana sofria profundamente. Orou com lágrimas, pedindo um filho (1Sm 1:10-11). E Deus respondeu. Deu-lhe Samuel. Mas Ana tinha feito uma promessa: se Deus lhe desse um filho, ela o dedicaria ao Senhor para toda a vida (v.11).
E cumpriu. Quando Samuel foi desmamado — provavelmente aos três ou quatro anos — Ana levou-o ao templo e entregou-o a Eli, o sacerdote. 1Samuel 1:28 regista as suas palavras: "Também o trago como devolvido ao SENHOR, por todos os dias que viver; pois do SENHOR o pedi. E adorou ali ao SENHOR." Ana rendeu o filho que tanto desejara. E adorou.
“A verdadeira adoração acontece não quando recebemos o que queremos, mas quando rendemos o que temos. Ana adorou quando entregou Samuel. Porque sabia que Deus era maior do que até o seu filho mais amado.” — John Piper
Ana (mãe de Samuel) - A que rendeu o sonho
Ana tinha esperado anos por um filho. Tinha orado com lágrimas. Tinha suportado o desprezo da rival Penina (1 Sm 1:6-7). E quando finalmente Deus respondeu e Samuel nasceu, poderia ter-se agarrado a ele. Mas não o fez. Cumpriu a promessa. Levou Samuel ao templo e deixou-o lá — para sempre. Não foi fácil. Mas Ana sabia algo profundo: Samuel não era dela. Era de Deus. E render Samuel de volta a Deus era a expressão máxima de fé. E Deus honrou-a. Deu-lhe mais três filhos e duas filhas (1Sm 2:21). E Samuel tornou-se um dos maiores profetas de Israel.
A lição de Ana é esta: Deus não nos pede para rendermos os nossos sonhos para nos magoar. Pede para nos libertar. Enquanto agarramos as coisas — mesmo as coisas boas que Deus nos deu — elas tornam-se ídolos. Mas quando as rendemos, tornam-se bênçãos. Lucas 9:24 diz: "Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará." A rendição é o caminho para a vida verdadeira.
E há algo extraordinário: quando rendemos os nossos sonhos a Deus, muitas vezes Ele devolve-os — mas de uma forma transformada. Abraão rendeu Isaque e recebeu-o de volta (Gn 22). Job perdeu tudo mas Deus restaurou-lhe em dobro (Jó 42:10). A rendição não é o fim — é o princípio de algo novo.
“Deus não quer tirar-nos os nossos sonhos. Quer libertar-nos da necessidade de os ter. Quando chegamos ao ponto onde Deus é suficiente — com ou sem os nossos sonhos — aí encontramos a verdadeira liberdade.” — Elisabeth Elliot
3 — A Comunhão com Deus Gera Contentamento Profundo
Vivemos numa cultura de descontentamento constante. Sempre queremos mais — mais dinheiro, mais reconhecimento, mais conforto, mais de tudo. E o resultado é uma vida de insatisfação perpétua. Mas a comunhão com Deus produz algo radicalmente diferente: contentamento. Não a resignação passiva de quem desistiu, mas a paz profunda de quem descobriu que Deus é suficiente.
Paulo é o exemplo supremo disso. Filipenses 4:11-12 revela o seu segredo: "Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez." Paulo escreveu isto da prisão. Não estava numa situação confortável. Mas estava contente.
O contentamento de Paulo não vinha de circunstâncias favoráveis. Vinha de Cristo. O versículo 13 explica: "Tudo posso naquele que me fortalece." Paulo tinha aprendido que Cristo era suficiente — em toda e qualquer situação. E essa suficiência produzia contentamento.
“O contentamento não é ter tudo o que queremos. É querer apenas o que temos — porque sabemos que Deus nos deu exatamente o que precisamos. E quando Deus é suficiente, tudo o mais se torna bónus.” — Jerry Bridges
Paulo na prisão - O contente
Paulo tinha todas as razões para estar descontente. Estava preso injustamente. Tinha sido açoitado, apedrejado, naufragado (2Co 11:23-27). Tinha trabalhado incansavelmente pelo evangelho e o resultado era prisão. Mas em vez de se queixar, Paulo escreveu cartas cheias de alegria. Filipenses — escrita da prisão — é uma das epístolas mais alegres do Novo Testamento. Paulo tinha descoberto o segredo: Cristo era suficiente. E quando Cristo é suficiente, as circunstâncias tornam-se irrelevantes. O contentamento de Paulo não era natural — era sobrenatural. Vinha da comunhão profunda com Cristo.
O contentamento verdadeiro é contraintuitivo. 1 Timóteo 6:6 diz: "De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento." Não diz que o contentamento vem de ter muito. Diz que vem da piedade — de viver em comunhão com Deus. Quando conhecemos a Deus, quando vivemos na sua presença, descobrimos que Ele é o bem supremo. E tudo o mais — bênçãos materiais, reconhecimento humano, conforto — torna-se secundário.
E há algo libertador aqui: o contentamento não significa que não temos desejos ou que não trabalhamos por melhorias. Significa que a nossa alegria não depende de consegui-las. Hebreus 13:5 exorta: "Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei." O contentamento é baseado na presença de Deus, não na abundância de coisas.
“A felicidade depende das circunstâncias. O contentamento depende de Deus. A felicidade vem e vai. O contentamento permanece. Porque Deus permanece.” — C.S. Lewis
4 — A Comunhão com Deus Produz Alegria Transbordante
A dimensão final que vamos explorar é a alegria. Não a felicidade superficial que depende de circunstâncias favoráveis, mas a alegria profunda que brota da comunhão com Deus. É uma alegria que não se apaga quando as coisas ficam difíceis. É uma alegria que transborda mesmo no meio do sofrimento. E é uma alegria que se expressa de formas que o mundo não compreende.
Maria, mãe de Jesus, mostra-nos isso. Quando o anjo Gabriel anunciou que ela conceberia o Messias, Maria estava diante de um futuro incerto e potencialmente perigoso. Estava noiva de José, mas ainda não casada. Uma gravidez nesta situação poderia resultar em rejeição, vergonha pública, até apedrejamento. Mas a resposta de Maria foi rendição confiante: "Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra" (Lc 1:38).
E quando visitou Isabel, a alegria transbordou. Lucas 1:46-47 regista o que ficou conhecido como o Magnificat: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador." Maria não estava a negar as dificuldades que viriam. Estava a escolher a alegria que vem de conhecer Deus e de confiar nos seus propósitos. Esta alegria não dependia de circunstâncias — brotava da comunhão profunda com Deus.
“A alegria verdadeira não nasce de circunstâncias favoráveis. Nasce de conhecer a Deus. Maria estava diante de um futuro incerto, mas a sua alegria era real porque conhecia Aquele em quem confiava. Quando conhecemos o amor de Deus, a alegria transborda — mesmo no meio da incerteza.” — C.S. Lewis
Maria - A que cantou o Magnificat
Maria era uma jovem simples de Nazaré quando o anjo a visitou. A notícia de que conceberia o Messias era ao mesmo tempo gloriosa e aterradora. Gloriosa porque Deus a escolhera. Aterradora porque não sabia como José reagiria, como a comunidade a trataria. Mas Maria não se focou no medo — focou-se em Deus. E quando visitou Isabel e foi confirmada na sua chamada (Lc 1:42-45), a alegria transbordou no Magnificat — um cântico que exalta a Deus, reconhece a sua misericórdia e celebra os seus propósitos. Maria cantou sobre revolução social, sobre Deus derrubar os poderosos e exaltar os humildes (Lc 1:51-53). A sua alegria não era ingénua — era profética, enraizada em conhecimento de quem Deus é e do que Ele faz.
A alegria que vem da comunhão com Deus é mencionada repetidamente nas Escrituras. Salmo 16:11 diz: "Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente." A alegria não é algo que procuramos diretamente. É o subproduto de viver na presença de Deus. Quando o conhecemos, quando o amamos, quando vivemos em comunhão com Ele — a alegria acontece.
E esta alegria é diferente da felicidade. Habacuque 3:17-18 expressa isso perfeitamente: "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; [...] todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação." A alegria não depende de circunstâncias. Depende de Deus. E por isso permanece mesmo quando tudo o mais desmorona.
E há algo contagioso na alegria: ela espalha-se. Quando vivemos em comunhão com Deus e a alegria transborda, outros são atraídos. Neemias 8:10 diz: "A alegria do SENHOR é a vossa força." Não é apenas sentimento — é poder. É o que nos sustenta e o que atrai outros para Deus.
“Deus não nos chama a uma vida de tristeza religiosa. Chama-nos a uma vida de alegria profunda. E essa alegria — a alegria que vem de conhecê-lo — é o nosso maior testemunho ao mundo.” — John Piper

Conclusão

Chegamos ao fim deste sétimo estudo sobre comunhão com Deus. Exploramos quatro dimensões profundas: a perseverança que não desiste mesmo quando as respostas demoram (Ana, a profetisa); a rendição de sonhos que liberta em vez de escravizar (Ana, mãe de Samuel); o contentamento que não depende de circunstâncias (Paulo); e a alegria que transborda mesmo no meio da incerteza (Maria).
Estas quatro dimensões têm algo em comum: são contraculturais. A nossa cultura valoriza resultados rápidos — mas a comunhão com Deus ensina-nos a perseverar. A nossa cultura diz-nos para agarrar os nossos sonhos — mas a comunhão com Deus ensina-nos a rendê-los. A nossa cultura promete felicidade através de circunstâncias — mas a comunhão com Deus dá-nos contentamento que ultrapassa as circunstâncias. E a nossa cultura vê a alegria como algo a ser conquistado — mas a comunhão com Deus dá-nos alegria que brota naturalmente da presença de Deus.
Ana perseverou durante décadas e viu o Messias. Ana rendeu Samuel e recebeu mais filhos. Paulo estava preso mas escreveu sobre alegria. Maria cantou o Magnificat mesmo diante da incerteza. Cada um deles mostra-nos que a comunhão com Deus produz algo que o mundo não pode dar e não pode tirar.
“A vida em comunhão com Deus não é mais fácil do que a vida sem Ele. Mas é infinitamente melhor. Porque mesmo nas dificuldades, temos Aquele que é suficiente. E quando temos a Deus, temos tudo.” — Jerry Bridges
Se há um convite que este estudo nos deixa é este: não desistamos. Não desistamos de orar quando as respostas demoram. Não nos agarremos aos nossos sonhos a ponto de eles se tornarem ídolos. Não dependamos das circunstâncias para o nosso contentamento. E não escondamos a alegria que Deus nos dá. Vivamos em comunhão profunda com Deus — e deixemos que essa comunhão produza em nós perseverança, rendição, contentamento e alegria.
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