LAMENTEM, TODOS VOCÊS...
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INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
¹ Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.
² "Prestem atenção, velhos, e escutem, todos os moradores da terra! Aconteceu algo assim no tempo de vocês ou nos dias de seus pais?
³ Contem isto aos filhos de vocês; que eles o contem aos filhos deles, e que estes falem sobre isso à geração seguinte."
⁴ "O que o gafanhoto cortador deixou, o gafanhoto migrador comeu; o que o migrador deixou, o gafanhoto devorador comeu; o que o devorador deixou, o gafanhoto destruidor comeu."
⁵ "Acordem, beberrões, e chorem! Lamentem, todos vocês que gostam de vinho, por causa do vinho novo, pois foi tirado da boca de vocês.
⁶ Porque veio um povo contra a minha terra, poderoso e inumerável, com dentes como de leão e presas como de leoa.
⁷ Destruiu as minhas videiras e destroçou as minhas figueiras. Tirou as cascas das árvores e as jogou fora; os galhos ficaram brancos."
⁸ "Lamentem, assim como a virgem, vestida de roupa feita de pano de saco, lamenta a morte do seu noivo.
⁹ Na Casa do Senhor, foram cortadas as ofertas de cereais e as libações. Os sacerdotes, ministros do Senhor, estão enlutados.
¹⁰ Os campos foram arrasados, e a terra está de luto, porque o cereal foi destruído, o vinho novo acabou, o azeite está no fim."
¹¹ "Fiquem envergonhados, lavradores; lamentem, vinhateiros, por causa do trigo e da cevada, porque a colheita foi destruída.
¹² As videiras secaram, as figueiras murcharam, as romãzeiras, as palmeiras e as macieiras também. Todas as árvores do campo secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens."
Joel 1:1-12
INÍCIO DO SERMÃO
Apesar da história humana relatar pragas com gafanhotos — até mesmo a oitava praga que Deus enviou ao Egito nos dias de Moisés — para o povo dos dias de Joel, certamente foi diferente. Foi horrível, devastador, esmagador. Eles já tinham visto gafanhotos antes, provavelmente hordas deles ao longo dos anos. Mas isso não tinha precedentes:
² "Prestem atenção, velhos, e escutem, todos os moradores da terra! Aconteceu algo assim no tempo de vocês ou nos dias de seus pais? (Joel 1.2)
Basta lermos relatos de tais invasões de gafanhotos para captarmos a sensação das terríveis experiências que desencadearam. Agostinho escreve:
Quando a África era uma província romana, foi atacada por um grande número de gafanhotos. Tendo comido tudo, folhas e frutos, um formidável enxame deles se afogou no mar. Lançados mortos nas costas, a putrefação desses insetos infectou o ar de tal maneira que causou uma pestilência tão horrível que, somente no reino de Massinissa, diz-se que 800.000 pessoas ou mais pereceram. De 30.000 soldados em Utique, apenas 10.000 permaneceram.
Por volta de 1960, um enorme ataque de gafanhotos atingiu a Califórnia e foi descrito de forma tão intensa que lembrava as pragas narradas no livro de Joel: centenas de milhares de hectares ficaram completamente cobertos de insetos, os campos foram deixados totalmente destruídos, e até o que os gafanhotos não comiam eles estragavam. Hoje, surtos assim são monitorados por agências internacionais com satélites e outras tecnologias, e os enxames são combatidos rapidamente com aviões e pesticidas. Ainda assim, quando não são controlados logo no início, os gafanhotos se tornam quase impossíveis de deter. Um exemplo disso aconteceu em 1988, quando uma guerra civil no Chade impediu a ação conjunta dos países, permitindo que um enxame se espalhasse por todo o Norte da África, devastando regiões pobres e chegando a ameaçar até a Europa.
O gafanhoto destruidor, na verdade, é uma espécie comum, mas quando as condições de clima e umidade favorecem grandes eclosões, algo impressionante acontece: o contato constante entre as ninfas provoca uma mudança de comportamento, fazendo com que deixem de ser solitárias e passem a agir de forma coletiva, formando enxames migratórios extremamente destrutivos. Enquanto o clima continua favorável, essas pragas se repetem e se espalham. Os enxames podem viajar por distâncias enormes, ocupar áreas gigantescas e reunir números assustadores de insetos, chegando a milhões por quilômetro quadrado. Uma única fêmea pode gerar milhões de descendentes em poucos meses, e as nuvens de gafanhotos podem ser tão densas que chegam a escurecer o céu, formando enxames com bilhões de insetos.
A teologia de Joel é profunda e ampla, porque ele enxerga a mão de Deus em toda a experiência humana. Para Joel, Deus está envolvido de forma pessoal e direta tanto nas ações quanto nas omissões das pessoas, e nada do que acontece está fora do seu cuidado e do seu governo. Mesmo falando a um povo e a uma cultura onde o nome de Deus ainda era comum no discurso diário, Joel não estava lidando com uma sociedade menos secularizada do que a nossa. Ainda assim, ele teve coragem de afirmar que somente o Senhor tinha a resposta para a crise que o povo enfrentava. Essa mensagem confrontava a mentalidade do seu tempo da mesma forma que confronta a nossa hoje, ao declarar que Deus está presente, age na história e é a única esperança verdadeira em meio às crises humanas.
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
¹ Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.
As frases de abertura deixam claro que o livro de Joel é a palavra do Senhor. A linguagem é muito semelhante às linhas de abertura de outros livros proféticos do Antigo Testamento. Mas não há nenhuma pista sobre sua data, nem qualquer indicação sobre o histórico e a personalidade de seu autor. Ele se apresenta como Joel, filho de Petuel. Curiosamente, podemos neste caso notar com proveito o que significam os nomes de Joel e seu pai. Joel significa ‘cujo Deus é Yahweh’ ou talvez ‘Yahweh é Deus’. Petuel significa ‘a retidão ou sinceridade de Deus’.
Os dois nomes juntos, na verdade, resumem a mensagem do livro. Ele é inteiramente focado em Deus e sua mensagem é completamente direta — Deus está falando diretamente ao seu povo.
Não sabemos exatamente como Joel recebeu a palavra do Senhor. Tudo indica que ele conhecia bem o templo em Jerusalém, e foi nesse contexto que a palavra de Deus chegou até ele. Pode ter sido de forma audível, por meio de uma visão, ou de outra maneira que o texto não explica. O que importa é que a palavra do Senhor se tornou uma realidade clara para Joel. A própria Escritura diz: “A palavra do Senhor que foi para Joel”, mostrando que ele cria que aquilo que anunciava não eram apenas suas ideias, mas a própria palavra de Deus, comunicada com autoridade e precisão divinas.
² "Prestem atenção, velhos, e escutem, todos os moradores da terra! Aconteceu algo assim no tempo de vocês ou nos dias de seus pais?
³ Contem isto aos filhos de vocês; que eles o contem aos filhos deles, e que estes falem sobre isso à geração seguinte."
No espaço de treze versículos, Joel, falando com as palavras de Deus, não dá menos que dezessete palavras de ordem—a todos os habitantes da terra (2), aos homens idosos ou anciãos (2, 14), aos bêbados e a todos vocês, bebedores de vinho (5), aos lavradores do solo e vinhateiros (11), aos sacerdotes (13). Joel é direto ao descrever a terrível situação na nação e o que deve ser feito a respeito.
Em cada caso, pode-se argumentar que as pessoas a quem se dirigem recebem ordens para fazer o que não esperariam fazer em circunstâncias normais. Mas estas não são circunstâncias normais, de forma alguma, e, portanto, todos devem se comportar de maneira diferente. Os homens mais velhos, que na sociedade israelita eram ouvidos com o imenso respeito devido à sua antiguidade e sabedoria, devem agora Ouvir isto; eles próprios devem se tornar ouvintes. Como anciãos (14) da comunidade, estavam acostumados a transmitir instruções a outros. Agora Joel está transmitindo instruções a eles.
Tanto o juízo de Deus quanto a sua infinita misericórdia devem ser anunciados a todas as gerações, principalmente as próximas. Quando falamos do evangelho (ou boas novas), estamos falando do santo juízo de Deus sobre nós pecadores e sua graça ao ter misericórdia destes pecadores e enviar Jesus Cristo, aquele que veio para sofrer o santo e justo juízo divino no lugar dos pecadores. Quando Cristo ressuscita dos mortos após consumar o sacrifício que satisfaz a justiça de Deus, os que se arrependem dos pecados e confiam em Jesus para serem salvos passam a viver por meio destas boas notícias. O evangelho é o maior legado que uma geração pode deixar para a geração seguinte.
Deuteronômio 6.1-7
¹ — São estes os mandamentos, os estatutos e os juízos que o Senhor, seu Deus, ordenou que fossem ensinados a vocês, para que vocês os cumprissem na terra em que vão entrar e possuir,
² para que durante todos os dias da sua vida vocês, os seus filhos, e os filhos dos seus filhos temam o Senhor, seu Deus, e guardem todos os seus estatutos e mandamentos que eu lhes ordeno, e para que os seus dias sejam prolongados.
³ Portanto, escute, Israel, e tenha o cuidado de cumprir esses mandamentos, para que tudo lhes corra bem e vocês muito se multipliquem na terra que mana leite e mel, como o Senhor, o Deus dos seus pais, lhes prometeu.
⁴ — Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
⁵ Portanto, ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força.
⁶ Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração.
⁷ Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se.
Este é o discipulado cristão. Uma geração contando a outra sobre o caráter justo, santo e misericordioso do Deus que fez os céus e a terra.
⁴ "O que o gafanhoto cortador deixou, o gafanhoto migrador comeu; o que o migrador deixou, o gafanhoto devorador comeu; o que o devorador deixou, o gafanhoto destruidor comeu."
Perceba a linguagem poética do texto. É uma maneira de ilustrar que a devastação da terra foi total e absoluta. Em outras palavras, “não sobrou nada!”. O profeta está alertando que a Lei está em vigor e o Juiz está executando o seu santo e justo juízo. Na sua ira, ele faz justiça. O pecado não pode ficar impune. O nosso país é o país da impunidade, mas o Senhor que governa o universo jamais deixará de manifestar o seu juízo e fazer justiça e sua Palavra promete um reino futuro marcado por plena justiça e ausência completa do mal.
Lançarás muita semente ao campo; porém colherás pouco, porque o gafanhoto a consumirá.
A resposta de Deus para a infidelidade do seu povo [e ele só faz isso ao SEU POVO] é a devastação de tudo aquilo que nos mantém longe dele.
A cidade de Judá com a sua capital Jerusalém estavam distantes do Senhor, mesmo realizando suas festas e seus ajuntamentos solenes (cultos). Porém, Deus não estava mais no centro. Existe uma tendência em nosso coração de tornar a relação com Deus meramente formal e o culto e a devoção a ele coisas meio que automáticas. Faltava vida no culto, porque não havia culto legítimo na vida. Com isso, a graça de Deus começa a operar em forma de uma terrível e apocalíptica chuva de gafanhotos. Consegue perceber a graça de Deus em Joel 1.4? Deus ama os seus eleitos e não vai deixa-los perecer numa vida ensimesmada e numa religiosidade vazia da vida do Espírito.
⁵ "Acordem, beberrões, e chorem! Lamentem, todos vocês que gostam de vinho, por causa do vinho novo, pois foi tirado da boca de vocês.
⁶ Porque veio um povo contra a minha terra, poderoso e inumerável, com dentes como de leão e presas como de leoa.
⁷ Destruiu as minhas videiras e destroçou as minhas figueiras. Tirou as cascas das árvores e as jogou fora; os galhos ficaram brancos."
“O vinho novo (…) foi tirado da boca de vocês.”
“Veio um povo (...), poderoso e inumerável (...) e destruiu as minhas videiras e destroçou as minhas figueiras”.
O profeta/poeta está falando apenas daquilo que é material nesse texto? Eu duvido, absolutamente. O vinho para a cultura e a espiritualidade judaica simbolizava a alegria. A figueira e o figo representavam a paz, o descanso, a prosperidade, a bênção do Senhor. O poeta/profeta está ecoando a voz do Espírito que revela o cenário espiritual de Judá: a alegria foi tirada do rosto de vocês. A paz, o descanso, a prosperidade e a bênção do Senhor foram simplesmente destroçadas de sua história! E nem as cascas das árvores, nem os galhos estão tendo alguma serventia. O cenário é extremamente caótico e o povo precisa tomar uma posição.
Joel começa então a chamar o povo à responsabilidade de sair da inércia espiritual, dessa anestesia existencial que a religiosidade estabeleceu em cada coração. Está tudo acabado e o povo não faz nada para tentar ver o quadro mudar!
Quantos crentes, que ao verem a igreja sofrendo por falta de pessoas para servir, ou mesmo ao perceberem que a igreja não recebe tantos visitantes não crentes, ou se dão conta de certa forma que não estão engajados nem com a oração, nem com o estudo da Bíblia, nem com o discipulado ou com a evangelização, nem com a adoração corporativa no culto público, mas que simplesmente continuam a viver na posição de observação ou crítica, quando o mundo continua clamando por redenção!
O Espírito, pela Escritura, fala à Igreja: LAMENTEM! TODOS VOCÊS… LAMENTEM.
A ideia no hebraico é falar de uivo, de um choro amargo de quem sente até uma dor no peito. É aquela sensação de luto, de perda absoluta. Joel pelo Espírito de Deus está dizendo a nós nesta manhã: não é tempo de celebrar! Não é tempo de sorrir! Não é tempo de brincar! Não é tempo de se distrair ou de fugir da realidade! Não apenas em relação à sua vida individual com Deus, mas em relação à obra de Deus no mundo por meio da igreja local e a própria realidade da igreja brasileira e da nação brasileira: é tempo de gritar de dor e uivar com um choro espiritual genuíno para que Deus possa dar a nós aquilo que não podemos conquistar pela nossa capacidade ou pela nossa sabedoria ou força!
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Não haverá avivamento enquanto não houver crentes sangrando e sofrendo porque não possuem uma vida santa!
⁸ "Lamentem, assim como a virgem, vestida de roupa feita de pano de saco, lamenta a morte do seu noivo.
Conseguem imaginar essa cena? Uma jovem, virgem, noiva, esperando o casamento que está já com data marcada, mas de repente o seu noivo morre repentina e tragicamente. E, assim, ao invés de usar um vestido de noiva com um véu, ela veste uma roupa feita de pano de saco. A profundidade poética do profeta Joel me encantou! Deus nos diz: tenham empatia com noivas jovens, virgens e que agora perderam o sonho de se casarem com o seu amado noivo! Assim são vocês, ó Casa de Israel! Assim são vocês, ó igreja do Senhor na Serrinha! Não há razão para se ocuparem com tantas distrações e ficarem apenas olhando o passado! Vejam o presente! Vejam o agora! Falta vida! Falta esperança! Falta alegria!
Se queremos ver a glória de Deus se manifestando em conversões de pecadores, temos de entender que os pecadores são evangelizados por convertidos. Mas se os que se entendem como convertidos não evangelizam, os pecadores continuam na ignorância e na incredulidade, sem a chance de serem persuadidos a se voltarem dos seus pecados para Cristo Jesus, o Salvador. Contudo, os que se dizem convertidos, enquanto não se arrependerem de viverem um cristianismo totalmente desprovido de comprometimento com a Grande Comissão, ou mesmo com o Reino de Deus, se não houver um quebrantamento do coração ao ponto desses convertidos decidirem abandonar e vida cristã infrutífera e rasa, o que ainda continuaremos a ver são as trevas dominando os lugares que habitamos.
⁹ Na Casa do Senhor, foram cortadas as ofertas de cereais e as libações. Os sacerdotes, ministros do Senhor, estão enlutados.
O profeta sinaliza aos moradores da terra de Judá que “os sacerdotes, ministros do Senhor, estão enlutados” porque “na Casa do Senhor, foram cortadas as ofertas de cereais e as libações”. A experiência real da espiritualidade passa pela experiência material. Não somos gnósticos. A nossa fé não é apenas abstrata, mas concreta. O nosso Deus encarnou na pessoa de Jesus de Nazaré. A oferta, o dízimo, a frequência ao culto presencial, o participar da Ceia do Senhor, o mergulhar nas águas do Batismo, são todas manifestações da nossa fé. Quanto do seu recurso é generosamente entregue para a “Casa do Senhor” — e não pense aqui apenas no templo físico, com suas necessidades financeiras, materiais e administrativas; pense na “Casa do Senhor” como também a membresia da igreja, as pessoas e suas necessidades de pastoreio, discipulado e ensino do Evangelho —? A nossa relação com os recursos demonstra o do nosso relacionamento com Deus. Será que Deus possui filhos gananciosos (que sempre querem acumular mais) ou avarentos (que nunca querem partilhar do que tem)?
Com a terrível e devastadora praga dos gafanhotos, Judá não tem neste momento como levantar as ofertas do minchah (cereais) e nesach (libação de vinho). Joel precisa ajudar o povo a despertar do sono espiritual. Assim estamos quando não há avivamento: estamos anestesiados para as coisas do Espírito e indiferentes até mesmo em relação à tragédia do Templo (pensa na igreja na qualidade de membresia; pessoas) que não se encontra em condições de manter viva a chama do culto a Deus.
Calvino comenta este versículo da seguinte forma:
“Aqui, em outras palavras, o Profeta retrata a calamidade; pois, como foi dito, vemos quão grande é o vagar dos homens para discernir os juízos divinos; e os judeus, conhecemos, não eram mais atentos a elas do que o somos hoje em dia. Logo, era preciso espetá-los com vários aguilhões, como o Profeta ora faz, como se dissesse: “Se não estais agora preocupados com a carência de alimento, se não considerais nem mesmo o que os mui ébrios são constrangidos a sentir, os quais não percebem o mal à distância, mas o provam em seus lábios — se todas essas coisas não são de valor algum para vós, ao menos considerai o templo de Deus, que ora está desprovido de seus serviços habituais; pois devido à esterilidade de vossos campos, devido a uma tão grande escassez, nem pão nem vinho são ofertados. Então, dado que vedes que o culto de Deus cessou, como é que vós próprios ainda continuais no mesmo estado? Por que é que não percebeis que a fúria de Deus é acesa contra vós? Pois decerto, se Deus não tivesse sido gravissimamente ofendido, ele no mínimo teria tido alguma consideração pelo culto dele; ele não teria permitido que seu templo permanecesse sem sacrifícios”.
Como está você em relação ao culto a Deus e ao Deus que é digno de ser cultuado? Sua casa possui uma altar para o Deus Trino? Seu quarto é um lugar apropriado para você ter um encontro particular com o Deus Espírito? Seu local de trabalho conta com um lugar e um horário para você estar na presença do Altíssimo? As pessoas no seu trabalho ou faculdade/escola sabem que você é um adorador de Cristo Jesus, o Messias? E o seu apreço pela igreja local? O seu coração está pulsando de uma santa ansiedade pelo domingo, o Dia do Senhor? Ou domingo tem sido mais um dia em que o seu coração se ocupa de diversas coisas que, no fundo, acabam por ocupar o lugar de Cristo?
Os sacerdotes, ministros do Senhor, estão enlutados — diz o profeta Joel. Nós somos o sacerdócio real (1Pedro 2.9). Em tempos de frieza espiritual, desprazer nas coisas do Espírito, falta de apreço pela comunhão do santos (que é a frequência à igreja local nos domingos principalmente), de apatia no engajamento com a Grande Comissão, podemos afirmar sem temor que o Espírito que estava sobre Joel nos deu esta Escritura que nos chama para lamentar o pecado que tem nos roubado da nossa maior vocação que é sermos santos, ou seja, um povo de propriedade exclusiva de Deus. É tempo não de festejar; é tempo de estar enlutado, diz o Senhor pela sua Santa Palavra nesta manhã.
¹⁰ Os campos foram arrasados, e a terra está de luto, porque o cereal foi destruído, o vinho novo acabou, o azeite está no fim."
¹¹ "Fiquem envergonhados, lavradores; lamentem, vinhateiros, por causa do trigo e da cevada, porque a colheita foi destruída.
¹² As videiras secaram, as figueiras murcharam, as romãzeiras, as palmeiras e as macieiras também. Todas as árvores do campo secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens."
Mas não são apenas os sacerdotes que estão de luto, mas também a terra (v. 10), porque “o cereal foi destruído, o vinho acabou, o azeite está no fim”. O cereal, produto do trigo, o alimento mais básico daquele povo, foi destruído. Neste paralelismo semântico da poesia de Joel, ele vai nos dizer que o vinho acabou. Em outras palavras, acabou a prosperidade material, a alegria se foi e a comunhão do Espírito Santo está no fim.
Joel chama todos aqueles que trabalham para que a economia da nação fique de pé para que “fiquem envergonhados” e “lamentem” — porque a colheita foi destruída.
Não há mais como tirar fruto da videira (o vinho, o suco de uva etc.), nem colher o figo doce, nutritivo e fonte de enriquecimento por meio do comércio, nem mesmo os demais frutos estão mais disponíveis. Todas as árvores do campo secaram, e já não há alegria ou não há mais prazer entre os filhos dos homens.
Acabaram os pretextos. Terminou a temporada de dar desculpas do tipo: “eu não estava percebendo o que acontecia”. Quem enviou o juízo foi Deus e ele o fez por amor, porque sempre vai corrigir aos filhos que ama.
Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco:
Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado;
porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.
É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos. Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado.
Antes do avivamento, vem o arrependimento, mas antes do arrependimento, vem a tristeza pelo pecado. Nenhum povo, nenhuma igreja, nenhuma família e nenhum indivíduo vai ver a glória de Deus sem antes deixar o pecado e o pecado só pode ser deixado quando a tristeza de cometer este pecado consome quem está com o coração quebrantado.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Nesta série de Joel, o meu desejo é que o Espírito Santo através da Palavra nos conduza a um profundo desejo por santidade e por uma vida cristã repleta do poder de Deus. O Espírito Santo é derramado sobre um povo que passou pelo vale da confissão dos pecados e arrependimento das obras mortas. Diz a Escritura: Salmo 32.1–3 “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo. Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.”
Hoje é o Dia do Senhor. Ele morreu pelos nossos pecados, de modo que não precisamos mais viver com medo do juízo. Se tentarmos o perdão de Deus sem confiar na obra perfeita e consumada por Cristo no Calvário, vamos perecer; mas se agora lembrarmos do Evangelho quando nos diz que Ele levou sobre si as nossas transgressões… o que nos resta é lamentar, chorar, nos arrepender e crer que é a justiça de Cristo que nos mantém declarados justos (sem culpa, absolvidos) no tribunal do Santo Criador.
E lembre-se: Deus é o nosso Pai em Cristo Jesus. E como um bom Pai, não vai nos deixar por tanto tempo no engano. Ele nos corrige porque nos quer bem. Voltemos para o Senhor. Voltemos a viver uma vida onde tudo gira em torno de sua glória. Quero orar com você e vou citar uma oração que João Calvino fez no seu comentário deste bendito livro de Joel. Oremos:
Conceda, Todo-Poderoso Deus, que, como tu nos convida diariamente por vários meios à penitência, e também continua a instar-nos, porque vês nossa extrema lerdeza — ó, outorgue que sejamos afinal despertados de nossa indiferença, não nos permitindo ficar inebriados pelas seduções de Satanás e do mundo; mas, por teu Espírito, incita-nos a um real gemido, para que, estando envergonhados de nós mesmos, escapemos para a tua misericórdia, não duvidando de que tu serás propício a nós; providos de um coração sincero, recorramos a ti, buscando aquela reconciliação que tu diariamente nos oferece pelo teu Evangelho, no nome do teu Filho unigênito. Amém.
