30ª Parábola - Viúva e o juiz iniquo (Lc 18.1-8)
Parábolas de Jesus • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 1 viewNotes
Transcript
Texto
Texto
1 Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. 2 Ele disse: “Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava com os homens. 3 E havia naquela cidade uma viúva que se dirigia continuamente a ele, suplicando-lhe: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’. 4 “Por algum tempo ele se recusou. Mas finalmente disse a si mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus e nem me importe com os homens, 5 esta viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça para que ela não venha mais me importunar’ ”. 6 E o Senhor continuou: “Ouçam o que diz o juiz injusto. 7 Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? 8 Eu lhes digo: Ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?”
Introdução e desenvolvimento
Introdução e desenvolvimento
Jesus vinha ensinando aos seus discípulos sobre a necessidade de uma fé genuína — uma fé que se manifesta no amor e na gratidão (Lc 17.5–19). Ele também os alertava quanto à repentina vinda do Filho do Homem (Lc 17.20–37). Diante desse cenário, seu ensino alcança um ponto culminante ao exortá-los a perseverar em oração.
Fé e oração caminham juntas; não podem ser separadas. Por isso, a parábola da viúva persistente e do juiz injusto (Lc 18.1–8) surge de forma profundamente apropriada. Ela mostra que a fé verdadeira não é passiva nem momentânea, mas perseverante, especialmente quando o tempo passa e a resposta parece tardar.
Mas Jesus vai ainda mais fundo. Ele ensina que a fé genuína não se expressa apenas na perseverança, mas também na humildade do coração. Onde há um coração humilde, haverá também uma oração humilde — dependente, sincera e confiante em Deus.
A Parábola
A Parábola
Parece que as viúvas, em Israel, passavam por grande dificuldade; as inúmeras leis protetoras indicam que eram oprimidas e sofriam grande privação. O próprio Deus defende a causa da viúva (Deuteronômio 10.18 “18 Ele faz justiça aos órfãos e às viúvas e ama os estrangeiros, dando-lhes comida e roupa.” ) e amaldiçoa o homem que perverter seu direito (Deuteronômio 27.19 “19 — “Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva.” E todo o povo dirá: “Amém!”” ). A viúva tomava o lugar do marido morto e, no tribunal, era considerada como tendo os mesmos direitos de um homem: (Números 30.9 “9 Quanto ao voto da viúva ou da divorciada, tudo com que se obrigar lhe será válido.” ). Qualquer um que pervertesse o direito da viúva teria de enfrentar Deus, o juiz das viúvas (Salmo 68.5 “5 Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.” ).
Contudo, as viúvas eram maltratadas. O profeta Isaías queixa-se de que os governantes da terra são rebeldes e ladrões. “Não defendem o direito do órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas” (Isaías 1.23 “23 Os seus príncipes são rebeldes e companheiros de ladrões. Cada um deles ama o suborno e corre atrás de recompensas. Eles não defendem o direito do órfão, e a causa das viúvas não chega diante deles.” ). E Malaquias afirma que Deus será testemunha veloz contra aqueles que oprimem a viúva e o órfão (Malaquias 3.5 “5 — Virei até vocês para juízo. Terei pressa em testemunhar contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que oprimem os trabalhadores, as viúvas e os órfãos, torcem o direito dos estrangeiros, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos.” ).
Jesus contou a seus discípulos sobre uma viúva de certa cidade, que não tinha ninguém para apoiá-la contra seu adversário, a não ser um juiz iníquo. Seu adversário não tinha nem mesmo que comparecer no tribunal, o que é indício de que se tratava de uma questão de dinheiro. Ela não podia pagar um advogado. Então, se dirigiu diretamente ao juiz e queria que ele lhe servisse de advogado e juiz.
Em vez de ir ao tribunal da comunidade, ela procurou um juiz mundano, que tinha má reputação. Esse juiz não tinha princípios religiosos e se mostrava imune à opinião pública. Simplesmente não dava a mínima importância ao que falassem Deus ou o homem. Assim era o juiz que a viúva procurou. Faltam-nos detalhes, pois não nos é dito nada sobre a idade da mulher, se era rica ou pobre, e porque procurou um juiz que “não temia a Deus nem respeitava homem algum”.
Como viúva, ela é um retrato da vulnerabilidade. Seu único recurso é levar sua causa ao juiz com o pedido: “Julga a minha causa contra o meu adversário”. A frase “julga a minha causa” é linguagem jurídica, e significa, realmente, “aceita a minha causa”, ou “ajuda-me a obter justiça”.
Apesar da reputação do juiz de menosprezar esses tipos de pedido, a viúva pediu-lhe ajuda. Coerente com a própria fama, o juiz disse NÃO. dispensou a viúva, mandando-a para casa, com a observação costumeira: “O caso seguinte, por favor”.
A única arma de que a mulher dispunha era procurar o juiz, dia após dia, com o mesmo pedido: “Julga a minha causa contra o meu adversário”. A viúva conseguiu irritar o juiz, que pensou: “Bem que eu não temo a Deus, nem respeito homem algum, todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me”. Em vez de ir embora, quieta, que era o que ele esperava, ela voltava, sempre, com o mesmo pedido. O juiz não podia suportar mais a insistência da mulher. Ele cede, investiga o caso e aplica a justiça.
Aplicação
Aplicação
Vocês se lembram da parábola do amigo importuno lá de Lucas 11.5-8.. estudamos essa parábola no dia 11 de maio do ano passado.…
Na parábola do amigo importuno (Lc 11.5–8), Jesus apresenta a situação de um homem que, à meia-noite, procura um amigo para pedir pães, pq tinha chegado um visitante inesperado. Apesar de o amigo inicialmente se recusar, alegando o incômodo, a hora inadequada e o fato de já estar deitado com a família, ele acaba atendendo ao pedido. O ponto central não é a amizade em si, mas a importunação, isto é, a insistência perseverante daquele que pede. Jesus ensina que a resposta favorável vem não por mera conveniência ou afeto, mas porque a perseverança ousada rompe a resistência inicial. A parábola vai mostrar que, diante de uma necessidade real, a persistência confiante é eficaz, preparando o ensino seguinte sobre a oração, na qual Deus responde àquele que pede com constância, confiança e fé. Lembram-se dos contrastes Lucas 11.9–10 “9 — Por isso, digo a vocês: Peçam e lhes será dado; busquem e acharão; batam, e a porta será aberta para vocês. 10 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, a porta será aberta.”
Nessa parábola do juiz iníquo, Jesus é muito mais específico e a aplicação está na própria mensagem.
Jesus diz: “Considerai no que diz este juiz iníquo”. Ele quer que os discípulos prestem atenção às palavras do juiz. Elas são importantes para a compreensão correta da parábola. Como fez na parábola do amigo que veio à meia-noite, Jesus usa a regra dos contrastes. Ele contrasta o pior que há no homem com o melhor que há em Deus: vs7 “Considerai no que diz este juiz iníquo. Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?”. Em outras palavras, ninguém deve imaginar Deus como uma divindade inabalável que se compara ao juiz da parábola. O sentido é que se esse juiz grosseiro e mal-humorado, que, segundo suas próprias palavras, não teme a Deus nem aos homens, se comove com os pedidos da viúva, quanto mais fará Deus justiça a seu próprio povo que ora a ele, de dia e de noite?
Além disso, não existe nenhuma relação entre a viúva e o juiz, seja social, comunitária ou religiosa. O juiz quer ficar livre dela para que até a ligação advogado-cliente tenha fim. E, mesmo assim, esse juiz inescrupuloso atende à viúva e lhe faz justiça. Deus, ao contrário, escolheu seu próprio povo. Ele tem interesse especial nesse povo, pois ele lhe pertence. Quando esse povo lhe pede, noite e dia, Deus toma para si sua causa e faz justiça. Assim, se a viúva tivesse pedido a Deus, teria recebido justiça, porque Deus ouve e responde às orações.
O juiz ouviu a mulher pelo motivo errado: para livrar-se dela. Deus ouve seu povo porque o ama e defende sua causa. O juiz age egoisticamente; Deus age em favor de seu povo.
Os filhos de Deus devem orar constantemente? A parábola ensina que devem levar sua causa diante de Deus, em oração contínua. Devem orar sempre e não se tornarem ansiosos quando não obtêm uma resposta imediata. Jesus ensina o poder da oração. Por palavras e exemplos, ele demonstrou que os filhos de Deus devem orar dia e noite, sem desanimar. Do mesmo modo, Paulo, em suas Epístolas, repetidamente se refere ao fato de orar continuamente (dia e noite) e com o máximo empenho, por exemplo, no seu desejo de estar com a igreja em Tessalônica (1Tessalonicenses 3.10 “10 Oramos noite e dia, com máximo empenho, para que possamos ir vê-los pessoalmente e suprir o que ainda falta à fé que vocês têm.” ).
Se o povo de Deus clama a ele dia e noite, por que, às vezes, ele demora a responder? Jesus continua: “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos… embora pareça demorado em defendê-los?”. E a resposta implícita dessa pergunta de retórica é: Naturalmente que sim. Ele talvez faça seu povo esperar, pode testar sua paciência, fortalecer sua fé, mas, no tempo próprio, Deus responderá às orações de seus eleitos.
Deus não é como o juiz iníquo que se recusa a atender aos pedidos da viúva. Deus pode fazer seu povo esperar, mas fará justiça incontinenti: “Digo-vos que depressa lhes fará justiça”. Aparentemente, há uma contradição na afirmativa de Jesus. Mas não é o que acontece se fizermos duas simples perguntas e procurarmos suas respostas. Primeiro, Deus fará justiça a seu povo? A resposta, obviamente, é que sim. O povo de Deus pode confiar na sua fidelidade. Ele não é como o juiz iníquo, em cujo caráter não se pode confiar. Segundo, o povo de Deus deve esperar até que suas orações sejam respondidas? Ao contrário do juiz, Deus não se sente incomodado porque seu povo ora a ele, de dia e de noite. Quando Deus ouve as orações, não significa que cedeu em sua determinação de não respondê-las. Deus responde às orações no tempo apropriado e de acordo com seu plano. E, quando o tempo chega, a oração é prontamente atendida.
Deus não demora, pois seu ouvido está sintonizado com a voz de seus filhos. Em tempos de tristeza, o período de espera parece ficar mais longo; porém, quando o filho de Deus recebe resposta às suas orações, e percebe o plano de Deus, admite que Deus praticou a justiça em seu favor sem demora.
Jesus conclui a aplicação da parábola chamando a atenção para sua volta: “Contudo, quando vier o Filho do homem achará, porventura, fé na terra?”. A pergunta, à primeira vista, parece não ter relação com o que a precedeu. Mas, na última parte do capítulo anterior, Lucas registrou o ensino de Jesus sobre a vinda do Filho do homem, no último dia.
Ao referir-se à sua segunda vinda, Jesus liga o conceito de justiça ao dia do juízo, quando ele será o Juiz dos vivos e dos mortos (At 10.42). Jesus lembra a seus seguidores o dia de sua volta. Ele vai encontrar, naquele dia, a fé simples como a de uma criança?
A volta do Filho do homem não pode ser questionada; o evento se cumprirá no tempo escolhido por Deus. Podemos estar certos da promessa de Jesus sobre sua volta. O outro lado da questão é saber se o crente será fiel em suas orações. O seguidor de Jesus orará continuamente pela vinda do reino de Deus (Mt 6.10; Lc 11.2) e pela volta de Cristo? (1Coríntios 16.22 “22 Se alguém não ama o Senhor, seja anátema. Maranata!” ; Apocalipse 22.17 “17 O Espírito e a noiva dizem: — Vem! Aquele que ouve, diga: — Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.” ,20). Jesus cumpre e, eventualmente, completa sua obra de redenção por meio do corpo de crentes do qual ele é o Cabeça. Jesus faz a obra confiada a ele. O crente, no entanto, será fiel a Jesus, comunicando-se com ele, constantemente, em oração? Haverá fé perseverante, quando ele voltar?
Em certo sentido, a viúva persistente retrata a igreja em oração. O mundo oprime os seguidores de Jesus que não têm para onde se voltar, a não ser para Deus. Eles esperam, em oração, a intervenção de Deus, sabendo que ele ouvirá seus pedidos. A semelhança entre o anfitrião insistente, que tirou seu vizinho da cama a meia noite, e a viúva que continuou insistindo com o juiz, é clara. Nenhum dos dois tinha para onde ir. Os dois sabiam que, se continuassem insistindo, acabariam sendo atendidos.
Por meio dessas parábolas, Jesus exorta seus seguidores a permanecerem fiéis, mesmo que sua volta exija espera paciente. As palavras de Jesus, relacionadas à realidade da injustiça perpetrada contra pessoas como a viúva, ressaltam a preocupação de Deus pelas pessoas indefesas. Deus escuta seu clamor, responde à sua oração perseverante e lhes faz justiça. As almas dos que morreram por causa da Palavra de Deus podem gritar: Ap 6.10“Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10). A resposta que recebem é que esperem um pouco mais até que se complete o número dos seus conservos e irmãos.
Nos dias de hoje, essa parábola nos estimula a uma vida de perseverança na oração, conforme o próprio verso 1 diz: Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer. Jesus, em outras palavras, está nos conclamando: não desistam!
É isso que todos devem fazer: perseverar na oração, buscando a justiça, apresentando nossas justas e honestas necessidades a Deus. Será que Deus se negará a nos atender? Pelo contrário. Ele é um Deus amoroso, um pai bondoso.
Deus quer que aprendamos a ter paciência e perseverança em nossas orações. Pedimos algo a Deus e não recebemos? Vamos continuar pedindo, até que nos responda. E devemos estar preparados para receber qualquer resposta. Nem sempre Ele responde o que estávamos esperando.
Deus quase sempre diz “sim” às nossas orações, quando lhe pedimos em nome de Cristo e para a sua glória. Porém, muitas vezes, Ele diz “espere”. E é nesse momento que o crente tem que perseverar em oração. Embora saibamos que a resposta é “espere”, devemos orar sempre. E quando Deus diz um “não”, temos que reconhecer que esse “não” é a melhor resposta para o nosso pedido, pois Ele conhece o que é bom e o que nos é necessário. Ele é como um bom pai que sempre dá aos filhos aquilo que realmente precisam.
Deus precisa de intercessores que busquem não só suas necessidades, mas que busquem orando a justiça (Ez 22.30)
Será que nós vamos desistir de buscar e de lutar, em oração, a fim de que a justiça triunfe sobre a injustiça? Você só insiste em orar pedindo por suas necessidades, ou também se interessa pela implantação da justiça entre nós? Você tem participado dessa luta? Tem perseverado em oração e ação? Essa é uma pergunta que só você pode responder. Responda-a diante de Deus.
Como disse lá no início - Onde há um coração humilde, haverá também uma oração humilde — dependente, sincera e confiante em Deus.
SDG
