A Provisão de Cristo em Nossos Desertos

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Título: A Provisão de Cristo em Nossos Desertos

Texto Base: João 6:1-13

1. Introdução: O Propósito dos Sinais

O Evangelho de João é construído sobre "Sinais". O apóstolo selecionou 7 milagres específicos não apenas para nos impressionar, mas para nos ensinar doutrina. Como diz o comentarista William Hendriksen, o sinal é uma prova de autoridade divina; ele aponta para algo maior que o milagre em si: aponta para a Divindade de Cristo.
Hoje, estamos diante de um desses sinais, num momento que os estudiosos chamam de "Período de Controvérsia". Jesus está prestes a fazer afirmações duras sobre ser o Pão da Vida, e Ele precisa saber: Quem é Jesus para os seus discípulos?
E essa é a pergunta para nós hoje: Em tempos de incertezas, insegurança e oposição, quem tem sido esse Cristo em quem você deposita a sua fé?

O Contexto da Passagem (João 6:1-13)

Posteriormente, no discurso, Ele amplia a verdade estabelecida nos milagres. É como se Jesus estivesse desejoso de ter os discípulos entregues a Si antes que a crise chegasse.O evangelista propõe-se a produzir fé e, com esse objetivo e as necessidades de seus leitores em mente, ele dá forma ao seu testemunho acerca de quem é Jesus.Com base nesse propósito, hoje estamos refletindo: Quem é Jesus e como está a nossa fé Nele? Em tempos onde vemos tantas incertezas, insegurança e oposição ao Evangelho. Quem, de fato, tem sido esse Cristo em quem tenho depositado minha fé? O trecho que lemos, assim como sua sequência, serve para introduzir o discurso sobre o Pão da Vida (Jo 6:22-58), em que Jesus afirma Ele ser o verdadeiro maná (Jo 6:27-34) e o pão da vida que deve ser ingerido (Jo 6:35-48). Com essas afirmações, gera-se mais hesitações, controvérsia e divide a fé, mesmo os discípulos, e demonstra a busca de Jesus em determinar quem são Seus discípulos (Jo 6:59-71).
Este é o único milagre, fora a ressurreição, que será encontrado em todos os 4 evangelhos (Mt 14:13-21; Mc 6:30-44; Lc 9:10-17). Estes dão dois motivos para irem parar no lado oriental:
Estavam atarefados;
Abatidos com a notícia da morte de João Batista.
E ainda antes do milagre, os outros evangelistas informam que Jesus curou seus enfermos (Mt 14:14), falou sobre o Reino (Lc 9:11) e que estava movido de compaixão, já que eram como ovelhas sem pastor (Mc 6:34).

Mas quem é Jesus para mim?

(Análise do Milagre)
1. O Significado dos SinaisA primeira informação que o evangelista nos traz é encontrada no versículo 2: "Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos." (v.2)
Nesse ponto podemos observar que o ministério de Jesus era um ministério poderoso, com sinais. Mas o que são esses sinais no contexto de João?
William Hendriksen diz: "João usa o termo para indicar um milagre visto como prova da divina autoridade e majestade. Portanto desvia a atenção do espectador do sinal e a direciona para o seu doador Divino. O sinal é uma obra de Poder operada no Reino Físico e ilustra um princípio que opera no Reino Espiritual. O que acontece no Reino da criação aponta para a esfera da redenção."
Exemplo: A multiplicação dos pães que aponta para Cristo como Pão da Vida (6:35). Ou seja, o que podemos afirmar é que o sinal aponta para Aquele que o realiza.
Logo, podemos aprender com o nosso Senhor que também somos suas testemunhas, e podemos orar e pedir ao Senhor que tenhamos um ministério poderoso com sinais que apontam para o Autor da Vida.
Paulo, ao escrever 1 Co 2:4-5: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de Poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, mas no poder de Deus."
No Antigo Testamento, em Zc 4:6: "Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos."
Não é por força militar, não por estratégias humanas, mas é o Espírito do Senhor que move os corações, que traz o quebrantamento, a convicção de pecado, a iluminação do entendimento.
Aplicação: Somos chamados à oração e à dependência de Deus. Que a nossa oração seja: "Dá-nos mais do Teu Espírito Santo!"
2. O Olhar de Jesus (Soberania e Compaixão)A segunda informação que podemos extrair acerca de Jesus se encontra no versículo 5: "Então Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele..."
É importante notarmos esse cuidado com o qual João vai escrevendo; nada na Bíblia é em vão. E essa pequena informação, a qual relata que Jesus ergueu os olhos e viu, nos mostra muito acerca do Messias que temos. Pois se fizermos uma comparação com Marcos (Mc 6:34), nos mostra um Jesus com olhar de compaixão, e Marcos acrescenta que eles estavam como "perdidos sem pastor".
Ainda devemos nos lembrar que os discípulos e Jesus estavam cansados, mas mesmo desta forma Jesus teve compaixão. Jesus, ao se compadecer deles, se solidariza aos seus sofrimentos e cumpre o que Deus promete em Ez 34:11, 14: "Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei... Apascentá-las-ei de bons pastos."
Jesus age como o Bom Pastor que Deus promete. Mateus irá descrever que esta multidão estava cansada e aflita.
A pergunta que nos surge nesta noite é: como você chegou aqui nesta noite? Cansado, aflito, perdido, sem rumo, sem sentido, com pensamento de que todos os dias são as mesmas coisas: casa, trabalho, estudo, os mesmos problemas? A casa muda, talvez tenha entrado nessa noite cansado dos pecados, os prazeres que ele lhe oferece não satisfazem, não sustentam.
Hoje a Palavra está te dizendo que Jesus está te vendo, que Ele está te olhando, que te conhece no íntimo do seu coração, que vê toda a sua aflição e cansaço (Ap 2:2, 9, 13, 19; 3:1, 8, 15).
Aplicação: Nesta noite desnude o seu coração em oração e fé no Senhor que te vê e te conhece.
3. O Teste da Fé (Felipe e André)A terceira informação que temos acerca de Jesus está ligada ao final do v. 5 e o v. 6 até o v. 8. "Disse a Felipe: Onde compraremos pão? Mas dizia isto para o experimentar, porque ele bem sabia o que estava prestes a fazer. Respondeu-lhe Felipe: Não lhes bastariam duzentos denários para receber cada um o seu bocado. Um dos discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, informou a Jesus: Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas o que é isto para tanta gente?"
Irmãos, se lermos os 4 relatos sobre esse milagre, podemos identificar 4 soluções propostas:
Em Mc 6:35 sugeriram mandar embora (Tem discípulo que quando a coisa complica quer deixar de fazer, quer que a responsabilidade passe para outro, quer mandar embora).
A segunda é essa que vemos de Felipe. Ele é um bom matemático. 1 denário é o equivalente a 1 dia de trabalho. Ou seja, no cálculo do matemático/economista, 8 meses de trabalho não seria o suficiente para todos (comprar o pão).
Irmãos, às vezes quando estamos em situações, parece que não vai [dar certo], a obra de Deus não aparece estar forte, ou da forma suficiente, os recursos são escassos e nós somos como os discípulos. Fazemos as contas, queremos mandar embora as pessoas que Deus nos confiou, ou fazemos como André, apresentamos uma solução mas sem a segurança de como o problema será resolvido.
Pois encontramos nos detalhes de João: "Pão de cevada". Esse pão é o pão mais barato, para a classe mais pobre, e os "peixinhos" eram acompanhamento de uma refeição.
O que André está dizendo é que essa pequena refeição é insignificante, inadequada diante da necessidade.
Aplicação: Quando olhamos para a insignificância dos nossos recursos e a grandeza dos desafios, ficamos desesperados. Mas podemos fazer como o rapaz: entregar nossos pequenos recursos a Aquele que multiplica.
4. A Providência e a Abundância (vv. 10-11)Temos a quarta informação acerca de Jesus e a única solução proposta por Jesus e a verdadeira solução. Usar o menino e os recursos que ninguém usaria.
v. 10: "Disse Jesus: Fazei sentar o povo..." Esta é a preparação para a providência do Bom Pastor. Sentindo a compaixão pelos aflitos, o Senhor se mostra como o Deus Providenciador, como o Pastor que cuida das suas ovelhas, colocando-as sobre "Relva verde".
v. 11: "Vai descrever o milagre de forma muito simples e majestosa: Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu entre todos que estavam assentados e igualmente os peixes e tanto quantos queriam."
Jesus pode ter usado a oração costumeira dos judeus praticada antes das refeições: "Bendito sejas Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, que produz pão sobre a terra."
Aqui é importante: Ele agradece a Deus. Ele não atenua o alimento.
João enfatiza o tamanho da providência quando escreve: "Tanto quanto queriam". O que excede de longe o petisco que nem mesmo 8 meses de trabalho supririam. Assim também é o Pão do Céu que dá a vida ao mundo e que excede em muito o maná (vv. 30-33).
Aplicação: Assim nós recebemos este Pão da Vida e cremos que os sinais e milagres são obras de Cristo, mas a nós cabe a distribuição do pão que distribuímos a partir da mão de Jesus, pregando o Evangelho, anunciando a Cristo e intercedendo.

Conclusão

Uma provisão inesperada que aponta para a majestade e glória de Cristo. Para concluirmos, a sobra registrada no v. 12: "Coletaram 12 cestos cheios", mostrando o poder do Senhor ao qual servimos.
Aplicação Final:Nesta noite o Senhor nos chama, como esse menino, a entregar os nossos pequenos recursos: meu pequeno momento de oração, um pequeno momento de leitura da Palavra e um pequeno evangelismo. Não importa, entregue ao Senhor que Ele fará sobrar as provisões.
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