A Graça Severa

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Texto Base: Jonas 1:17

Jonah 1:17 NVI
17 O Senhor fez com que um grande peixe engolisse Jonas, e ele ficou dentro do peixe três dias e três noites.

1. Introdução

No século XVIII, um jovem inglês chamado John Newton abandonou a fé que havia aprendido nos joelhos de sua mãe. Ele cresceu ouvindo as Escrituras, mas escolheu o mar. Tornou-se marinheiro, mergulhou em uma vida de rebeldia, imoralidade e, eventualmente, entrou para o tráfico de escravos. Newton participou ativamente do comércio humano. Transportava homens, mulheres e crianças acorrentados nos porões escuros dos navios. Anos depois, ele mesmo confessaria que havia se tornado moralmente degradado, endurecido, distante de qualquer temor a Deus.
Em 1748, durante uma travessia no Atlântico, o navio em que ele estava foi atingido por uma tempestade violentíssima. Ondas enormes arrebentavam contra o casco. A madeira começava a ceder. A água invadia o interior do navio. A morte parecia questão de minutos. Em determinado momento, Newton estava no convés quando uma onda gigantesca varreu o navio. Ele quase foi lançado ao mar — mas outro marinheiro foi levado em seu lugar.
Newton sobreviveu.
Enquanto bombeava água desesperadamente para que o navio não afundasse, algo começou a quebrar dentro dele. Depois de anos de blasfêmia e endurecimento, ele começou a clamar. Não foi uma oração bonita. Foi um grito. Naquela noite, ele registrou em seu diário que começou a pensar que talvez — talvez — ainda houvesse misericórdia para alguém como ele.
A tempestade não o matou. Mas também não terminou ali.
E é exatamente aqui que entramos em Jonas 1:17.

Contexto Textual

Claro. Aqui está um contexto imediato de Jonas 1:17, escrito de forma clara, teologicamente sólida e adequado tanto para estudo quanto para pregação.

📖 Contexto Imediato de Jonas 1:17

Jonas 1:17 não surge como um evento isolado ou fantástico desconectado da narrativa. Ele é o desfecho direto da crise construída ao longo de todo o capítulo 1. Para compreendê-lo corretamente, é necessário observar o movimento progressivo da história.
O capítulo começa com a fuga deliberada de Jonas (1:1–3). Deus ordena que ele vá a Nínive, mas o profeta decide descer a Jope e embarcar para Társis, tentando fugir “da presença do Senhor”. A desobediência é consciente e teológica: Jonas não ignora Deus — ele resiste à Sua misericórdia.
Em resposta, Deus envia uma grande tempestade sobre o mar (1:4). O caos exterior reflete a rebelião interior do profeta. Enquanto os marinheiros pagãos clamam aos seus deuses e lutam pela sobrevivência, Jonas desce ao porão do navio e dorme profundamente (1:5). O contraste é intencional: o mundo está em crise, e o profeta está anestesiado.
Após o lançamento de sortes, a culpa recai sobre Jonas (1:7). Ele confessa conhecer o Senhor como o Criador do mar e da terra (1:9), mas sua prática contradiz sua profissão de fé. A tensão aumenta quando ele admite que a tempestade veio por sua causa (1:12). Em vez de arrependimento e retorno imediato à missão, ele propõe ser lançado ao mar.
Os marinheiros tentam resistir a essa solução, remando com esforço (1:13), mas Deus intensifica a tempestade, deixando claro que não há alternativa fora de Sua vontade soberana. Finalmente, eles lançam Jonas ao mar (1:15), e imediatamente a tempestade cessa. O resultado é temor e adoração entre os marinheiros (1:16).
É nesse ponto exato — após o juízo aparente e antes da oração do capítulo 2 — que surge Jonas 1:17:
“O Senhor providenciou um grande peixe para que engolisse Jonas…”
O versículo funciona como ponte entre o juízo e a restauração. Humanamente falando, Jonas deveria morrer nas águas. Para um israelita do século VIII a.C., o mar simbolizava caos, morte e julgamento divino. Ser lançado ao mar era sentença final. No entanto, em vez de morte imediata, Deus designa um peixe.
Portanto, no contexto imediato, o peixe não é um segundo castigo, mas um ato de preservação. Ele marca a transição da disciplina para o processo de restauração. O fundo do mar se torna o cenário onde Deus começará a trabalhar o coração do profeta.
Jonas 1 termina não com morte, mas com preservação soberana. A fuga não anulou o chamado. A disciplina não destruiu o servo. Deus ainda está no controle — do vento, do mar, dos marinheiros e agora do peixe.
Assim, Jonas 1:17 não é o clímax de terror da história, mas o início da graça que opera nas profundezas. Jonas 1:17 não é o ponto final da catastrofe mas o ponto de virada do livramento. O Grande Peixe não simboliza o final de uma história, mas o começo de uma nova história. O Peixe simboliza o resgate providenciado por Deus!

2. Afirmação Teológica do Texto: A providência soberana de Deus utiliza instrumentos de disciplina como veículos de misericórdia para preservar Seus servos e cumprir Seus propósitos redentores, prefigurando a vitória de Cristo sobre a morte.

3. Exposição do Texto em 3 Pontos

I. A Soberania da Providência: O Deus que “Designa” (v. 17a)

Jonas 1.17 “17 O Senhor fez com que um grande peixe engolisse Jonas, e ele ficou dentro do peixe três dias e três noites.”
A exegese do termo hebraico "vayman" (da raiz manah) é crucial aqui: ele não significa apenas "preparar" no sentido casual, mas "designar", "ordenar" ou "decretar soberanamente".
O Decreto Soberano: O peixe não apareceu por um acaso biológico ou coincidência marinha; antes de capturar Jonas o peixe foi capturado por uma "ordem expressa de Deus". Deus não ordena apenas o fim, mas providencia meticulosamente os meios para esse fim.
A Providência Meticulosa: Este mesmo verbo (vayman) reaparece no capítulo 4 para descrever Deus designando a planta, o verme e o vento oriental. Isso ilustra que nada na narrativa — nem o vento, nem a sorte, nem a criatura marinha — é por acaso, nada está fora do controle de YHWH (aliança). O Deus da aliança libera juizo e misericórdia.
Deus não apenas desejou salvar Jonas — Ele designou o instrumento exato para isso. O peixe não é acaso biológico. É ferramenta da providência. O peixe é o decreto de Deus em ação. Esse tema da soberania de Deus na salvação não aparece só em Jonas. Por toda a Palavra de Deus, lemos como Deus providencia e prepara aquilo que avançará seu plano redentor. Deus fez Noé preparar a arca para salvar sua família do dilúvio (Gn 6.14). Quando Abraão obedeceu a Deus e levou seu filho Isaque para o Monte Moriá para sacrificá-lo, Deus providenciou um carneiro para ser sacrificado no lugar de Isaque (Gn 22.13–14). E, quando Elias estava se escondendo às margens do córrego, Deus deparou corvos que lhe trouxeram o pão de cada dia (1Rs 17.5–6). Quando o eunuco etíope estava lendo o profeta Isaías, Deus preparou Filipe, o diácono, para explicar-lhe o significado do evangelho (At 8.26–40). Williams comenta: “Em todos esses casos, devemos reconhecer como Deus prepara o caminho e providencia os meios para a realização de seus propósitos eternos”. Poderíamos continuar com exemplos do Novo Testamento, em que o Deus soberano preparou e forneceu os meios de seu propósito salvífico a cada passo, a necessidade de Pedro, por exemplo, de se encontrar com Cornélio para levar o evangelho aos gentios ou a necessidade de Paulo de um terremoto para libertar Silas e a si mesmo da prisão filipense.
Quando voltamos para a cruz de Cristo, vemos que o mesmo se aplica aqui. Deus preparou a vinda do Messias por meio das profecias do Antigo Testamento e do ministério de João Batista. Deus providenciou que seu Filho fosse traído por Judas e entregue nas mãos dos gentios pelos judeus e que juntos representantes do mundo inteiro pregassem Jesus Cristo na cruz. O julgamento fingido e o assassinato de Jesus ocorreram, diz Pedro, “… pelo determinado desígnio e presciência de Deus” (At 2.23). E Deus deparou para que Jesus se levantasse dos mortos no terceiro dia, voltando para o mundo com o poder da ressurreição, assim como também Jonas chegaria a Nínive como prova da graça soberana, perdoadora e doadora de vida de Deus para todos aqueles que se arrependem e creem.
Aplicações
Se Deus decretou sua salvação, Ele também decretou os instrumentos de sua santificação — inclusive os desconfortáveis.
O mesmo Deus que envia o vento envia o peixe. O mesmo Deus que disciplina preserva. Não divida Deus em “o que castiga” e “o que salva”. Ele é soberano em ambos. A disciplina é expressão da aliança, não negação dela.
Nada na sua vida é acidental. Nem o atraso. Nem o confronto. Nem a crise. Nem o isolamento. O crente não vive sob sorte. Vive sob providência.

II. A Ironia da Misericórdia: O Peixe como Ventre e Preservação (v. 17b)

Jonas 1.17 “17 O Senhor fez com que um grande peixe engolisse Jonas, e ele ficou dentro do peixe três dias e três noites.”
A palavra "livloa" (engolir/tragar) carrega uma profunda ironia teológica. Em outros contextos bíblicos, ela sugere aniquilação e juízo final.
O Instrumento de Preservação: Para um israelita, o mar e suas profundezas simbolizavam o caos, o poder da morte e o Sheol. No entanto, Deus transforma o que seria o instrumento de execução (o peixe) em um "barco salva-vidas" ou uma "sala de cirurgia divina". “Quando pensamos no dilúvio de Noé, em Moisés no Mar Vermelho e em Josué atravessando o Rio Jordão, percebemos que o mar simboliza o poder da morte de engolir e destruir. Jacques Ellul comenta: “As águas são o poder da morte e do afogamento. Aquele que é lançado nelas é lançado na morte. Aquele que passa por elas atravessa a morte”. Semelhantemente, o peixe simboliza os poderes do caos e da morte que engolem o impenitente. Isaías, por exemplo, representa o juízo final de Deus com imagens do abate de uma grande criatura do mar: “Naquele dia, o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro que está no mar” (Is 27.1).”
Ilustração do "Caminho para Baixo": A fuga de Jonas é descrita como uma descida contínua: ele "desceu a Jope", "desceu ao porão" e, finalmente, "desceu para as profundezas mortais". No momento em que ele atinge o ponto mais baixo de sua rebelião, a mão soberana de Deus intervém com o peixe para interromper sua queda fatal. O fim do juízo de Deus é a morte. Quando Jonas foi engolido pelo grande peixe, este era o auge de seu julgamento por Deus. No que dizia respeito a ele, seu “sepultamento” era um julgamento final sem retorno. Jacques Ellul escreve: “É a danação. O peixe é, na verdade, o inferno. Assim, Jonas passou pela agonia e pela morte, e chegou a esse inferno preparado por Deus para impor a separação total entre homem e Deus”. Isso nos lembra de que o inferno é o fim de todo desejo de fugir de Deus. Jonas estava à procura de um lugar em que ele pudesse escapar da presença do Senhor, e a barriga do grande peixe nas profundezas era a realização de seu desejo rebelde. Tudo isso e mais foi o que Jesus sofreu em nosso lugar por meio de sua morte na cruz. O Senhor da glória e da vida sofreu a danação naquele juízo final da morte. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, Jesus exclamou (Mt 27.46). Sua experiência na cruz não foi menos terrível do que aquilo que Jonas passou na barriga do peixe; era mais terrível ainda. Jesus voluntariamente tomou sobre si a morte que nós merecíamos pelos nossos pecados.
De Túmulo a Ventre: A exegese do termo "me’ei" (entranhas/ventre) reforça que o peixe funciona como um ventre materno para um novo começo. O peixe é "graça severa": ele impõe a separação total de Jonas com o mundo para que ele possa se encontrar com Deus.
Ilustração da "Graça no Abismo": Assim como Deus providenciou um carneiro para Isaque no Monte Moriá, Ele providencia o peixe para Jonas. O peixe é a prova de que Deus não desiste de Seus servos, mesmo quando eles preferem a morte.
Aplicações
Graça precede arrependimento. Jonas ainda não orou. Ainda não se arrependeu. Ainda não mudou. Mas Deus já providenciou o peixe. Sua restauração começa na iniciativa de Deus, não na sua disposição.
O peixe é como “graça severa”. Deus às vezes nos coloca em isolamento: crise financeira, doença, solidão, perda. Não como condenação, mas como cirurgia. A pergunta não é “como sair rápido do ventre”, mas “o que Deus está formando dentro dele?”
Às vezes Deus nos coloca em ambientes de confinamento para produzir transformação. O que parece retrocesso pode ser preservação. O ponto mais baixo da sua vida pode ser o início do seu verdadeiro retorno. A “graça severa” pode vir na forma de perdas, silêncio ou isolamento. Por que é exatamente nesse lugar, no lugar mais baixo, mais dificil, mais desesperador, no lugar de maior dor, que nós estamos no pó e, enfim percebemos, que não temos nada além de Cristo.
Existe algum “ventre” na sua vida hoje — um lugar desconfortável que pode estar sendo usado por Deus para tratar seu coração? Você está tentando sair rapidamente do processo ou permitindo que Deus fale dentro dele?

III. O Sinal da Esperança: O Tempo e a Tipologia de Cristo (v. 17c)

Jonas 1.17 “17 O Senhor fez com que um grande peixe engolisse Jonas, e ele ficou dentro do peixe três dias e três noites.”
A expressão “três dias e três noites” é um idioma hebraico que indica o período completo determinado por Deus para um propósito específico.
A Confirmação da Morte: Na tradição antiga, três dias era o tempo necessário para confirmar legalmente uma morte e excluir qualquer dúvida sobre um desmaio. Jonas estar no ventre do peixe por este período prefigura o "sepultamento" como um julgamento sem retorno humano. Jesus, por exemplo, esperou até que seu amigo Lázaro tivesse passado quatro dias no túmulo antes de chegar para ressuscitá-lo (Jo 11.39), para que ninguém duvidasse de que Lázaro havia realmente morrido. E, é claro, o próprio Jesus permaneceu no túmulo durante três dias, também para confirmar que ele não havia apenas desmaiado, mas realmente sofrido a morte.
O "Sinal de Jonas" e Cristo: Jesus interpreta este evento não como um mito, mas como um tipo histórico de Sua própria morte e ressurreição. Jonas é o tipo imperfeito que desce ao abismo por sua própria culpa; Cristo é o cumprimento perfeito que desceu voluntariamente à "moradia do peixe invisível da morte" para libertar os que ela havia engolido.

Uma razão para a atenção excessiva dedicada ao peixe grande – a palavra hebraica é um termo genérico para “peixe”, não necessariamente uma baleia – é que

Alguns fariseus haviam exigido que Jesus provasse sua identidade por meio de milagres, ao que Jesus respondeu Mateus 12.39–40 “39 Ele respondeu: “Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. 40 Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.” Isso indica que a “morte” de Jonas na barriga do peixe prefigurou os dias de morte que Jesus Cristo sofreria no túmulo, após sua crucificação por nossos pecados.
A Última Palavra é de Deus: Assim como os marinheiros podem ter pensado que Jonas havia desaparecido para sempre, o mundo pensou que a cruz era o fim de Jesus. Contudo, a história de Jonas ensina que "a última palavra jamais cabe ao homem, mas ao poder de Deus", que traz vida das profundezas da morte. Deus se recusou a desistir do profeta. Ele não desiste de seus filhos. Tudo indicava que a descida para as profundezas significava o fim de Jonas, assim como a morte de Jesus na cruz parecia indicar seu fim. Quando Jonas foi engolido pelas ondas, é possível que os marinheiros tenham olhado para a água por algum tempo, para então seguir com suas vidas sem jamais rever o profeta. Os judeus e os soldados romanos devem ter tido a mesma impressão quando Jesus deu seu último suspiro na cruz. No entanto, não era o fim, pois, por meio da morte de seu servo, Deus pretendia trazer a vida não só para ele, mas para o mundo. Peter Williams comenta: “Assim como Jonas foi libertado de seu túmulo nas águas para continuar sua obra de pregar o arrependimento e a salvação à população de Nínive, Cristo, por meio de sua ressurreição, continuou – por meio da dádiva do Espírito Santo à igreja – a pregar o evangelho da salvação ao mundo inteiro”. A história do povo de Deus tem apresentado esse padrão repetidamente. Williams escreve: Testemunhe o que aconteceu na antiga União Soviética na era do comunismo, quando a igreja foi perseguida, os cristãos foram presos e a Bíblia foi considerada ilegal. O poder de Deus estava operando e retornou à vida. O mesmo aconteceu na China quando os missionários cristãos foram expulsos e a igreja fechou. Na época, muitos acreditavam que era o fim da grande visão de Hudson Taylor, mas Deus estava operando, e hoje há mais cristãos na China do que nunca. A última palavra jamais cabe ao homem, mas ao poder de Deus.
Aplicações
Há situações que parecem definitivas — mas o prazo de Deus ainda não terminou. Por que o silêncio de Deus nunca é ausência de ação. O mesmo Deus que trouxe Jonas de volta das profundezas trouxe Cristo da morte.
Existe alguma área da sua vida que você já declarou “morta”, mas que Deus ainda pode ressuscitar?
Você confia no tempo de Deus quando tudo parece irreversível?

Encerramento da Ilustração

John Newton sobreviveu àquela tempestade, mas não se transformou instantaneamente. Ele ainda continuou no tráfico de escravos por algum tempo. A graça não terminou sua obra naquela noite — ela começou ali. Deus não afundou o navio. Deus interrompeu o homem.
Anos depois, Newton abandonou definitivamente o tráfico. Tornou-se pastor. Passou o restante da vida denunciando o sistema que um dia ajudou a sustentar. Lutou publicamente contra a escravidão. E escreveu um hino que atravessaria séculos:
“Amazing grace, how sweet the sound, That saved a wretch like me.”
“Maravilhosa graça, quão doce o som, Que salvou um miserável como eu.”
Ele dizia no fim da vida: “Eu não sou o que deveria ser. Não sou o que quero ser. Mas pela graça de Deus, não sou mais o que eu era.”
A tempestade não foi o fim de John Newton. Foi o início da restauração. O que parecia quase morte foi misericórdia severa. O que parecia juízo foi providência.
O peixe não foi condenação para Jonas. Foi preservação. A tempestade não foi destruição para Newton. Foi intervenção.
E há algo ainda maior aqui.
Jonas foi lançado ao mar por causa de sua própria rebeldia. Newton quase foi engolido pelas águas por causa de seus próprios pecados. Mas Cristo foi entregue à morte por causa dos nossos. Ele não foi poupado da tempestade da ira. Ele atravessou a morte para vencê-la.
Talvez você esteja na sua tempestade. Talvez esteja no seu ventre escuro. Mas se Deus ainda está agindo, isso não é o fim. Pode ser o começo da graça.
Porque o mesmo Deus que designou o peixe para Jonas designou a tempestade que despertou Newton — e designou o terceiro dia que venceu a morte.
E quando Deus designa algo, não é para destruir Seus filhos. É para restaurá-los.

4. 5 Aplicações Pastorais

1️⃣ A disciplina de Deus é cuidado de Pai, não rejeição de Juiz
Se você está em um momento de confronto, limitação, perda ou aperto, não conclua rapidamente que Deus o abandonou. Em Cristo, não existe condenação (Rm 8.1). O que existe é disciplina paternal (Hb 12.6).
O peixe não foi inferno para Jonas. Foi preservação.
Cristo já foi lançado no mar da ira por nós. Portanto, quando somos disciplinados, não é punição judicial — é correção amorosa.
🔎 Viva isso assim esta semana:
Em vez de murmurar diante da pressão, ore: “Pai, o que o Senhor quer formar em mim?”
Identifique uma área onde Deus está restringindo você — e responda com submissão, não resistência.
Lembre-se diariamente: disciplina é identidade de filho.
2️⃣ O fundo do poço pode ser o começo da sua santificação
Jonas só começou a orar quando chegou ao fundo. Muitos de nós só começamos a depender quando os recursos acabam.
Mas o evangelho nos lembra: Cristo desceu mais fundo do que qualquer um de nós jamais descerá. Ele tomou o abandono real para que o nosso abismo nunca fosse abandono definitivo.
O ventre pode ser escuro, mas não é vazio da presença de Deus.
🔎 Viva isso assim esta semana:
Pare de fugir do processo. Pergunte o que Deus quer transformar em você.
Se você está em crise, não se isole da igreja — aproxime-se do corpo.
Transforme seu “fundo” em altar de oração, não em lugar de autopiedade.
Sua identidade não é “fracassado”. É “filho sendo tratado pelo Pai”.
3️⃣ O tempo da sua prova está nas mãos soberanas de Deus
“Três dias e três noites” não é descontrole. É tempo designado.
Cristo permaneceu no sepulcro exatamente o tempo determinado. Nem um segundo além. Nem um segundo aquém.
Se Deus governa o decreto eterno da redenção, Ele governa também o prazo da sua prova.
🔎 Viva isso assim esta semana:
Pare de medir sua dor pelo relógio da ansiedade.
Confie que Deus não prolonga sofrimento sem propósito.
Quando a espera apertar, pregue a si mesmo: “Isso também tem um limite determinado por Deus.”
A soberania não é teoria. É descanso prático.
4️⃣ Não viva obcecado com o problema — viva consciente do Senhor que governa o problema
Jonas poderia ter focado no peixe. Mas o texto enfatiza: “O Senhor designou”.
Muitos vivem fixados:
na crise financeira,
na doença,
no conflito,
na incerteza.
Mas o centro da narrativa nunca é o peixe. É o Senhor.
Cristo dormiu no barco porque sabia quem governava o mar.
🔎 Viva isso assim esta semana:
Substitua perguntas como “por que isso comigo?” por “quem está no controle disso?”
Reduza a narrativa do medo e amplifique a narrativa da soberania.
Cultive adoração no meio da pressão.
Seu problema não é soberano. Seu Deus é.
5️⃣ A graça que preserva exige uma vida que responde
Jonas não foi salvo para voltar à fuga. Foi preservado para voltar à missão.
Cristo não morreu apenas para nos livrar do juízo, mas para nos enviar (Jo 20.21).
Graça não é permissão para continuar indiferente. É poder para obedecer.
🔎 Viva isso assim esta semana:
Identifique qual missão você tem adiado.
Dê um passo concreto de obediência (uma conversa, uma reconciliação, um serviço, uma decisão).
Não espere “sentir-se pronto” — obediência gera clareza.
Você não foi preservado apenas para sobreviver. Foi preservado para servir.

5. Conclusão

PARA TODOS: Jonas 1:17 nos ensina que o salário do pecado é a morte, mas a providência de Deus é a vida. O grande peixe não foi um acidente de percurso, mas um transporte da graça. Se você se sente hoje nas profundezas, cercado pela escuridão de suas próprias escolhas, lembre-se: Deus pode transformar o seu lugar de morte em um ventre de novo nascimento. Olhe para Aquele que é maior que Jonas, Jesus Cristo, que venceu o abismo para que você nunca precise enfrentá-lo sozinho.
PARA OS CRENTES: Deus quer que a nossa vida leve essa mesma mensagem para o mundo. O testemunho cristão não é o de pessoas boas e fiéis que mereceram o favor de Deus por meio de suas próprias ações e cujas vidas manifestam o poder da virtude e do sucesso. Essa é a maneira com que as religiões do mundo procuram alcançar suas metas. O testemunho cristão é o de pecadores rebeldes que foram libertos da condenação justa pela graça soberana de Deus, por meio da morte expiatória de seu Filho.
Se Deus usou o que parecia ser um instrumento do juizo final de Jonas, ou seja, ser engolino nas profundezas para se tornar seu veiculo de salvação, que grandes peeixes Deus está preparando nas crises de nossas vidas para no preservar para um propósito maior?
PARA OS QUE AINDA NÃO CRERAM: A experiência de Jonas fala para aqueles que ainda não acreditam. Jonas exemplifica o fim inevitável de sua própria rebelião contra Deus. “… o salário do pecado é a morte”, diz a Bíblia (Rm 6.23). Mas, por meio da fé em Jesus Cristo, que morreu para vencer o pecado e a morte, o monstro marítimo do juízo é domado para jogar-nos na praia de uma vida nova. Você reconhece que precisa dessa libertação? Você está disposto a buscar a graça soberana de Deus para sua própria redenção e libertação para uma vida ressurreta? Caso contrário, Jesus não será o único a condená-lo por sua descrença. Após falar de sua própria morte como sinal de Jonas para a sua geração, Jesus acrescentou que os cidadãos de Nínive também teriam um testemunho a dar: “Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas” (Mt 12.41). Se a cidade ímpia de Nínive se arrependeu ao ver o Jonas ressurreto, quanto mais deveríamos nós nos arrepender da descrença e do pecado após testemunharmos o Cristo ressurreto na Palavra de Deus. E, reconhecendo tamanha graça pelos pecadores, deveríamos aceitar ansiosos a oferta do evangelho do Filho de Deus, que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar a vida eterna.
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