Jejum A liberdade dos Excessos e o alinhamento dos desejos
Espiritualidade Prática: a vida cristã em um mundo caótico • Sermon • Submitted • Presented
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Texto Mt 6.16-19
Texto Mt 6.16-19
16— Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa.
17 - Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto,
18 - a fim de não parecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.
Jejum tem como premissa a a restauração do governo de Deus sobre o coração
Jejum tem como premissa a a restauração do governo de Deus sobre o coração
Existem muitas coisas que disputam o governo da nossa vida.
Algumas são visíveis. Outras são silenciosas.
Algumas se apresentam como necessidades legítimas, mas, com o tempo, deixam de ocupar seu lugar funcional e passam a ocupar um lugar estrutural.
O que deveria servir passa a governar.
O que deveria ser instrumento passa a ser senhor.
É nesse contexto que Jesus introduz o ensino sobre o jejum. Ele não está apenas ensinando uma prática espiritual. Ele está revelando um caminho de restauração do governo de Deus sobre o coração humano.
Porque no final, a grande questão da vida espiritual nunca foi sobre práticas.Sempre foi sobre governo:
Quem governa sua vida governa sua direção.
Quem governa sua direção governa seu destino.
E o jejum é um dos meios de graça pelos quais Deus restaura seu governo sobre nós.
1. CONTEXTO — O JEJUM COMO EXPRESSÃO DO GOVERNO INTERIOR
1. CONTEXTO — O JEJUM COMO EXPRESSÃO DO GOVERNO INTERIOR
O ensino de Jesus sobre o jejum está inserido no centro do Sermão do Monte, onde Ele trata da espiritualidade não como aparência exterior, mas como realidade interior.
Ele fala sobre esmola, oração e jejum. Essas três práticas formavam o eixo da vida espiritual judaica. Mas Jesus não está interessado na prática em si. Ele está interessado no coração por trás da prática.
Porque é possível praticar disciplinas espirituais e ainda permanecer governado por motivações erradas.
Porque é possível praticar disciplinas espirituais e ainda permanecer governado por motivações erradas.
Os fariseus jejuavam. Mas o jejum deles não era expressão de rendição. Era expressão de autopreservação. Haviam transformado um instrumento de submissão em um instrumento de exaltação.
Por isso Jesus diz: “Quando vocês jejuarem, não fiquem com aparência triste, como os hipócritas.”
A palavra hipócrita descreve alguém que atua, que interpreta um papel
Exteriormente, eles demonstravam rendição. Mas interiormente, permaneciam governados pela necessidade de aprovação.
Isso revela uma verdade profunda: o exterior pode simular submissão enquanto o interior permanece em rebelião.
O jejum aceitável não é aquele que modifica a aparência. É aquele que restaura o governo do coração.
2. O JEJUM REVELA QUEM EXERCE DOMÍNIO SOBRE NOSSA VIDA
2. O JEJUM REVELA QUEM EXERCE DOMÍNIO SOBRE NOSSA VIDA
O jejum revela quem governa noso coração. Quando abrimos mão do alimento, aquilo que emerge revela o que nos governa.
Se o desconforto produz irritação, revela que o corpo governa.
Se produz necessidade de reconhecimento, revela que a opinião dos homens governa.
Mas se produz rendição, revela que o espírito está sendo realinhado ao governo de Deus.
O jejum expõe os governos concorrentes que operam dentro de nós. Porque todo ser humano é governado por algo.
Alguns são governados pelo prazer.
Outros pelo medo.
Outros pela necessidade de aprovação.
Outros pelo desejo de controle.
Mas a vida espiritual começa quando Deus volta a ocupar o lugar de governo.
O jejum enfraquece os governos ilegítimos e fortalece o governo legítimo.
Ele não é sobre comida. É sobre autoridade.
3. AUTONEGAÇÃO — O JEJUM COMO LIBERTAÇÃO DOS EXCESSOS
3. AUTONEGAÇÃO — O JEJUM COMO LIBERTAÇÃO DOS EXCESSOS
Vivemos em uma cultura que ensina que liberdade é poder satisfazer todos os desejos. Mas essa é uma liberdade ilusória.
Vivemos em uma cultura que ensina que liberdade é poder satisfazer todos os desejos. Mas essa é uma liberdade ilusória.
Porque aquilo que não conseguimos negar revela aquilo que nos domina.
A verdadeira escravidão não é a ausência de escolhas. É a incapacidade de dizer não.
O jejum restaura essa capacidade.
Ele interrompe o fluxo automático da satisfação dos impulsos. Ele quebra o ciclo silencioso da dependência funcional que se estabelece quando o corpo passa a ocupar o lugar de governo.
John Charles Ryle descreve o jejum como o ato de trazer o corpo em sujeição ao espírito.
Isso é restauração de ordem. O corpo é um servo legítimo, mas um senhor ilegítimo.
Quando o corpo governa, a alma se fragmenta. Mas quando Deus governa, o interior encontra seu alinhamento.
O jejum não é perda. É libertação.
Ele não enfraquece o homem espiritual. Ele enfraquece os governos concorrentes que disputam o lugar que pertence a Deus.
4. AUTODISCIPLINA — O JEJUM COMO REALINHAMENTO DOS AFETOS E DOS DESEJOS
4. AUTODISCIPLINA — O JEJUM COMO REALINHAMENTO DOS AFETOS E DOS DESEJOS
Jesus diz algo profundamente significativo: “Unja a cabeça e lave o rosto”.
Ele está dizendo que o jejum não é um espetáculo exterior. Ele é um processo interior.
O jejum reorganiza o interior. Porque o maior problema humano não é a ausência de desejo. É a desordem dos desejos.
Quando os desejos estão desalinhados:
o coração se dispersa;
A vida perde sua clareza;
A alma se fragmenta entre múltiplos senhores.
Mas quando Deus volta ao centro, o interior encontra sua unidade. É por isso que imediatamente após falar sobre o jejum, Jesus diz: “Não acumulem para vocês tesouros sobre a terra.”
Porque tesouro é linguagem de governo.
Aquilo que valorizamos governa aquilo que buscamos. E aquilo que buscamos molda aquilo que nos tornamos.
O jejum reposiciona Deus como o maior tesouro.
E quando Deus volta ao centro, todo o resto volta ao seu lugar funcional.
5. A RECOMPENSA — A CONFIRMAÇÃO DIVINA DE UMA VIDA REALINHADA AO SEU GOVERNO
5. A RECOMPENSA — A CONFIRMAÇÃO DIVINA DE UMA VIDA REALINHADA AO SEU GOVERNO
Jesus diz:“Seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.”
Essa recompensa não é um pagamento pela abstinência. Ela é a confirmação de que a vida voltou a operar sob o governo correto.
A recompensa é o fruto natural de uma vida alinhada a Deus.Ela se manifesta como:
clareza espiritual,
liberdade interior,
sensibilidade à presença de Deus,
fortalecimento do homem interior.
Mas acima de tudo, a maior recompensa é o próprio Deus.
Os hipócritas foram vistos pelos homens. Mas permaneceram os mesmos.
Mas aqueles que vivem diante de Deus são vistos por Ele. E quando Deus vê, Ele não apenas reconhece. Ele transforma.
A recompensa não é o centro do jejum. O senhorio é. Mas a recompensa é o testemunho de que Deus voltou a ocupar o lugar que sempre foi seu.
A recompensa não é o centro do jejum. O senhorio é. Mas a recompensa é o testemunho de que Deus voltou a ocupar o lugar que sempre foi seu.
CONCLUSÃO — O JEJUM COMO CAMINHO DE RESTAURAÇÃO DO GOVERNO DE DEUS
CONCLUSÃO — O JEJUM COMO CAMINHO DE RESTAURAÇÃO DO GOVERNO DE DEUS
O jejum não é sobre comida.
Não é sobre aparência.
Não é sobre performance espiritual.
É sobre governo.
É sobre governo.
É sobre remover do trono tudo aquilo que ocupou o lugar que pertence a Deus.
É sobre restaurar a ordem interior.
É sobre voltar a viver sob o senhorio daquele que nos criou.
Porque no final, não é o jejum que transforma o homem.
É o governo de Deus restaurado que transforma tudo.
E quando Deus governa, a alma encontra seu descanso.
Porque fomos criados não para sermos governados pelos desejos, nem pela aprovação dos homens.
Fomos criados para sermos governados por Deus. E é nesse governo que encontramos nossa verdadeira liberdade.
