Serié Livro de marcos (29)

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Parte - 44

O Casamento na Perspectiva Criacional de Jesus -Mc 10.1-12

Introdução O ensino de Jesus em Marcos 10.1–12 constitui uma das exposições mais densas e teologicamente profundas sobre o matrimônio no Novo Testamento. O texto emerge em um contexto de controvérsia hermenêutica e tensão sociopolítica, no qual os fariseus utilizam uma questão jurídica para testar a autoridade messiânica de Cristo. A pergunta sobre o divórcio não é meramente ética, mas teológica, pois envolve a interpretação da Torá, a antropologia bíblica e a teologia da criação.
Ao responder, Jesus não permanece no nível casuístico da lei mosaica, mas retorna ao propósito original de Deus, fundamentando-se em Gênesis 1.27 e Gn2.24. Esse movimento hermenêutico revela a prioridade da ordem criacional sobre concessões legislativas posteriores.
C. S. Keener observa que Marcos enfatiza a gravidade do divórcio para sublinhar a sacralidade do casamento, enquanto Mateus e Paulo aplicam exceções pastorais em contextos eclesiais específicos.
W. L. Lane e E. P. Gould explicam que Deuteronômio 24 não institui o divórcio, mas regula uma prática já existente para mitigar injustiças sociais, especialmente contra mulheres vulneráveis. Assim, a legislação mosaica é compreendida como concessão pastoral, não como norma eterna.
R. N. Champlin destaca que Jesus se posiciona como Legislador superior a Moisés, reivindicando autoridade direta sobre a Lei, o que tem implicações cristológicas profundas.
Além disso, J. A. W. Haas enfatiza que o casamento é uma instituição assistida pela graça divina, transcendendo o nível de contrato social.
E. J. Schnabel e A. Pohl ressaltam a simetria moral entre homem e mulher, introduzida por Jesus, como uma inovação teológica radical em um contexto patriarcal. O texto também aponta para uma dimensão tipológica, pois Paulo interpreta o casamento como símbolo da união entre Cristo e a Igreja (Ef 5.31–32).
Portanto, Marcos 10.1–12 não trata apenas de ética conjugal, mas de teologia da criação, cristologia, eclesiologia e escatologia. O casamento aparece como pacto sagrado, vocação espiritual e sinal escatológico do Reino. Este sermão busca expor essa verdade de maneira acadêmica, profunda e pastoralmente aplicável, demonstrando que a fidelidade conjugal é expressão concreta da fidelidade ao Criador e ao Redentor.
Contexto Histórico A perícope de Marcos 10.1–12 situa-se na fase final do ministério público de Jesus, quando Ele deixa a Galileia rumo a Jerusalém.
William Hendriksen destaca que esta transição marca o treinamento intensivo dos discípulos. O debate sobre o divórcio refletia controvérsias entre as escolas rabínicas de Hilel e Shamai, conforme M. L. Strauss e E. J. Schnabel.
OSBORNE, G. R.Culturalmente, o autor identifica três visões judaicas sobre o tema as escolas :
Hillel (permissiva),
Shammai (restrita à imoralidade) e a de
Qumran (contrária ao novo casamento).
A legislação mosaica em Deuteronômio 24 representava uma concessão pastoral diante da dureza do coração humano, como afirmam W. L. Lane e E. P. Gould. Comentário: O texto revela tensão entre revelação ideal e realidade pecaminosa. Aplicação: A igreja deve distinguir concessão pastoral da norma teológica permanente.
Contexto Geográfico Jesus encontra-se na Pereia, além do Jordão, sob domínio de Herodes Antipas.
W. L. Lane e Hernandes Dias Lopes ressaltam o perigo político, pois João Batista foi morto por denunciar o casamento ilícito de Herodes.
F. D. Nichol observa que a jornada ao sul simboliza progressão rumo à cruz.
A localização intensifica o conflito entre o Reino de Deus e os poderes políticos, revelando a intencionalidade hostil da pergunta farisaica.
Comentário: A geografia revela confronto entre autoridade messiânica e autoridade estatal. Aplicação: A fidelidade pastoral pode exigir confrontar estruturas políticas e religiosas.
Contexto Cultural No judaísmo do século I, a mulher era frequentemente vista como propriedade.
J. R. Edwards afirma que Jesus redefine o matrimônio ao colocar Deus como Senhor da união.
R. N. Champlin observa que os fariseus buscavam comprometer Jesus publicamente.
A. Pohl destaca a simetria moral entre homem e mulher, refletindo influência romana.
Esse ensino subverte estruturas patriarcais e legalistas, introduzindo uma ética conjugal centrada na criação e na revelação divina.
Comentário: Jesus transforma estruturas sociais por meio da teologia da criação. Aplicação: A igreja deve afirmar dignidade e responsabilidade mútua no casamento.

Análise progresivo e Cronológica das Referências

Contexto Amplo, Cultural e Geográfico

A narrativa do divórcio flui da perfeição criacional para a dureza do coração humano (sklerokardia). Geograficamente, move-se do Jardim do Éden para a terra de Canaã sob a Lei Mosaica, culminando na Pereia, região sob jurisdição de Herodes Antipas, onde Jesus confronta os fariseus. Culturalmente, o debate oscila entre o ideal de "uma só carne" e a casuística rabínica das escolas de
Hillel (liberal) que permitia o divórcio por qualquer motivo fútil e permitia o casamento para ambos.
Shammai (conservadora) que permitia o casamento só para o ofendido.
Qunram (proibitiva) que proibia o casamento para ambos os divorciados.

1. O Ideal da Criação (Gênesis 1:27; 2:24)

Texto Bíblico: 
"Deus os fez macho e fêmea... Por esta razão um homem deixará seu pai e sua mãe e se ajuntará à sua esposa, e os dois serão uma só carne".
Comentário Teológico: O casamento é uma instituição divina indissolúvel e monogâmica, anterior à queda. A união física e espiritual cria uma unidade indivisível onde Deus é o agente que "ajunta".
Patrística: Diatessarão
Taciano buscou harmonizar este ideal entre os sinóticos.
Reformada: 
Joel Beeke destaca o casamento como um "ato de Deus" estabelecido na criação.
Contemporânea:
Edwards afirma que a mulher é apresentada como igual e soberana criação de Deus.: 
Paralelo: Mateus 19:4-6; Efésios 5:31.
Implicações: Ontologicamente, o casamento não é um contrato social rescindível, mas uma nova criação divina.

2. Período Patriarcal

Texto Bíblico: 
Gênesis 38.24 “Passados quase três meses, foi dito a Judá: Tamar, tua nora, adulterou, pois está grávida. Então, disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada.”
Comentário Teológico: Antes da Lei, a infidelidade era punida com a morte, o que dissolvia o vínculo pela remoção do transgressor.
Van Dam analisa como a punição severa indicava a sacralidade do laço matrimonial.
Referências Cruzadas: 
Levítico 20.10 “10 Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.”

3. A Concessão Mosaica

.Texto Bíblico: 
Deuteronômio 24.1–4 “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem; e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a desposá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o Senhor; assim, não farás pecar a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança. * Leis de caráter humanitário” "Moisés permitiu escrever carta de divórcio e repudiar a mulher"
Comentário Teológico:  sklerokardia  - Não foi um mandamento, mas uma concessão paliativa devido à(dureza de coração). O objetivo era proteger a mulher de abandonos arbitrários, garantindo-lhe um certificado que provasse sua liberdade.
Referências Cruzadas:
Josefo nota que apenas o marido podia iniciar este processo.Clássica: 
Hendriksen explica que Moisés visava mitigar o impacto da rebeldia humana.Reformada: 
Schnabel argumenta que o texto foca na restrição de não retomar a mulher após um segundo casamento.Contemporânea: 
Paralelo: Mateus 5:31; 19:7.
Implicações: Hermenêuticamente, a lei posterior de Moisés não anula o princípio superior da criação.

4. O Divórcio Profético (Jeremias 3:8; Isaías 50:1)

Texto Bíblico: 
"Eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio".
Comentário Teológico: Deus usa o divórcio como metáfora para o juízo pactual sobre Israel devido à "fornicação espiritual". No entanto, Ele supera a Lei e promete restauração através de um Novo Pacto.
Van Dam ressalta que o que é impossível aos homens (retomar a divorciada contaminada) é possível a Deus em Cristo.
Referências Cruzadas: 
Oséias 2.19–20 “19 Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias; 20 desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor.”

5. O Divórcio Pós-Exílico (Esdras 10:3)

Texto Bíblico: 
"Façamos pacto com nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres... em conformidade com a lei".
Comentário Teológico: Um caso de divórcio em massa baseado no "espírito da lei" para preservar a identidade santa de Israel contra o sincretismo pagão.
Van Dam defende que este divórcio era legítimo para manter a separação exclusiva para o Senhor.
Implicações: Sistematicamente, mostra que a pureza do pacto comunitário pode, em crises teocráticas extremas, exigir separações radicais.

6. O Ensino de Jesus (Marcos 10:1-12)

Texto Bíblico: 
"O que Deus ajuntou, não o separe o homem... Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério".
Comentário Teológico: Jesus abroga a tolerância mosaica, restaurando a indissolubilidade criacional como lei do Reino de Deus. Ele define o novo casamento como adultério contínuo contra o primeiro cônjuge.
(Privilégio Paulino).Contemporânea: 
Blomberg discute a aplicação pastoral moderna, permitindo exceções apenas por adultério ou abandono.
Edwards nota a simetria no v. 12, estendendo a culpa à mulher que repudia, refletindo igualdade de agência moral.
Paralelo: Mateus 19:3-12; Lucas 16:18; 1Coríntios7:10-11

Contraste Teológico: Esdras vs. Marcos 10

Esdras 10 (A Lei para a Identidade): Em Esdras, o divórcio é visto como um ato de fidelidade ao pacto comunitário. O foco é a preservação do "povo santo" contra a contaminação idólatra. O divórcio aqui é um instrumento de purificação religiosa.
Marcos 10 (A Lei para a Unidade): Jesus em Marcos foca na fidelidade ao pacto conjugal como reflexo da criação. Ele ensina que o divórcio, mesmo que motivado por diferenças, atenta contra o ato soberano de Deus que uniu o casal.
Comentário Prático-Teológico para Hoje: O contraste revela uma tensão hermenêutica: enquanto Esdras lidava com a sobrevivência da fé (onde o casamento misto ameaçava a própria existência de Israel), Jesus lida com a essência da fé(onde a indissolubilidade reflete o caráter de Deus). Para a igreja hoje, isso implica que:
O casamento deve ser defendido como o ideal indestrutível de Deus.
A "dureza de coração" ainda gera situações trágicas que exigem a misericórdia do Salvador, que perdoa o pecador arrependido, mas não altera o padrão da santidade.
A preservação da identidade cristã no lar (Esdras) e a permanência do vínculo (Marcos) devem caminhar juntas, buscando a reconciliação como prioridade sobre o direito ao divórcio.
Sermão

1. A Provocação Farisaica e a Autoridade de Cristo Os fariseus testam Jesus, usando o termo peirazontes, que indica armadilha deliberada, segundo J. R. Edwards e M. L. Strauss. A pergunta visava comprometer Jesus teologicamente e politicamente. Ele responde reinterpretando a Lei à luz da criação, afirmando autoridade superior às tradições rabínicas.

Referências Mateus 19.3–6 e Lucas 16.18. Comentário: Jesus se apresenta como intérprete final da revelação divina. Aplicação: A igreja deve submeter tradições eclesiásticas à autoridade suprema de Cristo.

1.1 - O Debate Rabínico A escola de Hilel permitia divórcio por motivos triviais, enquanto Shamai restringia à infidelidade.

Jesus rejeita ambas ao retornar ao propósito criacional.
Referências: Deuteronômio 24.1–4; Malaquias 2.16. Comentário: Legalismo e liberalismo distorcem a vontade divina. Aplicação: A hermenêutica cristã deve partir da criação, não da cultura contemporânea.

Hilel (Hillel, o Ancião)

Hilel viveu aproximadamente entre 110 a.C. e 10 d.C. e é conhecido por sua abordagem misericordiosa, pastoral e inclusiva da Lei. Ele fundou a Escola de Hilel (Beit Hilel), que interpretava a Torá com flexibilidade, valorizando a compaixão, a intenção do coração e o bem do próximo.
Uma de suas máximas mais famosas é:
“O que é odioso para ti, não o faças ao teu próximo. Esta é toda a Torá; o resto é comentário.”
Hilel também desenvolveu regras hermenêuticas (sete princípios de interpretação bíblica), que influenciaram profundamente o judaísmo posterior e o método rabínico de exegese.

Shamai (Shammai)

Shamai foi contemporâneo de Hilel e seu principal oponente interpretativo. Ele liderou a Escola de Shamai (Beit Shammai), caracterizada por uma interpretação mais rígida, legalista e conservadora da Lei.
Shamai enfatizava a observância estrita dos mandamentos e frequentemente adotava posições mais severas em questões como pureza ritual, casamento, divórcio e contato com gentios.

Diferenças entre Hilel e Shamai

Hilel (Escola de Hilel – Beit Hilel)
Interpretação flexível e misericordiosa da Lei.
Ênfase na intenção do coração, não apenas na letra da Torá.
Postura mais aberta aos gentios e prosélitos.
Valorizava a compaixão, humildade e paciência.
Defendia uma aplicação pastoral e prática da Lei para a vida cotidiana.
Sua escola tornou-se dominante no judaísmo rabínico após 70 d.C.
Desenvolveu sete regras hermenêuticas para interpretação bíblica.
Shamai (Escola de Shamai – Beit Shammai)
Interpretação rígida, literalista e legalista da Lei.
Ênfase na observância estrita dos mandamentos.
Postura restritiva em relação aos gentios.
Defendia normas mais severas sobre pureza, casamento e divórcio.
Aplicava a Lei com rigor disciplinar e pouca flexibilidade pastoral.
Sua escola perdeu influência após a destruição do Templo em 70 d.C.
Após a destruição do Templo em 70 d.C., a tradição de Hilel tornou-se dominante no judaísmo rabínico, influenciando o Talmude e a halakhah posterior.
Parei aqui

1.2 - A Autoridade Criacional Jesus fundamenta o casamento em Gênesis 1.27 e Gênesis 2.24, afirmando a unidade ontológica (sarx mia). 

📖 Uso bíblico principal

A expressão aparece em contextos de casamento e união conjugal, especialmente em:
Gênesis 2:24 (LXX) – “os dois serão uma só carne”
Mateus 19.5–6 “5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? 6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
Marcos 10.8 “8 e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne.”
1Coríntios 6.16 “16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.”
Efésios 5.31 “31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne.”
E. J. Schnabel destaca que synezeuxen indica jugo divino. Referências: Efésios 5.31–32.

📖 Forma e origem

συν- (syn) = junto, com
ζεύγνυμι (zeugnymi) = unir, juntar, atar, colocar sob o mesmo jugo
Portanto, synezeuxen = “Deus juntou sob o mesmo jugo”.

📜 Uso bíblico principal

A palavra aparece em Mateus 19:6 e Marcos 10:9:
“Portanto, o que Deus ajuntou (synezeuxen), não o separe o homem.” Comentário: O matrimônio é pacto ontológico e teológico. Aplicação: Casais devem compreender o casamento como vocação sagrada e irrevogável.

2. A Dureza do Coração Humano Sklerokardia descreve insensibilidade espiritual, segundo E. P. Gould. A concessão mosaica foi paliativa, não normativa. Jesus denuncia a condição pecaminosa humana.

Referências: Jeremias 17.9; Hebreus 3.7–8. Comentário: O pecado distorce instituições divinas. Aplicação: A igreja deve confrontar a dureza espiritual com discipulado pastoral.

2.1 A Concessão Mosaica W. L. Lane explica que Deuteronômio 24 regulamentava uma prática existente para proteger a mulher. Não era mandamento.

Referências: Mateus 5.31–32 “31 Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32 Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.” Comentário: Concessões civis não definem ética espiritual. Aplicação: A ética cristã transcende legislações culturais e civis

2.2 A Ética do Reino Jesus restaura o ideal do Reino baseado na transformação interior.

Referências: Romanos 12.1–2 “1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Comentário: O Reino exige conversão ética profunda. Aplicação: Casais devem buscar renovação espiritual contínua no Espírito.

3. A Indissolubilidade do Matrimônio Jesus afirma que o homem não deve separar o que Deus uniu. Mc.10.

J. A. W. Haas afirma que o casamento é assistido pela graça divina.
Referências: 1Coríntios 7.10–11 “10 Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido
11 (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher.” Comentário: O matrimônio é obra divina, não contrato humano. Aplicação: A igreja deve promover perseverança conjugal pastoralmente.
3.1 Unidade Ontológica Sarx mia indica unidade física, espiritual e social.
Referências: Gênesis 2.24 “24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”
Efésios 5.28–30 “28 Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama.
29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja;
30 porque somos membros do seu corpo.” Comentário: A união conjugal é mistério teológico. Aplicação: Casais devem cultivar unidade integral em todas as dimensões da vida.
3.2 Responsabilidade Mútua A. Pohl destaca a simetria moral entre os cônjuges.
Referências: Gálatas 3.28 “28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” Comentário: O casamento cristão é parceria igualitária sob Deus. Aplicação: Liderança conjugal deve ser servidora e recíproca.

4. O Ensino Privado aos Discípulos William Hendriksen chama este momento de treinamento intensivo dos Doze. Jesus aprofunda a ética conjugal em contexto discipular.

Referências: Marcos 4.34 “34 E sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.” Comentário: A verdade exige discipulado contínuo. Aplicação: Líderes cristãos devem buscar formação teológica profunda.

4.1 Discipulado Conjugal O casamento é campo de santificação espiritual.

Referências: Colossenses 3.18,19 Comentário: A vida conjugal é meio de formação espiritual. Aplicação: A igreja deve discipular casais, não apenas indivíduos.

4.2 Testemunho Público O casamento reflete Cristo e a Igreja.

Referências: Efésios 5.32 Comentário: O matrimônio é apologética viva do evangelho. Aplicação: Casais devem viver como sinal visível do Reino.

5. A Implicação Messiânica do Ensino R. N. Champlin afirma que Jesus age como Messias com autoridade sobre Moisés.
Referências: João 5.45–47 “45 Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança.
46 Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.
47 Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” Comentário: A autoridade de Cristo confronta sistemas religiosos. Aplicação: A igreja deve permanecer fiel sob oposição.

5.1 Cristo Legislador Jesus revela a vontade direta do Criador.

Referências: Mateus 28.18 “18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Comentário: Cristo é Senhor absoluto da ética cristã. Aplicação: Submissão total a Cristo em todas as áreas da vida.

5.2 Cristo Redentor do Casamento O casamento aponta para a redenção escatológica.

Referências: Apocalipse 19.7 “7 Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou,” Comentário: O matrimônio possui dimensão escatológica. Aplicação: Casais vivem antecipando a glória futura.
Conclusão Marcos 10.1–12 revela o casamento como instituição divina restaurada por Cristo contra distorções legais e culturais. Jesus confronta a dureza do coração humano, reafirma o ideal criacional e estabelece a ética do Reino. O matrimônio é pacto sagrado, testemunho escatológico e instrumento de santificação. A igreja deve ensinar, proteger e discipular casais com fidelidade bíblica em meio às pressões culturais contemporâneas.
Bibliografia HENDRIKSEN, William. Marcos. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado. EDWARDS, J. R. The Gospel According to Mark. STRAUSS, M. L. Mark. SCHNABEL, E. J. Mark: An Introduction and Commentary. LANE, W. L. The Gospel of Mark. GOULD, E. P. A Critical and Exegetical Commentary on Mark. KEENER, C. S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. HAAS, J. A. W. Annotations on the Gospel of Mark. POHL, A. Comentário Esperança: Marcos. NICHOL, F. D.; RASI, H. M. Mateo a Juan. LOPES, Hernandes Dias. Marcos: O Evangelho dos Milagres.
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