7. O Deus fragmentado
Destruídos pela graça • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 8 viewsNotes
Transcript
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
No último sermão desta série nós chegamos ao final do primeiro ato do tribunal de Deus com Israel e conosco também.
Durante esse ato, um ato de acusação, Deus gritou para despertar os que dormem em meio ao caos por meio de Joel 1, mostrou que a estabilidade das nossas vidas pode ser a benção, mas também a paciência de Deus aguardando nosso arrependimento em Oséias 10.1-11.
Ele também escancarou a anestesia do coração daqueles que se acostumaram a viver ao lado do pecado em Amós 2-4 e o amor falso que tenta manipular a Deus com palavras vazias em Oseias 6.
E por último, enxergamos a dureza do nosso coração que tenta comprar a Deus com o culto que ele mesmo instituiu, quando tudo o que ele sempre pediu foi somente a nossa fidelidade em Miquéias 6.1-8.
A acusação encerra e ficamos frente a uma verdade dolorosa: Não há poço tão fundo que não possua um porão ainda mais baixo em nosso coração que insiste em buscar formas de se distanciar de Deus.
No começo dessa série nós vimos que a restauração divina nos profetas normalmente é constituída de três momentos, ou três atos como eu estou chamando aqui: Acusação — Juízo — Restauração.
Hoje nós entraremos no segundo ato do tribunal divino: O juízo de fato. O momento que dá título a esta série, pois o juízo é onde Deus realmente destrói seu povo, mas o faz por graça, por amor e por misericórdia.
Mas antes de seguirmos a esse julgamento real, precisamos corrigir nossas lentes.
As lentes que enxregam o Deus que julga como mau ou irado e não como o Deus amoroso que nos ama, mesmo através do seu juízo.
Hoje falaremos sobre um Deus fragmentado, que nós fragmentamos em nossos corações para confirmar nossas preferências e justificar nossos pecados.
Leia comigo o texto de Amós 9.1-15
'1 Vi o Senhor junto ao altar, e ele disse: “Bata no topo das colunas para que tremam os umbrais. Faça que elas caiam sobre todos os presentes; e os que sobrarem matarei à espada. Ninguém fugirá, ninguém escapará. 2 Ainda que escavem até às profundezas, dali a minha mão irá tirá-los. Se subirem até os céus, de lá os farei descer. 3 Mesmo que se escondam no topo do Carmelo, lá os caçarei e os prenderei. Ainda que se escondam de mim no fundo do mar, ali ordenarei à serpente que os morda. 4 Mesmo que sejam levados ao exílio por seus inimigos, ali ordenarei que a espada os mate. Vou vigiá-los para lhes fazer o mal e não o bem”. 5 Quanto ao Senhor, o Senhor dos Exércitos, ele toca na terra, e ela se derrete, e todos os que nela vivem pranteiam;ele ergue toda a terra como o Nilo, e depois a afunda como o ribeiro do Egito. 6 Ele constrói suas câmaras altas até os céus, e firma a abóbada sobre a terra; ele reúne as águas do mar e as espalha sobre a superfície da terra. Senhor é o seu nome. 7 “Vocês, israelitas, não são para mim melhores do que os etíopes”, declara o Senhor. “Eu tirei Israel do Egito, os filisteus de Caftor e os arameus de Quir. 8 “Sem dúvida, os olhos do Senhor, o Soberano, se voltam para este reino pecaminoso. Eu o varrerei da superfície da terra, mas não destruirei totalmente a descendência de Jacó”, declara o Senhor. 9 “Pois darei a ordem e sacudirei a nação de Israel entre todas as nações, tal como o trigo é abanado numa peneira, e nem um grão cai na terra. 10 Todos os pecadores que há no meio do meu povo morrerão à espada, todos os que dizem: ‘A desgraça não nos atingirá nem nos encontrará’. 11 “Naquele dia, levantarei a tenda caída de Davi. Consertarei o que estiver quebrado, e restaurarei as suas ruínas. Eu a reerguerei, para que seja como era no passado, 12 para que o meu povo conquiste o remanescente de Edom e todas as nações que me pertencem”, declara o Senhor, que realizará essas coisas. 13 “Dias virão”, declara o Senhor, “em que a ceifa continuará até o tempo de arar, e o pisar das uvas até o tempo de semear. Vinho novo gotejará dos montes e fluirá de todas as colinas. 14 Trarei de volta Israel, o meu povo exilado, Plantarão vinhas e beberão do seu vinho; cultivarão pomares e comerão do seu fruto. 15 Plantarei Israel em sua própria terra, para nunca mais ser desarraigado da terra que lhe dei”, diz o Senhor, o seu Deus.'
TÓPICO 1 — O Impulso humano de fragmentar a Deus
TÓPICO 1 — O Impulso humano de fragmentar a Deus
Existe uma série chamada “Deuses americanos”. A premissa é bem simples: tudo o que é adorado pelas pessoas se materializa e se torna um deus em carne e osso e quanto mais adorados esses deuses são, o seja, quanto mais as pessoas devotam seu tempo a eles, mais poderosos eles se tornam.
Há, portanto, vários deuses. O deus da tecnologia e da internet, a deusa da mídia e da televisão, a globalização também se torna uma divindade e o dinheiro, na sua versão mais próxima do mercado, também se torna um ser divino em carne e osso.
Mas o momento mais interessante da série, na minha humilde opinião, acontece quando chegamos a uma festa de páscoa onde, obviamente, encontramos Jesus ali, no entanto não apenas um Jesus, mas dezenas dele. Sim, dezenas de Jesuses.
A ideia é bem óbvia. A medida que cada pessoa tem uma visão pessoal de Jesus, então não é apenas um Jesus que se materializa em carne e osso, mas vários Jesuses, cada um criado por um imaginário diferente, com atributos e personalidades diferentes que foram conferidos pelas próprias pessoas a eles.
João Calvino tem uma frase que expressa muito bem essa cena: “O coração humano é uma fábrica de ídolos” e no episódio da série que eu acabei de descrever, até mesmo Jesus, que deveria ser único porque cremos em um Deus único, acaba se tornando um ídolo.
O ser humano, e isso inclui a mim e a você, tem a capacidade extrema de fragmentar a Deus, de quebrá-lo em várias partes mais palatáveis, mais fáceis de compreender, mas muito pior que isso, partes mais fáceis de aceitar.
Quem nunca ouviu a frase: “Deus é amor, mas também é justiça”? Essa é uma frase que a princípio parece correta, mas ela tem uma única palavra errada: “Mas”. Quando dizemos que que ele é amor, MAS também é justiça, separamos duas partes de Deus que não dissociam.
Deus não é amor agora e justiça daqui a pouco. Ele é amor E justiça a todo momento, mas nós insistimos em escolher qual parte de Deus queremos agora e qual queremos depois, qual nos agrada e qual nós rejeitamos.
Os que buscam justificativas para permanecer em seus erros e pecados amam o Deus perdoador, o Deus gracioso, que consola e acolhe, que entende tudo e perdoa tudo, o Deus dito “do novo testamento”. Mas rejeitam o Deus que é santo, justo, que confronta, disciplina e corrige ao filho que ama.
Para esses a justiça é dureza, disciplina parece falta de amor e de compreensão. Parece algo que “não combina com o Deus amoroso que eu sirvo”.
Por outro lado, os legalistas e acusadores que buscam a todo momento formas de se sentirem superiores aos outros, como faziam os fariseus, amam o Deus justo e santo que não pode ver o mal, o Deus que castiga, que corrige e que disciplina, mas rejeitam o Deus que perdoa o pecador e acolhe o cansado.
Para esses, graça é fraqueza, misericórdia é permissividade, perdão é falta de ordem. Esses são os que dizem: “obrigado, Senhor, pois não sou como este publicano”.
O mais cômico de tudo isso é que o erro dessas duas pessoas é o mesmo: Idolatria. O tipo de idolatria mais sutil que pode existir. A idolatria que reduz Deus a um pedaço que confirma suas preferências. E criam um outro Deus pra si.
Deus não está fragmentado, irmãos. Ele é justo, santo, bom, misericordioso e amoroso, tudo isso ao mesmo tempo. Ele expressa seu amor através da sua bondade, da sua misericordia e acolhimento, mas também da sua justiça, disciplina e correção.
Qual é o Deus que você ama? É o Deus que ama, perdoa e acolhe? O Deus que corrige, disciplina e castiga o outro, mas não você porque você é santo demais? Ou você ama o Deus da bíblia, o Deus verdadeiro que é e faz isso tudo ao mesmo tempo?
Talvez alguns de vocês se perguntem, mas como que Deus pode castigar, mandar juízo, às vezes até mesmo matar, e isso ser uma expressão do seu amor? Vamos ver com detalhes isso agora no texto de Amós que lemos na nossa introdução.
TÓPICO 2 — O juízo amoroso
TÓPICO 2 — O juízo amoroso
Amós 9 tem duas etapas evidentes, do versículo 1 ao 10 o juízo vem como um tufão, destruindo tudo o que encontra pela frente, depois, do versículo 11 ao 15 uma promessa bela, amorosa e terna de restauração de Israel.
Ninguém escapa do juízo de Deus
Ninguém escapa do juízo de Deus
'1 Vi o Senhor junto ao altar, e ele disse: “Bata no topo das colunas para que tremam os umbrais. Faça que elas caiam sobre todos os presentes; e os que sobrarem matarei à espada. Ninguém fugirá, ninguém escapará. '
Amós 9:1
Amós fala sobre uma das suas cinco visões, todas visões de juízo, mas definitivamente essa é a mais dura, a mais pesada. Um templo inteiro caindo sobre as cabeças das pessoas abaixo, uma cena que lembra bem algo que já aconteceu com o povo filisteu nas mãos de Sansão, mas agora é direcionada a Israel, ao povo de Deus.
E mais, mesmo aqueles que escaparem, serão mortos à espada que aqui é, possivelmente uma referência a uma invasão de um povo externo que matará o restante do povo, mas que Deus faz questão de deixar claro que ele mesmo está usando esse povo inimigo como instrumento da sua justiça.
O texto continua com uma cena que é absurda e impossível. O versículo 2 diz:
'2 Ainda que escavem até às profundezas (sheol), dali a minha mão irá tirá-los.
Amós 9:2a
As profundezas a qual Amós se refere aqui é a sepultura, o sheol, que é a palavra usada para descrever o reino dos mortos e o texto nos mostra uma cena de alguém cavando com as mãos para chegar ao reino dos mortos, um nível de desespero tão grande onde a pessoa prefere tentar morrer pelas próprias mãos do que enfrentar o que está a sua frente, mas o que está a sua frente é o juízo inescapável de Deus.
Esse verículo resume perfeitamente os quatro primeiros versículos de Amós 9. Não há para onde fugir do juízo do Deus vivo, nem subindo ao topo do monte Carmelo, nem no mais profundo mar, nem subindo ao próprio céu ou buscando fuga para o exílio, nem mesmo na própria morte.
“Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!” diz Hebreus 10.31. E para deixar isso evidente, sem nenhuma sombra de dúvida, Amós termina o versículo 4 dizendo:
Vou vigiá-los para lhes fazer o mal e não o bem
Isso não é simbólico, não é metafórico. Esse é o juízo real e inescapável do Deus, e o versículo 10 nos mostra para quem é esse juízo:
todos os que dizem:‘A desgraça não nos atingirá nem nos encontrará’.
Aqueles, em Israel que olhavam para a escolha de Deus, para o fato de serem, dentre todos os povos, o povo escolhido de Deus e viam isso como salvo conduto para a sua arrogância e permanência no pecado.
Como você se vê? Como um pecador que carece da misericórdia de Deus, ou como um escolhido que não pode ser tocado?
Você olha no espelho e vê um crente em Jesus, que por ser crente é privilegiado, por ser crente é superior, que por vezes usa o fato de Deus ser amoroso e perdoador para pedir perdão e depois continuar no mesmo erro? Se esse é você, cuidado porque você se encontrará com Deus e não será como pai, mas como juíz.
Mas como dissemos no começo, essa não é apenas uma história de juízo, mas de amor por meio do juízo.
A esperança em meio a quebra da aliança
A esperança em meio a quebra da aliança
No versículo 8 o Senhor mostra um lampejo de esperança em meio ao seu juízo:
'8 “Sem dúvida, os olhos do Senhor, o Soberano, se voltam para este reino pecaminoso. Eu o varrerei da superfície da terra, mas não destruirei totalmente a descendência de Jacó”, declara o Senhor. '
Amós 9:8
Alguns olham para os primeiros versículos que lemos e veem somente dureza, juízo e condenação, no entanto o que acontece nesses versículos é Deus sendo fiel à sua palavra, à sua aliança com Israel.
Nós costumamos pensar em aliança como os votos que fazemos no matrimônio, ou como o próprio casamento em si. Votos lindos, promessas de amor e fidelidade para a vida toda, mas esquecemos que quando as pessoas se casam assinam um contrato, um pacto, um DOCUMENTO.
Aliança é um documento legal, judicial, um contrato que carrega cláusulas de obrigação de ambas as partes e cláuslas de quebra de contrato. A aliança de Deus com Israel também funcionava dessa mesma forma.
Todas as maldições e castigos ditos por Amós nos versículos 1 a 4 são cláusulas evidentes da quebra da aliança de Deus com seu povo e todas elas estão claramente descritas em Levítico 26, Deuteronômio 4 e Deuteronômio 28.
Leia comigo alguns versículos que mostram essas cláusulas:
14“Mas, se vocês não me ouvirem e não puserem em prática todos esses mandamentos, 15 e desprezarem os meus decretos, rejeitarem as minhas ordenanças, deixarem de pôr em prática todos os meus mandamentos e forem infiéis à minha aliança, 16 então assim os tratarei:
Levítico 26:14-16.a
'24 eu mesmo me oporei a vocês e os castigarei sete vezes mais por causa dos seus pecados. 25 E trarei a espada contra vocês para vingar a aliança. Quando se refugiarem em suas cidades, eu lhes mandarei uma praga, e vocês serão entregues em mãos inimigas. '
Levítico 26:24-25
'42 Enxames de gafanhotos se apoderarão de todas as suas árvores e das plantações da sua terra. '
Deuteronômio 28:42
'49 “O Senhor trará de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês como a águia em mergulho, nação cujo idioma não compreenderão, 50 nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços. '
Deuteronômio 28:49-50
Percebam que não somente o que acontece em Amós é visto nesses textos, mas em todos os outros livros proféticos pelos quais temos transitado até hoje nesta série.
Amós e os outros profetas são apenas os agentes do judiciário que chegam para mostrar que o povo estava sendo indiciado pelos seus crimes e quebras da aliança com o Senhor, mas mesmo em meio ao claro desrespeito e quebra do pacto por parte de Israel, Javé ainda é Deus misericordioso e justo.
O versículo 8 é o ápice da reunificação da nossa visão de Deus, é a forma mais gritante da bíblia sagrada nos provar que que o Senhor não cabe nas nossas caixinhas, nas nossas categorias e nas nossa fragmentações.
No mesmo versículo Deus promete varrer da terra o reino pecaminoso de Israel, mas também demonstra sua misericória dizendo que não destruirá totalmente a decendência de Jacó, e ele o faz também pois é fiel a sua palavra.
Ele prometeu ao povo que se fossem fiéis à aliança, eles seriam abençoados em Deuteronômio 28, mas também prometeu ao povo que haveria maldições caso fossem desobedientes ao pacto que fizeram com Deus no mesmo capítulo de Deuteronômio.
Mas ele não fez apenas essas promessas. Ele prometeu a Abraão fazer dele uma grande nação, prometeu abençoá-lo, engrandecer o seu nome, e que nele, todas as famílias da terra seriam abençoadas, que ele herdaria a terra de Canaã em posse perpétua e que Ele seria o Deus da decendência de Abraão para sempre, e todas essas promessas de Javé a Abraão foram unilaterais, ou seja, Deus não pediu nada em troca, apenas prometeu.
E nós sabemos que ele não homem para mentir, nem filho de homem para se arrepender. Se ele prometeu a Abraão que sua decendência seria perpetuamente seu povo, então ele não poderia destruí-la completamente.
É possível que você pense aqui: “Mas eu também não sou sempre fiel a Deus, eu tenho meus pecados e minha falhas. Também serei castigado pela quebra da aliança?”
Em primeiro lugar, Israel não tinha somente pecado, ele estava constantemente em pecado. O texto chama o povo de “Reino pecaminoso”, ou seja, a nação inteira estava completamente distante de Deus e completamente indiferente à aliança que havia feito com ele.
Se esse é o seu caso, então esteja atento pois o juízo virá sobre você, mas se você é tem sido um crente fiel a Deus que falha como todos nós por vezes falhamos, então a misericórdia de Deus o espera para perdoar seus pecados e te levantar das suas quedas.
Mas há algo de mais belo. Israel quebra a aliança e isso prova para nós, como já sabemos por Romanos 3 que nenhum de nós é capaz de manter os votos com Deus por nossa própria força. Mas a aliança de Deus conosco é como a aliança dele com Abraão, unilateral.
Jeremias 31.31-33 diz:
'31 “Estão chegando os dias”, declara o Senhor, “quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. 32 Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; porque quebraram a minha aliança, apesar de eu ser o Senhor deles”, diz o Senhor. 33 “Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias”, declara o Senhor: “Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo.'
Jeremias 31:31-33
Essa é a aliança firmada em Jesus Cristo, nova aliança no seu sangue, a aliança que não depende de você e nem de mim porque somos fracos e pecadores e se fosse pela nossa força, seríamos como Israel. Essa aliança depende somente dEle, da sua graça e da capacidade que ele mesmo nos dá de crer e nos entregarmos a ele, a aliança que Ele mesmo tatua nos nossos corações, a aliança que diz “Não vem de vós, é dom de Deus”.
Você pode descansar nos braços do pai, sabendo que é ele quem te preserva, é ele quem te dá força pra fazer a sua vontade, é pra ele que você tem que correr quando sentir que não consegue, porque você realmente não consegue, mas a vitória que vence o pecado e mundo não é a sua, a vitória que vence o seu pecado é a cruz de Cristo.
A peneira divina: Esperança em meio ao caos
A peneira divina: Esperança em meio ao caos
O texto segue no versículo 9 dizendo:
'9 “Pois darei a ordem e sacudirei a nação de Israel entre todas as nações, tal como o trigo é abanado numa peneira, e nem um grão cai na terra. '
Amós 9:9
Deus julga Israel pela quebra da aliança, mas seu juízo é como uma peneira que separa para si o remanescente que não o abandonou, que não o desrespeitou, que se manteve fiel a aliança que fez com o Senhor dos exércitos.
No meio de Israel havia outro Israel, no meio do reino de pecadores havia o remanescente que Deus separou para ele. No meio do povo devastado pelo pecado, Deus ainda tinha 7000 que não se dobraram a Baal.
O juízo de Deus vem sobre nós para nos provar, para nos testar, para nos peneirar. As tribulações, as desgraças, os momentos onde parece que Deus está derrubando um teto sobre nós, onde ele usa pessoas, situações, doenças, desespero, perdas, tristeza e tudo o mais que está sob o seu controle, para nos julgar na verdade são a peneira divina que faz uma única pergunta a nós:
“Você é um dos que não se dobraram? Você é um dos que se mantiveram fiéis a aliança que fizeram comigo? Você é um dos que estarão à minha direita ou você é um dos que estarão à minha esquerda?”
Por vezes, Deus nos fará sofrer, nos destruirá para que de nós saia toda a impureza que nos faz ser infiéis a ele e deixar somente aquilo que o agrada. A destruição de Deus é como um mestre de obras que se depara com uma casa mal construída, onde a estrutura é frágil e ruim e decide quebrar tudo e refazer para que no fim a casa esteja firme e com o alicerce sólido para a glória de Deus.
Depois da peneira sobram somente os que foram fiéis e a estes Deus traz a promessa de restauração que vem a seguir.
O Deus que ama é o mesmo que restaura
O Deus que ama é o mesmo que restaura
'11 “Naquele dia, levantarei a tenda caída de Davi. Consertarei o que estiver quebrado, e restaurarei as suas ruínas. Eu a reerguerei, para que seja como era no passado, 12 para que o meu povo conquiste o remanescente de Edom e todas as nações que me pertencem”, declara o Senhor que realizará essas coisas. 13 “Dias virão”, declara o Senhor, “em que a ceifa continuará até o tempo de arar, e o pisar das uvas até o tempo de semear. Vinho novo gotejará dos montes e fluirá de todas as colinas. 14 Trarei de volta Israel, o meu povo exilado, eles reconstruirão as cidades em ruínas e nelas viverão. Plantarão vinhas e beberão do seu vinho; cultivarão pomares e comerão do seu fruto. 15 Plantarei Israel em sua própria terra, para nunca mais ser desarraigado da terra que lhe dei”, diz o Senhor, o seu Deus.'
Amós 9:11-15
Algumas bíblias trazem um intertítulo logo antes do versículo 11 que dá a ideia de divisão do texto, ou seja, antes falávamos do dia do juízo, agora falamos de um outro momento, um outro dia, futuro e distante, de restauração, quase como se fosse uma outra visão de Amós, mas o capítulo inteiro é uma única visão de Amós, não duas.
Deus não está fragmentado, ele não julga e castiga e depois se lembra que também ama seu povo e que precisa trazer restauração e cura. Não! Seu juízo veio para limpar, purificar e preparar o seu povo para receber a restauração que ele faria.
Novamente, é necessário aqui ressaltar a fidelidade de Deus. Da mesma forma como antes falamos sobre o juízo como resultado direto da quebra da aliança descrita em Levíticos e Deuteronômio, aqui também precisamos deixar claro que todas as bençãos descritas também fazem parte da aliança firmada por ele com o seu povo em Levítico 26, Deuteronômio 4 e Deuteronômio 28, os exatos mesmos trechos que descreviam as maldições.
Juízo e restauração convivem em paz e harmonia nesses três textos, da mesma forma como convivem em plena comunhão na pessoa de Deus.
O final do versículo 4 é doloroso e indigesto, ele diz: “Vou vigiá-los para lhes fazer o mal e não o bem”. Deus deixa claro que é ele quem julga, é ele quem destrói, é ele quem derruba.
Por outro lado o final do versículo 12, no meio da promessa de restauração e cura, Deus diz que ele é “o Senhor que realizará essas coisas”. É ele quem restaura, é ele quem transforma o choro em festa, é ele quem constrói onde destruiu para fazer uma casa ainda melhor, é ele quem levanta aquele que ele mesmo derrubou para nos fazer mais humildes diante do seu poder e da sua graça severa.
Mas há algo ainda mais belo aqui. Em Amós 9.1 Deus dá uma ordem a um ser angelical para derrubar o templo sobre o povo e diz que matará o povo à espada, mas já vimos que essa espada vem de um povo externo, ou seja, Deus usou o inimigo para executar o seu juízo. Nos versículo 2 ao 4 ele mesmo tira o povo da sepultura, do mais alto céu e do monte Carmelo, mas ele dá ordem à uma serpente marinha para ferir os que fogem do seu juízo.
O juízo de Deus se expressa ora pela ação direta de Deus ora pela ação dos seus agentes de juízo. Pragas, natureza, inimigos, nações e tudo o que está sob o seu domínio e poder, ou seja, todas as coisas.
Mas nos versículos 11 ao 15 onde o Senhor faz sua promessa de restauração de Israel, ele diz: “EU levantarei, EU repararei, EU levantarei, EU restaurarei, EU Faço estas coisas”.
Amós 9 nos mostra que Deus não tem prazer em julgar. Ele por vezes usa seus agentes para trazer o juízo ao povo que precisa ser disciplinado, como um pai que chora enquanto ou depois de disciplinar seu filho com uma palmada.
O prazer de Deus está em demonstrar seu amor por nós, em nos restaurar e em nos curar. Quando se trata de demonstrar sua misericórdia e carinho por nós, ele faz questão de descer de seu trono e fazer isso com suas próprias mãos graciosas.
O Deus que ama é o Deus que julga e seu juízo é a forma mais severa e devastadora do seu amor, provavelmente a forma que nós menos gostamos, mas que se não entendermos que ele é único em todos os seus atributos, estaremos sendo idólatras e criando um outro deus para nós.
TÓPICO 3 - O Deus verdadeiro é um Deus inteiro.
TÓPICO 3 - O Deus verdadeiro é um Deus inteiro.
O Deus que amamos é um Deus inteiro. Ele é amor E justiça. Ele disciplina E mostra misericórdia. Ele não é o Deus que criamos, ele é o Deus que nos criou a sua imagem e semelhança.
Nós fragmentamos a Deus porque assim ele pode ser negociado, ignorado, usado, assim podemos ecolher o que nos agrada e o que desprezamos. Mas Amós nos mostra que fragmentar a Deus é só uma demonstração do quão fragmentado está o nosso coração.
Entender o inteireza de Deus, sua completude e assumir nossa humilhação que não é capaz de compreender completamente a grandeza dele, é o primeiro passo para a restauração que ele fará em nós.
O Deus fragmentado cabe no nosso controle, mas o Deus verdadeiro, inteiro, é o Senhor que exige o controle de nós.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
O que nós vimos hoje aqui foi um espelho. Um espelho quebrado, fragmentado que nos mostra o quão quebrado estamos quando tentamos fragmentar o próprio Deus.
No fim há uma pergunta que ecoa: “Quais partes de Deus você tem evitado e quais você tem amado?”.
Temos visto os juízos de Deus como algo que não pode vir dele porque não aceitamos essa face de Deus? Temos amado o Deus que julga os outros porque assim nos sentimos superiores e privilegiados?
Qual parte de Deus a sua auto idolatria tem transformado em ídolo pra si?
Deus nos convida hoje, através de Amós, a receber disciplina como um sinal de filiação, porque ele disciplina a quem ama. Ele nos convida a abandonar as caricaturas de Deus que criamos a nossa imagem e semelhança.
Ele nos convida hoje a descansar por saber que mesmo os momentos maus estão sob o seu controle, mesmo a disciplina que vem sobre nós está nas suas mãos.
Ele nos convida a cair em seus braços quando pecamos, sabendo que há perdão e misericórdia para aqueles que o amam por completo, mas nos alerta que há juízo e condenação para aqueles que criam um outro deus para si.
Mas acima de tudo, ele nos convida a voltar a dorar o Deus inteiro. O que nos ama e acolhe, mas também o que nos disciplina e corrige.
Em nome de Jesus,
Amém!
