Criados com Propósito
SEM FILTROS • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução
Introdução
Boa noite, GABS! Tudo bem com vocês? Para quem está chegando agora ou talvez não tenha acompanhado desde o início, nós estamos na nossa série de mensagens chamada “Sem Filtros”. A proposta dessa série é simples, mas profunda: olhar para a vida sem máscaras, sem personagens, sem a necessidade de parecer algo que não somos. É uma conversa franca sobre quem nós somos, quem Deus é e qual é o verdadeiro sentido da nossa existência. Porque só descobrimos quem realmente somos quando olhamos para nós à luz de quem Deus é.
Hoje damos continuidade a essa caminhada falando sobre propósito — um assunto que, vira e mexe, tira o sono de qualquer um. A pergunta de um milhão de reais: “E aí, qual é o seu propósito na vida?” Se essa pergunta já te deu um frio na barriga, relaxa, você não está sozinho. Ela é enorme, pesada, e é totalmente normal se sentir meio perdido diante dela. O problema é que a gente fica tão focado em encontrar a grande resposta, o propósito com “P” maiúsculo, que acaba travando. O medo de escolher a faculdade errada, o emprego errado, de tomar a decisão errada, ou de não ter uma resposta incrível para dar, nos paralisa. A gente fica esperando ter certeza absoluta… e não faz nada. Mas e se a gente estiver fazendo a pergunta errada desde o início?
Antes de qualquer coisa, precisamos definir o que é propósito. Se abrirmos um dicionário, encontraremos significados como meta, objetivo, intenção estabelecida previamente — algo que vem antes da ação. Quando trazemos isso para a Bíblia, percebemos que propósito não é uma invenção humana; é algo que nasce no próprio Deus. Romanos 8.28 nos lembra que “Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com o seu propósito”. Isso mostra que Deus não age de forma aleatória. Ele é intencional.
Ao mesmo tempo, muitas vezes pensamos em propósito apenas de maneira individual: o que eu vou ser, qual carreira seguir, com quem casar, onde morar. E sim, Deus pode direcionar cada pessoa de forma específica. Mas antes de qualquer propósito individual, existe um propósito geral, comum a todos nós. E Eclesiastes 12.13 deixa isso muito claro: “Aqui termina meu relato. Esta é minha conclusão: tema a Deus e obedeça a seus mandamentos, pois esse é o dever de todos.” Esse é o propósito universal do ser humano: temer a Deus, obedecê-lo e, assim, glorificar o seu nome. Essa é a missão principal de todos nós, independentemente da idade, talento ou fase da vida.
Andrew Murray resume isso de forma profunda ao afirmar que este é o único propósito de Deus, o grande obreiro no céu, para que a glória do seu amor, poder e bênção sejam manifestadas; é também o propósito de Cristo, nosso exemplo, e do Espírito Santo, que opera em nós. Quando esse se torna nosso propósito consciente e deliberado, nosso trabalho, nossas decisões e nossa vida inteira passam a ter sentido verdadeiro, e somos conduzidos a uma comunhão viva com Deus.
O agricultor que espera condições de tempo perfeitas nunca semeia;
se ele fica observando cada nuvem, não colhe.
Assim como é impossível entender o caminho do vento ou o mistério do crescimento do bebê no ventre da mãe, também é impossível entender as obras de Deus, que faz todas as coisas.
Semeie pela manhã e continue a trabalhar à tarde, pois você não sabe se o lucro virá de uma atividade ou de outra, ou talvez de ambas.
A luz é doce; como é bom ver o nascer de um novo dia.
Se você chegar à velhice, desfrute cada dia de sua vida. Lembre-se, porém, que haverá muitos dias sombrios. Nada do que ainda está por vir faz sentido.
Jovem, alegre-se em sua juventude! Aproveite cada momento. Faça tudo que desejar; não perca nada! Lembre-se, porém, que Deus lhe pedirá contas de tudo que fizer. Não se preocupe com coisa alguma e mantenha o corpo saudável. Lembre-se, porém, que a juventude, e a vida inteira diante de você, não fazem sentido.
1. O medo me impede de viver o propósito para o qual fui criado
1. O medo me impede de viver o propósito para o qual fui criado
O medo me impede de viver o propósito para o qual fui criado. Salomão nos apresenta a imagem de um agricultor que espera condições perfeitas para semear e, por causa disso, nunca semeia. Ele observa as nuvens, analisa o vento, mas nunca planta; fica na lavoura aguardando um sinal, uma confirmação extraordinária, uma situação perfeita para fazer aquilo que já deveria estar fazendo. No fim, ele não colhe nada. Isso é fruto do medo. O medo paralisa, congela, nos deixa imóveis e impotentes. Por causa do medo, o agricultor deixa de cumprir aquilo que era sua responsabilidade.
Muitas vezes essa também é a nossa situação. Ficamos esperando a circunstância ideal para obedecer ao que Deus já nos ordenou, e essa espera quase sempre tem nome: medo. Medo da reação das pessoas, medo do que vão falar, medo de errar, medo de se expor. E, enquanto esperamos a condição perfeita, deixamos de viver o propósito para o qual fomos criados.
E aqui é importante deixar algo claro: não estamos falando de trabalho, carreira ou de “qual é o meu chamado profissional”. Estamos falando do único propósito que todo ser humano tem — glorificar a Deus acima de todas as coisas e obedecer aos seus mandamentos. Esse é o propósito universal. Todas as decisões da nossa vida deveriam ser avaliadas a partir disso.
Você está em dúvida sobre qual faculdade fazer? Pergunte-se: isso vai fortalecer ou enfraquecer minha caminhada com Deus? Está decidindo entre dois empregos? Qual deles me possibilita viver de forma mais fiel ao Senhor? Muitas das nossas dúvidas parecem complexas, mas se tornam simples quando filtradas pelo propósito correto: qual escolha me ajuda a glorificar mais a Deus?
Gosto muito de uma ilustração que o pastor Lucas usou certa vez. Imagine duas propostas de emprego: em uma, você terá um salário digno, suficiente para sustentar sua família, e ainda terá tempo para servir, congregar e anunciar o evangelho. Na outra, o salário é o dobro, mas você estará sempre ocupado, sem tempo para a igreja, para servir, talvez até envolvido em algo que compromete sua obediência a Deus. A resposta já está dada quando entendemos o propósito.
Não podemos viver esperando que todas as circunstâncias se alinhem para então obedecer, porque aquilo que realmente importa já está alinhado: fomos criados para glorificar a Deus. O problema não é falta de direção, muitas vezes é falta de coragem. Deus não nos deu espírito de covardia. Precisamos agir, obedecer, anunciar o evangelho e honrar o nome de Cristo e a obra que Ele realizou na cruz, custe o que custar.
2. O propósito não depende da minha compreensão
2. O propósito não depende da minha compreensão
Assim como é impossível entender o caminho do vento ou o mistério do crescimento de um bebê no ventre da mãe, também é impossível compreender plenamente as obras de Deus, que faz todas as coisas. O texto continua dizendo: “Semeie pela manhã e continue a trabalhar à tarde, pois você não sabe se o lucro virá de uma atividade ou de outra, ou talvez de ambas.” Quando lemos esse trecho, percebemos que há realidades que não entendemos, mas isso não significa que elas não existam ou que deixem de acontecer. O autor mostra que nem sempre compreendemos o vento, nem conseguimos explicar completamente como, de repente, uma mulher gera em seu ventre outra vida. Da mesma forma, não entendemos totalmente os planos de Deus, porque Ele é eterno, soberano e infinito, enquanto nós vivemos dentro do tempo, somos limitados e temos uma capacidade de compreensão finita.
Quantas vezes coisas acontecem em nossas vidas e não entendemos o porquê? Sabemos que Deus conhece todas as coisas, mas ainda assim começamos a questioná-lo quando enfrentamos situações difíceis ou inesperadas. No entanto, nada disso muda o propósito que todos nós temos. O texto afirma que é impossível entender as obras de Deus que faz todas as coisas e, justamente por isso, devemos continuar semeando de manhã e à tarde. Não temos o controle dos resultados, não sabemos qual esforço trará fruto, mas isso não nos libera da responsabilidade de agir. O autor está dizendo que devemos seguir firmes no propósito, mesmo quando, aos nossos olhos, parece que algo está dando errado. Cristo nunca exigiu de nós compreensão total; Ele nos chama à obediência.
Quando algo acontece e não entendemos o motivo, isso não significa que Deus esteja ausente ou inativo. Significa apenas que somos criaturas. Muitas vezes confundimos falta de entendimento com falta de propósito. Como não enxergamos claramente o que Deus está fazendo, concluímos que talvez não exista plano algum. Como não entendemos por que enfrentamos certas lutas, por que temos determinadas limitações ou por que nossa história é diferente da dos outros, começamos a pensar que talvez tenha havido um erro. Mas o texto não permite essa conclusão. Ele afirma que existe obra de Deus, mesmo quando não conseguimos compreendê-la.
Deus nunca precisou da nossa compreensão para agir. O fato de você não entender sua fase, suas lutas ou até mesmo aspectos da sua personalidade não anula o propósito para o qual foi criado. Você pode não entender por que é mais reservado, por que enfrenta certas batalhas internas ou por que sua trajetória parece diferente da de outras pessoas, mas isso não significa que Deus tenha errado ao te formar. Significa apenas que você não enxerga tudo.
O propósito não nasce daquilo que eu entendo sobre mim, mas daquilo que Deus declarou sobre o ser humano. Fomos criados para viver diante dEle, para temê-lo e obedecê-lo. Esse propósito não depende da minha clareza emocional, da minha maturidade ou da minha autoconfiança; ele depende da soberania de Deus. Quando aceitamos nossa limitação, paramos de exigir respostas para tudo e começamos a confiar. E confiar é parte essencial de viver o propósito. Deus não errou ao te criar, mesmo que você ainda não compreenda totalmente quem é ou o que está vivendo. O fato de você não entender a obra não significa que ela não exista.
3. Minha juventude já está dentro do propósito de Deus
3. Minha juventude já está dentro do propósito de Deus
Nova Versão Transformadora Chapter 11
7A luz é doce; como é bom ver o nascer de um novo dia.
8Se você chegar à velhice, desfrute cada dia de sua vida. Lembre-se, porém, que haverá muitos dias sombrios. Nada do que ainda está por vir faz sentido.
9Jovem, alegre-se em sua juventude! Aproveite cada momento. Faça tudo que desejar; não perca nada! Lembre-se, porém, que Deus lhe pedirá contas de tudo que fizer. 10Não se preocupe com coisa alguma e mantenha o corpo saudável. Lembre-se, porém, que a juventude, e a vida inteira diante de você, não fazem sentido.
Essa é uma das partes mais bonitas do texto. O autor nos chama a aproveitar a juventude, a desfrutá-la. Em algumas versões aparece a frase que muitas vezes ouvimos fora de contexto: “Siga os caminhos do seu coração.” E isso parece estranho, porque a própria Bíblia diz que o coração do homem é enganoso. Então como conciliar essas duas ideias que parecem opostas? A verdade é que elas não são tão opostas assim. O coração do homem, dominado pelo pecado, sem Cristo e sem a direção do Espírito Santo, realmente é enganoso e pode nos levar à destruição. Mas um coração transformado, devoto a Deus, morada do Espírito Santo e alinhado ao propósito para o qual fomos criados, é um coração que teme ao Senhor.
Salomão não está incentivando uma vida irresponsável; ele está reconhecendo que a juventude é um presente. Ele quer que aproveitemos essa fase, que desfrutemos de cada dia. Quando o texto fala que a luz é doce, não está apenas dizendo que viver é algo bom; a ideia é de algo agradável como o mel, algo que se saboreia, que se aprecia. Existe prazer legítimo em viver, em ser jovem, em ter energia, alegria e sonhos. A juventude não é um erro nem um problema a ser corrigido; é uma dádiva a ser vivida.
Mas o texto não para na alegria. Ele acrescenta: “Sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo.” Isso coloca tudo no lugar certo. Podemos desfrutar da vida, mas sempre dentro do propósito de Deus. A alegria da juventude não é liberdade para viver sem direção; é oportunidade para viver conscientemente diante do Senhor.
Se Deus trará a juízo, é porque nossas escolhas importam. Ninguém presta contas por algo que não tem valor. O fato de Deus nos responsabilizar revela que nossa vida tem peso, significado e está inserida em um propósito maior. Juventude não é intervalo entre infância e vida adulta; é parte do processo pelo qual Deus nos forma para viver diante dEle.
Muitas vezes o jovem pensa que propósito é algo para o futuro, para quando “a vida começar de verdade”. Mas Eclesiastes desmonta essa ideia. O propósito não começa quando você se forma, quando casa ou quando define uma carreira. Ele começa agora. Cada decisão, cada relacionamento e cada hábito estão moldando alguém que viverá diante de Deus. Por isso o texto nos chama a afastar do coração o desgosto e remover o mal do corpo. É um alerta para não permitir que amargura, comparação, pecado ou autodepreciação criem raízes e desviem nossa vida do propósito para o qual fomos criados.
Conclusão
Conclusão
Ao longo dessa mensagem vimos que o propósito do ser humano não é descobrir uma carreira perfeita, nem encontrar uma versão ideal de si mesmo. O propósito é claro: temer a Deus e obedecer aos seus mandamentos.
Mas aqui está a grande questão: quem consegue fazer isso perfeitamente?
Se formos honestos, nenhum de nós viveu plenamente para a glória de Deus. Já deixamos o medo nos paralisar. Já questionamos os planos de Deus. Já vivemos nossa juventude como se Ele não estivesse vendo. Já colocamos nosso coração no centro.
E é exatamente aqui que Cristo entra. Jesus é o único homem que viveu o propósito perfeitamente. Ele temeu ao Pai em tudo. Ele obedeceu em tudo. Ele glorificou a Deus em cada decisão, em cada palavra, em cada ação. Onde Adão falhou, onde nós falhamos, Cristo foi fiel.
Ele não apenas nos ensinou o propósito — Ele cumpriu o propósito. E na cruz, Ele levou sobre si a culpa da nossa desobediência. Ele assumiu o peso da nossa falha em viver para Deus. E na ressurreição, Ele nos deu nova vida — não apenas para tentar de novo, mas para viver agora capacitados pelo Espírito.
O propósito universal continua sendo o mesmo: viver para a glória de Deus. Mas agora não vivemos para conquistar aceitação. Vivemos porque já fomos aceitos em Cristo. Então quando dizemos “Deus não errou comigo”, isso não significa que nunca erramos. Significa que o Criador não perdeu o controle da sua criação. Significa que, em Cristo, até nossas falhas são redimidas.
Você não precisa inventar um propósito. Você precisa voltar para o propósito para o qual foi criado. E isso só é possível por meio de Cristo.
Se você está distante, volte. Se você está paralisado pelo medo, confie. Se você acha que sua história é um erro, olhe para a cruz.
Porque o Deus que te criou é o mesmo Deus que enviou o Filho para te restaurar. E quando você vive em Cristo, você finalmente vive o propósito para o qual foi criado.
