O Maior e o Menor

Os Améns de Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Transcript

Introdução

Bom dia a todos!
É uma alegria estar mais um domingo cultuando a Deus com os irmãos.
E se você está nos visitando eu me chamo Guilherme e faço parte da liderança da Urbana.
É um prazer recebe-los aqui.
Bom, na passada quarta feira iniciamos o período da Quaresma.
E talvez alguns aqui nunca tenham ouvido falar, ou tenham apenas uma noção vaga do que seja a Quaresma.
A Quaresma é um período de quarenta dias que antecede a Páscoa criado pela tradição cristã.
Inicialmente, a igreja utilizou esse tempo como período de instrução para pessoas que seriam batizadas na Páscoa.
Com o passar do tempo, se tornou também um período de arrependimento e jejum para toda a comunidade cristã.
E os 40 dias não é por algo místico ou aleatório, há algo simbólico na Bíblia em relação a isso:
1) O povo passou quarenta anos no deserto.
2) Moisés ficou quarenta dias no monte Sinai.
3) Jesus passou quarenta dias no deserto.
E estes acontecimentos estão diretamente associados a um tempo de preparação, provação e dependência.
Então porque a igreja que chamamos de evangélica não celebra estes dias?
A verdade é que ao longo do tempo, na igreja católica, o tempo da quaresma se tornou diretamente ligado ao mérito espiritual.
Um tempo de penitências obrigatórias durante estes dias.
A Reforma Protestante rejeitou qualquer ideia de que dias específicos possuam mérito espiritual intrínseco.
O que eu quero dizer com isso?
- Nenhum dia nos torna mais aceitos diante de Deus.
- Nenhum alimento nos aproxima mais da graça.
- Nenhuma abstinência aumenta o valor da cruz.
Então como Igreja reformada nós rejeitamos:
- Qualquer tipo de superstições ligadas a datas
- A ideia de que jejum move Deus (Como se Deus mudasse de ideia pelo nosso jejum)
- A ideia de haver Qualquer mérito humano na salvação
(PAUSA)
Meus irmãos, pregamos todos os domingos que a cruz de Cristo é suficiente
Cristo não precisa ser complementado pela nossa disciplina
Isso quer dizer que vemos o período da Quaresma como algo ruim?
Não, pelo contrário, vemos esse período como um tempo intencional de:
- Examinar o nosso coração (Eis um dos motivos que faremos a ceia todos os domingos até o domingo de Páscoa)
- Reafirmar o arrependimento que fizemos publicamente
- Relembrar os fundamentos da nossa fé
Então esse período é para nos preparar para celebrar a Páscoa com consciência renovada!
A Quaresma, quando entendida corretamente, não é sobre o que fazemos por Deus, e sim sobre recordar o que Deus fez por nós em Cristo.
E é exatamente isso que queremos fazer,
Durante essas semanas, vamos olhar para algumas das declarações mais solenes que Jesus faz nos Evangelhos.
Nessas declarações, Jesus começa a frase dizendo algo como: “Em verdade vos digo…” ou “Eu lhes digo a verdade…”
No original, essa palavra é: Amém.
Nos Evangelhos, quando Jesus quer dizer algo de extrema importancia,
Ele começa com uma declaração: “Amém”
Não é o “amém” que dizemos no final da oração, é um “amém” colocado no início da frase, e isso era a forma mais solene possível de afirmar algo. Era como se Jesus dissesse: “Atenção ao que vou dizer, Isso é extremamente importante”
E ao longo dessas semanas, nós não vamos começar perguntando o que precisamos fazer por Deus.
Vamos ouvir que Jesus afirma, com autoridade, sobre sua própria obra, sua morte, seu Reino e nossa salvação.
Se a Quaresma tiver algum sentido para nós, será este:
Menos foco na nossa disciplina, mais atenção às declarações de Cristo.
Menos preocupação com o que oferecemos, mais confiança no que Ele prometeu.
E eu gostaria de ler com os irmãos nessa manhã o texto que está em Mateus 11.11–15:
“Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.”
Essa é a palavra de Deus -> Oração
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Se você estava aqui durante a série que fizemos em Livro de Malaquias, nós vimos quem era João Batista.
Malaquias é o último livro do Antigo Testamento e ele encerra o período profético apontando para algo que ainda viria.
No capítulo 3, lemos:
“Eis que envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim.”
Séculos de silêncio se seguem até que no Novo Testamento, essa promessa ganha um rosto.
O mensageiro tem nome: João Batista.
Ele é aquele que preparou o caminho. Ele é aquele que chamou o povo ao arrependimento. Ele é aquele que apontou para Cristo e declarou:
“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.”
Mas quando chegamos a Mateus 11, vemos um João que não está mais pregando no deserto.
Ele está preso.
O homem que anunciou o juízo iminente, agora tem de experimentar o silêncio e espera.
E é nesse contexto que ele envia discípulos no versículo 3 para perguntar a Jesus:
“És tu aquele que estava por vir ou devemos esperar outro?”
Isso chega ser surpreendente,
Porque foi esse João quem batizou Jesus lá no capítulo 3.
Foi esse João quem viu o Espírito descer.
Foi esse João quem ouviu a voz do céu.
Meus irmãos, o maior profeta da antiga aliança está em tensão.
E é fácil nós entendermos o porque:
Porque ele esperava um Messias que julgasse imediatamente.
Ele pregou que o machado já estava à raiz da árvore.
Ele anunciou que o Messias viria com pá na mão para limpar a eira.
Mas Jesus meus irmãos, Ele está:
Curando cegos.
Ele está fazendo coxos andarem.
Ele está pregando aos pobres.
E talvez, na prisão, João estivesse pensando:
“Como assim? O Messias prometido vai libertar o povo curando cegos? Vai estabelecer o Reino pregando aos pobres?”
A realidade é que O Reino chegou, Mas não da forma que João imaginou.
E é interessante que Jesus não responde com uma explicação política,
Ele responde com as Escritura. Ele aponta para Isaías.
E só depois de responder à dúvida de João, Ele se volta à multidão e diz:
“Entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João…”
E ao se voltar à multidão, Jesus impede qualquer interpretação errada sobre João,
porque a resposta claramente nos mostra que:
Jesus está defendendo a autoridade de João,
Evitando que a multidão interprete a dúvida dele como um fracasso,
Reafirmando o papel profético de João.
E meus irmãos, pensem comigo: Quantos de nós, se não todos, não fariamos a mesma coisa no lugar de João?
(PAUSA)
Mas Jesus ainda acrescenta algo mais surpreendente, ele diz:
“…e o menor no Reino dos céus é maior do que ele.”
Aqui temos que ter algo claro, porque,
Jesus não está fazendo uma comparação de caráter,
Ele não está dizendo que João era menos santo ou querendo diminui-lo.
Ele está marcando uma transição na história da redenção.
João representa o auge da promessa,
Mas nós vivemos no cumprimento dela.
E isso nos traz uma responsabilidade gigante,
Porque se o menor no Reino é maior do que João,
então nós vivemos com um privilégio que João nunca experimentou plenamente.
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João anunciou a cruz, ele viu o Cordeiro, pregou o arrependimento à luz da promessa. Nós vivemos depois da cruz, nós conhecemos o Cordeiro crucificado e ressuscitado, nós vivemos à luz da obra consumada.
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Nós hoje temos mais entendimento e clareza do que João.
É um privilégio de fato, mas que aumenta muito a nossa responsabilidade.
E não sou eu quem digo isso, é a própria palavra de Deus:
O autor de Hebreus diz:
“Convém nos atentar com mais diligência para as coisas que temos ouvido… Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”
Meus irmãos, vocês conseguem perceber o peso disso?
Se aqueles que receberam a revelação antiga foram responsabilizados por desprezá-la,
quanto mais nós que vivemos do lado da cruz?
E Como nós estamos vivendo a luz disso?
Porque o perigo do nosso tempo não é rejeitar essa revelação, É negligência-la.
É passarmos os nossos dias, quando voltamos para as nossas casas, e vivermos como se Jesus não existe.
No nosso trabalho
Nos nossos afazeres
Nas nossas decisões
Nas nossas prioridades
Isso não é negar a fé com palavras, é ignorar-la.
E há uma diferença entre nós e João diante disso, porque:
João estava disposto a perder a cabeça por aquilo que ele apenas anunciava.
Mas nós, que temos a revelação plena, muitas vezes não estamos dispostos nem a perder conforto.
SEQUENCIA DE CONFRONTAMENTO
Não queremos perder o conforto da nossa reputação:
Quando sabemos o que a Bíblia diz, mas ficamos em silêncio para não parecermos radicais demais.
(PAUSA)
Não queremos perder o Conforto da nossa rotina:
Então Passamos a semana inteira trabalhando, resolvendo problemas, correndo atrás de metas…
e Cristo? Aonde Ele entra nas nossas decisões?
(PAUSA)
Não queremos perder o Conforto financeiro (sempre um assunto delicado né?):
Mas passamos a confiar mais na estabilidade do que na providência de Deus.
Vemos um irmão passar dificuldade, podemos ajudar e não fazemos, porque pensamos que pode faltar no futuro.
(PAUSA)
Não queremos perder o Conforto moral:
Aqueles pequenos pecados que a gente aceita, sabe?
Aquele “ajustezinho” para pagar menos imposto, afinal a gente paga muito né? Não é justo.
Isso é negligenciar a revelação de Cristo, meus irmãos!
Mas entenda uma coisa:
A mesma cruz que aumenta nossa responsabilidade,
é a cruz que cobre a nossa negligência quando nós nos arrependemos.
O texto não está aqui para nos esmagar,
Ele está nos chamando para nos arrependermos.
Se hoje o Espírito Santo te incomodou nestas áreas de conforto na sua vida,
Se arrependa e mude de atitude.
João teve dúvidas, mas ele levou elas até Jesus e encontrou resposta.
A nossa negligencia é resolvida, quando com humildade vamos aos pés da cruz e
dizemos: Eu sou falho, Jesus me perdoa e transforma o meu coração.
Porque o Reino de Deus não é para pessoas perfeitas e certinhas,
são para aqueles que se arrependem e vivem na graça que transforma.
(PAUSA-AGUA)
E o versículo 12, Jesus continua dizendo assim:
¹² Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e os que usam de força se apoderam dele.
Em algumas versões o texto diz assim:
¹² Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.
Esse é um dos versículos mais difíceis de se interpretar, até mesmo no original. Teólogos renomados divergem sobre qual seria a melhor forma de traduzir esse texto.
Mas uma coisa é certa:
Jesus não está ensinando que salvação é conquistada por esforço humano.
Ele não está dizendo que, se você se esforçar o suficiente, você alcança o Reino pelas suas obras.
Eu vou fazer bem a todo mundo, porque assim eu consigo um lugarzinho no céu.
Isso contradiz tudo o que o próprio Evangelho ensina.
Se olharmos para o contexto, João está preso nesse exato momento. O homem que anunciou o Reino está sofrendo oposição por causa dele.
E Jesus também já sabia que o seu próprio ministério também enfrentaria resistência.
Ele sabia que seria rejeitado.
Sabia que seria condenado.
Sabia que morreria na cruz.
Desde que o Reino começou a se manifestar publicamente, ele encontrou violência.
Meus irmãos, não se enganem com um evangelho que promete conforto constante.
Não se enganem com esse discurso que diz:
“Determine que Deus vai te dar.”
“Tudo o que você pedir, você vai receber.”
“Deus vai realizar todos os seus sonhos.”
Isso seria maravilhoso se fosse verdade.
Mas a realidade bíblica é outra:
João Batista está preso e prestes a ser decapitado.
Jesus será condenado e morto.
Os apóstolos sofreram perseguição e martírio.
Se lermos Hebreus 11.35–37 vamos compreender exatamente o que Jesus quer dizer:
“... Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados”
Porque é que no nosso tempo isso seria diferente?
Você poderá ser odiado no seu trabalho por falar de Cristo
A sua familia pode não querer estar perto de você por causa de Cristo
Você poderá perder amigos
O Reino de Deus não avança sem confronto.
Se João sofreu violência por anunciar o Reino,
não deveríamos esperar que viver sob esse Reino seja confortável.
Então qual seria a nossa esperança?
Ainda que o Reino tenha sofrido sua maior violência na cruz,
foi ali mesmo que a vitória foi garantida.
A cruz não foi o fracasso do Reino. Foi o seu triunfo.
Você não precisa sustentar o Reino com as suas próprias forças. Cristo já venceu por nós.
E ainda que estejamos expostos a conflitos, a cruz nos assegura a vitória final.
Porque o Reino pode sofrer violência,
mas jamais será derrotado.
E nos versículos 13 e 14, Jesus continua dizendo:
¹³ Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.
¹⁴ E, se vocês o querem reconhecer, ele mesmo é Elias,que estava para vir
Essa frase não significa apenas que “João é o último profeta”.
Jesus está afirmando que,
Toda a revelação anterior tinha uma direção.
A Lei não era apenas mandamento.
Os Profetas não denunciavam apenas a conduta do povo,
Eles apontavam pra Cristo.
A história de Israel não era feita por ciclos, era progressiva.
Desde Gênesis 3:15, desde Abraão, desde Davi, desde Isaías, tudo estava apontando para o Messias.
E Jesus está dizendo:
Esse movimento profético chega ao seu ponto máximo em João Batista.
Os profetas viram à distância, masJoão viu Cristo de perto.
Os profetas anunciaram o que viria, mas João apresentou o Messias.
Isso faz dele o maior da antiga ordem.
E Jesus fala: “Até João”
Essa expressão é interessante porque,
Não significa que a Lei acabou.
Significa que a a expectativa agora acabou
João é a linha que divide a história da redenção.
É como se ele tivesse:
Com um pé no Antigo Testamento.
E outro já no Novo.
Ele viu o Messias chegar,
mas não viu a cruz consumada.
Não viu o túmulo vazio.
Não viu o Espírito sendo derramado.
Por isso ele é grande,
porque foi o último e maior dos profetas da promessa.
Mas o menor no Reino é maior,
porque vive do lado da obra concluída.
Isso não nos faz melhores do que João,
Apenas nos coloca em uma posição mais privilegiada.
Não somos superiores em fé,
Apenas somos mais privilegiados por termos a plena revelação.
E Jesus inicia o versiculo 14 confrontando o povo:
“E, se vocês o querem reconhecer”
Mais uma vez, Jesus usa das escrituras para mostrar ao povo a profecia.
Ele vai citar diretamente o livro de Malaquias no Capitulo 4:5.
Jesus estava mostrando tudo para eles,
não precisava de mais evidencias,
Eles estavam rejeitando claramente a profecia.
E Jesus conclui: “E, se vocês o querem reconhecer, ele mesmo é Elias,que estava para vir”
Aqui que fique claro meus irmãos,
Jesus não está falando que Elias reencarnou em João Batista,
Até porque lá em João 1.21 quando João Batista é indagado “Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou.”
Ele afirma não ser Elias, mas em Lucas 1.17 conseguimos compreender exatamente qual era a intenção de Jesus:
João Batista cumpria o seu ministério “no espírito e poder de Elias”
Mesma coragem. Mesma confrontação. Mesma denúncia. Mesmo chamado ao arrependimento antes do juízo.
Elias confrontou Israel antes do juízo. João confronta Israel antes do Messias.
E não se enganem em achar que Jesus estava contando algo novo para aquele povo,
Tudo que Jesus estava dizendo eles já sabiam,
Não tinha nada de novo.
Conhecer a Escritura não garante submissão.
Você pode saber um monte de versículos.
Pode estudar teologia a sua vida inteira.
E ainda assim resistir quando Deus confronta seu pecado.
A gente lê a Bíblia, Deus fala claramente a nós e ainda assim, ignoramos, resistimos.
Muitas vezes rejeitamos a forma como Deus age
porque não corresponde às nossas expectativas.
Nós Esperamos que Deus nos dê:
Respostas rápidas.
Milagres visíveis.
Transformações espetaculares na nossa vida.
Mas Deus está trabalhando:
Em silêncio.
No ordinário.
Pela Palavra.
através do arrependimento.
Então se Deus não age como imaginamos, corremos o risco de não reconhecer a Ele.
Se vivemos assim, corremos o risco de ao sermos confrontados,
não ajustarmos o rumo da nossa vida e sim a interpretação.
E Jesus conclui esse bloco no versículo 15 falando:
¹⁵ Quem tem ouvidos para ouvir, ouça
Essa frase é um encerramento que funciona como um selo sobre tudo o que Jesus acabou de declarar.
Depois de afirmar que João é o ponto alto da expectativa profética,
que ele cumpre a promessa de Elias e
que a história da redenção entrou numa nova fase,
Jesus não acrescenta mais nenhum argumento.
Ele simplesmente transfere o peso da questão para os ouvintes.
Jesus não está questionando a capacidade de ouvir da multidão,
Até porque, obviamente todos ali tinham ouvidos físicos.
O que está em jogo aqui é o discernimento espiritual.
Quando Jesus diz: “quem tem ouvidos”,
Ele sugere que nem todos, de fato, possuem essa disposição de escutar.
A frase de Jesus revela uma realidade de que o problema nunca foi ausência de informação, mas sim a resistência do coração deles.
Ouvir, no contexto bíblico, nunca foi um ato meramente auditivo.
No pensamento hebraico, ouvir implicava também responder.
O “Ouve, Israel” “Shema” de Deuteronômio não era um convite à uma escuta passiva,
era um convite à submissão integral a Deus.
Assim, quando Jesus diz “ouça”, Ele está convocando aquela multidão para que se renda.
Jesus encerra o seu argumento com uma divisão muito clara:
há aqueles que simplesmente escutam e permanecem da mesma maneira que estavam, e
há aqueles que ouvem e se submetem a Ele.
A diferença não está na clareza da mensagem, mas na condição do coração.
E meus irmãos, a revelação, quando é ignorada, ela não permanece neutra.
Ela aumenta a responsabilidade.
Depois que João foi identificado como o Elias prometido,
e do Reino ser declarado presente,
permanecer indiferente não é apenas uma opção, é uma posição diante de Deus.
E nós? Ficaremos indiferentes a essa revelação?
Você que tem vindo todos os domingos, que escuta a Palavra, que conhece os textos, mas não se posiciona, não tem, de fato, escutado o que Deus tem dito.
Então, permanecer indiferente diante da cruz É recusar o maior ato de graça já revelado.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça
e olhe para a cruz.
(PAUSA)
Neste primeiro domingo da Quaresma, somos novamente convidados à mesa do Senhor. Convidados a nos aproximar não por hábito, mas com o coração despertado para o que esta mesa significa.
Este período nos chama à sobriedade, à consciência do pecado, à memória da cruz.
E por isso, antes de participar da mesa, somos chamados a refletir: sobre o Cristo que se entregou, sobre o custo da nossa redenção, sobre a seriedade de permanecer indiferente diante de tão grande salvação.
Aqui somos lembrados de que o corpo foi entregue por causa do nosso pecado, e de que o sangue foi derramado porque a nossa culpa exigia expiação.
E por isso, vir à mesa sem discernir isso é trazer juízo para si.
O apóstolo Paulo escreve em 1 Coríntios 11:
(leitura bíblica)
Você discerne o corpo de Cristo? Você reconhece a gravidade do seu pecado? Você confia, de fato, na suficiência da cruz?
Vamos agora ter um breve momento de silêncio diante de Deus, para que cada um examine o seu próprio coração.
(pausa real de 20–30 segundos)
Para aqueles que olham para a cruz e sabem que nada têm a oferecer, para aqueles que reconhecem sua culpa e se refugiam somente em Cristo, esta mesa é graça.
Aqui na Urbana, não impomos requisitos externos, como o batismo, para que alguém participe da Ceia. Cada pessoa é chamada a examinar o seu próprio coração diante de Deus.
E como sabemos se podemos participar? Nós lemos o Credo porque ele resume aquilo em que cremos. Ao confessá-lo com fé verdadeira, declaramos o mesmo evangelho que esta mesa anuncia.
Convido os irmãos a ficarem de pé para lermos juntos o Credo Apostólico.
(Credo)
Por isso, se hoje você se achega a Cristo com arrependimento sincero e fé no evangelho, então venha.
Não porque é digno, mas porque Ele é.
Comamos e bebamos em memória daquele que foi entregue por nós.
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