O QUE FAZER NOS DIAS DE DEVASTAÇÃO?
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LEITURA DO TEXTO
LEITURA DO TEXTO
Quando a alegria seca, os recursos falham e o futuro parece ameaçado, Deus não fica em silêncio — Ele chama o Seu povo a responder espiritualmente.
Ouçamos agora a Palavra do Senhor em Joel 1.13–20.
¹³ "Sacerdotes, vistam roupa feita de pano de saco e pranteiem. Ministros do altar, lamentem. Ministros do meu Deus, venham e passem a noite vestidos de panos de saco. Porque no templo de seu Deus não há mais ofertas de cereais e libações.
¹⁴ Proclamem um santo jejum, convoquem uma reunião solene. Reúnam os anciãos e todos os moradores desta terra na Casa do Senhor, seu Deus, e clamem ao Senhor."
¹⁵ "Ah! Que dia! Porque o Dia do Senhor está perto e ele vem como destruição da parte do Todo-Poderoso."
¹⁶ Por acaso, o alimento não foi destruído diante dos nossos olhos? E, do templo do nosso Deus, não desapareceram a alegria e o regozijo?
¹⁷ As sementes secaram debaixo dos seus torrões; os celeiros foram destruídos, os armazéns, derrubados, porque o cereal se perdeu.
¹⁸ Como geme o gado! As manadas de bois estão inquietas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão sofrendo.
¹⁹ A ti, ó Senhor, clamo, porque o fogo devorou as pastagens, e as chamas consumiram todas as árvores do campo.
²⁰ Também todos os animais selvagens suspiram por ti, porque os rios secaram, e o fogo devorou as pastagens.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Onde você estava em meados de março de 2020? Consegue se lembrar da notícia: “no próximo domingo não poderemos ter o culto público, em função do lockdown em todo o país”. Daí por diante, a principal hashtag na internet, nas redes sociais e na TV era: FIQUE EM CASA.
Não precisamos voltar muitos séculos para ilustrarmos um evento semelhante ao descrito em Joel 1. Há poucos anos, o mundo inteiro desacelerou por causa de um vírus invisível. Hospitais lotados, fronteiras fechadas, funerais sem despedidas. A própria Organização Mundial da Saúde declarou emergência global. Nossa geração, que se orgulha da tecnologia e do avanço científico, foi lembrada de algo simples e desconfortável: não temos o controle que imaginamos ter. Em questão de semanas, agendas foram canceladas, certezas abaladas e o futuro ficou incerto. Foi um daqueles momentos em que a humanidade foi obrigada a olhar para cima — ou para dentro — e perguntar: o que realmente sustenta nossa vida? Ou quem?
Transição para Joel
Joel descreve um momento assim para Judá. A crise que eles enfrentavam desmontava suas seguranças e expunha sua dependência. E, diante disso, Deus não os chama primeiro a estratégias, mas a consagração, jejum e clamor.
É exatamente isso que vamos ver agora em Joel 1.13–20 — o que Deus espera do Seu povo quando tudo parece ir de mal a pior.
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
EXPOSIÇÃO DO TEXTO
1- O JUÍZO COMEÇA NA CASA DE DEUS
1- O JUÍZO COMEÇA NA CASA DE DEUS
¹³ "Sacerdotes, vistam roupa feita de pano de saco e pranteiem. Ministros do altar, lamentem. Ministros do meu Deus, venham e passem a noite vestidos de panos de saco. Porque no templo de seu Deus não há mais ofertas de cereais e libações.
No Novo Testamento, todos os salvos por Cristo Jesus são, segundo 1Pedro 2.9, “sacerdócio real”, ou seja, somos representantes do Rei dos reis aqui neste mundo. Não estamos cumprindo a mesma função sacerdotal dos dias dos tabernáculos de Moisés e de Davi, nem nos dias do Templo antes e depois do exílio de Babilônia, nem mesmo nos dias de Jesus; estamos cumprindo uma função sacerdotal que é unida ao próprio Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, que é o próprio Senhor Jesus Cristo. Leia comigo Hebreus 4.14-16:
Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.
E ainda podemos ver em Hebreus 5.1-10
Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados, e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. E, por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo. Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão. Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse:
Tu és meu Filho, eu hoje te gerei;
como em outro lugar também diz:
Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.
Você consegue perceber que o sacerdote, no nosso contexto da Nova Aliança, não oferece dons nem mesmo sacrifícios pelos pecados, mas, gratuita e graciosamente, é beneficiado pelo Sumo Sacerdote Jesus que realizou o sacrifício definitivo pelo seu pecado e também pelo pecado do povo que ele elegeu antes da fundação do mundo, bem como rogou ao Pai e este enviou o Espírito Santo que concede a este sacerdote real e real no sentido de realeza (que sou eu e você), o Pai e o Filho nos deram do Seu Santo Espírito para que possamos receber dons espirituais que nos ajudarão a cumprir esse nosso sacerdócio que implica em representarmos o reino de Deus aqui na terra.
Se somos representantes, temos uma grande responsabilidade e prestaremos contas do que nós fizermos com os dons e a graça salvadora que recebemos.
Sendo assim, fica inevitável não nos lembrarmos de 1Pedro 4.12-19
Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome. Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador? Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.
NO DIA DA CALAMIDADE, DA ANGÚSTIA E DA DOR, QUANDO JÁ NÃO VEMOS MAIS A GLÓRIA DE DEUS SOBRE NOSSA VIDA, CASAMENTO, FAMÍLIA, FILHOS, TRABALHO, SOCIEDADE OU IGREJA, É TEMPO DE CHORAR, LAMENTAR E SE HUMILHAR DIANTE DO SANTO E JUSTO DEUS.
Do que vai adiantar murmurar ou reclamar? Falar mal ou criticar? Emitir opinião nas redes sociais ou nos corredores da igreja ou na sala de casa? Do que vai adiantar falar aos homens?
O Espírito de Deus por meio do profeta Joel brada sobre nossas almas: pare de olhar para os problemas desta vida terrena e passageira! Pare de colocar o seu foco no ser humano e suas falhas de caráter! Pare de pensar que agora é tempo de falar aos homens, pois é tempo de buscar a Deus e essa busca começa com lágrimas, tristeza e humilhação diante da Sua gloriosa face!
Se você tem sido fiel e sofrido como um cristão, continue pedindo graça para não desistir da fidelidade porque nenhuma fidelidade a Cristo é possível sem a graça de Deus!
Se você pensa que consegue fazer algo de bom se a graça, isso significa que você ainda é um bebê na fé! Porque somente os discípulos amadurecidos no evangelho compreendem que nada que é feito para Deus ou em nome dele é pelo mérito humano, e sim por sua misericórdia!
Deus muitas vezes vai julgar o seu próprio povo na história tirando deles pessoas ou coisas que se tornam ídolos em seu coração. Um ídolo é algo ou alguém que ocupa o lugar de Deus em nossas almas, ao ponto de acharmos que não podemos mais viver sem essa coisa ou sem essa pessoa. Como diz Isaías 42.8 “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” Ele precisa ser o centro de nossas vidas! Ele não aceita ser colocado de lado, em segundo plano! Ele é o Criador e o Juiz! Ele é o primeiro e o último! O princípio e o fim! É tempo de voltarmos para o Senhor!
Você está longe da presença de Deus? Ou seria alguém da sua família? Chore. Lamente. Humilhe-se (vista pano de saco não literalmente, mas espiritualmente). As pessoas à sua volta não se constrangem em serem imorais em sua presença? É tempo de sair da presença deles e ter um momento sincero só você e o seu Deus.
Seu negócio está saindo do seu controle? Ou sua renda? Ou quem sabe o seu casamento está em crise? Ou de repente seus filhos estão te desapontando? Pode ser que seja você mesmo com o pecado de estimação, que você ainda não decidiu abandonar de vez. O que você vai fazer? Apenas fingir que está tudo bem, como o povo em Judá, ou você vai para o lugar do choro, do lamento e da humilhação sincera diante do Deus que tudo pode fazer em nosso favor?
É tempo de chorar e não de sorrir. É tempo de lamentar e não de murmurar. É tempo de se humilhar e não de se orgulhar dos seus feitos do passado ou de sua sabedoria. Não estamos em dias de nos auto afirmar, seja nas redes ou na vida. Não estamos em dias de alimentar o nosso ego, nem mesmo de buscar mais conforto e motivos para celebrar. Estamos em dias de buscar mais do Espírito Santo, mais santidade, mais quebrantamento de coração, mais lágrimas, mais angústia santa, mais choro espiritual, mais humilhação diante do Deus Todo-Poderoso, mais silêncio, mais meditação nas Escrituras, mais confissão sincera dos pecados, mais de Deus e menos de nós.
No evangelho, na nova aliança, nós somos o sacerdócio e nós somos o templo e estamos em Cristo Jesus, sendo nós assim o corpo do Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (ordem celestial e eterna) e o corpo daquele que é o verdadeiro templo que foi derrubado e em três dias, reconstruído. Se Joel exorta para que primeiro os sacerdotes deem o passo na direção da humilhação e do arrependimento, esse passo precisa ser dado por cada um de nós em dias onde a fé tem virado um artigo irrelevante na sociedade e nas relações humanas e nossa espiritualidade pouco tem produzido vida em nós e nas pessoas ao nosso redor.
É isso que devemos fazer quando o cenário em nossas vidas se assemelha com o cenário descrito pelo profeta.
2- NOS DIAS DE TRIBULAÇÃO, É TEMPO DE CONGREGAR
2- NOS DIAS DE TRIBULAÇÃO, É TEMPO DE CONGREGAR
¹⁴ Proclamem um santo jejum, convoquem uma reunião solene. Reúnam os anciãos e todos os moradores desta terra na Casa do Senhor, seu Deus, e clamem ao Senhor."
Se em Joel 1.1-12 aprendemos que não há avivamento sem arrependimento com choro e lamento, em Joel 1.14 aprendemos que ainda não é possível se viver o avivamento sem antes se buscar a UNIDADE e um retorno AOS MEIOS DE GRAÇA (jejum, o ato de congregar e a oração/clamor).
Quero compartilhar com vocês um trecho do comentário conciso de Matthew Henry:
“A dor do povo se transforma em arrependimento e humilhação diante de Deus. Diante de todos esses sentimentos de dor e vergonha, o pecado deve ser confessado e banido. Um dia deve até ser dedicado a esse propósito; um dia que deve ser separado, verdadeiramente dedicado ao serviço divino, onde não se deve comer nem beber. Cada um se vê envolvido nesse pecado de envergadura nacional e deve compartilhar as calamidades que dele decorrem; cada um deve participar do arrependimento comum.
Quando a alegria e a felicidade se afastaram da casa de Deus, quando a piedade está em declínio e o amor por Deus esfria, é então o momento de clamar sua angústia ao Senhor.”
“Promulgai um santo jejum”: a palavra hebraica צוֹם ṣôm (pronúncia: tsom) aparece um pouco mais de 15 vezes no Antigo Testamento e a palavra correspondente na língua grega do Novo Testamento é citada em referência à abstenção de alimentos. Considerando o contexto, podemos ver que esse jejum sempre ocorreu em cenários onde o povo estava sofrendo o juízo de Deus na História ou passava por grandes provações. Foi assim em 2Crônicas 20.3, no episódio do rei Josafá, quando ele temeu o inimigo e resolveu buscar o Senhor, também em Ester 4.3, quando o povo judeu estava angustiado por conta da forte ameaça de morte que pairava sobre a alma deles, e ainda em Daniel 9.3, quando o profeta se humilhou pelo povo de Judá na Babilônia e fez uma gloriosa oração intercessória. Esse jejum é um ato de busca ao Senhor, de quebrantamento, de confissão de pecados, de humilhação diante do Deus que é Santíssimo. O jejum não é um meio de manipular a soberania de Deus — Ele jamais permitiria que o seu povo tivesse tal prerrogativa — mas é um meio para se buscar mais intensamente a Deus.
Quando Jesus ensinou no sermão do Monte sobre o jejum, deixou claro que, assim como o serviço ao próximo (esmola) e a oração, era uma prática de devoção também no sentido pessoal e particular e que a prática era um ato de humilhação e quebrantamento do coração. Jejuamos não para receber coisas de Deus, mas para receber mais da vida de Deus. Quem deseja avivamento, precisa de santificação e o jejum é um grande aliado de um crente que deseja mais da água viva do Espírito Santo — lembre-se: os que tem fome e sede de justiça serão saciados.
“Convoquem uma reunião solene… Reúnam os anciãos e todos os moradores desta terra na Casa do Senhor, seu Deus...”: A verdadeira devoção é particular, mas não é somente particular. A fé cristã não se vive apenas no âmbito privado ou pessoal, mas de uma forma especial no âmbito público e comunitário. Quem quer mais santidade, precisa se submeter a uma igreja local. Todos queremos avivamento! Todos queremos ver mais pessoas salvas. Todos desejamos mais conhecimento e mais poder de Deus. Só que Deus estabeleceu na Escritura o caminho para que vivamos o genuíno avivamento que passa pelo lamento, pelo choro de um coração quebrantado, pela confissão e arrependimento dos pecados, pela prática do santo jejum e pelo ato de congregar, que também é um dos meios pelos quais a graça de Deus opera em nossas vidas.
Vou além. A negligencia no ato de congregar se configura num pecado contra a lei do Evangelho — logo, é um pecado contra o próprio Deus. Diz a Escritura em Hebreus 10.24-25
Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
Veja. O ensino apostólico é claro: temos de 1) cuidar de nos animar uns aos outros, 2) no amor e na prática das boas obras. E isso só é possível porque nós 3) não deixamos de congregar, como é costume de alguns. Antes, somos chamados pelo Espírito de Deus a 4) fazermos admoestações, ainda mais agora que todos vemos que o Dia (o Dia do Senhor) se aproxima.
NÃO CONGREGAR É UM PECADO, MAS CONGREGAR SEM VIVER O ENGAJAMENTO NA PROMOÇÃO DO ÂNIMO ESPIRITUAL UNS AOS OUTROS, PARA QUE PRATIQUEM O AMOR UNS AOS OUTROS E SE ENGAJEM NA PRÁTICA DAS BOAS OBRAS PARA O BENEFÍCIO DOS OUTROS, BEM COMO NÃO VIVER AS ADMOESTAÇÕES (CONFRONTO, LEMBRE DO CONTEXTO DO TEXTO QUE TRAZ O AMOR COMO ATO FUNDAMENTAL) UNS AOS OUTROS — CERTAMENTE É UM PECADO MAIS GRAVE AINDA!
O povo de Judá, ainda cego e indiferente ao juízo divino que já estava em curso, passou a fazer opção pelo isolamento. Quantas pessoas que, quando esfriam na fé, um dos primeiros sinais é o abandono do engajamento com o vida em comunidade!
Se queremos ver a boa mão do Senhor sobre nossas vidas, famílias, ministérios ou sobre sonhos ou projetos, temos que buscar graça de Deus para obedecermos à sua Santa Palavra. A vitalidade espiritual passa pela “reunião solene do povo da aliança”.
Quando falamos em mais santidade através da submissão a uma igreja local, me permita explicar um pouco mais o que quero dizer.
A nossa unidade é a mais forte expressão da presença de Cristo Jesus no mundo. Ele disse em João 13.34–35 “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”. Quando amamos o nosso irmão, cuidamos de animá-lo para que ele pratique o amor e as boas obras. Quando amamos o nosso irmão, desejamos no unir a ele em comunhão solene que é o culto público. Quando amamos o nosso irmão, o confrontamos em amor quando ele conscientemente e sem motivos plausíveis decide negligenciar o ato de congregar nos termos de Hebreus 10.24-25. E, da mesma, forma, uma igreja saudável é composta por discípulos que confrontam, mas que também podem ser confrontados; que animam o outro, mas também podem ser animados; pratica o amor e as boas obras, mas também é alvo do amor e das boas obras do seu irmão — e assim, ambos se submetem uns aos outros e essa é a submissão à igreja local — porque a igreja são as pessoas!
Numa próxima oportunidade compartilharei com vocês oito maneiras de você se submeter à igreja local, e o farei explicando cada ponto. As oito maneiras são nos seguintes aspectos: público, físico/geográfico, social, afetivo, financeiro, vocacional, ético e espiritual.
3- NO DIA DA DEVASTAÇÃO, É TEMPO DE CLAMAR
3- NO DIA DA DEVASTAÇÃO, É TEMPO DE CLAMAR
¹⁹ A ti, ó Senhor, clamo, porque o fogo devorou as pastagens, e as chamas consumiram todas as árvores do campo.
A oração é uma conversa com Deus; o clamor é um grito por socorro! No dia da angústia, o que devemos fazer é muito mais do que falar com Deus, mas colocar para fora toda a dor, a aflição, o medo e o desespero. Lembre-se: não estamos em circunstâncias normais! Logo, nossas ações precisam ser fora do normal. O normal é orar em voz baixa, no mesmo local e horário e com a mesma duração. Mas aqui a ideia não é essa: é quebrar toda essa tradição engessada e automática. É orar gritando, num local fora do comum e num horário fora do costume pessoal e numa duração talvez 100 vezes maior porque já não há mais a quem recorrer.
O profeta Joel nos ensina de forma poética que, quando estamos abatidos, a melhor escolha não é correr da presença de Deus, mas correr PARA A PRESENÇA DE DEUS PORQUE ELE É SOBERANO, TODO-PODEROSO, BONDOSO, MISERICORDIOSO, JUSTO, SANTO E FIEL E NÃO DESPREZA UM CORAÇÃO QUEBRANTADO E CONTRITO!
As minhas melhores e mais importantes orações foram feitas com o máximo de sinceridade, o máximo de dor e o máximo de lágrimas. Foi quando eu não precisei usar a intencionalidade que uso quando oro em público (procuro ensinar teologia até mesmo através das minhas orações), mas pude falar tudo como estava lá no mais profundo da minha alma.
Deus conhece melhor do que nós o estado de nossas almas. Ele sabe que muitas vezes falamos coisas que não representam nem 1% do que desejaríamos falar mesmo. Agora eu quero que você saiba de uma coisa: é vital para a sua vida que tudo o que você realize na presença de Deus seja 100% verdadeiro, mesmo que seja algo sujo.
Que tal essa oração do Salmo 137.7-9
Contra os filhos de Edom, lembra-te, Senhor,
do dia de Jerusalém,
pois diziam: Arrasai, arrasai-a,
até aos fundamentos.
Filha da Babilônia, que hás de ser destruída,
feliz aquele que te der o pago
do mal que nos fizeste.
Feliz aquele que pegar teus filhos
e esmagá-los contra a pedra.
Chamamos uma oração assim na Bíblia de “oração imprecatória”, que nada mais é do que a expressão da verdade do íntimo do salmista. Aqui ele não mente! Ele diz a mais pura verdade, pois é o que ele pensa! Ele deseja a destruição da “Filha da Babilônia”, que fez mal ao seu povo. Deseja a morte dos filhos da Filha da Babilônia. Lembrando do gênero literário do livro dos Salmos que em sua maioria é o gênero poético, o autor está usando de palavras duras para pedir a Deus justiça e não vingança. Ele sabe que, por ele mesmo, não há como a justiça ser feita, por isso mesmo pede “lembra-te, Senhor”. Em outras palavras, “Senhor, não aguento mais ver o seu povo, o povo da aliança, sofrer nas mãos dos ímpios. Eu te peço, ajude o seu povo a não ser mais objeto de humilhação e vergonha”.
Assim orou Joel nos dias do seu ministério. Assim devemos orar quando as coisas estão fora do lugar. Quando não temos mais o que fazer, nem a quem recorrer, quando não há mais nenhum ser humano que possa dar jeito, é nessa hora que nós temos de “Clamar ao Senhor”.
Aqueles que oram com essa profundidade, encontram mais do que o favor de Deus, mas o Deus do favor. Ele deseja ser encontrado por nós no vale da aflição e da angústia. Ore! Clame! O Deus que tudo controla, cuida e governa está pronto para te ouvir e só Ele pode mudar a sua sorte!
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
O profeta Joel nos ensina nesse texto que é tempo de buscar o Senhor com mais profundidade, chorando pelos pecados e sentindo a gravidade das maldades que praticamos continuamente contra o Deus que é Santo. É tempo de arrependimento, de lamento, de buscar santificação pelo jejum, pelo ato de congregar e pela oração em forma de clamor. É tempo de nos lembrar que, sozinhos, não podemos fazer nada disso, mas o Senhor Jesus Cristo veio justamente para nos resgatar dessas impossibilidades. Ele viveu a vida de devoção a Deus que não poderíamos viver, ele jejuou por 40 dias e noites para ser levado pelo Espírito Santo ao deserto da Judeia para ser tentado por Satanás — e derrotou o Tentador por meio da Escritura! Ele morreu carregando a nossa incapacidade de nos consagrarmos mais a Deus. Ele foi morto pelo nosso pecado de preguiça espiritual e também pelo orgulho que muitas vezes nos leva a ter uma vida devocional ou com a igreja local na reunião solene meramente protocolar e vazia de alegria. E Jesus ressuscitou para que pudéssemos buscar a santificação, o amor pela prática do congregar e a oração como um meio de obter algo mais do que as mãos de Deus, mas Ele mesmo.
Quem de fato vive a vida de cristã conforme as conclamações de Joel 1.13-20, está preparando o seu coração para receber o avivamento genuíno que se traduz em vida renovada na fé, na esperança e no amor — frutos reais e visíveis da conversão verdadeira.
E somente gente convertida a Jesus consegue viver pela fé aguardando o Dia do Senhor.
