VALEU A PENA ESPERAR! 2 Samuel 5.1-16
1 e 2 Samuel • Sermon • Submitted • Presented
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· 20 viewsDeus age em favor dos seus filhos e filhas, ao seu tempo e ao seu modo.
Notes
Transcript
Grande ideia: Deus age em favor dos seus filhos e filhas, ao seu tempo e ao seu modo.
Estrutura: O povo com Davi (vv. 1-5), Deus com Davi (vv. 6-16).
Porém, é importante ressaltar que 2Samuel 5, conforme diz Dale Ralph Davis, é uma colagem. O texto não está ordenado cronologicamente. Essa coleção de episódios narrados não está na mesma ordem que os fatos ocorreram. Essa coleção de fragmentos tem o propósito de oferecer uma visão adequada do reino davídico.
O povo com Davi. (vv. 1-5)
Repare nestas expressões correlatas: “todas as tribos”, “todos os anciãos de Israel” e “todo o Israel e Judá”.
Novamente em Hebrom:
Hebrom ocupou um papel fundamental na narrativa bíblica, funcionando como centro espiritual, político e familiar ao longo de séculos. Abraão estabeleceu ali um altar e adquiriu a caverna de Macpela como sepultura para Sara, sendo posteriormente enterrados nela também Isaque, Rebeca, Jacó e Lia[1]. A cidade tornou-se, portanto, o repositório das esperanças e promessas divinas aos patriarcas, simbolizando a continuidade da linhagem escolhida.
Durante o período monárquico, Hebrom ganhou importância política decisiva. O SENHOR orientou Davi a ir para Hebrom, onde os homens de Judá o ungiram como rei (2Sm 2.1–4). Posteriormente, todas as tribos de Israel vieram a Hebrom, onde os anciãos fizeram uma aliança com Davi diante do SENHOR e o ungiram rei sobre Israel (2Sm 5.1–5). A cidade serviu como sede do governo de Davi por sete anos e meio[2] antes de ele transferir a capital para Jerusalém, consolidando sua posição como centro da monarquia unificada.
Localizada na região montanhosa sul de Judá[1], o nome Hebrom significa “confederação”[3], refletindo sua função como ponto de convergência para alianças e encontros significativos na história de Israel. Sua relevância transcendeu a geografia, tornando-se símbolo da continuidade divina desde os patriarcas até a consolidação da monarquia davídica.
[1] Carl Rasmussen, “Hebrom”, in Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, org. Willem A. VanGemeren (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2011), 699–700.
[2] Sociedade Bíblica do Brasil, Bíblia de Estudo Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Sociedade Bíblica do Brasil, 2005). [Veja aqui.]
[3] Enéas Tognini, Geografia da Terra Santa e das Terras Bíblicas (São Paulo, SP: Hagnos, 2009), 235.
A expressão: “somos do mesmo povo que o senhor, ó rei”, evoca um salmo escrito nesse período.
Cântico de peregrinação. De Davi
Oh! Como é bom e agradável
viverem unidos os irmãos!
É como o óleo precioso sobre a cabeça,
o qual desce pela barba,
a barba de Arão,
e desce para a gola de suas vestes.
É como o orvalho do Hermom,
que desce sobre os montes de Sião.
Ali o Senhor ordena a sua bênção
e a vida para sempre.
Comentários do Antigo Testamento: Salmos Salmo 133
Um cenário adequado para este salmo seria o período após Davi tornar-se rei não só de Judá, mas também de Israel (ver
Há um eco aqui do que o próprio Deus já havia dito a respeito de Davi suceder a Saul.
Então Samuel disse a Saul:
— Você cometeu uma loucura, não guardando o mandamento que o Senhor, seu Deus, lhe ordenou. Pois o Senhor teria confirmado para sempre o seu reinado sobre Israel. Mas agora o seu reinado não subsistirá. O Senhor buscou para si um homem segundo o seu coração e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porque você não guardou o que o Senhor lhe ordenou.
Uma aliança foi feita com todos os “anciãos de Israel”, e importante: “diante do Senhor”.
Quem eram os anciãos de Israel no reino unificado?
Os anciãos de Israel durante o reino unificado constituíram um grupo de membros mais velhos que exerciam liderança na nação[1]. Sua influência política era significativa: solicitaram a Samuel a instituição de uma monarquia e posteriormente reconheceram Davi como rei[2].
A estrutura desses anciãos tinha raízes profundas na organização tribal israelita. Originários das famílias e tribos, esses líderes mais velhos exerciam autoridade fundamentada no parentesco e na experiência acumulada[3]. Cada tribo e aldeia possuía seu próprio corpo de anciãos, funcionando como representantes de uma estrutura maior[4]. O conselho nacional dos “anciãos de Israel” abrangia os chefes das tribos e os líderes das famílias israelitas[3].
Sua responsabilidade fundamental era julgar violações das disposições da aliança e preservar a justiça social e a ordem[2]. Funcionavam, portanto, como guardiões tanto da estrutura política quanto da integridade moral e religiosa da nação.
[1] Jeremy Thompson, org., Listas de Pessoas, Lugares, Objetos e Eventos Bíblicos, Listas Bíblicas e Teológicas Faithlife (Bellingham, WA: Faithlife, 2020). [Veja aqui.]
[2] Paul D. Wegner, “זקן”, in Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, org. Willem A. VanGemeren (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2011), 1108.
[3] Kenneth T. Aitken, “זָקֵן”, in Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, org. Willem A. VanGemeren (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2011), 1111.
[4] R.N. Champlin, O Antigo Testamento Interpretado: Versículo por Versículo, org. Juan Carlos Martinez (São Paulo: Hagnos, 2018), 848.
Também:
A aliança foi estabelecida com base no modelo do “pastor”, e essa aliança os resguardava da opressão comumente associada com a monarquia (1 Sm 8.10-18), mas da parte do povo assegurava seu apoio legal.
2. Deus com Davi. (vv. 6-16)
Agora, com a liderança solidificada por todo o Israel e Judá, Davi vai em busca de uma capital.
Algo sobre os jebuseus:
Mas os filhos de Judá não puderam expulsar os jebuseus que viviam em Jerusalém. Assim, os jebuseus moram com os filhos de Judá em Jerusalém até o dia de hoje.
Porém os filhos de Benjamim não expulsaram os jebuseus que moravam em Jerusalém. Assim, os jebuseus vivem com os filhos de Benjamim em Jerusalém até o dia de hoje.
Como Davi conquistou a cidade dos jebuseus?
Davi marchou sobre Jerusalém com suas tropas para enfrentar os jebuseus que ocupavam a cidade (2Sm 5.6–16)[1]. Os defensores da cidade zombaram dele, afirmando que nem mesmo cegos e aleijados precisariam temer sua invasão (2Sm 5.6–16)—uma declaração que refletia sua confiança na inacessibilidade da fortaleza.
A estratégia decisiva envolveu um elemento topográfico específico. Davi ordenou a seus soldados que penetrassem a cidade através de um canal ou túnel subterrâneo para atacar os defensores (2Sm 5.6–16)[1]. Ele prometeu que quem primeiro conseguisse atacar os jebuseus se tornaria comandante de seus exércitos, e Joabe, filho de Zeruia, foi o primeiro a realizar esse feito[1]. Com essa ação, Davi conquistou a fortaleza de Sião, que passou a ser conhecida como Cidade de Davi (2Sm 5.6–16).
Após a vitória, Davi estabeleceu sua residência na fortaleza e ampliou a cidade ao redor dela (2Sm 5.6–16). A conquista de Jerusalém foi estrategicamente significativa: como príncipe dessa cidade-Estado neutra, Davi transcendia o dualismo entre as tribos do Sul e do Norte, resolvendo assim tensões políticas internas enquanto eliminava um enclave cananita na região[2]. O crescimento de seu poder foi atribuído ao favor divino, pois o SENHOR dos Exércitos estava com ele (2Sm 5.6–16).
[1] Mundo Cristão, Nova Versão Transformadora (São Paulo-SP: Editora Mundo Cristão, 2021). [Veja aqui, aqui, aqui.]
[2] Ananias Oliveira, A Monarquia Unida de Israel (São Paulo: Fonte Editorial, 2020), 64.
Essa “piada jebuseia” custou caro ao povo. Davi manteve-se em firmeza de propósito, por que “o Senhor, o Deus dos Exércitos, estava com ele”.
Davi, naquele dia, mandou dizer:
— Todo o que está disposto a atacar os jebuseus suba pelo canal subterrâneo e ataque os cegos e os coxos, a quem a alma de Davi odeia.
Por isso se diz: “Nem cego nem coxo entrará na casa.”
O nome foi dado: “Cidade de Davi”.
O que a Bíblia diz sobre Jerusalém?
Jerusalém aparece 660 vezes no Antigo Testamento e 141 vezes no Novo[1], refletindo sua importância fundamental nas narrativas bíblicas. A cidade emerge como central à identidade de Israel após Davi derrotar os jebuseus e estabelecer ali a monarquia israelita[1].
Historicamente, Jerusalém foi desenvolvida durante os reinados de Davi e Salomão tanto como capital de Israel unificado quanto como seu centro de adoração[2]. A arca da aliança—símbolo da presença divina—foi levada para lá, e Salomão construiu o templo como local permanente para a presença de Yahweh[1]. Após o desaparecimento da arca, a própria cidade se tornou o espaço onde Deus habitava, com Jerusalém recebendo o status anteriormente associado à arca[1].
Teologicamente, Jerusalém funcionou como centro político e religioso de Israel, onde seus reis reinavam e o templo—símbolo da unidade do povo e sua fé—foi construído[2]. A condição espiritual de Jerusalém em qualquer período histórico refletia a condição espiritual da nação[2]. Grande parte do ministério de Jesus ocorreu em Jerusalém, onde ele morreu, foi sepultado, ressuscitou, e onde o evangelho foi pregado pela primeira vez e a primeira igreja se formou[2].
[1] C. E. Shepherd, “Jerusalém”, in Dicionário Bíblico Lexham, org. John D. Barry (Bellingham, WA: Lexham Press, 2020). [Veja aqui, aqui, aqui, aqui.]
[2] Lawrence O. Richards, New International Encyclopedia of Bible Words: Zondervan’s Understand the Bible Reference Series (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2016). [Veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui.]
[3] E. Lohse e G. Fohrer, “Siṓn, Ierousalḗm, Hierosólyma, hierosolymítēs”, in Dicionário Teológico do Novo Testamento, org. Gerhard Kittel, Gerhard Friedrich, e Geoffrey W. Bromiley, trad. Afonso Teixeira Filho et al. (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013), 409.
Deus ainda tem mais para Davi: o reconhecimento de Hirão, rei de Tiro, um importante aliado.
Quem era Hirão, rei de Tiro?
Hirão foi um monarca fenício que reinou em Tiro durante o período da monarquia unida de Israel, estabelecendo-se como figura central nas relações diplomáticas e comerciais do Levante antigo. Sua datação é geralmente estabelecida entre 969–936 a.C., conforme cálculos cronológicos do historiador Josefo[1], embora existam questões sobre a confiabilidade desses métodos de cálculo[1].
Hirão consolidou uma amizade política duradoura com a monarquia israelita. Ele havia fornecido materiais e mão de obra para a construção do palácio do rei Davi[2], e essa relação se intensificou sob Salomão. Salomão solicitou a Hirão madeiras valiosas—cedro, cipreste e sândalo—além de trabalhadores especializados[3], oferecendo em troca trigo, cevada, vinho e azeite[3]. Salomão também cedeu vinte aldeias na Galiléia em troca de cento e vinte talentos de ouro[4], embora Hirão posteriormente devolvesse as aldeias, considerando-as de pouco valor[4].
Além das transações comerciais, os dois monarcas expandiram sua parceria para o comércio marítimo. Salomão e Hirão cooperaram no comércio naval, importando ouro, prata, macacos, pavões, marfim e outros artigos raros[4], com Hirão fornecendo marinheiros experientes, visto que os israelitas não eram bons navegadores[4]. Segundo Josefo, Hirão e Salomão mantiveram intensa correspondência, consultando-se sobre diversos assuntos[4].
Hirão morreu aos cinquenta e três anos, após um reinado próspero de trinta e quatro anos[4]. Durante seu governo, guerreou contra Chipre para obrigar o pagamento de tributos e fortificou a ilha de Tiro, onde construiu templos dedicados a Astarte-Melquarte[4]. Segundo Clemente de Alexandria e Taciano, uma filha de Hirão casou-se com Salomão[4], selando a aliança entre os dois reinos através de laços familiares.
[1] John H. Walton, Victor H. Matthews, e Mark W. Chavalas, Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Antigo Testamento, trad. Noemi Valéria Altoé da Silva (São Paulo: Vida Nova, 2018), 470.
[2] Philip Graham Ryken, Estudos Bíblicos Expositivos em 1 Reis, trad. Markus Hediger (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2015), 120.
[3] Ricardo Cesar Toniolo, “2Crônicas”, in Comentário Bíblico Latino-Americano, org. C. René Padilla et al., trad. Cleiton Oliveira et al., (São Paulo: Mundo Cristão, 2022), 528.
[4] R. N. Champlin, “Hiráo”, in Enciclopédia de Bíblia, Teologia & Filosofia (São Paulo: Hagnos, 2013), 127.
E falando em casamento: essa porção termina com um “alerta escondido”: mais mulheres e mais filhos a Davi. Sem dúvida, isso trouxe perigos futuros a Davi. Quando Deus simplesmente, nos permite tomar decisões por nossa própria conta e risco.
Charles Swindoll:
Quero que guarde tudo isto em mente, porque a enorme família de Davi se tornou um problema importante na sua vida, especialmente depois do seu adultério com Bate-Seba. Entre as esposas, Davi tinha algumas que sequer são mencionadas, além de várias concubinas cujos nomes tampouco são citados.
Esse rei também não deve tomar para si muitas mulheres, para que o seu coração não se desvie; nem deve acumular muita prata e muito ouro.
3. Outras aplicações:
(a) Cuidado com a pressa. A providência de Deus é cuidadosamente mediada pela sua soberania sábia e amorosa.
Jerry Bridges:
Quase sempre lutaremos com dúvidas acerca do amor de Deus durante os momentos de adversidade. Se nunca tivéssemos que lutar, nossa fé não cresceria. Porém, devemos nos empenhar nas lutas com nossas dúvidas; não podemos deixar que elas nos vençam. É possível que nos sintamos como Davi, em meio a situações aparentemente intoleráveis, que disse o seguinte num momento de grande angústia.
Ao mestre de canto. Salmo de Davi
Até quando, Senhor, te esquecerás de mim? Será para sempre?
Até quando esconderás de mim o teu rosto?
Até quando estarei relutando em minha alma,
com tristeza no coração cada dia?
Até quando o meu inimigo se exaltará sobre mim?
Olha para mim e responde-me, Senhor, meu Deus!
Ilumina os meus olhos, para que eu não durma o sono da morte;
para que o meu inimigo não diga: “Prevaleci contra ele”;
e não se alegrem os meus adversários, se eu for abalado.
Quanto a mim, confio na tua graça;
que o meu coração se alegre na tua salvação.
Cantarei ao Senhor,
porque ele me tem feito muito bem.
(b) Deus está com você o tempo todo, e a pergunta que não quer calar: você vai ignorar alguns “alertas escondidos” na sua história?
Charles Swindoll:
O pecado grave é a culminação de um processo e não um ato súbito. De volta a 2 Samuel 3, como você vai lembrar, Davi já estava começando a fazer fortuna e a colecionar esposas. Mas, quando chegou a hora de parar? Quando ele tinha um harém cheio delas e ainda não estava satisfeito, impelido pela cobiça de ter mais? O pecado grave não é um ato súbito, é a culminação de um processo. Quem o comete diz a si mesmo durante a madrugada que se segue: Não acredito que tenha feito isso. Este foi certamente o pensamento de Davi.
Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada,
cujo pecado é coberto.
Bem-aventurado é aquele a quem o Senhor não atribui iniquidade
e em cujo espírito não há engano.
Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos
pelos meus constantes gemidos todo o dia.
Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim,
e o meu vigor secou como no calor do verão.
Confessei-te o meu pecado
e a minha iniquidade não mais ocultei.
Eu disse: “Confessarei ao Senhor as minhas transgressões”;
e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.
Ilustr.:
AINDA PECO (Uma oração puritana):
Tenho visto a pureza e beleza de tua lei perfeita,
a felicidade daqueles em cujos corações ela reina,
a tranqüila dignidade no proceder a que ela convida,
embora eu diariamente viole e despreze os preceitos desta lei.
Teu amoroso Espírito me revigora internamente,
me traz os alertas da Escritura,
clama alarmantes providencias,
persuade por murmúrios secretos,
embora eu escolha invenções e caminhos para meu próprio dano,
impiamente ressentido, aflito,
e o provoque a me abandonar.
Lamento e me entristeço por todos estes pecados,
e por eles suplico perdão.
Trabalha em mim por profundo e permanente arrependimento;
Dá-me a plenitude da aflição piedosa que treme e teme,
a qual, embora sempre confie e ame, é sempre poderosa, e sempre firme;
Concede que por intermédio das lágrimas de arrependimento eu possa ver mais claramente o brilho e a glória da cruz salvadora.
