A SUPREMACIA DE CRISTO
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Transcript
JOÃO 1.15 –18
INTRODUÇÃO
João 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”
Com essa declaração, João afirma o maior milagre da história: o Deus eterno entrou no tempo. O invisível tornou-se visível. O transcendente fez-se próximo.
Até aqui, temos exposto o prólogo desse Evangelho, ele é como o pórtico de um grande templo: ao atravessá-lo, somos conduzidos não a uma doutrina abstrata mas à majestade da pessoa de Cristo. Agora, nos versículos 15–18, João conclui o prólogo apresentando três verdades que estruturam toda a cristologia do evangelho:
1. A primazia eterna de Cristo.
2. A plenitude inesgotável de sua graça.
3. A revelação definitiva do Pai em sua pessoa.
Se João 1.1–14 nos mostra quem é o Verbo, João 1.15–18 nos mostra o que essa verdade significa para nós.
CRISTO POSSUI PRIMAZIA ETERNA
CRISTO POSSUI PRIMAZIA ETERNA
João 1.15 “João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.”
Aqui João Batista testemunha novamente. O verbo “testemunhar” está no presente — “dá testemunho” — indicando que seu testemunho permanece vivo no registro do evangelho.
O fato de o Verbo ter se feito carne não depende de João para ser verdadeiro, mas é proclamado e confirmado por meio do seu testemunho. Deus não apenas entrou na história; Ele levantou uma voz para anunciar esse acontecimento.
Paulo nos ajuda a compreender o alcance disso quando diz em Romanos 10.17 “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.”
Foi assim no tempo de João.
É assim hoje.
João testemunhou há mais de dois mil anos, mas toda vez que Cristo é proclamado, o testemunho continua ecoando. E onde a Palavra é anunciada, a fé nasce e vidas são transformadas.
O texto diz que João “exclamou”. A palavra indica um clamor em alta voz, um grito público, cheio de intensidade. Não é uma observação casual. É uma declaração proclamada com convicção.
Esse clamor revela mais do que volume — revela certeza. João não está hesitando, nem sugerindo; ele está afirmando com plena convicção aquilo que sabe ser verdade.
É o grito de alguém tomado pela realidade que anuncia.
O coração está tão convencido que a voz não consegue ficar contida.
E o texto diz: “Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim...”
“Vem depois de mim” — referência à ordem histórica, temporal… Jesus nasceu seis meses depois de João e se apresentou ao povo de Israel algum tempo após João estar pregando e batizando. Se o texto parasse aqui, poderíamos entender que Jesus seria fruto do movimento do João batista.
Mas, o texto diz: “...porquanto já existia antes de mim.” Isso é uma referência à existência eterna.
Humanamente, João nasceu antes. Iniciou seu ministério antes. Era reconhecido como profeta antes de Jesus aparecer publicamente.
Mas ele declara: Ele já existia antes de mim.
O nascimento não foi começo. Ele já era antes de tornar-se homem.
O verbo usado indica existência contínua anterior. João está afirmando a pré-existência eterna do Filho.
E mais: a expressão “tem a primazia” não fala apenas de anterioridade temporal, mas de superioridade de SER. Cristo é anterior porque é eterno; e é eterno porque é Deus.
João Batista, o maior entre os nascidos de mulher, reconhece que está subordinado a Cristo.
Cristo não apenas participa da criação — Ele precede a criação.
Ele não é criatura elevada — é o Criador encarnado.
A eternidade de Cristo garante: soberania sobre a história. A eficácia eterna de sua obra. A segurança definitiva da salvação.
Aplicação
Se Cristo é eterno: Ele não é uma opção religiosa. Ele não é um capítulo da história. Ele é o Senhor absoluto da existência.
Nossa ansiedade quanto ao futuro é confrontada aqui. O Cristo que nos chama é anterior ao tempo e superior a ele.
Isso produz: Humildade — não somos o centro. Confiança — Ele governa. Adoração — Ele é digno.
CRISTO OFERECE PLENITUDE DE GRAÇA
CRISTO OFERECE PLENITUDE DE GRAÇA
João 1.16 “Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.”
A palavra “plenitude” (pleroma) comunica totalidade, significa aquilo que é completo em si mesmo, abundância absoluta, ausência de carência.
Essa palavra é usada por João apenas aqui nesse versículo, mas Paulo usou varias vezes.
Efésios 3.19 “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.”
Colossenses 1.19 “porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude”
Todos esses versículos enfatizam a mesma ideia de João, e a ideia é que, os cristãos recebem da completude divina tudo o que cada um necessita para a perfeição de seu caráter e para a realização da obra de Deus.
Essa plenitude é tão impressionante, que, podemos perguntar: quem recebe dela? João diz: “Todos nós”. Nenhum crente vive de si próprio. Todos dependem da plenitude dEle. Todos que creem em Jesus recebem suprimentos de força espiritual. Isso é tão extraordinário que sua plenitude supre os cristãos em todos os países e em todas as épocas.
“Graça sobre graça” a ideia aqui é de sucessão contínua. Uma graça substitui outra, sem interrupção no fluxo.
O pastor Hernandes Dias Lopes diz que Graça sobre graça É como ondas sucessivas do oceano — não cessam.
Pra definir: “Graça sobre graça” significa o favor de Deus distribuído em fartura aos seus filhos”.
Isso significa que: A graça não é evento isolado na conversão. Não é apenas perdão inicial. É sustento contínuo.
A justificação é graciosa. A santificação é graciosa. A perseverança é graciosa. A glorificação será graciosa.
Tudo flui da plenitude de Cristo.
E essa plenitude não diminui ao ser compartilhada. Ela nunca acaba.
Aplicação
Você não vive de desempenho. Você vive de plenitude.
Quando você falha, não precisa compensar o pecado tentando merecer o favor de Deus — ele já lhe foi concedido em Cristo.
Precisa retornar à fonte.
A vida cristã não é mantida por culpa, mas por graça contínua.
Nessa plenitude, a consciência é liberta. O coração é aquecido. A obediência torna-se resposta, não tentativa de pagamento.
CRISTO CUMPRE A LEI E REVELA O PAI
CRISTO CUMPRE A LEI E REVELA O PAI
JOÃO 1.17–18
Precisamos relembrar que João esta escrevendo para judeus, que até então viviam do AT. Naturalmente poderia surgir perguntas:
“João, você esta falando dessa plenitude em Cristo, de graça sobre graça, mas e a Lei, e Moisés? Antes de surgir essa pergunta João esclarece.
João 1.17 “Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” Esse esclarecimento não estabelece oposição, mas uma diferença redentora.
O texto diz… A lei foi dada por intermédio de Moisés não como uma demonstração de graça. Exigia que os homens obedecessem, sendo isso impossível, e condenava-os à morte. Contava aos homens o que era certo, mas não lhes dava o poder para fazê-lo. Foi dada para mostrar aos homens que eram pecadores, mas não os salvaria de seus pecados.
Com isso, debaixo da “lei” não se chegou à “verdade”, mas sim à “hipocrisia”, à vida aparente de uma devoção falsa. Jesus falou sobre essa vida de hipocrisia quando esteve com os religiosos. (Mt 6:1–18)
A lei veio como revelação da vontade de Deus. Ela é santa, justa e boa. Mas ela expõe — não regenera. Condena — não redime. Ordena — não capacita.
Ela mostra o padrão, mas não concede poder.
Cristo vem como cumprimento e superação.
Ele não anula a lei. Ele a cumpre perfeitamente.
Mateus 5.17 “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.”
Romanos 10.4 “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.”
Jesus satisfaz as exigências da Lei de Deus. E traz algo que a lei não podia dar:
Graça — favor imerecido.
Verdade — revelação plena do caráter de Deus.
graça para que os transgressores pudessem ser perdoados e ajudados na hora da necessidade, e verdade, isto é, a realidade para a qual apontavam todos os tipos de sacrifícios no AT.
Isso quer dizer que: Jesus disse a respeito de si: João 14.6 “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”
Jesus é absolutamente honesto e fiel em suas palavras e ações. Embora ame os pecadores, não ama seus pecados. Ele compreendeu que o salário do pecado é a morte. Então ele mesmo morreu para pagar a penalidade da morte que merecíamos, para mostrar graça imerecida a nós, salvando nossa alma e nos dando um lar no céu.
Em sua obra de expiação, Cristo proveu graça e verdade.
Verso 18 temos O Clímax.
João 1.18 “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
João está afirmando que a essência divina nunca foi contemplada por nenhum ser humano.
No Antigo Testamento houve manifestações reais de Deus, como no caso de Moisés, mas sempre parciais e limitadas. Ninguém viu a plenitude do ser divino.
O verbo usado para “ver” não se refere apenas ao ato físico de enxergar, mas a perceber plenamente, compreender completamente. João está dizendo que a natureza infinita de Deus está além da capacidade humana de observação direta.
Assim, o versículo nos lembra que Deus, em sua essência, é invisível e inacessível ao homem por si mesmo. Se Deus fosse conhecido, seria porque Ele decidiu se revelar. E é exatamente isso que João mostrará a seguir: o Filho é quem torna visível o Deus invisível.
Mas o Filho está no “seio do Pai”. Nos tempos bíblicos, as pessoas não se sentavam à mesa como nós. Elas se reclinavam sobre almofadas, apoiadas no braço esquerdo, próximas umas das outras.
Quem estava “reclinado no peito” do anfitrião ocupava o lugar de maior intimidade e honra. Era alguém que tinha proximidade especial, comunhão profunda.
Isso é uma linguagem de João porque ele próprio reclinou no peito Jesus. João 13:23 — uma posição de intimidade.
No seio do Pai no original, a ideia é:
“aquele que permanece continuamente em comunhão com o pai”.
“Estar no seio do Pai” significa que Jesus vive em intimidade eterna, perfeita e contínua com Deus. Ele conhece o Pai de maneira plena, porque sempre esteve em comunhão profunda com Ele. Por isso, quando Jesus revela Deus, Ele o faz como quem vem do lugar mais íntimo da presença divina.
O texto termina: E Ele “o revelou”.
O termo aqui é exegese, indica explicar plenamente, tornar conhecido de forma definitiva.
Jesus não apenas fala sobre Deus. Ele é a exegese viva de Deus. Ele desfruta da mais plena intimidade com o Pai. Ele conhece o Pai. Portanto Ele é quem torna o Pai conhecido. Somente Jesus esta qualificado para ser o exegeta de Deus.
Isso não significa que Jesus nos deu um conhecimento absoluto de Deus, como se o ser humano pudesse compreender plenamente o infinito. O finito jamais esgota o infinito.
Significa, porém, que Cristo revelou tudo o que é necessário para nossa salvação. Ele nos mostrou quem Deus é em seu caráter, em sua graça, em sua justiça e em seu amor. Revelou o suficiente para que o conheçamos verdadeiramente — ainda que não exaustivamente.
Em Cristo, temos conhecimento real de Deus, suficiente para confiar nele, adorá-lo e glorificá-lo como nosso Criador e Redentor.
Aplicação
Se você vive apenas sob a lógica do merecimento, sua vida espiritual será marcada por culpa, medo e esforço para provar que é digno. Você sempre sentirá que não fez o suficiente.
Mas Cristo não veio oferecer um sistema de desempenho religioso. Ele veio oferecer graça e verdade.
Se você baseia sua relação com Deus no que faz,
na sua disciplina, no seu comportamento, na sua performance espiritual, você estará sempre inseguro.
Mas se você corre para Cristo, encontra aquilo que nenhum esforço humano pode dar: perdão real, transformação verdadeira e aceitação segura.
O desempenho diz: “Faça mais para ser aceito.”
Cristo diz: “Eu fiz TUDO. Creia e viva para a glória de Deus.”
Em Cristo há graça para quem falhou.
Há verdade que transforma o coração.
Aplicação do verso 18.
Se Jesus é o único que revelou plenamente o Pai, então não podemos conhecer Deus à nossa maneira — apenas por meio de Cristo.
Isso significa que:
Não construímos nossa própria ideia de Deus.
Não confiamos em sentimentos, tradições ou imaginações.
Não buscamos revelações fora daquele que está no seio do Pai.
Se queremos saber como Deus é, olhamos para Jesus.
Se queremos saber como Deus age, olhamos para Jesus.
Se queremos saber se Deus nos ama, olhamos para a cruz.
Quanto mais conhecemos Cristo, mais verdadeiramente conhecemos Deus.
Portanto, aproxime-se de Cristo. Ouça suas palavras. Confie em sua obra. Porque nele temos tudo o que precisamos para a salvação e para uma vida que glorifica a Deus.
CONCLUSÃO
Nestes versículos finais do prólogo, João nos deixa diante de um Cristo:
Eterno antes de todos.
Fonte inesgotável de graça.
Revelação definitiva do Deus invisível.
Ele é superior ao tempo. Suficiente para o pecador. E perfeito na revelação do Pai.
Queridão e queridona, não basta entender com a mente, você precisa abraçar com o coração.
Se Ele é eterno — submeta-se.
Se Ele é pleno — dependa.
Se Ele revela o Pai — adore.
O Verbo se fez carne.
A graça nos alcançou.
O Pai foi revelado.
Agora resta uma decisão:
Receber essa revelação como informação ou render-se a ela como salvação.
Ilustração
Eu ouvi falar que uma família me queria.
Recebi informações, soube que estavam preparando tudo.
Mas eram só palavras.
O dia que mudou tudo foi quando a porta se abriu e eles me abraçaram.
Os papéis diziam que eu tinha uma família.
Mas foi o abraço que me fez sentir filha.
Assim é o Evangelho.
Deus não apenas nos deu informações sobre Ele.
Ele não ficou distante, enviando explicações frias.
Em Cristo, Ele abriu a porta.
Em Cristo, Ele nos chamou pelo nome.
Em Cristo, Ele nos tomou nos braços.
A cruz não foi um documento celestial —
foi o abraço de Deus para pecadores.
Não fomos apenas informados de que somos amados.
Fomos recebidos.
E em Cristo, finalmente, estamos em casa.
