O ACOLHIMENTO MÚTUO

A JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão ensina, com base em Romanos 14.1–15.13, especialmente 15.7-13, que o acolhimento mútuo é um dever de todos os crentes, tanto dos fortes quanto dos fracos na fé, a fim de preservar a unidade e glorificar a Deus. Paulo exorta que não haja desprezo nem julgamento por questões de opinião, mas que cada irmão receba o outro com espírito amigável, seguindo o exemplo de Cristo, que acolheu tanto judeus quanto gentios, confirmando as promessas de Deus e revelando sua misericórdia. O acolhimento não é mera tolerância, mas aceitação amorosa, marcada por empatia, humildade, respeito e compaixão. A falta dele gera divisão, orgulho e prejuízo à igreja, enquanto sua prática reflete o caráter misericordioso de Deus, produz alegria, paz e esperança pelo Espírito Santo. Assim, acolher não é opção, mas expressão de obediência, gratidão pela salvação e compromisso com a edificação do corpo de Cristo.

Notes
Transcript

O ACOLHIMENTO MÚTUO

Introdução:
Imagine uma família em que o pai é rígido e crítico, a mãe evita conflitos e prefere o silêncio, o filho adolescente tenta se expressar, mas é interrompido, e a filha mais nova aprende a não falar sobre o que sente. Essa é uma família em que não há acolhimento entre si. Os problemas são minimizados, há acusações, emoções ridicularizadas, desprezo e desamor. A falta de acolhimento é visível nessa família. Nela não há respeito, amor, sujeição, compaixão nem segurança emocional. O prejuízo para essa família é imenso: divisão, isolamento emocional, indiferença e comunicação quebrada.
O acolhimento é importante não só para a família terrena, mas também para a família da fé. O acolhimento não é apenas importante para o povo de Deus; é um dever de todos os filhos de Deus. Esse dever é apresentado por Paulo, em Romanos 15.7-13, como conclusão de sua exortação aos crentes mais fortes na fé e aos mais fracos. Em Romanos 14.1–15.13, Paulo está tratando de um problema específico naquela igreja: o julgamento crítico e o desprezo entre irmãos por questões de opinião.
Ele começou mostrando que os fortes não deviam desprezar os fracos, e que os fracos não deviam julgar os fortes (Romanos 14.1-12). Depois, focou nos fortes, exortando-os a não exercerem a sua liberdade em Cristo se ela fosse prejudicar os mais fracos (Romanos 14.13-23) e a carregar as fraquezas dos fracos (Romanos 15.1-6). Agora, em Romanos 15.7-13, o apóstolo chega à conclusão de tudo o que ensinou, mostrando que o acolhimento é um dever de todos os crentes, tanto dos fortes na fé quanto dos fracos.
O acolhimento dos fortes está claro em Romanos 15.1-6. Mas, agora, Paulo conclui enfatizando esse dever entre todos, fortes e fracos. Para o bem da igreja e por quem ela é, ambos devem acolher-se mutuamente. Não são apenas os fortes que devem acolher, porque isso traria uma grande carga aos fortes e poderia gerar grande arrogância nos fracos. Os fortes devem acolher os fracos com empatia, sensibilidade, compaixão e solidariedade; já os fracos devem acolher os fortes com respeito e humildade.
Lição: O Acolhimento é um Dever de Todos os Crentes, tanto dos Fortes na Fé quanto dos Fracos.
Texto: Romanos 15.7-13.
Paulo começa com:
A ordem para o acolhimento mútuo (7a).
Portanto, acolhei-vos uns aos outros,
O “portanto” é a conclusão de toda a exortação, em Romanos 14.1–15.6, aos fortes e aos fracos; ou seja, a exortação para que os fortes na fé não desprezem os fracos, e para que os fracos não julguem os fortes; para que os fortes não usem a sua liberdade em Cristo se ela for prejudicar os fracos; e para que os fortes carreguem as fraquezas dos fracos.
O verbo “aceitar” aqui é muito mais do que tolerar alguém ou reconhecê-lo; significa aceitar a presença de alguém com espírito amigável.
Ilustração: Imagine que alguém chega à sua casa. Tolerar é deixar a pessoa entrar, mas mantê-la distante. Aceitar com espírito amigável é abrir a porta, convidar para sentar, oferecer água, conversar e demonstrar interesse real.
Exemplo: Atos 28.2.
A ordem para acolher é para todos, tanto os fortes quanto os fracos. Todos nós temos a obrigação de acolher-nos uns aos outros.
Lembre-se de que acolher, aqui, se refere às diferentes convicções e opiniões sobre as quais a Bíblia fica em silêncio ou que são difíceis de entender.
Reflexão: Você, que é forte, tem aceitado os fracos? E você, que é fraco, tem aceitado os fortes? Não estamos cumprindo essa ordem quando acolhemos apenas aqueles de quem gostamos ou que têm a mesma opinião que nós. Não estamos cumprindo essa ordem quando acolhemos apenas algumas vezes.
Se queremos cumprir essa ordem, precisamos acolher todos e em todo o tempo. Se queremos a edificação dos irmãos e glorificar a Deus, acolher-nos-emos uns aos outros.
Cristo é o grande exemplo de acolhimento (7b).
como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.”
Quando Paulo diz que “Cristo nos acolheu”, ele está dizendo que Cristo acolheu tanto os crentes mais fortes na fé quanto os crentes mais fracos, e isso para a glória de Deus.
Cristo não acolheu apenas os fortes, nem acolheu apenas os fracos, mas a todos. Tanto os fortes quanto os fracos eram pecadores e foram acolhidos por Cristo. Ou seja, Cristo morreu na cruz tanto pelos fortes quanto pelos fracos, para a glória de Deus.
Se Cristo nos acolheu de tal forma, devemos nós acolher-nos também.
Cristo acolheu tanto judeus quanto gentios (8-9a).
O acolhimento aos judeus (8).
Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais;”
A palavra “ministro” refere-se a servo, ou seja, alguém que serve. Já “circuncisão” é uma referência aos judeus. Deus constituiu Cristo como servo de Israel.
Isso aconteceu “em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais”. “A verdade de Deus” é que Ele é fiel; e, para confirmar a fidelidade das suas promessas feitas aos patriarcas — Abraão (Gênesis 12.2-3), Isaque (Gênesis 26.4) e Jacó (Gênesis 28.14) —, Ele constituiu Cristo como servo de Israel.
Deus já havia falado, por meio do profeta Miquéias, que um dia mostraria a sua fidelidade a Israel (Miquéias 7.20).
O verbo “confirmar” significa, aqui, provar a veracidade e a certeza de algo.
Deixe-me ilustrar isso com a salvação: a Bíblia afirma que quem crê no Filho de Deus tem a vida eterna (João 3.36). Como Deus confirma isso? Ou qual é a prova que temos de que isso é verdade? O selo do Espírito Santo (Efésios 1.13-14). O Espírito Santo, dado como selo àquele que crê, é a prova de que Deus cumprirá a promessa que nos faz de salvação.
O acolhimento aos gentios (9a).
“e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia,
Jesus Cristo veio salvar os judeus e, ao mesmo tempo, salvar os gentios. Lembra do que João disse:
O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1.10-13)
O propósito da salvação dos gentios é que eles glorifiquem a Deus — glorifiquem a Deus que teve misericórdia deles. Ter misericórdia significa ser bondoso com alguém que está em grandes dificuldades ou não lhe dar aquilo que ela merece (por exemplo, a misericórdia do rei na parábola do credor incompassivo — Mateus 18.33 — e a misericórdia do bom samaritano — Lucas 10.37).
Com relação à misericórdia de Deus, significa que Deus foi bondoso conosco, que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, e não nos deu aquilo que nós merecíamos: a condenação eterna (Efésios 2.1-5). E Deus é misericordioso tanto com judeus quanto com gentios (Romanos 11.30-32).
Irmãos, não somos salvos porque somos bons; somos salvos porque Deus teve misericórdia de nós.
Deus teve misericórdia de nós — Ele não era obrigado a ter, mas teve —; será que temos glorificado a Deus por sua misericórdia para conosco? Somente um coração que entende o quanto estava perdido, sem Deus, sem esperança, depravado no pecado, condenado à morte eterna, e que é grato a Deus pela salvação dará glória a Deus.
Se não entendermos a nossa miséria espiritual e a imensa bondade de Deus para conosco, nunca glorificaremos a Deus.
A base bíblica para o acolhimento de Cristo aos gentios (9b-12).
como está escrito: Por isso, eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome. E também diz: Alegrai-vos, ó gentios, com o seu povo. E ainda: Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, e todos os povos o louvem. Também Isaías diz: Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar os gentios; nele os gentios esperarão.”
Versículo 9b: 2Samuel 22.50; Salmo 18.49.
Versículo 10: Deuteronômio 32.43.
Versículo 11: Salmo 117.1.
Versículo 12: Isaías 11.1, 10.
Ou seja, Deus já havia deixado claro que também teria misericórdia dos gentios. O Messias, que é Cristo, não salvaria apenas os judeus, mas também os gentios.
O desejo de Paulo tanto para os fortes quanto para os fracos (13).
E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
Nessa pequena oração em favor deles, Paulo apresenta Deus como o Deus que dá esperança. E o desejo de Paulo é que Ele os encha de todo gozo e paz. Isso é feito por meio do Espírito Santo, porque alegria e paz são frutos do Espírito (Gálatas 5.22).
Paulo pede a Deus que os encha de todo gozo e paz “no vosso crer”. Crer, aqui, refere-se à convicção ou à opinião sobre determinada coisa ou assunto, como aparece em Romanos 14.22. O pedido é que Deus os enchesse de toda alegria e paz nas convicções que têm. Ou seja, era para que cada um — tanto os fortes quanto os fracos — estivesse alegre e em paz com a sua convicção ou opinião sobre determinada coisa ou assunto.
Por exemplo, os que comiam legumes estariam alegres com isso e em paz com os que comiam de tudo.
Fazendo isso, Deus os tornaria ricos (abundantes) de esperança — esperança da vida eterna. Em vez de olharem para as coisas terrenas, estariam abundantemente olhando para as coisas eternas. Essa abundância de esperança vem do poder do Espírito Santo.
Com isso, Paulo conclui essa seção de exortação aos fortes e aos fracos, mostrando o dever de acolher-se mutuamente.
Perigos do não acolhimento:
Não refletir o caráter de Deus. Deus é um Deus acolhedor (Romanos 14.3; 15.7).
Prejudicar a nós mesmos e a igreja de Deus.
Conclusão:
O dever de acolher é para todos, tanto para os crentes mais fortes na fé quanto para os crentes mais fracos, e também deve ser exercido com todos, tanto para com os mais fortes quanto para com os mais fracos.
Aplicações:
Se não nos acolhermos uns aos outros, estaremos sendo desobedientes e rebeldes contra Deus.
Fomos acolhidos por Deus quando éramos pecadores e, agora, como filhos de Deus, devemos acolher-nos uns aos outros.
Se queremos acolher-nos uns aos outros, precisamos nos livrar de sentimentos e estados emocionais que impedem o acolhimento. No acolhimento mútuo, não há espaço para o egoísmo, o individualismo, a indiferença, o ego ferido, a inveja, a desconfiança, o preconceito e o ressentimento. O acolhimento mútuo exige de nós uma limpeza emocional.
O não acolhimento entre os irmãos em Cristo trará grande prejuízo à igreja — discussões, divisões e mau testemunho. O não acolhimento vem de um coração orgulhoso, arrogante, duro e rebelde contra Deus. O não acolhimento mostra o desamor e a desunião entre o povo de Deus. O não acolhimento é uma desobediência escancarada a Deus, porque acolher é um dever, não uma opção.
Diante de tudo isso, vamos acolher os irmãos, sim ou não? Se não estamos dispostos a acolher os irmãos, precisamos analisar bem que tipo de vida cristã estamos vivendo.
7 Por essa razão, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu para a glória de Deus. 8 Digo, pois, que Cristo se tornou servo da circuncisão, em favor da verdade de Deus, para confirmar as promessas aos pais; 9 e os gentios, por causa da misericórdia, glorificam a Deus, como está escrito: “Por isso, eu te confessarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome.” 10 E ainda diz: “Alegrai-vos, ó gentios, na companhia do povo de Deus.” 11 E ainda: “Louvai ao Senhor, todos os gentios, e louvem-no todos os povos.” 12 E ainda Isaías diz: “Surgirá um descendente de Jessé, e se levanta para governar os gentios; nele os gentios terão esperança.” 13 E que o Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz na fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo.
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