Reconheço que Preciso de Avivamento
PARTE 02
DESENVOLVIMENTO - O QUE A PALAVRA ENSINA
TEXTO-BASE:
Capítulo 1
O homem, seu tempo e sua mensagem
A vida do profeta
O Antigo Testamento, entre os livros de Samuel e Neemias, faz referência a doze diferentes homens que receberam o nome de
A data da profecia
Charles Feinberg é da opinião que Joel é um dos mais antigos profetas escritores do Antigo Testamento, uma vez que Amós e Oséias o citam (
O estilo do profeta
Guilherme Orr diz que o estilo do profeta é claro e vigorosamente descritivo.16 J. Sidlow Baxter, por sua vez, diz que tanto no estilo como no assunto o livro de Joel é fascinante. Joel dificilmente pode ser igualado na vivacidade de sua descrição e no pitoresco de sua linguagem. Seus quadros por escrito que descrevem a terra destruída pela praga, o exército invasor de gafanhotos e a reunião final de todas as nações no vale do juízo são obras-primas em miniatura de forte realismo.17
Joel escreve como um poeta lírico e dramático. Suas descrições do ataque dos gafanhotos são vívidas, dramáticas e reais. Por exemplo, ele descreve os gafanhotos como exército, como nação e como povo. Eles marcham em ordem; têm os dentes de leão e os queixais de uma leoa. Eles se apresentam como cavalos de guerra, como o estrondo de carros militares.18 Joel revela profundo conhecimento da voracidade e destrutibilidade do ataque dos gafanhotos. Suas descrições são rigorosamente compatíveis com os detalhes científicos desses bandos avassaladores.
Joel demonstra, também, um profundo conhecimento da vida religiosa do seu povo. Detalha com precisão o templo, as ofertas, as oferendas, o culto, os sacerdotes como ministros do Senhor. O livro deixa claro que Joel exerceu o seu ministério na cidade de Jerusalém. É aos habitantes dessa cidade que se dirige (2.23). É Jerusalém que vê em perigo (2.9). É em Sião que soará o “alarme” (2.1,15). É no monte Sião e em Jerusalém que se dará a salvação no futuro (2.32). É o cativeiro de Judá e de Jerusalém que então findará (3.1), e Judá e Jerusalém serão “habitadas para sempre” (3.20). O reino de dez tribos no Norte não é mencionado nem sequer uma vez.19
As comparações literárias do profeta são interessantes, especialmente do ponto de vista da teologia, diz A. R. Crabtree. A praga dos gafanhotos é um julgamento e um aviso do Dia do Senhor (1.15; 2.1; 2.10). A libertação da praga de gafanhotos é pelo arrependimento (1.13,14; 2.12–17). Depois da praga dos gafanhotos, o povo recebe as bênçãos da prosperidade e liberdade do poder dos inimigos (2.19,22,24; 3.18). Depois da libertação do poder das nações, o Senhor habitará no meio do seu povo (2.27; 3.21).20
Outra característica do estilo literário de Joel, segundo A. R. Crabtree, é o uso de contrastes.21 Joel contrasta o sofrimento dos homens e animais provenientes da praga de gafanhotos (1.4–20) e a sua felicidade na restauração da produtividade da terra (2.18–27). Contrasta o julgamento divino das nações com as ricas bênçãos do povo do Senhor (2.28–3.21).
Há um grande debate entre os estudiosos se o livro é literal, alegórico ou apocalíptico. Alguns eruditos como Calvino pensam que o capítulo primeiro é um relato literal e que o capítulo segundo seja uma alegoria do ataque dos exércitos inimigos. Há aqueles que pensam que Joel está apenas relatando uma cena alegórica para destacar uma mensagem apocalíptica. Meu entendimento, fulcrado em vários eruditos, é que a descrição de Joel é literal, porém, o cumprimento da sua profecia estende-se para outros fatos históricos que culminarão no grande Dia do Senhor. Charles Feinberg é categórico: “Devemos decidir-nos pelo ponto de vista literal”.22
As principais ênfases do profeta
Dentre as várias mensagens do profeta Joel, destacaremos quatro de suas ênfases:
Em primeiro lugar, o pecado atrai o juízo divino. A praga de gafanhotos, a seca e o fogo são calamidades que atingem a terra, as plantas, as fontes, o gado, os homens e o culto. Essas calamidades não são apenas catástrofes ou tragédias naturais, mas o juízo de Deus sobre o seu povo. Clyde Francisco diz corretamente que os desastres físicos acompanham a desintegração moral. O modo como um homem vive em relação a seu Deus vitalmente influenciará as suas alegrias ou tristezas terrenas.28
David Hubbard diz que a causa principal da praga foi o culto degenerado, pervertido pelos excessos dos participantes embriagados e dos sacerdotes negligentes, que deixou as práticas pagãs diminuírem a pureza da adoração que devia ter se concentrado somente no nome de Iavé e em seu senhorio único e exclusivo sobre o povo. A resposta verdadeira para o culto errado não era a extinção do culto, mas o culto correto. A descrição final que Joel faz de Iavé, habitando em Jerusalém, no Monte Sião, o local dos templos de Salomão e Zorobabel, é uma prova clara disso.29
Em segundo lugar, quando o povo da aliança desobedece, Deus o disciplina. As calamidades naturais eram chicotes da disciplina de Deus ao seu próprio povo. O povo da aliança tinha desobedecido a Deus, e para trazê-lo de volta o Senhor enviou seus agentes disciplinadores. David Hubbard diz que o grito na adoração não era “Oh!”, mas “ai!” (1.15). As vítimas de Iavé na guerra santa não eram os gentios, mas o povo da aliança, que cercava o santo monte (2.1). Os grandes arcos da catedral da fé de Israel desabaram sobre o povo mediante a palavra profética: a celebração transformou-se em lamento; a confiança na inviolabilidade, em terror diante da destruição completa.30
Em quarto lugar, o Dia do Senhor será dia de trevas para os impenitentes e bênção indizível para o povo de Deus. O tema unificador de toda a profecia é “o Dia do Senhor”. Essa frase aparece cinco vezes no livro de Joel (1.15; 2.1, 11,31; 3.14). Essa frase constitui a chave para a compreensão da profecia de Joel, particularmente de seus aspectos escatológicos e messiânicos. É importante compreender que a mensagem de Joel deve ser considerada primariamente escatológica.31
O Dia do Senhor será dia de juízo e vingança para os impenitentes e também de recompensa para os salvos. Será dia de luz e de trevas, de condenação e salvação. George Robinson diz que a idéia de um grande dia de juízo sai da mão de Joel tão perfeita, que seus sucessores Amós, Isaías e Malaquias passam a adotar esse mesmo conceito.32
As calamidades históricas são um símbolo do que será o castigo divino no Dia do Senhor. Concordo com Van Groningen quando diz que essa invasão de gafanhotos deve ser considerada um fato histórico. Quando Joel descreve essa cena, aponta para outro desastre vindouro: a invasão de uma nação inimiga (1.6). A primeira cena é usada para colocar diante do povo a imagem de um desastre ainda maior. A cena dos gafanhotos e seus desastrosos resultados leva Joel a referir-se também ao Dia do Senhor (1.15). Esse será um dia de desastre e julgamento que alcançará uma expressão mais plena quando uma nação inimiga invadir e causar devastação.33
03100 Yow’el
procedente de 3068 e 410, grego 2493 Ιωηλ; n pr m
Joel = “Javé é Deus”
(ʾel), PREP., NEG. para; em direção a; contra.
(spr), VB. contar; registrar; revelar. Equivalente grego: διηγέομαι (23), ἀριθμέω (12), ἐξαριθμέω (9).
Uso como Verbo
1. dizer — tornar algo conhecido. Tronco: piel, 64. Veja também שׂיח.
piel
(gzm), SUBS. gafanhoto. Equivalente grego: κάμπη (3).
Uso como Substantivo
1. enxame de gafanhotos† — um tipo particular de gafanhoto, possivelmente conhecido por seu enxame. Tópicos Relacionados: Destruidor; Cortador.
(ʾrbh), SUBS. gafanhoto migratório. Equivalente grego: ἀκρίς (15), βροῦχος (3), ἀττέλεβος (1).
Uso como Substantivo
1. gafanhoto — um gafanhoto migratório, tem antenas curtas e que foi considerado limpo para a comida. Veja também צְלָצַל. Tópico Relacionado: Gafanhoto. Entidade Relacionada: Gafanhoto.
[...]
(yeleq), SUBS. gafanhoto. Equivalente grego: βροῦχος (4), ἀκρίς (3).
Uso como Substantivo
1. gafanhoto rastejante — um tipo de gafanhoto, talvez conhecido pelo seu rastejo, que foi considerado limpo para a comida.
[...]
(ḥāsîl), SUBS. gafanhoto. Equivalente grego: ἐρυσίβη (4), βροῦχος (1).
Uso como Substantivo
1. gafanhoto (incerto)† — um certo desconhecido tipo de gafanhoto. Tópico Relacionado: Destruidor.
[...]
(śaq), SUBS. saco; cobertor. Equivalente grego: σάκκος (45), μάρσιππος (1).
Uso como Substantivo
1. saco de carvão (vestuário) — uma roupa grossa, escura provavelmente feita do pelo de cabras ou de outros animais; normalmente indicativo de luto. Tópico Relacionado: Pano de saco. Entidade Relacionada: Pano de saco, roupas de luto.
ʾbl 1), VB. lamentar; prantear. Equivalente grego: πενθέω (9), ἀπώλεια (1), καταπενθέω (1), ὅσος (1).
Uso como Verbo
1. lamentar (chorar) — sentir tristeza e expressá-la através de vocalizações, lágrimas e expressões rituais de tristeza e dor. Tronco: hitpael, 12; qal, 7. Veja também אבל 2, אנה 1, נהה 2, נוד, ספד, קדר. Tópicos Relacionados: Tristeza; Luto.
[...]
qal
[...]
2 (ʾbl 2), VB. murchar. Equivalente grego: πενθέω (1).
Uso como Verbo
1. lamentar (chorar)† — sentir tristeza e expressá-la através de vocalizações, lágrimas e expressões rituais de tristeza e dor. Tronco: qal, 2. Veja também אנה 1, נהה 2, נוד, ספד, קדר. Tópicos Relacionados: Tristeza; Luto.
qal
[...]
Otto Schmoller diz que em virtude da familiaridade de Joel com o templo, os sacrifícios e o sacerdócio, podemos presumir que ele pertencia à classe sacerdotal.2 Em virtude de sua contundente mensagem de juízo e convocação da nação ao arrependimento, William MacDonald diz que Joel tem sido chamado de o João Batista do Antigo Testamento.3
O estilo do profeta
Guilherme Orr diz que o estilo do profeta é claro e vigorosamente descritivo.16 J. Sidlow Baxter, por sua vez, diz que tanto no estilo como no assunto o livro de Joel é fascinante. Joel dificilmente pode ser igualado na vivacidade de sua descrição e no pitoresco de sua linguagem. Seus quadros por escrito que descrevem a terra destruída pela praga, o exército invasor de gafanhotos e a reunião final de todas as nações no vale do juízo são obras-primas em miniatura de forte realismo.17
Em terceiro lugar, o arrependimento sincero suspende o castigo e traz de volta a restauração. Se o pecado produz calamidade, o arrependimento é o portal da bênção (2.12–27). Quando o povo se volta para Deus em lágrimas, Deus se volta para o povo com bênçãos materiais e espirituais. O chamado de Deus não é arrependimento e novamente arrependimento, mas arrependimento e frutos de arrependimento. Não é suficiente rasgar as vestes, é preciso rasgar o coração. Deus não aceita um ritual de quebrantamento; ele espera um choro sincero, cujas lágrimas, como torrentes, quebram a dureza do coração.
Em quarto lugar, os líderes espirituais precisam ter discernimento do seu tempo e chamar o povo ao arrependimento. Os sacerdotes são ministros de Deus (1.9,13,14; 2.17) e eles devem saber interpretar as causas dos problemas que afligem o povo e chamar esse mesmo povo ao arrependimento, dando-lhe o exemplo. Joel faz uma profunda conexão entre o pecado do povo da aliança com as calamidades naturais que sobrevieram sobre a terra de Judá. Ele olha para a vida como um todo. Ele sabe que a desobediência ao pacto traz maldição enquanto a obediência produz bênção (
(zʿq), VB. clamar; pedir socorro. Equivalente grego: βοάω (17), κράζω (11), ἀναβοάω (6).
Uso como Verbo
[...]
3. clamar por ajuda — proferir em voz alta um pedido de ajuda com intensidade. Tronco: qal, 37. Veja também שׁוע 1.
qal
(bky), SUBS. choro. Equivalente grego: κλαυθμός (20), κλαίω (3), κραυγή (1), πένθος (1).
Uso como Substantivo
1. chorando — o processo de derramar lágrimas; geralmente acompanhado por soluços ou outros sons desarticulados. Veja também בְּכִית, דִּמְעָה. Tópicos Relacionados: Lágrima; Choro. Entidade Relacionada: Lágrima.
(mspd), SUBS. cerimônia funeral; lamentação. Equivalente grego: κοπετός (12), κόπτω (1).
Uso como Substantivo
1. lamentação — o ato de chorar ou lamentar na tristeza que é frequentemente acompanhada de pranto ou clamor. Veja também נְהִי, נִי. Tópicos Relacionados: Lamento; Lamentações.
(nḥm), VB. consolar-se; sentir pesar. Equivalente grego: παρακαλέω (26), μετανοέω (8).
Uso como Verbo
[...]
4. abrandar — cessar uma atividade em particular, frequentemente com a implicação de que compadecer-se é um ato de graça. Tronco: nifal, 22. Tópico Relacionado: Desistir.
nifal
A teologia do profeta
Em terceiro lugar, a salvação é pela graça mediante a fé e não uma conquista das obras. Segundo Joel, a salvação é pela graça de Deus, mediante a fé.37 O profeta Joel faz uma declaração categórica: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (2.32). Com base na profecia de Joel, a salvação pela graça mediante a fé foi livremente apresentada a todas as pessoas de todas as nações do mundo pelo apóstolo Pedro no dia de Pentecostes (
A divisão do livro
O livro do profeta Joel é dividido em duas partes. A primeira parte do livro vai de 1.1 a 2.17, e a segunda parte de 2.18 a 3.21. A primeira parte pode ser denominada: o pronunciamento da ira de Iavé, pela qual ele executa a maldição do pacto. Essa ira, entretanto, é atenuada pelo chamado ao arrependimento e pela garantia de que Iavé é misericordioso.
A segunda parte é introduzida pelo amor ativo de Iavé que o leva a procurar, defender e fazer prosperar o seu povo. Nessa segunda divisão da sua mensagem o profeta explica o derramamento do Espírito, os sinais do Dia do Senhor, o livramento dos fiéis de Jerusalém, o julgamento divino das nações e as bênçãos divinas de Judá.23 As bênçãos do pacto virão seguramente a um povo fiel, enquanto o juízo de Deus alcançará as nações.24
Paul House define a primeira parte (1.1–2.17) como uma descrição da praga dos gafanhotos, e a segunda parte (2.18–3.21) como a era escatológica vindoura ou então entre o lamento com a praga de gafanhotos e a resposta de Iavé diante desse lamento.25 Concordo com Meyer Pearlman quando diz que Joel predisse o futuro à luz do presente, considerando um acontecimento atual e iminente como símbolo de um acontecimento futuro.26
A resposta do Senhor para o seu povo foi composta por quatro partes. Primeira, a terra seria restaurada. Segunda, o povo passaria por um despertar espiritual. Terceira, Deus iria julgar as nações que não se arrependessem. Quarta, Judá receberia uma bênção especial bem como proeminência.27
Em quinto lugar, o Deus da aliança é o Deus da restituição. O arrependimento traz a suspensão do castigo e a volta das bênçãos (2.18–27). Quando o povo se volta para Deus em arrependimento, Deus se volta para ele em graça, restituindo-lhe tudo aquilo que o inimigo havia levado (2.18–27). A restauração divina alcança a terra, o campo, as fontes, os animais, os homens, o templo e o culto. Tudo que estava morto pelo pecado recebe vida pela conversão.
Em sexto lugar, o derramamento do Espírito é uma promessa segura e abundante para o povo de Deus. Joel prediz mais explicitamente que qualquer profeta, o derramamento do Espírito sobre toda a carne (2.28,29). Joel é chamado de o profeta do Pentecostes.38 O derramamento do Espírito é uma promessa segura e abundante de Deus (2.28–32;
Em oitavo lugar, a restauração do povo de Deus será gloriosa. Em contraste com as nações condenadas à destruição, os israelitas fiéis serão libertos do poder dos inimigos e recompensados com as bênçãos do Senhor. Jerusalém será eternamente livre do poder do inimigo (3.18). A terra de Israel será um jardim de prosperidade e felicidade (3.20). Essas bênçãos são messiânicas e se cumprirão na plenitude de todas as coisas, quando a igreja de Cristo reinará com ele num reino de glória.
