Apocalipse 11.15-19
Série expositiva no Livro de Apocalipse • Sermon • Submitted • Presented
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· 8 viewsO autor demonstra a inexorabilidade da publicação do Reino dos céus, e o desbaratar da insurreição mundana que culmina em julgamento e condenação.
Notes
Transcript
Apocalipse 11.15-19: A reclamação divina do Reino do mundo e o louvor celestial por seu julgamento.
Apocalipse 11.15-19: A reclamação divina do Reino do mundo e o louvor celestial por seu julgamento.
“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer…” (Ap 1.1).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Recapitulação
Estrutura textual anterior:
Apocalipse 11.1-14: O ministério profético da igreja (pt 2): O martírio profético, a resistência mundana e a ascensão vitoriosa da igreja.
I. (vv. 1-2) Introdução: A medição do santuário divino como demonstração da segurança e completude da igreja, e a representação profana dos gentios como assolação ao povo de Deus.
II. (vv. 3-14): A saga profética/testemunhal: anúncio, martírio e ascensão.
Objetivo: Enfatizar para a igreja a jornada profético-testemunhal a ser percorrida por ela, como instrumento no anúncio da mensagem evangélica, ao passo que, simultaneamente, esta manifesta-se como parte do juízo do SENHOR sobre os que rebelam-se contra seu Reino, perseguindo a mesma igreja, que é assunta à glória eterna, tal como Cristo o fora.
Elucidação
Estrutura textual:
- Continuação do conteúdo judicial das trombetas (cf. v. 15b, 19 “O sétimo anjo tocou a trombeta… Abriu-se o santuário de Deus… e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e grande saraivada”).
- Centro da seção: Cânticos (vv. 15b-18).
Cântico I - O hino dos mártires.
- “… e houve no céu grandes vozes”. Desde o capítulo 4, vozes ecoam no céu, tanto dando ordens como também descrevendo cenários. Entretanto, levando em consideração o modo de fala (2ª pessoa do plural) e o contexto de desfecho do julgamento divino, é possível que as vozes ouvidas por João tenham sido as vozes dos mártires de 6.9-11. Lá, os santos mortos por causa do evangelho clamam a Deus por justiça, e após terem recebido ordens para que esperassem, o Livro de Apocalipse ressalta tanto o desejo divino em atender àquele clamor (cf. 8.1-5), quando agora demonstra a satisfação do santos ao verem a execução final da iniciativa julgadora divina.
- “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo”. Embora o clamor por vingança/justiça tenha sido o impulso inicial do clamor dos mártires, a observação de que o juízo divino culmina com a publicação do Reino dos céus é louvada pela igreja como ponto alto da história. O juízo intenso do SENHOR contra os rebeldes/usurpadores de seu Reino (cf. v. 18c “destruíres os que destroem a terra”), não representa somente a vindicação de sua igreja, mas a apoteótica publicação de seu senhorio absoluto sobre todas as coisas. O governo divino, até então representado pela agência de seus instrumentos judiciais (i.e. os selos e as trombetas), agora é trazido à lume.
Segundo Osborne:
Apocalipse - Comentário Expositivo do Novo Testamento Grant Osborne Anúncio por Vozes Celestiais (11.15)
O hino celebra a inversão da trágica situação durante a era do pecado, o reinado do “reino do mundo”. A sequência de frases que começa com “se tornou” olha para o fim da história como um todo completo, um fato consumado. O reino não é mais — e nunca voltará a ser — “do mundo”, mas para sempre será “de nosso Senhor”. Além disso, o tema da harmonia continua com a unidade definitiva entre Deus (“de nosso Senhor”) e Cristo (“de seu Messias”). É o reino da Divindade, e os poderes malignos, tanto humanos como angélicos, foram derrotados de uma vez por todas pelo “Senhor e seu Messias”.
Cântico II - O hino do julgamento.
- “E os vinte e quatro anciãos…”. Confirmando a lógica da interpretação do cântico por parte da igreja na figura dos vinte e quatro anciãos (os quais já tinham sido usados como representação do povo de Deus (cf. 5.8)), novamente bradam de júbilo diante do Altíssimo.
- “…Que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder…”. O clamor dos representantes celestes do povo de Deus gira em torno da reclamação divina de seu reino. O termo “εἴληφας” caracteriza a ação divina de exercer a tomada do Reino do mundo, não de um ponto de vista de conquista do que não lhe pertencia, mas de desbaratar a insurgência usurpadora de seus opositores, como salienta o versículo 18:
Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra.
Nesse ínterim é digno de nota que concomitante a retribuição dos ímpios em juízo, ocorra também a recompensa dos “servos, profetas, santos e tementes a Deus”, o que, como conclui Beale, representam um e o mesmo grupo (BEALE, 2017, p. 223). O galardão é a libertação dos santos, o fato de eles receberem uma posição de reinado com Cristo e as bênçãos acompanhantes (ibid, p.223). Enquanto os ímpios rebeldes são expulsos do reino e julgados, os justos participam, pelos louvores, do reinado do SENHOR.
- Epílogo sintético: desfecho de julgamento e transição para próxima seção (v.19).
- “Abriu-se, então o santuário de Deus… e foi vista a arca da Aliança”. A contemplação do santuário celeste do SENHOR, precisa ser entendida à luz da conjugação da visão da arca da Aliança, dentro do contexto proposto pelo capítulo 11. À primeira vista, o santuário divino poderia indicar a iniciativa do SENHOR de finalmente habitar no meio do seu povo, como de fato será frisado no capítulo 21 (cf. 21.1-3, 22-23).
Nada obstante, o teor de julgamento e condenação dos ímpios mediante a publicação do Reino Eterno, enquadram a visão dentro de um contexto de oposição e confronto. Assim, a a presença da Arca da Aliança deve ser entendida dentro daquele contexto veterotestamentário, no qual representava a movimentação divina contra os inimigos seus e de seu povo, como durante o cerco à Jericó e outros episódios.
No AT, a arca da Aliança ia adiante do exército dos filhos de Israel, como símbolo da presença de Deus em juízo. O contexto de concretização ou consumação do juízo, pode ser interpretado a partir de um cenário de combate ou de guerra, travada por Deus contra seus adversários (i.e., os rebeldes contra o seu Reino) tendo em vista que o SENHOR reclamou para si (cf. v.17 “assumiste/reclamaste” (gr. (εἴληφας)) o Reino do mundo.
- “… e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada”. Os elementos cósmicos referidos por João atestam que a visão da Arca da Aliança no santuário de Deus, representa a presença divina em oposição e confronto ao mundo. É digno de nota que os próximos capítulos (cf. 12.1-15.4) encenam o grande conflito entre os reinos do mundo, chefiados pelas forças satânicas, contra a igreja e o SENHOR. O versículo 19 encerra a seção enfatizando a conquista divina de seus adversário, quando de sua reclamação do reino do mundo. Tal como o SENHOR desbaratou os exércitos adversário, em campanha de conquista da terra de Canaã para seu povo, estando representado por sua Arca adiante dos filhos de Israel, o final da história do mundo registra a vitória do Rei dos reis e Senhor dos senhores, sobre os que se opuseram ao seu domínio, sendo este anunciado por seus profetas/testemunhas: os crentes.
Síntese principiológica
Apocalipse 11.15-19 encerra a sequência de julgamentos das trombetas de modo semelhante aos sete selos abertos em 6.1-8.5: Momento após momento, a ira do SENHOR foi derramada sobre os rebeldes e usurpadores de seu Reino. Entretanto, de modo distinto da visão dos selos, que teve como ênfase principal a resistência dos santos diante da aflição dos ímpios, o tocar das sete trombetas culmina com a publicação do Reino Eterno.
O SENHOR exaltou-se gloriosamente ao desbaratar a rebelião anticristã, conquistando o reino do mundo. Seus servos agora louvam e enaltecem seu nome, contemplando a vitória prometida.
O texto fornece à igreja a contemplação do mesmo princípio que vem sendo estabelecido ao longo do livro de Apocalipse, com a distinção de que todo o enredo da presente seção é narrado no passado, representando a inexorabilidade do desfecho cosmológico. A igreja deve encarar o reinado do SENHOR e do seu Cristo sobre o mundo, como fato consumado. Embora nossa realidade apresente esse princípio mediante o progresso do tempo, em que dia após dia, vemos as palavras de Deus quanto a conclusão do seu plano cumprirem-se, Deus já (como desde toda eternidade) contempla a conclusão de tudo com sua entronização, em Cristo, sobre o trono da história.
Frente a isso, as seguintes verdades devem recebidas e cridas pela igreja hoje:
Aplicações
O Reino do mundo pertence ao SENHOR e ao seu Cristo, ainda que os homens pensem ter sobre ele algum controle, pervertendo a ordem criada e avessando-se contra todo ordenamento moral entregue pelo próprio Criador. A aparência das circunstâncias difere diametralmente de sua realidade objetiva: embora os homens rebelem-se contra o SENHOR, o mundo não pertence aos homens; o que estamos assistindo é a usurpação e rebelião dos ímpios contra o SENHOR, mas nós não podemos tomar tal cenário como verídico ou como definidor de nossa postura aqui. O que os homens chamam de reino/poder/liberdade nada mais é do que insurgência ou insurreição , e eles serão desbaratados. Somos chamados a alimentar nossa mente, pela palavra de Deus, com um “paradoxo ótico”: vemos uma coisa que significa o seu completo oposto.
Diante da inexorabilidade da publicação do Reino Eterno, os santos de Deus devem ter em sua boca o cântico de vitória do versículo 15a e 17:
Almeida Revista e Atualizada Capítulo 11
O que por tantos séculos foi orado pela igreja, será cantado num contexto ainda mais glorioso: A frase “venha o teu Reino” (num sentido de prece), dará lugar ao “veio o teu Reino!”. Essa convicção é enfatizada pelo livro de Apocalipse, a fim de que os crentes vejam-se alimentados com essa certeza inabalável. A redação do texto com os principais verbos do passado, servem a esse propósito.
Sob a fornalha das lutas e dificuldades que experimentamos nesse mundo, a certeza de que Cristo voltará e de que esse momento marcará o fim de nossa luta, vai fenecendo e se tornando cada vez menos vívida, como uma brasa tirada da fogueira. Mas, precisamos preencher nossas mentes com a infalível realidade de que o Reino dos céus é chegado, e que as portas do santuário divino se abrirão, nos convidando a entrarmos no reino que está preparando para nós desde antes de fundação do mundo (cf. Mt 25.34).
Conclusão
O hino de vitória que João ouve soa como o arranhar de porcelana aos ouvidos dos ímpios, e a razão é simples: a igreja louva/proclama a reivindicação do mundo por Deus e por seu Cristo, anunciando que seus projetos de poder nada mais são do que pueris castelos de areia, comparados ao Reino Eterno que prestes está de descer dos céus. O louvor da igreja anuncia a chegada do julgamento e a ruína dos reinos dos homens.
