Uma Obra, Dois Testemunhos
Cristianismo do dia-a-dia • Sermon • Submitted • Presented
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· 7 viewsEm "Uma Obra, Dois Testemunhos", exploramos 1Pedro 2.9–12 para compreender a verdadeira evangelização. Baseado na série "Cristianismo do Dia a Dia", o Pr. Pedro Vieira demonstra que compartilhar a fé exige três fundamentos: nossa identidade como povo eleito, a proclamação verbal dos feitos de Deus e uma conduta exemplar que confirme nossa mensagem. Evangelizar é o privilégio de um mendigo
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1Pedro 2.9–12 “Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes, vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus; antes, não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia. Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que, quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação.”
Introdução
Introdução
Continuando com nossa série “Cristianismo do Dia a Dia”, e quero começar com uma pergunta: o que é evangelizar? Se eu fizer essa pergunta para um crente com alguns anos de conversão, provavelmente ele responderá que evangelizar é pregar o Evangelho ou algo semelhante. Mas, o que é pregar o Evangelho?
Uma vez ouvi uma frase:
“pregue o Evangelho em todo tempo, se necessário, use palavras” [1].
A ideia é que devemos viver uma vida tão santa e devemos mostrar tanto amor pelo próximo que as pessoas se sentirão atraídas para Cristo, mesmo que você nunca fale nada de Jesus a elas. Falar, então, não é necessário.
Essa frase faz muito sucesso entre evangélicos, pois durante muitos anos fomos ensinados que falar da nossa fé pode provocar discussões, mas atos de amor são inquestionáveis.
Mas será que esta frase está certa? Será que basta nosso bom comportamento para atrair as pessoas ao Evangelho? Será que a pregação falada é algo que a gente deve evitar? E, mais importante, o que a Bíblia fala sobre a pregação do Evangelho?
Pedro estava escrevendo para irmãos em Cristo que moravam em diversos lugares da Província da Ásia Menor, onde hoje está a Turquia. Estes irmãos tinham alguns problemas com o povo do local e o apóstolo deu instruções de como proceder e, entre as muitas instruções de Pedro, está também a de como tornar Cristo mais conhecido entre os povos, mas a partir das bases que Deus nos dá.
Por isso, veremos que para compartilhar Cristo, precisamos das três bases divinas.
Exposição
Exposição
1ª Base: A evangelização nasce da identidade em Deus
1ª Base: A evangelização nasce da identidade em Deus
v.9a - Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, [...] v.10 - Antes, vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus; antes, não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia.
v.9a - Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, [...] v.10 - Antes, vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus; antes, não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia.
[Desenho: Um baú de tesouro aberto com várias pessoas pequenas (bonecos de palito simples) saindo de dentro ou ao redor dele, com uma grande coroa no topo.]
E como é comum no Novo Testamento, quando recebemos alguma instrução de como devemos agir, antes nos é dito o porquê. Afinal, a Bíblia ensina que ser cristão não é seguir um monte de regras para ser salvo ou para obter o amor de Deus, mas justamente o contrário.
Pedro usa várias expressões do Antigo Testamento para ajudar tanto v.9 (Êx 19.5-6; Is 43.20-21; Dt 7.6), quanto no v.10 (Os 1.9; 2.23). Todas estas eram referências a Israel, mas que Pedro aplica à igreja as promessas que Deus havia dado a Israel, mostrando que agora judeus e gentios unidos em Cristo formam o povo de Deus.
Este texto possui muitas verdades importantes, mas quero que você se concentre em uma só: todas as instruções que Pedro dará aqui somente têm sentido porque Deus nos elegeu como seu povo, nação, sacerdotes e geração, ou seja, para compartilhar Cristo, precisamos primeiro, ser de Cristo.
Assim, a primeira base para compartilhar o evangelho com alguém é saber de onde Ele nos tirou (o que inclui pecados, culpa, tristezas, medos e fraquezas) e em quem Ele nos transformou. E tudo isso, por iniciativa dele, não por bondade nossa, como a gente apreende da ideia de que somos “raça eleita”, ou seja, somos uma família escolhida ou formada por Deus (Is 43.20-21) [2]. E essa nova identidade que Ele nos deu sempre não pode ser guardada somente para nós.
Quanto a isso, o pregador Daniel T. Niles, certa vez disse:
O testemunho cristão é apenas um mendigo dizendo a outro mendigo onde encontrar pão. [3]
Ninguém é capaz de dar o pão que não possui, e todo cristão tem para compartilhar o único Pão da Vida: Jesus Cristo. Nós que não éramos nada e não tínhamos nem rumo nem honra, agora somos povo de Deus, seus representantes e separados para Ele. Mais que uma obrigação e mandamento, falar de Cristo é um privilégio, uma honra. Nós compartilhamos porque recebemos primeiro. O que nos leva à 2ªbase da evangelização.
2ª Base: A evangelização fala da obra de Deus
2ª Base: A evangelização fala da obra de Deus
v.9b - [...] a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
v.9b - [...] a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
[Desenho: Um caminho que começa em uma nuvem escura e termina em uma grande lanterna ou sol brilhante. Sobre o caminho, uma boca estilizada (ou balão de fala) com uma cruz dentro.]
Mas tudo o que Ele fez por nós tem um propósito. Compartilhar o Evangelho não é uma opção, pois Deus nos chamou justamente para isso. E não há como compartilhar verdadeiramente o Evangelho sem falar.
A Bíblia é muito clara quanto a isso:
Romanos 10.14 “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”
Romanos 10.17 “E, assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo.”
João 17.20 “— Não peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por meio da palavra que eles falarem,”
Veja que as pessoas só desenvolvem fé salvadora quando conhecem a história da salvação. É ouvindo sobre Jesus, é ouvindo as histórias e ensinos da Bíblia que as pessoas passam a crer.
A palavra grega traduzida por “virtudes” (ἀρετή) era usada para se referir aos grandes feitos do Senhor [4]. Mas entenda, “falar dos grandes feitos do Senhor” não é ficar falando aleatoriamente dos milagres que Deus realizou. Pedro diz especificamente que devemos falar da salvação das trevas para a luz.
Isto nos lembra o que Jesus disse ao ex-endemoniado geraseno, quando este quis seguí-lo:
Marcos 5.19 “Jesus, porém, não o permitiu; ao contrário, ordenou-lhe: — Vá para a sua casa, para os seus parentes, e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você e como teve compaixão de você.”
Evangelizar, então sempre inclui falar, mas falar da obra da salvação: aquilo que Deus fez em Cristo e aquilo que Ele fez em nossa vida.
Mas, se falamos das boas obras de Deus que nos salvou e que esse Deus nos transformou em povo dele, então o evangelho não pode ser somente da “boca para fora”. É necessária a 3ª base da evangelização.
3ª Base: A evangelização mostra a obra de Deus
3ª Base: A evangelização mostra a obra de Deus
v.11 - Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, v.12 - tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que, quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação.
v.11 - Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, v.12 - tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que, quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação.
[Desenho: ]
Por isso Pedro apela aos crentes que, reconhecendo que não pertencem a este mundo (pois são de Cristo), não ajam de acordo com as paixões desse mundo.
O apóstolo não supõe que será fácil resistir aos pecados. A expressão “fazem guerra” (στρατεύονται) vem de uma palavra que era usada para se referir as artimanhas e manobras de um exército durante as batalhas, o que mostra que o pecado sempre procura uma brecha em nossa vida e que precisamos ficar muito vigilantes.
Mas essa luta contra o pecado tem excelente recompensa. Já sabemos que a Bíblia ensina que não lutamos contra o pecado para alcançar a salvação, mas lutamos justamente porque fomos salvos. E quando lutamos, recebemos vários benefícios, mas Pedro mostra dois:
PRIMEIRO, que nossa boa conduta nos "socorre” diante de acusações falsas, pois nos observando as pessoas perceberão que não são verdades. Pois é ou não é mais fácil acreditar numa pessoa que faz as coisas todas de maneira correta?
SEGUNDO, e mais importante, imagina alguém pregando o Evangelho, dizendo que “Jesus salva”, que “Jesus liberta”, mas essa pessoa é desonesta, brigona ou fofoqueira. Você acreditaria nesse Jesus? Mas quando uma pessoa que antes era desonesta, brigona ou fofoqueira, mas agora mudou completamente e diz que foi Jesus que mudou ela… ah, é muito mais fácil crer no Jesus dessa pessoa.
Quando podemos ver que Jesus oferece a salvação para todos os que creem nele e que ele transforma as pessoas de verdade, fica muito mais fácil de glorificá-lo.
Perceba que a evangelização também deve mostrar a obra de Deus em nós, através do nosso comportamento.
É por isso que, por exemplo, Pedro diz, alguns versículos adiante,
1Pedro 3.1–2 “Igualmente vocês, esposas, estejam sujeitas, cada uma a seu próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho sem palavra alguma, por meio da conduta de sua esposa, ao observar o comportamento honesto e cheio de temor que vocês têm.”
Ser fruto da obra de Deus, falar da obra de Deus e mostrar a obra de Deus são as três bases da evangelização e não podemos abrir mão de nenhuma delas. Dito isto, algumas
Aplicações
Aplicações
1. Identidade — Lembre quem você é no mundo
Antes de evangelizar, precisamos lembrar quem somos e para que Deus nos colocou onde estamos.
Desafios:
Olhe para sua semana como campo missionário: Pense nas pessoas com quem você convive (trabalho, escola, família) e pergunte: Deus me colocou aqui para que essas pessoas conheçam Cristo?
Ore por pessoas específicas: Escolha duas ou três pessoas do seu convívio e comece a orar regularmente por oportunidades de falar de Cristo a elas.
Não esconda sua identidade cristã: Deixe claro, com naturalidade e humildade, que você pertence a Cristo. Muitas portas para o evangelho se abrem simplesmente quando as pessoas sabem quem você é.
2. Falar — Não guarde o evangelho apenas para você
A evangelização acontece quando a fé também é verbalizada.
Desafios:
Compartilhe sua história: Quando surgir oportunidade, fale sobre como você conheceu a Cristo, o que Ele significa para você e como Ele dirige sua vida hoje. Alguns têm uma conversão muito marcante (muitos pecados visíveis); outros conheceram Jesus desde cedo (o Senhor guardou). Em ambos os casos, é a mesma graça de Deus que salva.
Aproveite conversas sobre a vida: Quando surgirem temas como sofrimento, sentido da vida ou esperança, use essas oportunidades para apontar para Cristo.
Peça coragem a Deus: Muitas vezes sabemos o que dizer, mas falta coragem. Ore pedindo que Deus lhe dê ousadia para falar quando a oportunidade surgir.
3. Viver — Deixe sua vida confirmar sua mensagem
As pessoas não apenas ouvem o evangelho — elas observam nossa vida.
Desafios:
Viva de forma diferente: No trabalho, na escola ou em casa, deixe suas atitudes refletirem o caráter de Cristo.
Pratique amor intencional: Demonstre cuidado real pelas pessoas ao seu redor. Muitas portas para o evangelho se abrem através do amor prático.
Conecte vida e mensagem: Quando alguém perceber algo diferente em você, use essa oportunidade para explicar que isso vem da sua fé em Cristo.
Conclusão
Conclusão
Deus nos fez um povo sacerdotal no mundo. Isso significa que nossa missão é tornar Deus conhecido.
E é exatamente isso que Pedro nos mostra: Deus faz uma obra em nós — e essa obra se torna testemunho ao mundo.
O mundo precisa ouvir sobre Cristo para crer nele.
E precisa ver o que Cristo faz na vida de quem crê nele.
Palavras sem vida perdem credibilidade.
Vida sem palavras esconde o evangelho.
Mas quando Deus transforma alguém, essa transformação aparece.
Então pense: Quem ao seu redor está ouvindo sobre Cristo através de você? Quem está vendo Cristo na sua vida?
[1] Frase falsamente atribuída a Francisco de Assis ou a Agostinho de Hipona.
[2] γένος nos tempos da LXX e do NT denotava “linhagem”, “família” ou “descendência”, não tendo relação com a ideia atual de raça biológica.
[3] NILES, Daniel Thambyrajah. Upon the Earth. Nova York: McGraw-Hill, 1962. (Frase frequentemente atribuída de forma equivocada a C.H. Spurgeon. Daniel Thambyrajah Niles (1908–1970), evangelista e teólogo do Sri Lanka, foi uma figura proeminente no movimento ecumênico do século XX.
[4] Na LXX este é o principal uso.
