ALEGRIA NA TRIBULAÇÃO

O SERMÃO DO MONTE  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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LEITURA DO TEXTO

Matthew 5:11–12 NAA
— Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.

INTRODUÇÃO

As ações revelam princípios; as reações revelam caráter. Assim é com a vida do cristão. Quando ele age no mundo, podemos conhecer uma parte de quem ele é, mas quando ele REAGE no mundo, quando sofre oposição, quando é criticado ou quando pessoas não gostam dele ou procuram lhe fazer algum mal somente porque ele é um seguidor fiel de Jesus, certamente essas reações confirmam ou não sua profissão de fé.
Não basta professar a fé, é preciso confirmá-la na vida, na maneira de agir no mundo e reagir aos problemas, adversidades, tentações e oposições que fazem parte deste sistema espiritualmente caído que governa mentes e corações que nós chamamos de mundo.
Ao complementar a última bem-aventurança, nosso Senhor destaca um pouco mais esse caráter singular e distintivo do crente, onde de fato ele não pode ser admirado por todos (nem deve) e muitas vezes sofrerá injustamente e será perseguido porque é parecido com Jesus. Foi assim com o Mestre, não poderá ser diferente com os seus verdadeiros discípulos.
Martin Lloyd Jones nos apresenta três princípios relacionados a essa característica tão importante dos cristãos, que estão vinculadas às suas reações à oposição e perseguição do mundo. Veremos cada uma agora.

1. O CRISTÃO É DIFERENTE DOS INCRÉDULOS.

Jesus sempre destacou que os cristãos seriam odiados no mundo porque não seriam como são os do mundo. Em Mateus 10.34 ele disse: “— Não pensem que eu vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.”. Em outras palavras: “O efeito do meu ministério será a divisão entre pai e filho, mãe e filha, e os inimigos dos cristãos verdadeiros muitas vezes serão os de sua própria casa. O Evangelho bíblico estabelece uma separação clara entre quem é crente e quem é incrédulo. E o próprio incrédulo comprova este fato quando se propõe a perseguir o cristão.
Como falamos na semana passada, os cidadãos e embaixadores do reino do céu são perseguidos unicamente pelo fato de se parecerem com o Senhor Jesus. Ser fiel a Cristo implica necessariamente em sofrer perseguições.
Por que o incrédulo persegue o cristão verdadeiro? Porque esse cristão é fundamentalmente diferente dele, tanto por sua natureza espiritual quanto pelos valores que carrega e modo de vida.

2. A VIDA DO CRISTÃO É CONTROLADA E DOMINADA POR JESUS CRISTO.

Os cristãos vivem dominados por um desejo de servir ao Senhor Jesus Cristo, por agradá-lo e ser leal a ele. Fazem tudo para a glória e pela causa de Cristo. Mateus 5.11 “— Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês.”. Por que os crentes são perseguidos? Porque eles vivem para a causa de Cristo. Lloyd vai dizer: “Daí posso deduzir que o objetivo inteiro do crente deveria ser viver para Cristo, e não para si mesmo.”. A vida cristã é dirigida e orientada para a glória e a causa de Cristo, por isso mesmo os cristãos não pode ser desagradáveis nem conflituosos porque isso simplesmente não pode ser feito “por amor a Cristo”. Se Cristo não recebe a glória, a ordem do Evangelho é que simplesmente não façamos. 1Coríntios 10.31
1 Corinthians 10:31 NAA
Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
A morte de Cristo deu nova vida aos cristãos. Logo, vivendo eles em Cristo (porque Ele ressuscitou para nos fazer ressuscitar com Ele pela fé), são encorajados pelo Espírito Santo a se entregarem inteiramente ao Senhor de suas vidas. Na sua morte, Jesus é o nosso salvador; mas na sua ressurreição, Cristo Jesus é o nosso Senhor!
Essa nova realidade espiritual deve conduzir todo o nosso ser (corpo e espírito) no caminho da adoração que é realizada não apenas com canções, mas com uma vida marcada pela obediência, fidelidade e prática dos mandamentos do evangelho de Cristo que implica resumidamente em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

3. A VIDA DO CRISTÃO DEVE SER CONSUMIDA POR PENSAMENTOS SOBRE O CÉU E O MUNDO VINDOURO.

Mateus 5.12 “Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.”. O Novo Testamento nos ensina sobre vivermos para a glória e pela causa de Cristo, mas também nos ensina em sua totalidade sobre a centralidade do céu e do reino de Deus e de Cristo Jesus em na vida de um cristão que é nascido de novo.
Vamos pensar em Hebreus 11, naquela galeria dos “heróis da fé”. Qual era o segredo deles? Era exatamente aquilo que diziam (“Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a cidade futura...) e que foi dito sobre eles: Hebreus 11.10 “Porque Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor.”. Esse era o segredo deles. Ou seja, isso deve fazer parte da mentalidade de um discípulo de Cristo, um cidadão e embaixador do reino do céu que é um bem-aventurado, ou seja, feliz, abençoado porque é aprovado por Deus.
O que explica a busca desenfreada por prazer por parte dos que não creem no evangelho? O que explica a ganância, o ressentimento, a indiferença, a violência e uma série de injustiças e maldades que os incrédulos praticam? Eles não possuem e não podem possuir esse senso do que é eterno. Quer ofender no íntimo quem despreza o evangelho de Cristo? Fale com ele sobre a morte e a eternidade. Esses assuntos constrangem e incomodam, pois é um choque de realidade que suas mentes ímpias não querem ter.

COMO O CRISTÃO ENFRENTA AS PERSEGUIÇÕES À LUZ DESSES PRINCÍPIOS?

Ao mostrar como o crente é perseguido, Jesus faz três declarações específicas. Lembrando que essa perseguição só é validada por Jesus quando ela acontece em função do discípulo viver nele e para a glória dele.
São várias as formas de um cristão perseguido. Desde a mais literal e fisicamente letal, até a que se dá nos relacionamentos e nas relações sociais (trabalho, faculdade, redes sociais, vizinhança, parentela e outros). Não importa qual é a forma de perseguição, o que importa é como o cristão reage.
Logo, em primeiro lugar, o cristão não deve retaliar ou revidar. Ser cristão não implica em não ter impulsos maus, mas pelo poder do Espírito Santo conseguir controlá-los. É dizer “não” quando o coração diz “sim”.
Em segundo lugar, o cristão não deve ficar ressentido. Isso é ainda mais difícil. É mais que controlar a língua ou as atitudes e ações. É controlar as ações, reações e chegar ao ponto de não se ofender mesmo com isso. Como Paulo expressou em Filipenses 1.12-30
Philippians 1:12–30 NAA
Quero ainda, irmãos, que saibam que as coisas que me aconteceram têm até contribuído para o progresso do evangelho, de maneira que toda a guarda pretoriana e todos os demais sabem que estou preso por causa de Cristo. E os irmãos, em sua maioria, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar a palavra com mais coragem. É verdade que alguns proclamam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade. Estes o fazem por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; aqueles, porém, pregam Cristo por interesse pessoal, não de forma sincera, pensando que assim podem aumentar meu sofrimento na prisão. Mas que importa? Uma vez que, de uma forma ou de outra, Cristo está sendo pregado, seja com fingimento, seja com sinceridade, também com isto me alegro; sim, sempre me alegrarei. Porque estou certo de que, pela súplica de vocês e com a ajuda do Espírito de Jesus Cristo, isso resultará em minha libertação. Minha ardente expectativa e esperança é que em nada serei envergonhado, mas que, com toda a ousadia, como sempre, também agora, Cristo será engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho frutífero. Assim, não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver. E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vocês, para que progridam e tenham alegria na fé. Desse modo, vocês terão mais motivo para se gloriarem em Cristo Jesus por minha causa, pela minha presença, de novo, no meio de vocês. Acima de tudo, vivam de modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo até aí para vê-los ou estando ausente, eu ouça a respeito de vocês que estão firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé do evangelho; e que em nada se sentem intimidados pelos adversários. Pois o que para eles é prova evidente de perdição para vocês é sinal de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vocês receberam a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele, pois vocês têm o mesmo combate que viram em mim e que agora estão ouvindo que continuo a ter.
E em terceiro lugar, o cristão não deve se abalar emocionalmente quando estiver em face de perseguição. A tendência do nosso coração é nos deprimirmos quando as coisas não vão bem ou não estão do jeito que gostaríamos que estivessem, mas Jesus nos mostra que o caminho de uma vida crucificada é não permitir que as oposições e perseguições nos impeçam de nos alegrar nele. Ele disse em Mateus 5.12 “alegrem-se e exultem”. Isso é mais uma prova de que ninguém por sua própria capacidade “se torna cristão”. Tem de ser um ato soberano e sobrenatural de Deus, por meio do Espírito Santo. O ser humano natural simplesmente é totalmente impossibilitado de se alegrar nas tribulações e perseguições e isso porque ele não nasceu de novo.
Nas palavras de Lloyd Jones:
Quando você estiver sendo perseguido, e os homens estiverem dizendo toda espécie de falsidade contra você, então “regozije-se” e “exulte”. Ora, para o homem natural, isso é simplesmente impossível. Ele nem ao menos pode dominar o seu espírito de retaliação. Mais remotamente ainda o homem natural pode desfazer-se dos seus ressentimentos. Regozijar-se e exultar, sob tais circunstâncias, é algo acima de sua capacidade. No entanto, é justamente para isso que o crente foi chamado. Nosso Senhor afirmou que devemos tornar-nos semelhantes a Ele, quanto a esse particular.

CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES

1- O autor de Hebreus essa realidade que só pode ser percebida na vida de Cristo e dos seus legítimos seguidores. Hebreus 12.2 “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à direita do trono de Deus.”
2- O crente não se alegra nas tribulações como se sentisse superior. Isso é coisa de fariseu. O cristão se alegra nas tribulações porque tais perseguições acontecem pela razão correta: são por causa da justiça. Somos perseguidos porque estamos de fato unidos a Cristo.
3- E nos alegramos também “porque grande é a recompensa nos céus” (v.12). O nosso destino já foi traçado pela cruz e pela ressurreição de Cristo. Somos de Deus e o nosso fim é habitar o santo lugar, o monte santo do Senhor, e viver eternamente na nova Jerusalém. Você precisa saber quem você é em Cristo, ter consciência do lugar para onde está indo e ter conhecimento do que te espera quando você chegar lá.
2 Corinthians 4:17–18 NAA
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação, na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas.

RESPONDENDO OBJEÇÕES

1- “Prefiro pensar na vida terrena com Cristo do que na vida eterna. Melhor do que ficar esperando por um galardão na eternidade é viver o dia-a-dia com integridade”. Essa objeção mostra uma visão limitada da salvação que Cristo conquistou. Em que pese que não devemos viver desconectados da realidade presente para esperarmos a manifestação da vida celestial, temos que entender o que Paulo disse em 1Coríntios 3.8-15
1 Corinthians 3:8–15 NAA
Ora, o que planta e o que rega são um, e cada um receberá a sua recompensa de acordo com o seu próprio trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus, e vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como sábio construtor, e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. E, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o Dia a demonstrará. Porque será revelada pelo fogo, e o fogo provará qual é a obra de cada um. Se aquilo que alguém edificou sobre o fundamento permanecer, esse receberá recompensa. Se a obra de alguém se queimar, esse sofrerá dano. Porém ele mesmo será salvo, mas como que através do fogo.
Paulo leva em mais alta consideração a recompensa celestial. Ele ainda vai dizer em 2Coríntios 5.10-11
2 Corinthians 5:10–11 NAA
Porque é necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. E assim, conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir as pessoas, mas somos plenamente conhecidos por Deus. E espero que também sejamos reconhecidos na consciência de vocês.
2- “Mas o ser humano não salvo somente pela graça?”. Deus é um pai amoroso que salva seus filhos da escravidão do pecado de maneira gratuita e, gratuitamente, os recompensa quando eles agora caminham em santidade e realizam boas obras no poder do Seu próprio Espírito.
Nas palavras de Lloyd Jones:
No que consiste esse galardão? Bem, a verdade é que a Bíblia não revela muita coisa sobre essa verdade, e isso devido a uma ótima razão. Trata-se de uma verdade tão gloriosa e admirável que a nossa linguagem humana forçosamente quase é obrigada a detratar de seu resplendor.

CONCLUSÃO

Termino citando novamente o doutor Jones:
Quão néscios somos, por não passarmos nosso tempo meditando acerca dessas realidades celestiais! Oh, quanto nos aferramos a este mundo infeliz e desafortunado e deixamos de pensar e meditar sobre aquelas realidades lá do alto! Se somos crentes, então todos estamos caminhando naquela direção, para aquela glória e pureza, felicidade e alegria sem iguais. “Regozijai-vos e exultai.” E quando as pessoas porventura forem grosseiras, cruéis e zombeteiras, ou então quando formos perseguidos, isto é o que deveríamos dizer a nós mesmos: “Ah, que gente infeliz é essa! Fazem essas coisas porque não conhecem a Cristo, e porque também não me compreendem”. Se me perseguem, incidentalmente estão provando somente que eu pertenço ao Senhor, que estou indo para a companhia dEle, para compartilhar desse tão profundo júbilo com Ele. Portanto, longe de ficarmos ressentidos e de querermos revidar, ou de nos sentirmos deprimidos, tudo isso só nos deveria deixar cônscios de toda a glória que nos espera. Nossa futura alegria é indizível e cheia de glória. Mas tudo isso é apenas temporário e passageiro; e coisa alguma é capaz de afetar o futuro celestial. Assim sendo, cumpre-me agradecer a Deus pelo que estou sofrendo, porquanto, conforme Paulo salientou, isto “... produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (II Coríntios 4:17). Quão frequentemente você costuma meditar sobre o céu, rejubilando-se nessa meditação? Isso lhe infunde algum senso de estranheza e temor, como também, por assim dizer, o desejo de evitar tais realidades? Se assim sucede, seja em que grau for, então temo que você terá de confessar-se culpado de estar vivendo em nível espiritual baixo demais. Os pensamentos a respeito do céu deveriam encher-nos de regozijo e exultação. A verdadeira vida cristã assemelha-se à experiência de Paulo, o qual declarou: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21). Por qual razão? Porque estar com Cristo “é incomparavelmente melhor” (Filipenses 1:23), pois então haveremos de vê-Lo e de ser como Ele é. Meditemos mais frequentemente sobre essas realidades, lembrando-nos constantemente de que, se estamos em Cristo, então essas maravilhas estão à nossa espera. Deveríamos anelar por elas acima de qualquer outra coisa. Por conseguinte, “regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus”.
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