O SACERDÓCIO NO LAR

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(O homem como pastor da sua casa)
Introdução – Uma história, uma ferida e uma pergunta
Algum tempo atrás, um pastor contava o testemunho de um homem da igreja dele, chamado Roberto. Ele era um excelente crente “de templo”: sempre presente nos cultos, servia no louvor, ajudava na diaconia, contribuía generosamente. Um “modelo” para muitos.
Mas um dia, depois de um culto de domingo à noite, a esposa dele pediu para conversar. Chorando, ela disse ao pastor:
“Pastor, na igreja ele é diácono. Em casa ele é ausente. Ele sabe orar no microfone, mas nunca orou comigo. Ele sabe pregar no púlpito, mas nunca abriu a Bíblia com nossos filhos.”
Pouco tempo depois, um dos filhos se envolveu com más companhias, começou a se afastar da igreja, e quando o pastor foi conversar com o rapaz, ouviu algo ainda mais duro:
“Pastor, o senhor respeita o meu pai como homem de Deus. Mas eu conheço o pai que quase nunca esteve presente como homem de casa.”
Roberto não era um homem ímpio, nem “mau”. Ele apenas estava invertendo as prioridades: era “sacerdote” no templo, mas não no lar. Forte, não é?
Pergunta para você, homem de Deus (e para toda a família): Se seus filhos e sua esposa tivessem que descrever sua vida espiritual só pelo que você é dentro de casa, eles veriam em você um sacerdote… ou apenas um frequentador de culto?
1. O sacerdócio começa no lar
Antes de qualquer título na igreja, existe um chamado dentro de casa. A Bíblia é muito clara: quem não cuida bem do lar, não está apto a cuidar de nada na casa de Deus.
1 Timóteo 3.2, 4-5 “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, […]e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus?)”
Observe: Paulo não está dizendo que o homem precisa governar bem a casa porque será líder de igreja. Ele está dizendo que só pode ser líder alguém que já governa bem a sua casa.
Antes de ser pastor, diácono, líder de ministério, pregador, músico, o homem é chamado por Deus para ser pastor do seu lar. E isso não é um “plus” da vida cristã, é parte da base da vida cristã.
Paulo reforça esse padrão também em Tito: Tito 1.5-6 “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, […] constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.”
Ou seja: O comportamento do homem em casa é critério espiritual. A forma como ele conduz a esposa e os filhos faz parte do testemunho cristão.  A casa não é “área neutra” da fé. É o primeiro campo de pastoreio.
Josué entendeu isso com clareza. Ele não falou apenas em nome dele, mas em nome da família:
Josué 24.15 “Mas se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais, se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”
Veja o peso: Josué não diz: “Eu servirei ao Senhor, e o resto vê o que faz”. Ele assume responsabilidade espiritual pela família: “eu e a minha casa”.
Além disso, a Bíblia mostra que o plano de Deus sempre mira a família como um todo: Gênesis 6.18 “Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos contigo.” Gênesis 12.3 “…em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gênesis 19.12 “Então disseram aqueles homens a Ló: ‘Tens aqui alguém mais? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, faz-os sair deste lugar.’” Atos 11.14 “[Ele] te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa.” Atos 16.31 “Responderam-lhe: ‘Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.’”
Essa famosa frase de Paulo ao carcereiro de Filipos foi uma palavra específica, revelada naquele momento. Não significa uma promessa “automática” de que, se um crê, todos os da casa serão salvos. Cada pessoa tem responsabilidade pessoal diante de Deus.
Mas todos esses textos revelam algo essencial: Deus tem um propósito familiar. E o sacerdote do lar é chamado a cooperar com esse plano, lutando, ensinando, orando e influenciando.
O homem de Deus não pode ser passivo: ele ensina, acompanha, investe tempo, ministra a Palavra, dá exemplo, puxa a família para Deus, não para longe d’Ele.
2. O cabeça do lar é responsável diante de Deus
Deus estabeleceu uma ordem espiritual: o homem como cabeça do lar, não como ditador, mas como responsável para liderar em amor e servir em sacrifício.
Essa responsabilidade não exclui a esposa; ela também exerce sacerdócio, é co-herdeira da graça. Mas a cobrança primária, diante de Deus, cai sobre o homem.
Quando o marido não é convertido, a esposa assume um papel espiritual importante sobre os filhos, não sobre o marido. É o que vemos na família de Timóteo:
Atos 16.1-2 “Chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego; dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio.”
E Paulo lembra a linha espiritual da família: 2 Timóteo 1.4-5 “…pela ecordação da tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti.”
Provavelmente, o pai não era convertido, mas a avó e a mãe exerceram sacerdócio na vida espiritual de Timóteo. Já a esfera de autoridade da esposa sobre o marido tem um limite:
1 Timóteo 2.12: “E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o marido; esteja, porém, em silêncio.”
Isso não significa que a mulher seja inferior, mas que há papéis distintos na ordem de Deus.
A responsabilidade com os filhos
A Bíblia afirma que os filhos são herança do Senhor, não propriedade privada dos pais: Salmo 127.3: “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.”
Eles pertencem a Deus, e os pais são administradores que prestarão contas.
Desde o Antigo Testamento, Deus deixa claro que espera dos pais, especialmente dos homens, a ministração espiritual aos filhos:  Deuteronômio 4.9-10: “Tão somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, para que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos. Não te esqueças do dia em que estiveste perante o Senhor, teu Deus, em Horebe, quando o Senhor me disse: ‘Reúne-me este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprendam a temer-me todos os dias que na terra viverem e as ensinarão a seus filhos.’”
O ensino espiritual não é “opcional”, é ordem: Provérbios 22.6: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”
Não é apenas dar “boa educação” no sentido humano, mas educação bíblica, formação de caráter à luz da Palavra.
No Novo Testamento, a ordem é repetida claramente: Efésios 6.4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.”
Isso envolve: disciplina equilibrada, ensino da Palavra, correção, exemplo prático, diálogo, oração.  O homem que ignora isso está sendo negligente com um chamado que Deus levará extremamente a sério.
3. O sacerdote do lar cobre, protege e guia sua família em oração e adoração
Sacerdócio não é só ensinar, é também interceder e proteger espiritualmente a casa.
3.1. Cobertura de oração. A Bíblia mostra maridos orando especificamente pela esposa e pelos filhos: Gênesis 25.21: “Isaque orou instantemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.”
Jó é exemplo de sacerdote que se preocupa com a vida espiritual dos filhos: Jó 1.5: “Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; pois dizia: ‘Talvez meus filhos tenham pecado e blasfemado de Deus em seu coração.’ Assim fazia Jó continuamente.”
Esdras também revela essa preocupação: Esdras 8.21: “Então, apregoei ali em jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso.”
Davi e seus homens aprenderam na dor o que é deixar a família desprotegida:
1 Samuel 30 (resumo dos v.1-6): Os amalequitas atacam Ziclague, queimam a cidade e levam cativas as mulheres e os filhos de Davi e de seus homens. Eles choram até não terem mais forças, se angustiam profundamente, e só então Davi se fortalece no Senhor e vai em busca da restauração.
Duas lições aí: Quando a família fica “descoberta”, o inimigo se aproveita da brecha. Mesmo quando houve descuido, Deus, em sua misericórdia, pode restaurar. Desde o Éden, Deus já mostrava que o homem deveria cultivar e guardar o que Ele colocou em suas mãos:
Gênesis 2.15: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar.”
Guardar de quem? Nem Eva havia sido criada ainda. Já era um alerta sobre a presença do inimigo. Se Adão tivesse vigiado, protegido, instruído com mais firmeza, provavelmente a história teria sido diferente.
Cornélio é outro exemplo de homem que cobre a casa em oração: Atos 10 resumo) Cornélio é descrito como um homem piedoso, que orava continuamente a Deus; por isso, Deus envia Pedro à sua casa, e ali toda a família é alcançada com salvação e derramamento do Espírito Santo.
Onde há semeadura de oração, há colheita da intervenção de Deus.
3.2. Orar juntos em família. O sacerdote do lar não ora apenas por sua família; ele ora com sua família. A igreja primitiva vivia momentos assim:
Atos 21.5: “Passados aqueles dias, tendo-nos retirado, prosseguimos viagem, acompanhados por todos, cada um com sua mulher e filhos, até fora da cidade; e, ajoelhados na praia, oramos.”
O casal, em especial, precisa dessa prática. Há promessas específicas para a oração em concordância: Mateus 18.19-20: “Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”
Quando o casal ora junto, há um efeito de multiplicação espiritual: Deuteronômio 32.30: “Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer fugir dez mil, se a sua Rocha lhes não vendera, e o Senhor não os entregara?”
Mas essa unidade pode ser sabotada por conflitos mal resolvidos: 1 Pedro 3.7 “Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações.”
Sem honra, sem entendimento, sem respeito, a vida de oração do casal perde força.
3.3. Culto doméstico e vida de adoração. Sacerdócio no lar não significa apenas ter um horário fixo, mas uma vida inteira permeada pela presença de Deus. Ainda assim, o hábito de cultuar em família ajuda muito.
Vemos famílias inteiras diante de Deus no Antigo Testamento: 2 Crônicas 20.13: “Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos.” Neemias 12.43: “No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de longe.”
Elcana subia ao templo com toda a família: 1 Samuel 1.3-5 (resumo) Elcana subia, ano após ano, de sua cidade para adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos em Siló, levando consigo sua família.
José e Maria fizeram isso com Jesus:
Lucas 2.22-24 “E, cumprindo-se os dias da purificação deles, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor […]” Lucas 2.41-42: “Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém, à festa da Páscoa. Tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa.”
Cornélio também reuniu sua casa para ouvir a Palavra: Atos 10.33; “Portanto, mandei logo chamar-te, e bem fizeste em vir. Agora, pois, estamos todos aqui presentes diante de Deus, para ouvir tudo quanto por Deus te é ordenado.”
E Atos 21.5 mostra oração com famílias reunidas fora do contexto formal de templo, num ambiente cotidiano (na praia).
Levar a família à igreja, cultuar em casa, ler a Bíblia juntos, cantar, orar à mesa, tudo isso faz parte do sacerdócio no lar.
3.4. A negligência cobra um preço. Quando o sacerdote falha, as consequências aparecem, principalmente nos filhos.
Deus confronta o sacerdote Eli: 1 Samuel 3.12-13: “Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu.”
Problema central: Eli sabia do pecado dos filhos, mas não exerceu autoridade espiritual, não os corrigiu.
Com Davi, vemos algo semelhante. Ao falar de Adonias, a Bíblia expõe a falha paterna: 1 Reis 1.6: “Seu pai, Davi, jamais o tinha contrariado dizendo: ‘Por que procedes assim?’ Ele também era muito formoso; e nascera depois de Absalão.”
Ou seja: Davi era homem segundo o coração de Deus, mas foi negligente na correção e no limite dos filhos, e isso abriu portas para rebelião e tragédias familiares.
Conclusão – Recapitulando e trazendo para dentro da sua casa
Vamos juntar os pontos principais do que vimos:
O sacerdócio começa no lar: Antes de qualquer função na igreja, Deus olha como você lidera a sua casa. Textos-chave: 1 Timóteo 3.2, 4-5 – quem não governa bem a casa não governa a igreja. Tito 1.5-6 – filhos crentes, casa em ordem.
Josué 24.15 – “eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.
Diversos textos mostrando o plano de Deus para a família (Gn 6.18; 12.3; 19.12; At 11.14; 16.31).
O cabeça do lar é responsável diante de Deus. O homem é chamado a liderar espiritualmente, com amor e firmeza.
A esposa participa do sacerdócio, especialmente quando o marido não é crente, mas há papéis distintos.
Textos-chave: Atos 16.1-2; 2Timóteo 1.4-5 – fé transmitida por mãe e avó.
1 Timóteo 2.12 – limites de autoridade da mulher sobre o marido.
Salmo 127.3 – filhos são herança do Senhor.
Deuteronômio 4.9-10; Provérbios 22.6; Efésios 6.4 – responsabilidade dos pais no ensino espiritual.
O sacerdote do lar cobre, protege e guia a família em oração e adoração
Intercede, vigia, leva a família à presença de Deus, em casa e na igreja.
Textos-chave: Gênesis 25.21 – Isaque ora pela esposa.
Jó 1.5 – Jó sacrifica e ora continuamente pelos filhos.
Esdras 8.21 – jejum por si, pelos filhos e por tudo o que era deles.
Gênesis 2.15 – cultivar e guardar o que Deus colocou nas mãos do homem.
Atos 21.5 – famílias ajoelhadas e orando juntas.
Mateus 18.19-20; Deuteronômio 32.30; 1 Pedro 3.7 – poder da unidade nas orações do casal.
2Crônicas 20.13; Neemias 12.43; 1Samuel 1; Lucas 2; Atos 10.33 – famílias cultuando juntas.
1Samuel 3.12-13; 1Reis 1.6 – consequências da negligência de pais sacerdotes.
Agora, de forma bem direta:
Se você desaparecesse hoje, sua família lembraria de você como “um bom trabalhador” ou “um sacerdote do lar”?
Seus filhos terão na memória a imagem de um homem que orava com eles, ensinava a Palavra, corrigia em amor, os levava à casa de Deus?
Sua esposa enxerga em você um líder espiritual ou apenas alguém que senta no banco da igreja?
Não importa como foi até agora:
se houve omissão, arrependimento é o primeiro passo;
se houve descuido, Deus é poderoso para restaurar;
se houve negligência, Ele chama hoje ao acerto de rota.
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