Oséias - Introdução - 080326
Livro de Oséias • Sermon • Submitted • Presented
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Texto
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1 Palavra do Senhor que foi dirigida a Oseias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel.
Introdução
Oseias é um livro sobre o amor divino confrontando a perfídia, que é a quebra da confiança, quebra da promessa, do voto ou da lealdade e os erros. O profeta foi enviado a ministrar para um povo espiritualmente endurecido e desviado que havia virado as costas para Deus. Mas a graciosa maravilha mostrada nesse livro é que o SENHOR não respondeu de acordo com as atitudes e ações do povo abandonando-os como eles o haviam abandonado. O poder restaurador e perpétuo do seu amor é registrado em termos de duas histórias que espelham a si mesmas:
1ª - Uma narrativa (encontrada nos capítulos 1 e 3) mostra como o SENHOR mandou que o casamento de Oseias refletisse o seu relacionamento com Israel. Nós aprendemos, algum tempo depois, que quando a esposa do profeta o abandona, ele foi instruído a dar todos os passos para trazê-la de volta. Assim, o próprio Oseias vivenciou a dor de ter uma esposa infiel. Consequentemente, quando ele falou à nação não o fez de maneira neutra, em termos abstratos, mas com o calor e a sabedoria daquele que conhecia a angústia de um coração ferido e a dificuldade de recuperar aquela que havia se desencaminhado por vontade própria.
A ênfase mais importante do livro, no entanto, está na 2ª - segunda história registrada nele, mostrando a relação do SENHOR com seu povo infiel.
Eles haviam sido atraídos pela riqueza material e pela cultura pagã e religião dos povos ao seu redor. Uma das tarefas de Oseias era alertar o povo sobre a gravidade da sua má conduta e assim apelar para que eles retornassem arrependidos. Se isso não acontecesse, seria inevitável o juízo de Deus sobre eles e isso é explicado em detalhes vívidos para induzi-los a uma renovação do compromisso – uma mudança no coração que não aconteceu nos tempos de Oseias.
Porém, os castigos que Deus enviaria por causa da transgressão e obstinação do povo não são o fim da história, pois o SENHOR não é volúvel como o povo. Seu amor é um amor de compromisso. Apesar do pecado do povo, o SENHOR recusou-se a abandoná-los definitivamente. “Como eu poderia desistir de vocês?” (11.8). Por outro lado, ele também não lançou mão de um amor fraco que aceita um meio-termo em face de um comportamento intransigente e desviado. “Eu cuidarei dele” (14.8) é a garantia de um amor que perdurará em meio a uma prolongada e dolorosa disciplina para alcançar a mudança espiritual que é necessária para a restauração harmoniosa do relacionamento e a entrada numa era de satisfação eterna (1.10–11; 2.23; 14.3–8).
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Oseias, um homem chamado não apenas para falar, mas também para representar o amor de Deus
Oseias, um homem chamado não apenas para falar, mas também para representar o amor de Deus
Deus chamou homens e os inspirou para falar em seu nome, porém, Deus levantou Oseias não apenas para falar, mas, sobretudo, para demonstrar seu amor ao povo de Israel. Deus não apenas falou pela boca do profeta, mas, principalmente, pela sua vida. Oseias foi uma trombeta a proclamar à nação infiel a compaixão de Deus. Gômer, a esposa adúltera, foi um símbolo de Israel, a esposa infiel. Os filhos de Oseias apontavam para intervenções do juízo de Deus sobre a nação ingrata. Destacamos aqui três pontos:
Em primeiro lugar, o nome do profeta. Era muito comum, em Israel, o nome Oseias. Assim foi chamado o último rei do Reino do Norte. O significado do nome é: Deus salva, ou salvação, e é equivalente a Josué e Jesus. O nome do profeta já trazia em si um chamado ao arrependimento e uma semente de esperança.
Uma coisa interessante sobre o nome de Oseias está em contraste com a sua missão, anunciar a ruína de Israel, mas em harmonia com a sua vocação, proclamar a libertação após o julgamento.
Oseias já foi chamado de “o profeta do amor”, porque seu livro manifesta um profundo amor da parte de Deus por Israel, um amor não correspondido. Deus é mostrado como um marido traído que procura reatar o casamento com a esposa, que se tornou prostituta.
Há aqueles que consideram Oseias o mais belo poema de amor da Bíblia (2.14–16; 6.1–4; 11.1–4,8,9; 14.4–8). Do mesmo modo que Lucas apresenta o filho pródigo, Oseias apresenta a esposa pródiga.
Em segundo lugar, a família do profeta. Charles Feinberg (professor e teólogo do século passado) diz que de nenhum profeta ficamos sabendo com tantos pormenores os fatos de sua vida familiar como no caso de Oseias, porque aí reside a mensagem de Deus ao seu povo. Tanto a mulher de Oseias como seus filhos foram sinais e profecias a Israel, a Judá e à futura nação reunificada.
Embora tenhamos informações acerca da família do profeta, como o nome de seu pai, de sua mulher e de seus filhos, além disso, nada sabemos. Todas as informações que temos sobre o profeta são aquelas contidas em seu próprio livro.
Oseias era filho de Beeri, cujo nome significa “meu poço ou minha fonte”. Era marido de Gômer e pai de Jezreel, Desfavorecida(Lo-Ruamá - não voltarei a ter compaixão da casa de Israel, para lhe perdoar) e Não-Meu-Povo (Lo-Ami). O casamento do profeta com Gômer ocupa lugar central no livro. Na verdade, foi a base de sua mensagem à nação. Os filhos, cujos nomes nos parecem muito estranhos, são mensagens do juízo de Deus à nação.
meus irmãos saibam de uma coisa - “A tragédia doméstica de Oseias o preparou para entender e interpretar o amor imutável do Senhor”. Aquilo que as visões de chamado fizeram para Isaías (Is 6.1–8), Jeremias (Jr 1.1–5) e Ezequiel (Ez 1.1–3), o casamento fez para Oseias.
A grande pergunta que se levanta é se o casamento de Oseias com Gômer e os nomes dos seus filhos são apenas registros simbólicos ou realidades históricas. Há pelo menos quatro diferentes interpretações:
Primeiro, o casamento de Oseias e os nomes atribuídos aos seus filhos são apenas metáforas, símbolos da decadente realidade espiritual de Israel. Essa interpretação não é consistente, pois não há nada no texto que fortaleça essa tese.
Segundo, Gômer era apenas uma adoradora de Baal, mas jamais foi infiel ao seu marido. Sua infidelidade teria sido espiritual, e não conjugal. Os capítulos 1 a 3, porém, retratam de forma gráfica uma infidelidade conjugal. Gômer entregou-se a seus amantes. Ela abandonou o marido e foi viver uma vida completamente dissoluta.
Terceiro, depois de casada com Oseias, Gômer tornou-se adúltera e mais tarde uma prostituta. Muitos estudiosos creem que Gômer era uma mulher casta quando se casou com o profeta, mas já estava inclinada a uma vida imoral. Assim ensinaram Ambrósio, Teodoreto e Cirilo de Alexandria. A razão para adotar essa posição é que, no entendimento desses eruditos, supor que Deus houvesse mandado o profeta unir-se a uma mulher já conhecida por sua vida impura seria um absurdo monstruoso.
Quarto, Gômer já era uma mulher prostituta quando Oseias a desposou, essa é a única posição que pode fazer jus à história. O ancestral da nação de Israel, o patriarca Abraão, foi tirado do meio da idolatria, em Ur dos caldeus (Js 24.2–4). Israel foi escolhido não porque era um povo santo, mas apesar do seu pecado. então essa experiência trágica do profeta com a esposa amada fornece a melhor explicação da sua profecia e do seu ensino acerca do amor imutável do Senhor.
Em terceiro lugar para representar o amor de Deus , olhamos para os contemporâneos do profeta. Oseias foi contemporâneo de Amós, Isaías e Miqueias. Esse foi o tempo áureo da profecia tanto em Israel como em Judá. Oseias era homem de coração quebrantado. O que o choroso Jeremias foi para Judá, o Reino do Sul, quase um século e meio mais tarde, o soluçante Oseias foi para Israel, o Reino do Norte. Da mesma forma que Jeremias viu seus compatriotas do Sul serem realmente mergulhados na noite sombria do cativeiro babilônico e, de coração partido, imortalizou isso em suas Lamentações, é provável que Oseias tenha visto as dez tribos de seu amado Israel serem arrastadas para longe da terra que, tão vergonhosamente, profanaram, para aquele exílio e para aquela dispersão entre as nações das quais não foram mais reunidas.
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Fases históricas do período de Oséias
Fases históricas do período de Oséias
O período em que Oséias profetizou pode ser compreendido em três grandes fases históricas.
1. Um período de prosperidade - Slide 1 e 2
1. Um período de prosperidade - Slide 1 e 2
Durante o reinado de Jeroboão II, Israel experimentou um período de grande prosperidade econômica e expansão territorial. As fronteiras do reino foram ampliadas, e o país passou a exercer maior influência regional.
Essa prosperidade foi resultado de diversos fatores. A estabilidade política permitiu o desenvolvimento do comércio, enquanto a fertilidade da terra favoreceu a produção agrícola. Israel também se beneficiou das rotas comerciais internacionais e do enfraquecimento temporário de potências vizinhas.
No entanto, essa prosperidade material produziu também efeitos negativos profundos. A riqueza passou a ser concentrada nas mãos de poucos, aumentando significativamente a desigualdade social. Os ricos exploravam os pobres, os tribunais eram corrompidos e a justiça era frequentemente distorcida em favor dos poderosos.
Ao mesmo tempo, a prosperidade econômica reforçou a influência do culto a Baal, pois muitos acreditavam que as bênçãos agrícolas eram resultado da atuação dessa divindade. Assim, o povo passou a confiar mais em suas riquezas, alianças políticas e práticas religiosas pagãs do que no Senhor.
Nesse contexto surgiram as mensagens proféticas de Amós e Oséias. Amós denunciou principalmente as injustiças sociais e a opressão dos pobres, enquanto Oséias enfatizou a infidelidade espiritual do povo para com Deus, que estava na raiz de todos os outros pecados.
2. Um período de instabilidade política - SLIDE 3
2. Um período de instabilidade política - SLIDE 3
Após a morte de Jeroboão II, em 753 a.C., o reino de Israel entrou em um período de grande instabilidade política.
Nos 33 anos finais da história do reino do norte, seis reis diferentes governaram Israel:
Zacarias
Salum
Menaém
Pecaías
Peca
Oseias (último rei)
Muitos desses reis chegaram ao poder por meio de conspirações, golpes e assassinatos, revelando a profunda corrupção política que dominava o país. Essa sucessão rápida de governantes enfraqueceu ainda mais o reino e aumentou a insegurança interna.
A instabilidade política refletia também a decadência espiritual do povo, pois, conforme denunciavam os profetas, a nação havia abandonado os princípios da aliança com Deus.
3. Um período de agressão externa - Slide 4
3. Um período de agressão externa - Slide 4
Enquanto Israel enfrentava crises internas, uma nova potência surgia no cenário internacional: o Império Assírio.
Com a ascensão do rei Tiglate-Pileser III, em 745 a.C., a Assíria iniciou uma política agressiva de expansão territorial. Seu exército foi reorganizado e passou a conquistar diversos reinos do antigo Oriente Próximo.
Muitos desses reinos foram obrigados a se tornar estados vassalos, pagando tributos pesados para evitar a destruição.
Israel também acabou se submetendo à Assíria e passou a pagar tributos para manter sua autonomia política. Contudo, posteriormente o rei israelita Oseias tentou rebelar-se contra o domínio assírio buscando apoio do Egito. (2Rs 17.4)
Essa tentativa de revolta provocou uma reação imediata do império. O rei assírio Salmaneser V iniciou um cerco contra a cidade de Samaria, capital de Israel. O cerco durou aproximadamente três anos.
Finalmente, em 722 a.C., a cidade foi conquistada pelos assírios. Grande parte da população israelita foi deportada para regiões da Mesopotâmia, enquanto povos estrangeiros foram trazidos para habitar a terra. Esse processo marcou o fim definitivo do reino do norte.
A região passou então a ser organizada como a província assíria de Samaria.
Significado desse contexto para a mensagem de Oséias
Significado desse contexto para a mensagem de Oséias
Todo esse cenário histórico ajuda a compreender a profundidade da mensagem de Oséias. O profeta falou a uma nação que parecia externamente próspera, mas que estava espiritualmente corrompida e politicamente frágil.
Israel havia abandonado a fidelidade à aliança com Deus e havia se voltado para a idolatria, a injustiça e as alianças políticas equivocadas. Por isso, o profeta Oséias anuncia que o juízo divino viria inevitavelmente.
Contudo, a mensagem do livro não é apenas de condenação. Ao longo de suas profecias, Oséias também revela o amor persistente e redentor de Deus, que continua chamando seu povo ao arrependimento e prometendo restaurá-lo no futuro.
.Oseias é o profeta da graça. É o homem de coração quebrantado. Ele não apenas falou do amor de Deus, mas o demonstrou de forma eloquente ao amar sua esposa infiel. Ele pregou aos ouvidos e também aos olhos. Ele falou à nação de Israel tanto pela voz profética como pelo exemplo. Estudar esse livro é penetrar nas profundezas do coração de Deus e trazer à tona as verdades mais sublimes do amor incondicional de Deus pelo povo da aliança.
Na ânsia de buscar ajuda para os seus múltiplos problemas, os reis insensatos faziam alianças com as grandes potências mundiais, a Assíria e o Egito. O profeta ergue sua voz contra essa estratégia insana e compara Israel a uma pomba enganada, que voa tresloucadamente de um lado para o outro, procurando refúgio ora sob as asas da Assíria, ora sob a égide do Egito.
Israel deixou de confiar em Deus, colocando sua confiança naqueles que haveriam de pôr sobre seu pescoço um pesado jugo. Em vez de correr para os braços do Deus onipotente, seu libertador, Israel buscou ajuda daqueles que mais tarde seriam seus implacáveis opressores.
As alianças políticas pavimentaram o caminho da apostasia. Israel abandonou a Deus, seu redentor, para render-se aos ídolos pagãos. Em vez de servir ao Deus vivo, o povo adorava os baalins. Em vez de servir ao Criador, o povo apóstata prostrava-se diante das obras de suas próprias mãos. Em vez de agradecer a Deus pela sua generosa providência, Israel tributava a Baal as bênçãos recebidas.
Israel desceu mais um degrau em sua decadência. A teologia errada desembocou na ética errada. Porque o povo capitulou à idolatria, rendeu-se à imoralidade. A religião idólatra e a prostituição, como dois afluentes, uniram-se para formar o rio da morte.
O Reino do Norte corrompeu-se por completo. Os reis e os sacerdotes lideravam o povo nessa corrida rumo ao desastre. O palácio e os templos religiosos eram centros de opressão. A política e a religião se uniram pelos motivos mais sórdidos. A violência ganhou as ruas. A roubalheira acontecia à luz do dia, e a imoralidade transbordava por todos os lados. A nação inteira era como um corpo chagado.
Por não ter ouvido a voz de Deus, Israel precisou receber a disciplina de Deus. O cativeiro tornou-se o amargo remédio da cura. O fracasso de Israel, porém, não destruiu os planos de Deus. Onde abundou o pecado do povo, superabundou a graça divina. O amor de Deus prevaleceu sobre a sua ira; seu povo foi restaurado, e sua infidelidade, curada. Da noite escura do pecado brotou a luz da esperança, quando Deus mesmo chamou seu povo para voltar-se para ele, trazendo em seus lábios palavras de arrependimento e em suas mãos a prática do bem.
O Deus de toda a graça ainda restaura o caído. Deus ainda cura a infidelidade do seu povo. Ele ainda se apresenta como orvalho para aqueles que vivem a aridez de um deserto. A mensagem de Oseias ecoa em nossos ouvidos. A palavra de Deus é sempre atual. É tempo de nos voltarmos para o Senhor!
SDG
