Eclesiastes 1. 1-11

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Eclesiastes 1.1–11
Palavra do Pregador,
filho de Davi,
rei de Jerusalém:
Vaidade de vaidades,
diz o Pregador;
vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
Geração vai e geração vem;
mas a terra permanece para sempre.
Levanta-se o sol,
e põe-se o sol,
e volta ao seu lugar,
onde nasce de novo.
O vento vai para o sul
e faz o seu giro para o norte;
volve-se,
e revolve-se,
na sua carreira,
e retorna aos seus circuitos.
Todos os rios correm para o mar,
e o mar não se enche;
ao lugar para onde correm os rios,
para lá tornam eles a correr.
Todas as coisas são canseiras tais,
que ninguém as pode exprimir;
os olhos não se fartam de ver,
nem se enchem os ouvidos de ouvir.
O que foi
é o que há de ser;
e o que se fez,
isso se tornará a fazer;
nada há,
pois,
novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer:
Vê, isto é novo?
Não!
Já foi nos séculos que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam;
e das coisas posteriores também
não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.”

Introdução:

Captação

O que é a vida? Essa era a pergunta feita por Antônio Abujamra em seu programa chamado “Provocações” na TV Cultura.
Sempre era a última pergunta. Sempre era a pergunta mais difícil. Sempre era a pergunta que não tinha uma resposta objetiva.
Essa pergunta não é trivial. Continuamente ficamos nos perguntando sobre que sentido tem a vida. E muitas respostas tem sido dadas a ela.
A Bíblia nos mostra o que é a vida. E Eclesiastes, especificamente, fala sobre ela de uma forma necessária.
Convido você a ver porque essa forma de Eclesiastes falar sobre a vida é necessária.

Contexto

Vamos começar então pelo nome deste livro.
Você lembra das músicas pelo seu nome ou pelas primeiras palavras dela?
No caso da Bíblia Hebraica, o nome dos livros são geralmente as primeiras palavras.
No caso aqui, o titulo deste livro é Qohélet, que significa alguém que fala para um povo reunido.
Na septuaginta (tradução grega do AT) o ajuntamento ficou conhecido como Eclesia, que dá origem a palavra igreja.
Por isso que convencionou-se o uso Eclesiastes ou “O pregador” para traduzir o termo Qohelet.
O pregador aqui se comporta como alguém que falará coisas necessárias, mas muitas vezes difíceis de compreender.
Talvez você já tenha ouvido falar do livro “Assim falou Zaratrusta” de Nieztche. Neste livro, Zaratrustra sai da caverna e desce a cidade para falar aquilo que o povo não via. Uma dessas coisas foi falar: “Onde está Deus? Nós o matamos. Você e eu.” Neste caso, o sentido era de que o cristianismo ou a noção de Deus da sociedade no século XIX tinha morrido.
O pregador também é um arauto, mas ao invés de descer a cidade, ele é alguém que fala do alto. Ele se coloca como filho do Rei Davi, aquele que conquistou e reinou em Jerusalém. Jerusalém era uma cidade alta. O qohélet, ou pregador, é alguém que está falando de cima para que todos possam ver e ouvir.
Qual a tese prinicipal do pregador? Essa expressão que aparece tanto no início quanto no fim do livro. TUDO É VAIDADE.
A palavra que foi traduzida por “vaidade” pode indicar muitos sentidos, e eles vão depender do contexto. Entender seus significados aqui nos ajudarão a entender o que é essa vida debaixo do sol. Convido você nesta noite a olhar comigo esse texto, tendo como base a seguinte pergunta:

TEMA: O que é a vida?

1. A vida não tem sentido.

Vaidade: significa algo ilusório, algo que não tem sentido.
² "Que grande inutilidade! ", diz o Mestre. "Que grande inutilidade! Nada faz sentido! " (NVI)
² "Nada faz sentido", diz o Mestre. "Nada faz o menor sentido." (NVT)
Observe que as traduções citadas reforçam a ideia de que a vida não tem sentido.
A pergunta retórica no versículo 3 enfatiza isso:
Eclesiastes 1.3 “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?”
A resposta: nada. Não há proveito/lucro, retorno algum.
Esse tipo de conclusão já foi feita na filosofia. A filosofia niilista caminha no sentido de que a vida não possui um sentido objetivo. A pós-modernidade demonstra que não temos outro caminho a seguir a não ser o de buscarmos “a nossa própria verdade” diante do quão obscuro é esse mundo pra nós.
Não é atoa que muitos se desesperam ao não encontrar sentido para o seu viver. Qohélet está nos dizendo: a vida debaixo do sol não tem sentido.
Mas essa passagem nos revela mais verdades sobre a vida.

2. A vida é monótona.

O autor argumenta a partir do v. 4 porque a vida não tem sentido. E ao fazer isso ele começa a demonstra a monotonia da vida.
Para ele a vida é frustante e repetitiva.
A natureza demonstra isso.
Eclesiastes 1.4 “Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos.Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.”
Essa mesmice também é demonstrada na nossa insatisfação. Veja o v. 8:
Eclesiastes 1.8 “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir.”
Você já pensou nisso? Já percebeu que quando a gente conquista algo que nós queriamos muito, percebemos o vazio que dá quando finalmente conseguimos o que queremos?
Pense em uma série que você esperou tanto que chegasse logo para assisti-la, e quando você maratona e assiste fica aquele vácuo.
Pense em Alexandre, o Grande, que dizem que ele chorou ao perceber que não havia mais terras para ele poder conquistar.
Pense no que disse Jim Carey: “Eu acho que todo mundo deveria ficar rico, famoso e fazer tudo o que sempre sonhou, para que possa ver que essa não é a resposta.”
Essa frustração da vida, essa repetição é demonstrada no fato de que nada é novo debaixo do sol:
Eclesiastes 1.9 “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.”
Tudo o que fazemos é apenas a modificação de algo que se fez.
Já percebeu que muitas coisas que acontecem hoje parecem ser reflexos de coisas que eram feitas no passado?
As pessoas já se comunicavam em anos anteriores, elas já viviam em anos anteriores e o que fazemos agora é criar mecanismos a partir de outros que vieram antes de nós.
Até AS HERESIAS. Muitas das ideias novas dos tempos atuais são velhas heresias já tratadas pela igreja. Por isso, que o conhecimento da história da igreja é tão crucial para nós.
Mas o fato é de que não há nada novo debaixo do sol.
Enquanto nos degladiamos, lutamos, choramos, rimos, a terra vai permanecer a mesma desde os tempos antigos. E isso não vai mudar.

3. A vida é curta.

Outro sentido da palavra vaidade (hebel) aqui demonstra que a vida é curta. Isso por que Hebel significa “sopro”, vapor.
Isso mostra que a nossa vida passa muito rápido perto do que é toda a criação.
Eclesiastes 1.11 “Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.”
Você já parou pra pensar que você será plenamente esquecido? A maioria de nós não será lembrada daqui a três gerações.
Nossa vida é um sopro. Tudo passa muito rápido. E a Bíblia nos lembra disso.
Salmo 78.33 “Por isso, ele fez que os seus dias se dissipassem num sopro e os seus anos, em súbito terror.”
Tiago 4.14 “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.”
Nossa vida é curta. Nossa vida é um sopro. Veja, tudo isso está passando muito rápido. Não somos mais jovens. Não somos mais crianças. Agora eu tenho duas crianças e daqui a um sopro não as terei mais.

Conclusão:

Vimos então que, para o pregador a vida não tem sentido, é monótona e muito curta.
Qual a conclusão que podemos chegar com base nisso?
Depende. Se a vida se resume só a isso, talvez tenhamos que fazer igual Antônio Abujamra e dizer: “A vida é uma causa perdida.”
Essa é uma conclusão que soa bem niilista. E parece soar bem comparando com esse texto de Eclesiastes.
Mas veja o detalhe: o texto diz debaixo do sol. E se houver algo mais acima do sol?

Aplicações:

E é aí que entra a boa-nova. Deus enviou seu filho que estava acima do sol, pra mostra que a vida vale a pena.
Em Cristo, a vida tem um propósito. Ela deixa de ser uma ilusão e passa a ser a realidade pura e simples. Em Cristo temos vida e vida em abundância.
Em Cristo, a vida terá uma grande mudança.
Romanos 8.18-21
Em Cristo, a vida é eterna.
1Coríntios 15.58
Como vai a tua vida? Será que não está na hora de pararmos de correr atrás do vento?
Se não tivéssemos Cristo poderíamos concordar com Abumjamra, com Nieztche e com Qohélet. Mas temos Cristo. E isso muda tudo. Não muda o que Qohélet falou, mas muda nossa perspectiva de que tudo não ficará assim para sempre.
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