Domingo 11

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Introdução da Aula — O significado dos nomes

Quero começar com uma pergunta simples.
Por que damos o nome que damos aos nossos filhos?
Normalmente, nós ocidentais escolhemos nomes por motivos como:
porque achamos o nome bonito
porque alguém da família tem esse nome
porque admiramos alguém com esse nome
porque queremos um nome bíblico
Mas raramente escolhemos um nome por causa do seu significado.
Na maioria das vezes, se perguntarmos aos pais o que o nome do filho significa, muitos nem sabem responder.
Mas no mundo bíblico era completamente diferente.
Na Escritura, nomes tinham significado profundo. Eles revelavam algo sobre:
a história da pessoa
sua identidade
seu caráter
ou até sua missão
Por exemplo, quando Esaú nasceu, seu irmão veio logo atrás segurando o seu calcanhar. E então lhe deram o nome Jacó, que está ligado à ideia de aquele que segura o calcanhar, ou suplantador (Gn 25.26).
O nome estava ligado ao evento do nascimento e à história que aquela vida carregaria.
Jacó (יַעֲקֹבYa‘aqov)
Significado ligado a:
“calcanhar” ou “suplantador”
Ele recebeu esse nome porque nasceu segurando o calcanhar de Esaú:
Livro de Gênesis 25:26
O nome acabou refletindo também seu comportamento inicial na história:
tomou o direito de primogenitura
recebeu a bênção de forma enganosa
Por isso Esaú diz:
“Não é com razão que se chama Jacó?” — Livro de Gênesis 27:36
Outro exemplo: 1Samuel 4.19–22 “Estando sua nora, a mulher de Fineias, grávida, e próximo o parto, ouvindo estas novas, de que a arca de Deus fora tomada e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz; porquanto as dores lhe sobrevieram. Ao expirar, disseram as mulheres que a assistiam: Não temas, pois tiveste um filho. Ela, porém, não respondeu, nem fez caso disso. Mas chamou ao menino Icabô, dizendo: Foi-se a glória de Israel. Isto ela disse, porque a arca de Deus fora tomada e por causa de seu sogro e de seu marido. E falou mais: Foi-se a glória de Israel, pois foi tomada a arca de Deus.”
Então, os nomes não refletiam apenas
a história da pessoa
sua identidade
seu caráter
Esse é um exemplo clássico de como, na Bíblia, os nomes refletem acontecimentos, emoções ou realidades espirituais
Outro exemplo é quando Deus muda nomes:
Abrão se torna Abraão. Gênesis 17.5 “Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí.” Sarai se torna Sara. Gênesis 17.15 “Disse também Deus a Abraão: A Sarai, tua mulher, já não lhe chamarás Sarai, porém Sara.” Jacó se torna Israel. Gênesis 35.10 “Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel.”
Jacó → “suplantador”, enganador
Israel → aquele que luta diante de Deus e permanece
Quando Deus muda um nome, Ele está revelando uma nova realidade e uma nova missão.
E é exatamente por isso que o nascimento de Cristo é acompanhado por algo muito especial.
O anjo não apenas anuncia o nascimento do menino.
Ele também determina o seu nome.
Em Mateus 1.21 lemos:
“Tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.”
Perceba algo impressionante.
O nome de Cristo não foi escolhido por José. Não foi escolhido por Maria.
Foi dado pelo próprio Deus.
E o motivo é explicado imediatamente:
porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.
O nome revela a missão.
salvar, manter são e salvo, resgatar do perigo ou destruição James Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil, 2002).
preservar alguém que está em perigo de destruição, salvar ou resgatar James Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil, 2002).
E é exatamente isso que o Catecismo de Heidelberg começa a explorar no Dia do Senhor 11.
A primeira pergunta que ele faz é:
O nome "Jesus" significa "Salvador". Por que o Filho de Deus tem este nome?
O Catecismo responde essa pergunta em duas afirmações muito claras.
Primeiro: Ele nos salva de todos os nossos pecados.
Segundo: em nenhum outro lugar a salvação pode ser encontrada.
Essas duas afirmações resumem toda a obra de Cristo.

Jesus nos salva dos nossos pecados

O anjo já havia revelado isso a José:
“Tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1.21)
Perceba algo importante.
Aqui o nome é resultado de uma missão
Isso quer dizer que qualquer pessoa vai entender que o nome de Jesus significa Salvador?
Mateus 16.13 “Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?”
Não é de agora, que dizem de Cristo, algo que ele nao é. Dizem que era um filósofo, profeta, etc
Cristo não veio apenas para:
melhorar a sociedade
ensinar princípios morais
inspirar pessoas
Porque o maior problema do ser humano não é sofrimento, pobreza ou dificuldades na vida.
O maior problema do homem é o pecado diante de Deus.
E o pecado traz duas consequências principais:
culpa diante de Deus condenação diante da justiça divina
Ele veio fazer algo muito mais profundo.
Ele veio salvar pecadores.
E o Catecismo é muito específico:
Ele nos salva de todos os nossos pecados.
Isso inclui:
a culpa do pecado - Romanos 3.23 “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,” Isaías 53.12 “Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”
a condenação do pecado Romanos 6.23 “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 8.1 “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”
e o poder do pecado Romanos 6.14 “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.”
Ou seja, a obra de Cristo não é parcial.
Ela é completa.
Como diz Hebreus 7.25:
“Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus.”
Cristo é um Salvador perfeito.
A segunda parte da resposta é igualmente importante.
O Catecismo afirma:
em nenhum outro se deve buscar ou pode encontrar salvação.
Isso significa que Cristo não é apenas um entre vários caminhos.
Ele é o único Salvador.
Isso é exatamente o que Pedro declara em Atos 4.12:
“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.”
Portanto, o nome Jesus revela duas verdades fundamentais:
1️⃣ Ele realmente salva 2️⃣ Somente Ele pode salvar

Transição

Acabamos de ver que o Catecismo afirma algo muito forte:
Cristo nos salva de todos os nossos pecados, e em nenhum outro lugar a salvação pode ser encontrada.
Isso levanta uma questão muito importante.
Porque muitas pessoas dizem que creem em Jesus… mas ao mesmo tempo buscam segurança espiritual em outras coisas.
É exatamente isso que o Catecismo aborda agora.

Pergunta 30

Creem realmente no único Salvador Jesus aqueles que buscam sua salvação ou felicidade nos santos, em si mesmos ou em qualquer outro lugar?
Resposta:
Não. Embora se gloriem dele em palavras, na prática negam o único Salvador Jesus.
Essa resposta é muito forte.
O Catecismo está dizendo que não basta dizer que crê em Jesus.
É possível confessar Cristo com os lábios e negá-lo na prática.

O grande erro religioso

O maior erro religioso geralmente não é rejeitar Jesus completamente.
O erro mais comum é tentar adicionar algo a Ele.
Ou seja:
“Cristo salva… mas também precisamos de outras coisas.”
Será que isso acontece somente com os católicos que acreditam em diversos santos e em Maria como mediadora?
Será que não acontece quando pensamos que somos presbiterianos, quando pensamos que somos presbiteros, pastor, diaconos, professor de ebd?
Será que não acontece quando pensamos que fazemos tudo direitinho na igreja? Na vida? Na familia?
Será que basta dizer que cremos em Cristo mas temos esses acessorios de suporte na nossa vida?
Mas quando alguém faz isso, está afirmando algo sem perceber:
Cristo não é suficiente.
E se Cristo não é suficiente, então Ele não é realmente o Salvador.

A lógica do Catecismo

O Catecismo mostra que só existem duas possibilidades.
Ou:
Cristo é um Salvador completo
ou
Ele não é Salvador.
Não existe meio-termo.
Se Cristo salva completamente, então não precisamos de outro mediador.
Mas se precisamos de algo além de Cristo, então estamos negando a suficiência da sua obra.

Aplicação pastoral

Essa pergunta do Catecismo também nos confronta pessoalmente.
Não basta perguntar:
“Eu digo que creio em Jesus?”
A pergunta mais profunda é:
“Eu confio somente em Cristo para a minha salvação?”
Ou será que, no fundo, ainda estamos buscando segurança em:
nossa moralidade
nossa religiosidade
nossas obras
nossa tradição
O evangelho nos chama a descansar somente em Cristo.
O verdadeiro cristão é aquele que confia somente em Cristo para a sua salvação.
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