TRÊS TRAGÉDIAS, UMA ÚNICA SAÍDA

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Texto: Lucas 13.1-9

EXORDIUM

11 de setembro de 2001. Nova York. Um avião está voando em direção a torre norte do World Trade Center. Às 8h46 da manhã vem o primeiro impacto. 17 minutos depois, às 9h03 minutos vem um segundo impacto. Agora na torre sul. Duas torres caem. 2.977 mortos. O mundo assiste em tempo real, paralisados, sem acreditar no que está acontecendo, a queda de dois símbolos norte americanos.
26 de dezembro de 2004. 00h58. É registrado um terremoto. Um tsunami com epicentro na costa oeste de Sumatra, na Indonésia, no Oceano Índico. Foi o maior tsunami registrado em sismógrafo. Chegou a uma magnitude de 9,3. O resultado? Ondas de até 30 metros de altura. Comunidades costeiras completamente inundadas. 227.898 pessoas perderam a vida em 14 países. Um terrível desastre natural. 
28 de novembro de 2016. Um avião decola na cidade de Santa Cruz de la Sierra. O voo está tranquilo. As 22h o piloto relata problemas elétrico. Quinze minutos depois a aeronave perde o contato com a torre. As 02h58 da manhã, é noticiado a queda do avião do time da Chapecoense. 71 mortos. Um time inteiro desaparece. O Brasil fica em um misto de tristeza e choque.
2020. Mês de março. O mundo para. Comércios são fechados. Países decreta lockdown. O mundo está assustado. O cenário é de guerra. No dia 11 de março a OMS (organização mundial de saúde) declara oficialmente que estamos em uma pandemia. A   COVID-19. Milhões de mortos. Silêncio nas ruas.
Diante desses relatos a pergunta que fica é: Por que eles? Por que não eu?
Essa pergunta não é nova. Há dois mil anos, alguém correu até Jesus com uma notícia terrível. E a resposta que Jesus deu naquele dia ecoa através das torres, dos tsunamis, das quedas e das pandemias, até chegar aqui, agora, a nós.
Mas para entender essa resposta, precisamos primeiro entender onde Jesus estava e o que estava acontecendo ao redor dele. Precisamos ver o palco onde essa cena se desenrolou.

NARRATIVA:

Jesus está na Galileia, por volta do ano 30, em uma jornada decisiva. Lucas 9.51 registra o ponto de virada: “E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”. Daquele momento em diante, cada passo de Jesus é um passo em direção à cruz.
Nos capítulos anteriores, Jesus denunciou a hipocrisia dos fariseus e alertou sobre o fogo que vem julgar. Nos capítulos seguintes, falará da porta estreita. Lucas 13.1-9 está no centro dessa viagem — a última advertência antes de Jerusalém.
É uma tarde comum. Jesus ensina uma multidão quando alguém interrompe com notícia chocante: Pilatos matou galileus durante o sacrifício no Templo. Sangue humano misturado ao sangue dos animais. Profanação total.
Jesus responde com uma pergunta direta: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores?” Ele mesmo acrescenta outra tragédia: dezoito mortos quando a torre de Siloé desabou. Duas mortes — uma violenta, outra aleatória —, uma mesma verdade: o sofrimento não mede pecado.
Mas Jesus não para no consolo. Vai além: “A menos que vocês se arrependam, todos vocês também perecerão”. E então conta uma parábola sobre uma figueira estéril. A figueira era símbolo de Israel desde os profetas. Oséias a viu como frutos precoces. Jeremias lamentou sua esterilidade. Jesus assume essa tradição, mas acrescenta algo novo: o lavrador que pede "mais um ano". Juízo adiado. Graça com prazo. Nesse contexto de urgência, de viagem rumo à cruz, de tragédia e graça, Jesus nos ensina que:

GRANDE IDEIA:

Deus adia o juízo e por sua graça nos chama ao arrependimento.

SENTENÇA DE TRANSIÇÃO:

Veremos essa verdade em três movimentos que o próprio Jesus presenta: primeiro, a tragédia que vem de fora; segundo, a tragédia que vem de dentro; terceiro, a tragédia que vem do tempo se esgotando.

ARGUMENTO I: A Tragédia Circunstancial (v.1-3)

Leitura: Lucas 13:1-3
O texto que lemos começa com sangue. Alguém conta a Jesus o que Pilatos fez: matou galileus durante o culto no Templo. A imagem é insuportável — oração interrompida por espada, sacrifício profanado por assassinato.
Jesus conhece a reação que espera. Seus ouvintes pensavam como nós: "Devem ter merecido." É a teologia de Jó, cujos amigos insistiam que sua dor provava sua culpa. É a pergunta dos discípulos diante do cego: "Quem pecou? Este ou os pais deste?" (João 9:2). Jesus corta essa lógica. Jesus afirma: “Não, eu digo a vocês”. Não, esses galileus não eram piores. Não, os dezoito de Siloé não eram mais culpados. Ele mesmo acrescenta a segunda tragédia: a torre de Siloé. Não há inimigo romano para culpar. Apenas pedra, peso, gravidade. A torre não escolheu.
Meus irmãos, o que Jesus está dizendo é: O sofrimento não é medidor de pecado. A tragédia circunstancial — seja violência ou acidente — atinge justos e injustos. O 11 de setembro não foi julgamento sobre Nova York. O tsunami não escolheu somente pecadores. A Chapecoense não caiu porque os jogadores eram piores.
Mas Jesus não para no consolo. Ele vai além: “A menos que vocês se arrependam, todos vocês também perecerão”. A tragédia dos outros não é espetáculo. É espelho. Todos estamos sob a mesma torre. Todos estamos no mesmo avião. A pergunta não é "por que morreram?", mas "por que ainda estou vivo?" E a resposta é: tempo. Tempo para quê? Para arrependimento. Mas arrependimento de quê? E para quê? É o que Jesus nos leva a ver a seguir.

ARGUMENTO II: A Tragédia Espiritual (v.4-5)

Leitura: Lucas 13:4-5
Jesus repete a mesma estrutura. Menciona os dezoito de Siloé. Pergunta se eram mais culpados. Responde: não. E acrescenta: “A menos que vocês se arrependam, todos vocês também perecerão”.
A repetição é gritante. Duas vezes a mesma frase (v. 3 e 5). Jesus não está sendo redundante. Está sendo urgente. A palavra “perecer” (apollumi) é perdição eterna. Essa palavra também é usada em Mateus 10.28 quando Jesus envia seus discípulos e lhes dá instruções. Jesus então diz: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”.
Jesus está nos ensinando uma verdade imutável:Existe, meus irmãos, algo pior que morrer sob escombros. Existe algo pior que ser arrastado por águas. É morrer em seus pecados, sem arrependimento, sem Cristo. Não pensem, meus irmãos, que Deus tem prazer na morte de uma pessoa que não conhece a Cristo. Veja o que o Senhor pergunta em Ezequiel 18.23 pergunta: “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? —diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?” Deus não deseja a perdição. Mas a perdição eterna, meus irmãos, é a consequência inevitável do pecado não confessado.
E o que tudo isso nos diz hoje? Podemos nos preocupar com seguro de vida, check-ups, cintos de segurança — e ignorar o único diagnóstico que importa. O estado da alma. A tragédia espiritual é pior que a circunstancial porque é eterna. A torre de Siloé matou dezoito, mas não os condenou. A morte física é o fim da possibilidade de arrependimento. Mas como escapamos dessa tragédia? Jesus não deixa essa pergunta no ar. Ele responde com uma história.

ARGUMENTO III: A Tragédia Final (v. 6-9)

Leitura: Lucas 13:6-9
Jesus conta uma parábola. Um homem planta uma figueira. Três anos espera. Nada. A sentença: “Cortem-na. Por que ocupar o solo inutilmente?” Mas o lavrador intercede: “Senhor, deixe-a por mais este ano. Cavarei e colocarei esterco. Se der fruto, bem; se não, você a corta”.
Por que esta história agora? Porque responde à pergunta que os dois primeiros argumentos levantam: Como escapamos da tragédia espiritual? Resposta: arrependimento que produz frutos. Mas com urgência: “ainda este ano”. A figueira representa Israel — mas não apenas. Representa qualquer um com privilégios espirituais sem correspondência prática. Ou seja, conhecer a Bíblia sem viver. Frequentar a igreja sem ser igreja. Apresentar folhas de religiosidade, porém, sem frutos de arrependimento.
Mesmo com um iminente juízo, Deus está agindo com misericórdia. Notem que o dono da vinha e da figueira é Deus, o justo juiz. O lavrador aquele que intercede pedindo mais prazo é Jesus que pede prazo. O “ainda este ano” é graça — mas graça com condição: “Se vier a dar fruto” (v.9).
A tragédia final, meus irmãos, é procrastinar. É pensar: “Ainda tenho tempo”. É desprezar os privilégios de Deus e rejeitar a oportunidade de salvação. A parábola termina em aberto. Não sabemos se a figueira deu frutos. O final depende da resposta.
Mas aqui fica a grande questão: Como pode uma figueira estéril produzir frutos? Ela está doente. Condenada. Sem força. A resposta não está na figueira. Está no lavrador que se torna figo por nós.

APLICAÇÃO CRISTOCÊNTRICA

Jesus, o lavrador que intercede, é cortado na cruz (Isaías 53.8) para que nós tenhamos mais um ano, mais uma chance, mais uma primavera. O apóstolo Paulo afirma em II Coríntios 5.21 que: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. Ele foi podado para que pudéssemos brotar. Foi morto para que pudéssemos viver.
O mesmo apóstolo afirma em Romanos 8.34 que “Cristo Jesus... está à direita de Deus e também intercede por nós”. O lavrador ainda intercede. O machado ainda está levantado, mas a mão do intercessor ainda está estendida. Portanto, meus irmãos, não arrependemos para sermos aceitos. Arrependemos porque fomos aceitos. O lavrador não diz: “Dê frutos e eu te salvo”. Ele diz: “Fui eu quem te salvou — agora dê frutos”. O próprio Senhor disse em  João 15.5: “Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto”. O fruto não é produzido pelo esforço da figueira. É produzido pela permanência na videira.

CONCLUSÃO:

Voltemos às datas.
2001. Torres gêmeas. 2.977 mortos.
2004. Tsunami. 230 mil mortos.
2016. Chapecoense. 71 mortos.
2020. COVID. Milhões de mortos.
Jesus não explica o porquê. Mas aponta para o para onde.
As torres caíram. Mas poderiam ter sido você. A onda veio. Mas poderia ter sido você. O avião caiu. Mas poderia ter sido você. O vírus pegou. Mas poderia ter sido você. Não porque você é melhor. Mas porque Deus ainda está dizendo: “ainda este ano”
A tragédia circunstancial nos lembra: todos morreremos. 
A tragédia espiritual nos alerta: morrer sem arrependimento é pior. 
A tragédia final nos adverte: o tempo está se esgotando.
O machado está levantado. O lavrador está intercedendo. O solo está sendo cavado.
Qual será sua resposta?
Que o Deus que derramou seu próprio sangue para nos dar tempo, nos dê graça para responder — não amanhã, não depois, mas hoje.
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