Nação Santa e Propriedade Exclusiva
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Introdução:
Introdução:
"No último domingo, o Aléssio nos conduziu por uma reflexão sobre a nossa identidade e o nosso acesso a Deus. Ele nos lembrou que, em Cristo, nós somos as pedras vivas que Deus está usando para erguer uma casa espiritual.
Vimos que não precisamos mais de sacrifícios repetitivos, pois Jesus é a nossa Pedra Angular, o fundamento que nos dá equilíbrio e segurança. Alessio destacou que o nosso grande privilégio é sermos esse sacerdócio real — pessoas que têm livre acesso à presença do Pai para oferecer o culto da própria vida.
Mas Pedro não para por aí. Se no domingo passado entendemos que somos pedras e sacerdotes, hoje precisamos entender o que significa a comunidade formada por essas pedras e a quem pertence esse sacerdócio.
Pedro usa dois termos que nos definem enquanto Igreja: ele diz que somos uma Nação Santa e uma Propriedade Exclusiva.
Se no Episódio 1 entendemos que somos peregrinos e não somos daqui, hoje o Episódio 3 vai nos mostrar que, embora estejamos em Caruaru, nós vivemos sob a 'Constituição' de uma Nação diferente e carregamos no peito o selo de um Dono que não abre mão de nós."
Esse conhecimento não só nos chama a responsabilidade mas nos lembra que somos de Alguém.
Texto Base: 1Pedro 2:7-9
Texto Base: 1Pedro 2:7-9
7 Portanto, para vocês, os que crêem, esta pedra é preciosa; mas para os que não crêem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”.
8 e, “pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Os que não crêem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o que também foram destinados.
9 Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Ponto 1 - A Cultura da Nação Santa (O Estilo de Vida do Reino)
Ponto 1 - A Cultura da Nação Santa (O Estilo de Vida do Reino)
No nosso mundo moderno, fomos ensinados a pensar em nação sob a ótica do Estado-Nação (território, bandeira, exército e fronteiras geográficas).Tanto que existem guerras no mundo de nações reivindicando pra si territórios, porque de fato, na ótica atual, isso é importante.
No Antigo Testamento, a "nação" de Deus era definida genealogicamente (os descendentes de Abraão). No Antigo Testamento, a "nação" de Deus era definida genealogicamente (os descendentes de Abraão).
Nação (Éthnos): No grego bíblico, refere-se a um grupo que compartilha a mesma raiz, a mesma cultura e a mesma lealdade, independentemente de onde moram.
O povo de Israel por muito tempo e até hoje luta por uma terra, mas observem algo fascinante: o que manteve o povo judeu como uma nação única durante quase dois mil anos de dispersão pelo mundo, sem ter um palmo de terra próprio? Não foi o território, foi a sua Cultura e o seu Deus.
Eles podiam estar na Alemanha, na Rússia ou nos Estados Unidos, mas as leis que governavam suas mesas, seus sábados e suas famílias eram as leis da sua 'Nação', e não apenas as do lugar onde moravam."
Em 1 Pedro 2:9, a "Nação Santa" é formada por pessoas de todas as origens.
A "Nação Santa" de Pedro é uma nação transversal. Ela não ocupa um território físico, ela ocupa o coração e a conduta dos seus cidadãos. Ela existe "dentro" do Brasil, da China ou de Caruaru, mas não é governada por esses territórios.
Qual tem sido a cultura que nossas mesas?
Quanto entendemos que nossa vida é guiada por outra cultura de forma prática e objetiva?
e o mais importante, que cultura é essa, onde a encontro?
A palavra do Senhor é fonte de nossa cultura real, foi Deus escolhendo falar nossa língua que podemos perceber em vários momentos de forma indireta as características do Reino, quando lemos as histórias e absorvemos suas lições (JONAS) ou de forma direta quando Deus claramente nos dá orientações sobre o que deve habitar em nosso coração e como devem ser a conduta do seu povo “Nação SANTA” no mundo que ele nos deixou.
Um desses exemplos, é o sermão do monte
Jonh Stott afirma que o ensino extraído do sermão do Monte se opõe tanto ao mundo secular quanto à religiosidade hipócrita.
"O Sermão do Monte descreve o que o cristão deve ser. [...] Jesus deu aos Seus seguidores um padrão de vida que era — e é — uma contracultura. Jesus não teve a intenção de que fôssemos como o mundo, mas sim que fôssemos diferentes dele. Ele nos chamou para sermos o 'sal da terra' e a 'luz do mundo'. A essência da Sua mensagem é que a comunidade cristã deve ser uma comunidade alternativa, exibindo no mundo uma nova sociedade."
John Stott - Contracultura Cristã: A Mensagem do Sermão do Monte.
1. As Bem-aventuranças (Mateus 5:3-12)
1. As Bem-aventuranças (Mateus 5:3-12)
Mateus 5.3 “3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.”
O Contraste de Valores: O mundo valoriza a autossuficiência, a força e a exaltação própria. A cultura da Nação Santa valoriza a pobreza de espírito, a mansidão e a fome de justiça.
Ser "Santo" aqui é ter uma escala de valores invertida. O "herói" da nossa nação é o pacificador, não o vingativo.
2. O "Ouvistes o que foi dito... Eu, porém, vos digo" (Mateus 5:21-48)
2. O "Ouvistes o que foi dito... Eu, porém, vos digo" (Mateus 5:21-48)
Mateus 5.21–22 “21 “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. 22 Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.”
Indo além da Moralidade: Jesus mostra que na cultura da Nação Santa, não basta não matar (moralidade externa); é preciso não odiar (santidade interna). Não basta não adulterar; é preciso guardar o olhar.
A Radicalidade do Amor: Mateus 5.44 “44 Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem,” é a lei diplomática mais distinta da nossa Nação. É o que nos diferencia radicalmente de qualquer outra cultura terrena.
3. A Prática da Devoção Sincera (Mateus 6:1-18)
3. A Prática da Devoção Sincera (Mateus 6:1-18)
Mateus 6.1 “1 “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.”
A Cultura do "Secreto": No mundo (e na religiosidade hipócrita), faz-se para ser visto. Na Nação Santa, a audiência é de um só: o Pai.
O Uso do Dinheiro (Mateus 6.19 “19 “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.” : Aqui você conecta com a Propriedade Exclusiva. Se Deus é o dono, o nosso "tesouro" não está na terra. A cultura da nossa nação é a de investidores na eternidade.
4. A Regra de Ouro (Mateus 7:12)
4. A Regra de Ouro (Mateus 7:12)
Mateus 7.12 “12 Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas.”
Esta é a Lei de Convivência da Nação Santa. É o resumo de como um cidadão do Reino trata o próximo, baseando-se na empatia e no amor, não na reciprocidade ou no interesse.
5. A Parábola dos Dois Fundamentos (Mateus 7:24-27)
5. A Parábola dos Dois Fundamentos (Mateus 7:24-27)
Mateus 7.24–27 “24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha....
Quem vive a cultura da Nação Santa (pratica as palavras de Jesus) está construindo sobre a Rocha. Quem ignora essa cultura, mesmo que se diga "povo", está na areia.
O Reino como Alternativa Social: Keller via o sermão como um guia para a Igreja ser uma "cidade sobre o monte" — uma comunidade onde o uso do dinheiro, a resolução de conflitos e a integridade sexual são tão diferentes que a cidade ao redor (como Caruaru) é forçada a notar que algo sobrenatural está acontecendo ali.
Se a "Nação Santa" define a nossa cultura, o termo "Povo de Propriedade Exclusiva" define o nosso dono e o nosso valor.
Ponto 2 - Propriedade Exclusiva: O Valor do Selo Real
Ponto 2 - Propriedade Exclusiva: O Valor do Selo Real
1. O Conceito de "Tesouro Particular"
1. O Conceito de "Tesouro Particular"
No mundo antigo, os reis tinham o tesouro do Estado (para obras, exércitos e administração), mas tinham também o seu tesouro particular, mesma palavra empregada aqui. Eram joias, objetos e bens que o rei guardava em seu palácio pessoal. Era o que ele mais amava, o que ele mesmo protegia.
Pedro está dizendo que você não é apenas um "recurso" para Deus. Você é o tesouro particular d’Ele.
Você não é definido pelo que faz, pelo seu cargo ou pelo quanto ganha em Caruaru. Você é definido por quem é o seu dono.
2. O Recibo: Comprados por Alto Preço
2. O Recibo: Comprados por Alto Preço
Nada é "propriedade exclusiva" sem que um preço seja pago. No Episódio 2, vimos que Jesus é a Pedra Angular e o Cordeiro. Aqui, entendemos o efeito prático disso: A Cruz é o recibo de compra da sua alma.
O valor de um objeto é determinado pelo quanto alguém está disposto a pagar por ele. Se Deus pagou com o sangue do Seu próprio Filho, esse é o seu valor.
O mundo tenta nos desvalorizar o tempo todo. Mas se você é propriedade exclusiva de Deus, o seu valor é incalculável.
obra de arte restaurada. Uma pintura de um mestre (como Rembrandt) pode ser encontrada suja e esquecida em um sótão. Ela parece não ter valor. Mas quando um colecionador a compra por milhões e a restaura, ele coloca o seu selo nela. Ela agora é exclusiva. O valor não está na tela ou na tinta, mas na assinatura do mestre e no preço que foi pago.
3. A Segurança da Posse
3. A Segurança da Posse
Ser propriedade exclusiva traz uma responsabilidade, mas traz, acima de tudo, descanso.
Quem cuida da propriedade é o dono: Se eu sou d'Ele, o cuidado com a minha vida, com o meu sustento e com a minha eternidade é responsabilidade d’Ele.
João 10.27–29 “27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. 29 Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai.”
O Selo de Proteção: Um objeto no palácio do Rei não pode ser saqueado facilmente. Quando as trevas tentam nos atingir, elas encontram o selo de propriedade de Deus em nós. Como disse Paulo: "Ninguém me perturbe, pois trago em meu corpo as marcas de Jesus" (Gálatas 6:17).
4. A Exclusividade: Um Coração Indiviso
4. A Exclusividade: Um Coração Indiviso
Aqui entra a confrontação necessária: Se somos exclusivos, não podemos ser compartilhados.
Não podemos ser "propriedade" de Deus no domingo e "propriedade" das ideologias, do pecado ou do orgulho durante a semana.
Conexão com o Tesouro (Mt 6:21): "Onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração". Se Deus nos tem como tesouro d'Ele, o nosso coração deve tê-Lo como o nosso único Senhor.
Ponto 3 - O "Não Povo" que virou "Povo" (A Transição)
Ponto 3 - O "Não Povo" que virou "Povo" (A Transição)
1Pedro 2.10 “10 Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam.”
Nação Santa e povo exclusivo
Éramos fragmentados, definidos por nossas falhas, traumas ou sucessos terrenos. Éramos "ninguém".
Deus nos dá um nome. Ele nos confere o status de nação.
A Igreja é o único lugar do mundo onde um "ninguém" se torna "alguém" não por esforço próprio, mas porque o Dono do Universo o chamou de "Meu". Isso destrói tanto o orgulho quanto o complexo de inferioridade.
A Misericórdia como Cimento da Identidade
A Misericórdia como Cimento da Identidade
Pedro termina o versículo 10 dizendo: "...não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam."
O Conceito: O que transforma um "não povo" em "povo" não é a nossa concordância política ou social, é o fato de que todos nós fomos alcançados pela mesma misericórdia.
Implicação Comunitária: Se o que nos torna povo é a misericórdia de Deus, não temos o direito de ser uma comunidade sem misericórdia entre nós.
Conexão com a Propriedade Exclusiva: Deus não nos comprou porque éramos valiosos; nós nos tornamos valiosos porque Ele nos comprou e nos deu Sua misericórdia.
Conclusão -
Conclusão -
"Irmãos, o que vimos hoje foi o segredo da nossa existência: temos uma Cultura que não é deste mundo e um Dono que pagou o preço mais alto por nós. Saímos daqui hoje não como pessoas comuns, mas como uma Nação Santa que carrega o selo da Propriedade Exclusiva de Deus.
Mas resta uma pergunta: Por que Deus se daria a esse trabalho? Por que restaurar um 'não povo' e guardá-lo como um tesouro particular?
Pedro nos dá a resposta: há um propósito nessa exclusividade. Nós fomos comprados e restaurados para um anúncio. No próximo domingo, no nosso último episódio, vamos descobrir qual é a nossa Vocação: como brilhar a luz d'Aquele que nos chamou, no meio das trevas deste tempo. Que o Senhor nos guarde como Seu tesouro nesta semana."
