Juízes 2.6-23

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O autor desenvolve a justificativa quanto ao pecado dos filhos Israel, que foi o de omitir-se no ensino das gerações futuras do conhecimento de Deus e de seu testemunho.

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Juízes 2.6-23: A ruptura geracional de temor ao SENHOR como justificativa para a decadência e aflição do povo de Deus.

Nos dias em que julgavam os juízes…não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto” (Rt 1.1; Jz 21.25b).
Pr. Paulo U. Rodrigues
I. Recapitulação
Estrutura da seção anterior:
1. (1.1-20): A liderança de Judá e seu exemplo de obediência ao mandado divino de conquista da terra.
2. (vv.21-36): O contraste de Benjamim e demais tribos: quebra da aliança e respectivos insucessos.
3. (2.1-5): A reprovação e julgamento divino pela quebra da aliança por parte do povo.
Objetivo: Demonstrar que a relutância na obediência ao SENHOR, conduz à tentação de mescla com o mundanismo/paganismo e consequente reprovação da parte de Deus.
II. Elucidação
Estrutura narrativa:
1. (vv.6-10a) - Testemunho ancestral: A geração passada e sua experiência com Deus. - “Serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué…” (v.7a). - “… viram todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel” (v.7b). - “Foi também congregada a seus pais toda aquela geração” (v.10). - “…[o] caminho por onde andaram seus pais na obediência dos mandamentos do SENHOR” (v.17b).
2. (vv. 10b-13) - Denúncia: O abandono ao SENHOR. - “…e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel” (v.10b) > Falha na transmissão do temor do SENHOR (cf. Êx 12.24-27, 13.14-16; Deuteronômio 6 - Mescla de ordenança à obediência e transmissão do Temor do SENHOR aos filhos, para conhecimento destes quanto a tudo que fizera Deus e, portanto, para conhecimento das gerações posteriores (cf. Dt 6.22 “…aos nossos olhos fez o SENHOR sinais e maravilhas…” cp. Jz 2.7,10). O conhecimento do SENHOR, por parte das gerações futuras, dependeria, basicamente, do testemunho/ensino das gerações antecessoras.

A segunda geração após a morte de Josué não ensinou seus filhos a temer ao Senhor e a guardar seus mandamentos. A negligência dos pais resultou na apostasia dos filhos.

- “…fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o SENHOR…”. Expressão que se repetirá ao longo do livro, ressaltando o pecado do povo, usada aqui como introdução ao ponto seguinte.
3. (vv.14-19) - Justificativa para o ciclo decadente (cf. 2.3). - (v.14a) “Pelo que a ira do SENHOR se acendeu contra Israel e os deu na mão dos espoliadores”. - (v.15a) “Por onde quer que saíam, a mão do SENHOR era contra eles para o seu mal”. Demonstrativo da inimizade divina despertada pelos pecados da atual geração, que assim vivem, devido a negligência da geração passada em os conduzir no conhecimento do SENHOR pela transmissão de seus mandamentos e testemunhos.
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) Parte I – O Contexto do Fracasso da Teocracia de Israel (1.1–3.5)

A desobediência e a deslealdade de Israel a Javé lançaram a nação em um círculo vicioso de pecado e punição que, a despeito da graciosa intervenção divina, sugou a vitalidade da nação e sua capacidade de compromisso espiritual (2.11–19).

4. (vv.20-23) - Ratificação do juízo divino: Deixa para início do registro histórico (a partir de 3.7). - (v.20,22a) “Pelo que a ira do SENHOR se ascendeu contra Israel… para, […], pôr Israel à prova”.
III. Síntese principiológica
Se em Juízes 1.1-2.5 o autor bíblico apresentou o quadro geral que será desenvolvido no livro no que tange à postura do povo de Israel em relação a Deus, ressaltando sua desobediência, decadência e sofrimento, por causa de seu pecado de não expulsar os povos cananitas de suas terras, antes, cedeu à tentação de misturar-se com eles, assimilando sua cultura pagã e idólatra, Juízes 2.6-23 apresenta a causa do problema: a falha na transmissão do conhecimento e testemunho de Deus às gerações subsequentes.
A narrativa, feita de certa forma em retrospecto, fornece ao leitor a razão para Israel achar-se em repetidos apertos ao longo do livro: embora a geração passada tenha visto “todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel” (cf. 2.7) e tenha andado conforme seus caminhos (cf. 2.22), não observaram o imperativo de que as maravilhas que viram e os mandamentos que receberam deveriam ser ensinados aos seus filhos, para que o temor do SENHOR fosse passado de uma geração à seguinte.
Em razão disso, a menção de julgamento que aparece em 2.1-5 é repetida em 2.20-23, pois será a essa a condição a ser experienciada pelos filhos de Israel: serão constantemente provados e conduzidos à disciplina pelo SENHOR por causa dos pecados seus, mas que foram ocasionados pela negligência de seus pais.
O texto de Juízes 2.6-23, conclama a igreja hoje à percepção das seguintes realidades:
IV. Aplicações
⁠A negligência do progresso no conhecimento de Deus, abre as portas para o pecado. Os filhos de Israel, ao negligenciarem o testemunho do SENHOR, seus mandamentos e leis, principalmente na transmissão de tais princípios aos seus filhos, condenaram-se a não resistirem à tentação de assimilarem uma cultura pagã. É o Temor do SENHOR cultivado pelo ensino e transmissão dos pais aos filhos, que garantem que toda a igreja de Cristo nutra-se da piedade que a Palavra de Deus nos direciona a ter. O que leva ao segundo ponto.
A falha na transmissão do testemunho do SENHOR da geração anterior a subsequente, gerou nesta a fraqueza que, por seu turno, os levou a rebelar-se contra Deus não expulsando os cananitas, mas abraçando seus ídolos. Ainda que sendo piedosos, ouvidaram-se de guardar o princípio da aliança que os obrigava a levar adiante o conhecimento do SENHOR. Viveram bem a piedade… para si, mas foram ineptos em conduzirem seus filhos ao mesmo conhecimento. Quais razões nos levam a ignorar as necessidades espirituais de nossos filhos? Quais são as nossas prioridades? Crescemos espiritualmente? Se sim, temos buscando fazer com que nossos filhos conheçam o mesmo Deus que conhecemos? “Se Deus não for uma prioridade para você, será opcional para os seus filhos”.
Nossa negligência no ensino e discipulado de nosso filhos, pode ter consequências trágicas para eles. Porque negligenciaram o testemunho do SENHOR, os filhos daquela geração que foi liderada por Josué tornaram-se inimigos de Deus, ao ponto de “a mão do SENHOR [ser] contra eles para o seu mal” (Jz 2.15). Que sucesso pode haver para nossos filhos se a mão do SENHOR for contra eles? Quão bem-sucedidos eles podem ser, se o SENHOR for seu adversário? Se por seus pecados, originados pela falta de conhecimento de Deus (ocasionada por nossa negligência em ensinar-lhes), Deus for contra eles, em que área da vida eles poderão ser prósperos?
V. Conclusão
Juízes 2.6-23 é um aviso: podemos andar com Deus e nos esquecer de dar as mãos aos nossos filhos para que eles venham conosco. Podemos ser piedosos para nós mesmos, e ao mesmo tempo esquecer que essa piedade deve ser refletida aos nossos filhos, sendo nós referências do testemunho do SENHOR para eles. O preço pode ser caro: a infelicidade de nossos filhos, até que o SENHOR se apiede deles, perdoe-lhes os pecados e nossa negligência em não expô-los ao testemunho do Deus de nossos pais.
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