DERRAMAREI O MEU ESPÍRITO

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LEITURA DO TEXTO

Joel 2:28–32 NAA
“E acontecerá, depois disso, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão visões. Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.” E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Senhor prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar.

INTRODUÇÃO

O livro de Joel contem uma mensagem profética e poética, mas, especialmente, escatológica. Escathon = último ou fim. Escatologia = Doutrina das últimas coisas. Estamos em qual era da história de Deus neste mundo? Estamos nos últimos dias. Antes do “terrível Dia do Senhor” (Joel 2.31), o Espírito Santo seria derramado sobre toda a humanidade. Antes do fim, o reino de Deus seria (e foi) inaugurado e avança e continuará avançando até que o Messias retorne. A era de Cristo Jesus, a era do Espírito Santo, a era da Igreja, são todas eras ligadas ao que a Bíblia vai chamar de “últimos dias”. A vida de Jesus foi escatológica; sua morte foi escatológica; sua ressurreição foi escatológica e não é diferente em relação a sua subida aos céus, a descida do Espírito Santo em Atos 2 e toda a era presente da Igreja. Estamos a cada dia mais perto do fim. Estamos nos últimos dias.
Moisés anunciou os últimos dias ao contexto de Israel, considerando os seus pecados que escalariam tanto que o juízo de Deus culminaria nos exílios Assírio (2Rs 17) e Babilônico (2Rs 25). Joel vai na mesma linha quando anuncia os gafanhotos e agora profetiza um derramar do Espírito de Deus sobre toda a humanidade. Ele tinha em mente Judá e estava tratando apenas do povo em relação ao seu Deus, mas o próprio Espírito Santo se encarrega de mostrar ao apóstolo Pedro no livro de Atos que o evento do Pentecostes foi o cumprimento de Joel 2.28-32 — e isso deve mudar tudo para nós.
Acts 2:14–21 NAA
Então Pedro se levantou, junto com os onze, e, erguendo a voz, dirigiu-se à multidão nestes termos: — Homens da Judeia e todos vocês que moram em Jerusalém, tomem conhecimento disto e prestem atenção no que vou dizer. Estes homens não estão bêbados, como vocês estão pensando, porque são apenas nove horas da manhã. Mas o que está acontecendo é o que foi dito por meio do profeta Joel: “E acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus jovens terão visões, e os seus velhos sonharão. Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei o meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

Joel 2.28–31 ““E acontecerá, depois disso, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão visões. Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor.””
Para Judá, em seu contexto de devastação, a chuva era algo redentor, libertador, salvador. Joel usa a mesma linguagem para demonstrar o valor da pessoa e obra do Espírito Santo para a humanidade nessa era do fim. A promessa gira em torno da presença e do poder do Espírito e a chegada do grande e terrível Dia do Senhor. A linguagem utilizada entre essas duas expressões teológicas tão importantes é apenas o uso poético bem sucedido de uma escolha de palavras que possam retratar a grandeza do agir de Deus no mundo.
Deus não age sem perfeição e excelência. Deus é excelentemente soberano e soberanamente excelente em todas as suas obras. Ele tem etapas que precisamos cumprir para que possamos viver todo o seu querer.
O foco de algumas teologias é no conteúdo entre o início do versículo 28 e o final do versículo 32, mas são exatamente essas duas extremidades que tratam dos pontos principais. O nosso foco deve estar no derramamento do Espirito sobre toda a humanidade e na invocação do nome do Senhor para a salvação. Essas duas expressões estão totalmente interligadas.
Lembra que Deus estava tratando também da terra e dos animais? Eles não aparecem neste ponto da profecia. E isso por uma simples razão: eles não foram criados para beberem do Espírito Santo, mas a humanidade foi. Calvino vai dizer que Deus precisou enviar primeiro a restituição material nos versículos anteriores porque o povo é tão infantil nas coisas espirituais e tão lento para buscar o que é do alto que ele tinha de fazer isso pedagogicamente para que o povo entendesse gradativamente a sua maior necessidade que não é cereal, vinho e azeite, mas a vida do Espírito.
Calvino continua interpretando esse texto de maneira brilhante. Ele vai dizer:
“O Profeta, sem dúvida, promete aqui algo maior do que os pais sob a Lei haviam experimentado. O dom do Espírito, sabemos, até era desfrutado pelos antigos; só que o Profeta não promete o que os fiéis tinham outrora descoberto, mas, como dissemos, algo maior: e tal pode ser facilmente depreendido da palavra aqui usada, “derramar”; pois ipv shafach não significa gotejar, mas despejar em grande abundância; e Deus não derramou seu Espírito Santo tão farta e largamente sob a lei como quando depois da manifestação de Cristo. 24 Dado, pois, que o dom do Espírito foi mais copiosamente dado à Igreja após o advento de Cristo, o Profeta utiliza aqui uma expressão rara — que Deus derramaria o Espírito dele.”
Há traduções do grego que dizem em Atos 2 que Deus derramaria “do” Espírito, o que mudaria bastante o sentido da profecia de Joel, pois está claro no original que a promessa é um derramar abundante da vida espiritual e não apenas sobre o povo judeu, mas sobre toda a humanidade. Essa expressão “sobre toda a humanidade” (em algumas traduções, “sobre toda a carne”) é um apontamento escatológico para a obra de Deus no mundo por meio do evangelho. Jesus viveu uma vida perfeita entre nós, morreu de forma substitutiva e em nosso favor (porque levou o nosso pecado sobre si e pagou preço do nosso resgate da morte), ressuscitou corporalmente ao terceiro dia, subiu aos céus na presença dos apóstolos e enviou junto com Deus Pai o Espírito Santo para que a vida de Deus (zoe, no grego) fosse derramada sem medida sobre pessoas de todas as etnias, o que aponta para a salvação dos pecadores em todo o mundo.
Quando alguém crê no evangelho, não pode fazer isso sem uma ação prévia do Espírito. Ele é quem convence o homem do pecado (João 16.8) e quem concede o dom da fé para que o pecador seja salvo (Efésios 2.8 “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus;”). Pedro, após pregar o evangelho no episódio da descida do Espírito, foi interpelado por alguns judeus que creram. Veja a resposta dele:
Acts 2:38 NAA
Pedro respondeu: — Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo.
Perceba: quando alguém crê no evangelho, precisa se arrepender dos pecados também — o que chamamos teologicamente de “conversão”, mas não para por aí. Deve ser batizado no nome de Jesus (ou no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo) para evidenciar publicamente que essa pessoa se converteu a Deus por meio do evangelho de Cristo Jesus, e a consequência natural — sem uma oração forte ou uma nova experiência aos moldes do que os discípulos acabaram de viver ali — é o recebimento do “dom do Espírito Santo”. Dom é uma palavra grega que tem como raiz a palavra “graça”. É um presente. Um favor imerecido. O apóstolo Pedro “promete” que todos os que creram receberam o próprio Deus em seus espíritos.
Contudo, amada igreja, o Espírito Santo só habita em quem ele já deu o novo nascimento, pois só pode se arrepender e crer no evangelho quem o Espírito Santo previamente operou salvação.
A gente se converte, mas não sem antes ser convertido a Deus pelo poder do Espírito Santo. Isso explica tantas pessoas que ouvem o evangelho continuamente e não dão a resposta adequada que é arrependimento e fé. O Espírito Santo ainda não lhes concedeu. Ore para que as pessoas à sua volta sejam convertidas para que possam se converter ao Senhor Jesus.
Um último ponto que quero tratar nestes versículos é que o profeta Joel está anunciando que o derramamento do Espírito Santo é um evento que anuncia o fim dos tempos. “Antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (vs. 31). Porém, a era final da história de Deus neste mundo começa com a primeira vinda de Cristo, passa por sua vida terrena em plena justiça (santidade), sua morte substitutiva, sua gloriosa ressurreição, sua soberana ascensão aos céus, a descida do Espírito Santo, a era da Igreja (os dias atuais) e o retorno triunfal de Cristo (a segunda vinda) com o progressivo estabelecimento do reino eterno de Deus Pai.
Teologicamente, essa é a parte mais importante da profecia, e não os detalhes em relação ao que acontece quando o Espírito Santo é derramado. Mas a gente pode verificar o que pode significar essas figuras poéticas que Joel utiliza (filhos e filhas profetizando, velhos sonhando, jovens tendo visões, prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e fumaça). Tudo isso é literal? Eu creio que não. São figuras que apontando para uma atuação do Espírito que virá sobre todos os salvos, sem distinção. Todos vão receber o poder para proclamar o evangelho. Todos vão ser instrumentos do Espírito Santo. Receberão dons espirituais. Levarão em suas vidas e relacionamentos o fruto do Espírito que essencialmente é amor. Essas descrições estão apontando para os últimos dias onde pessoas até do Brasil (uma nação inexistente nos dias de Joel) beberiam do Espírito, mergulhariam na experiência da fé em Cristo Jesus e andariam em crescente prática de boas obras.
Joel 2.32 “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Senhor prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar.”
Essa profecia é uma profecia que anuncia o evangelho. Quem invocar o nome do Senhor, será salvo. Gênesis 12.7–8 “O Senhor apareceu a Abrão e lhe disse: — Darei esta terra à sua descendência. Ali Abrão edificou um altar ao Senhor, que lhe tinha aparecido. Passando dali para o monte a leste de Betel, armou a sua tenda, ficando Betel a leste e Ai a oeste. Ali edificou um altar ao Senhor e invocou o nome do Senhor.”
Invocar é adorar. O objeto da nossa adoração é aquilo ou aquele(a) por quem vivemos. Podemos perder tudo, menos o objeto da nossa adoração. A grande pergunta é: Deus é o objeto da sua adoração?
Quem de fato é salvo por Jesus, no processo da conversão está trocando os ídolos por Deus. O Deus Trino passa a ser a fonte de todas as coisas, a razão de tudo, o alfa e o ômega, o princípio e o fim. Deus ocupa o centro do coração do salvo. O salvo invoca, adora o nome do Senhor porque tem agora fome e sede de justiça. O salvo ama o Senhor e se entristece quando entristece o seu Espírito com os seus pecados.
Efésios 4.30 “E não entristeçam o Espírito de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção.”
O Espírito Santo é o selo da nossa libertação final do poder do pecado. Ele vive em nós para realizar um trabalho: nos santificar para Cristo, o Noivo. Ele aplica a obra de Cristo em nossos corações, nos ensina, guia, pastoreia, exorta, consola. O Espírito Santo é a pessoa de Deus fazendo um culto como esse acontecer de modo a glorificar Jesus.
Os que são salvos tem o Espírito, e esses adoram ao Senhor Deus Triúno. Os salvos são os “sobreviventes que o Senhor chama” dessa profecia de Joel. Muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Os escolhidos, portanto, são os sobreviventes.
A parte principal da profecia de Joel é sobre o evangelho. Após o arrependimento do povo, vem o avivamento que é o Espírito de Deus sendo derramado como chuva sobre toda a humanidade. Uma inundação de conversões a Cristo. Uma grande chuva da graça de Deus em Cristo Jesus. Quem se arrepende e crê é mergulhado na vida espiritual, passa a discernir as coisas espirituais e bebe do Espírito Santo, que é uma referência ao batismo do Espírito.
1Coríntios 12.13 “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.”
Toda a humanidade, sem distinção (não sem exceção, porque nem todos serão salvos). Os salvos viverão pelo Espírito de Deus hoje e para sempre.
João 14.15–17 “— Se vocês me amam, guardarão os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Consolador, a fim de que esteja com vocês para sempre: é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele habita com vocês e estará em vocês.”

APLICAÇÕES E CONCLUSÃO

1- Mediante tudo o que aprendemos, você possui evidências de que o Espírito Santo foi derramado em sua vida?
2- A vida do Espírito em você produz frutos em sua casa, trabalho e igreja?
3- Quem vai profetizar? Quem vai sonhar? Quem vai ter visões? É o povo de Deus, certo? Se isso tem a ver com a vida cristã comum que envolve comunhão com Deus, discipulado, evangelização e serviço ao próximo, você pode confirmar que sua vida está fluindo no Espírito Santo?
4- Deus é o objeto da sua adoração? Você tem invocado o nome do Senhor ou tem sido como Judá nos versículos anteriores, indiferente, imaturo e de coração endurecido?
Vamos orar.
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