A LUZ DO MUNDO

O SERMÃO DO MONTE  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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LEITURA DO TEXTO

Matthew 5:14–15 NAA
— Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte. Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa.

INTRODUÇÃO

Está claro que o mundo se encontra em trevas. Muitas vezes essas trevas são reveladas em forma de conhecimento racional e científico. Tivemos o movimento histórico do Iluminismo, há alguns séculos passados, como tivemos até na igreja no século 19 um tipo de iluminismo onde alguns teólogos e pastores tentaram fazer com que a igreja se tornasse mais relevante e eles acabaram negando o evangelho ao declararem coisas do tipo “Jesus não ressuscitou corporalmente, porque isso não pode ser provado cientificamente”. Contudo, desde o fim da idade medieval, o início da modernidade com a queda final do Império Romano, o advento da Reforma Protestante e as grandes navegações e ao fim desta era o estabelecimento da era contemporânea ou pós-moderna com o marco histórico da Revolução Francesa, o mundo ocidental vem se tornando gradativa e progressivamente secularizado, desprezando Deus e a expressão da fé cristã, de modo que a sociedade brasileira mesmo está hoje mergulhada em violência, imoralidade, injustiças, corrupção, ódio e todo tipo de mazela existencial.
Na verdade, desde quando o mundo tirou o protagonismo de tudo o que é místico e passou a valorizar mais o racionalismo científico, quando as questões existenciais como o sofrimento e a presença do mal no mundo aparecem com mais força e vigor, o pensamento filosófico e científico tende a ser insuficiente e, na prática, desprezível pela grande maioria das pessoas e é na fé que muitos vão encontrar o refúgio para suas almas e é a verdade cristã que vai iluminar as consciências.
Assim Jesus olha para os discípulos e diz para eles: “vocês são a luz do mundo”. Em que sentido os discípulos são a luz do mundo? No sentido em que os discípulos não desfalecem diante das tribulações e conseguem mais sucesso na vida pessoal do que a maioria dos filósofos, pensadores e críticos sociais do tempo vigente. Assim como a ideia do sal no alimento, a luz faz toda a diferença em qualquer lugar habitado pelas trevas.

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

O crente em Jesus tem uma capacidade de viver uma sabedoria prática que nenhum outro pode ter. Jesus não disse o que disse por acaso. Já haviam passado Sócrates, Platão e Aristóteles, e tempos depois vem Jesus e diz que a verdadeira iluminação da mente e do corpo está sobre gente simples como os galileus que seguiam o Nazareno. É como aprendemos em 1Coríntios 1.21 “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, Deus achou por bem salvar os que creem por meio da loucura da pregação.”
Há mais sabedoria na vida do que crê de fato no evangelho e vive pela fé em Jesus do que naquele que fez mestrado ou doutorado mas não consegue sair de uma crise conjugal, por exemplo.
Algumas lições nesse texto de Mateus 5.14-15:
1- Somos a luz do mundo porque Jesus é a luz do mundo.
João 8.12 “De novo, Jesus lhes falou, dizendo: — Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.”
Na união mística com Jesus, somos feitos luz do mundo tanto quanto ele é a luz do mundo. Efésios 5.8 “Porque no passado vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz” . No Senhor, somos luz. E porque estamos em Cristo — e somente por este fato — Paulo nos encoraja a viver pela fé: “vivam como filhos da luz”.
2- Somos a luz do mundo porque o Espírito de Deus e de Cristo Jesus habita em nós.
1João 1.5 “A mensagem que dele ouvimos e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.”. Deus é luz e o Espírito Santo é Deus em nós, dentro da gente. Portanto, o Pai da Luzes de Tiago 1.17 agora se manifesta nos filhos de Deus que Cristo comprou para Ele mesmo com o seu sangue. Jesus faz uma afirmação no presente com os olhos no futuro. Eles são o que eu ainda farei que eles se tornem. Sem a vida perfeita, morte substitutiva e ressurreição corporal de Cristo, todo ser humano se encontra em pleno estado de trevas espirituais que abrangem toda a existência e a vida; mas por meio da obra consumada por Jesus e pela posterior descida do Espírito Santo, neste exato momento todo aquele mediante à mensagem do evangelho se arrepende dos pecados e confia em Jesus para ser salvo recebe pela graça de Deus essa nova condição espiritual — ser luz do mundo.
3- A luz precisa brilhar nas trevas. Se pessoas são luz; logo, por inferência, pessoas são trevas.
Essa luz não é física, mas espiritual, assim como as trevas. Jesus nos chama a ser aquele que praticam as obras da luz (verdade) num mundo que procura fazer muitas coisas no oculto, nas trevas da mentira. Paulo vai dizer em 1Tessalonicenses 5.7 “Ora, os que dormem é de noite que dormem, e os que se embriagam é de noite que se embriagam.”. Essa linguagem é tanto figurada quanto literal. Esse sono é figurado, o sono espiritual, mas essa embriaguez pode ser entendida tanto no sentido literal como expressão do pecado voluntário, consciente e deliberado ou desenfreado, quanto no sentido figurado desse estado de escravidão ao pecado.
As pessoas nas trevas espirituais amam odiar, adoram mentir, desejam ardentemente se entregar à imoralidade, buscam com fervor apenas os próprios interesses e são devotos da vaidade, do poder e do conforto pessoal. Jesus olha para a sua igreja e diz que nós somos o povo que ama perdoar, adora a Deus em espírito e em verdade, deseja ardentemente se entregar à santidade porque tem fome e sede de justiça, busca com fervor fazer a vontade de Deus e é extremamente devoto do Senhor que é humilde, manso e que não tem onde reclinar a cabeça.
4- Como o sal influencia a carne, o cristão como luz influencia o mundo na compreensão de que a vida sem Cristo é uma vida em trevas espirituais.
As pessoas muitas vezes rejeitam o evangelho porque sabem que suas obras serão reveladas e elas ainda estão presas emocionalmente aos ídolos espirituais como o sexo, o poder e o dinheiro, por exemplo. Lá no fundo, sabem que estão no erro e que o seu futuro não é promissor. É como João ensinou em seu evangelho em João 3.19 “A condenação é esta: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.”.
Como vai dizer Martin Lloyd Jones: “Nosso Senhor chegou mesmo a afirmar que tais homens não se aproximam da luz, porquanto sabem que, se o fizerem, seus feitos serão reprovados por ela, e eles não querem que isso lhes aconteça.”
Não foi diferente com a vida terrena de Jesus conforme foi relevado nos evangelhos. Qual a explicação para tanta perseguição dos fariseus, escribas, saduceus e outros ao Senhor? Eles estavam em trevas espirituais, enquanto o Senhor Jesus fazia brilhar a santidade e a pureza de coração. O que mais irritava os religiosos é que eles não tinham do que acusar Jesus e que Jesus era uma pessoa atraente justamente por ser uma pessoa santa.
Lloyd Jones vai complementar:
Por esse motivo é que O perseguiam, e, finalmente, O crucificaram – simplesmente porque Ele era “a luz do mundo”. Essa luz manifestava e revelava as coisas ocultas das trevas, que dentro deles havia. Ora, você e eu precisamos ser assim também, neste mundo: simplesmente por vivermos a vida cristã, cumpre-nos exercer esse efeito sobre os incrédulos.
O cristão está em Jesus. Logo, a santidade do cristão deve ser atraente e não repelente, pois se Jesus atraía os pecadores para si, agora, ele faz isso pelo poder do Espírito Santo através da sua Igreja e a Igreja precisa entender que quem influencia o mundo é ela e não o contrário, pois estamos em Jesus e somos seus discípulos que procuram imitá-lo na vida.
Eu ousaria dizer que é dever de um cristão legítimo atrais pecadores a Cristo com a vida que vive e ofender religiosos por conta de sua fidelidade ao evangelho.
Não tenha medo de ofender (no sentido teológico do termo) religiosos quando você procura viver piedosamente. Tenha medo de ofender o evangelho ao viver como um ímpio. Lembre do futuro do ímpio no Salmo 1
“Bem-aventurado é aquele que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Pelo contrário, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a uma corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo o que ele faz será bem-sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Por isso, os ímpios não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.”

APLICAÇÕES E CONCLUSÃO

1- Se Jesus é a luz do mundo e somente podemos ser luz do mundo através da união com Ele, o quanto você está dedicado em conhecê-lo melhor para imitá-lo mais?
2- A única forma de sermos quem Cristo nos chamou para ser é nos arrependendo do pecado da riqueza de espírito (autossuficiência) e olhando para o evangelho que apresenta a Luz do mundo se apagando no madeiro para remover de nós toda impossibilidade de andarmos de fato na luz.
1 John 1:7–10 NAA
Se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não cometemos pecado, fazemos dele um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
3- Quando as pessoas nos veem, é como as trevas encontrando a luz? Há diferença? Somos uma repreensão silenciosa ao seu modo ímpio de viver?
4- Quando andamos nas bem-aventuranças, somos sal da terra e luz do mundo. O mundo começa ver tão evidente Cristo em nós que nos pergunta a fonte da nossa vida e é aí que podemos anunciar o evangelho. Muitas vezes, a melhor evangelização começa com o testemunho que damos. E quando as pessoas perguntam o que nos move a ser como somos, vem a resposta amorosa e fiel: 1Timóteo 1.15 “Esta palavra é fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.”
Termino citando uma última vez neste sermão o doutor Jones:
Somente os crentes são a luz do mundo, nestes nossos dias. Portanto, vivamos e funcionemos no mundo como filhos da luz.
Vamos orar.
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