A Benção de ser cuidado - Gálatas 6:1-10

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Contexto

Algo grave estava ocorrendo na Galácia. Diferente até mesmo dos Coríntios, os Gálatas estavam agora fazendo algo amplamente condenado pelo Apóstolo Paulo e pelo próprio Evangelho.
O fundamento da fé Cristã está localizado no fato de que Cristo morreu por nós enquanto éramos pecadores (Romanos 5.8 “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.”) assim como somos aceitos por Deus por fé e não por obras (Efésios 2.8–9 “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” )
Contudo, na Igreja citada, algo estava mudando, um desejo por manifestar uma salvação judaizante, baseada na circuncisão e costumes judaicos, algo que foge completamente do processo ao qual Deus desenvolveu, algo que minimiza a obra da Cruz, colocando uma muleta, algo que Deus repudia.
A Lei e os costumes recebidos por Israel apontavam para incapacidade da raça humana em cumprir todas as ordens de Deus. É lógico que muito da proteção do povo de Deus veio de sua lei, contudo, de maneira nenhuma devemos pensar que em algum momento seriamos capazes de cumpri-la integralmente por nós mesmos em nossos esforços, a Lei apontava para mais a frente no despontamento da graça e cumprimento em Cristo, ele é a resposta para todas as coisas, principalmente no quesito salvação.
É interessante perceber essa tensão nesta epístola, por que se a unidade com Cristo e como Igreja depende unicamente de práticas externas, de obediências apenas nas formas, a morte de Cristo se torna inválida ou dispensável, por isso é importante cuidar do corpo, algo que Paulo utiliza com maestria, através das suas asseverações e exortações, não apenas para que eles verem que foram comprados por Cristo, mas são filhos da mesma promessa que vem desde Abraão e foi cumprida unicamente em Cristo.
Isso, contudo, não impede de alguns crentes errarem, e neste ponto, Paulo busca exortá-los à obediência e ao cuidado. Aprendemos então, que apenas através do cuidado mútuo, da compaixão pelas fraquezas do próximo, e assim, cumprirão as promessas de Deus em formar um corpo santo.

Estrutura

A vida espiritual se manifesta em cuidar humildemente do próximo em suas fraquezas.
Vs. 1-3 - A vida Espiritual se manifesta no cuidar do próximo em suas falhas
É um dia comum, como qualquer outro em sua semana, você está indo ao trabalho, ao passar pela frente de um bar, avista um irmão/irmã, embebedado(a), algo que parecia impossível, infelizmente ocorreu e você ainda está processando isso.
Em outro momento, você está olhando os status de suas redes sociais e assiste uma postagem recheada de falas e atitudes do seu irmão em Cristo, o que fazer diante disso?
Mateus 18.15 “— Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular. Se ele ouvir, você ganhou o seu irmão.”, esta deveria ser a nossa primeira perspectiva diante disso, mas algo precisa ficar claro em meio a este processo, a disciplina eclesiástica, seja pessoal ou mesmo como Igreja, deve visar o resgate do Próximo.
É fácil pensarmos na repreensão do próximo que está em pecado, é rápido para nós pontuarmos os erros, o difícil mesmo é saber o que fazemos com o irmão em pecado. Na Igreja da Galácia muitos eram os que estavam se desviando do Evangelho de Jesus, é perceptível que a repreensão de Paulo chega até eles como uma verdadeira bomba no meio daquela Igreja.
A ação então que Paulo busca daquela Igreja, contradiz toda a lógica esperada pelo mundo, ele diz, se algo acontecer, busque restaurar, a Palavra aqui nos dá a ideia de juntar os pedações quebrados e repor, reconstruir. Mas não só isso, a ideia do texto é fazer isso com humildade, concordando que o mesmo poderia ocorrer com você, ou seja, você se coloca no lugar do próximo.
Essa é uma premissa interessante, afinal de contas, o erro e falhas, é algo que não deve ser escondido na Igreja local, antes, cada um deve confessar seu pecado, para se curado e a pureza da Igreja ser mantida, e de modo abençoador, isso deverá ser levado como algo amoroso e bom.
O cuidado também se manifestaria em caminhar levando as cargas que fazem o irmão pecar. É interessante esse ponto, pois o pecado confessado é o primeiro passo, da jornada para o abandono desta realidade, contudo, o que se segue é a ajuda do próximo em suas dificuldades que o fizeram chegar a tal direção, sobre isso, a Palavra diz, levem as cargas, tal como Cristo que suportou essa ofensa.
Vs. 4-6 - Aquele que cuida do Próximo deve ser humilde para poder aprender mais de Cristo
Paulo nos versos do capítulo 5 nos diz qual o fruto do Espírito, finaliza esta asseveração com a seguinte ideia Gálatas 5.26 “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros.”
O que mais é certo na vida de cuidado que levamos com nosso próximo? o grande desejo que cuidar do outro, sem tampouco nos vangloriarmos de nossas qualidades, afinal de contas, o erro do nosso próximo poderá em algum momento ser o nosso, além disso, apesar de errar em áreas diferente, o Senhor segue nos cobrindo de misericórdia.
Por isso, duas coisas são importantes e colocadas por Paulo, a primeira é o fato de que devemos sempre prezar pela justa disciplina, mas de outro lado, devemos prezar pelo encorajamento daqueles que nos guiam a vontade de Deus.
A Igreja está comprometida em cuidar do próximo, deve pensar sempre em guiar humildemente o outro, mas de igual modo, deve estar disposta a reconhecer que o próximo deseja o bem do próximo, assim como honrar e cuidar para que produza ainda mais frutos espirituais, quer seja pelo sustento da Igreja, assim como pela justa confirmação e cuidado do próximo.
Vs. 7-10 - O cuidado não é opcional, pois demonstra a vida espiritual da Igreja do Senhor.
O homem é responsável por aquilo que ele faz, e a resposta das suas atitudes será sempre aquilo que ele colherá. Agora imagine esta lógica diante de Deus. Se de fato já temos ouvido o Evangelho de Jesus, as justas exortações da Igreja local, com pessoas que se importam conosco, e ainda assim, continuamos apenas alimentando nossa carne, o que colheremos? Bençãos? Deus não se deixa enganar e nem escarnecer, cada um colherá segundo a forma que tem semeado em sua vida espiritual, no fim, Deus não deixa que cada um colha o fruto de suas escolhas, mas estará sempre alegre em abençoar e guardar aqueles que seguem o caminho da obediência.
Diante disso, algo se mostra necessário, para que cada Igreja cumpra, que ela cuide do próximo e leve isso como sua oferta a Deus. Por isso, não é opcional que como Igreja cuidemos do nosso próximo.

Aplicação

Devemos estar atentos para podermos socorrer o pecador. Durante a caminhada cristã, muitos são os que se enfraquecerão em sua fé, pecarão ou até mesmo, ficarão escravos de pecados, o que precisamos fazer? Nosso trabalho é exortar a todos a seguirem a Cristo. Deus tem em alta conta a obediência, Deus zela por isso, nós como Igrejas devemos entender que nosso papel é ministrar as riquezas da graça do Senhor, para isso, nos é necessário ministrar Cristo, ao chamarmos a atenção do próximo, desejamos que ele se salve, por isso, fazemos isso com humildade, paciência e amor.
Aprendemos a amar mais a Deus, nos deparando com a fraqueza que nosso próximo manifesta. Se não temos sensibilidade em evitar os erros que vemos na vida do próximo, estamos longe de aprender a obedecer a Deus, pois a obediências ao Senhor, está atrelado a valorizar seu sacrifício na Cruz, a observar a necessidade intrínseca de sermos salvos e perdoados. A Igreja deve valorizar e cuidar daqueles que nutrem essa cultura, aqueles que estão preocupados com suas vidas espirituais.
Por fim, todo cuidado e exortação amorosa, deve fazer com que o pecador se arrependa. Não estamos falando de perfeição, nem tampouco de heroísmo espiritual, mas uma clara resposta de obediência, uma ação visível de que de fato temos amado a Deus, mais do que o mundo. Isso é percebido através das ações na vida de uma pessoa que busca ser melhor cristão em sua escola, em casa e na Igreja.
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