Ofício Fúnebre (2)
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IGREJA PRESBITERIANA DE APIAÍ
PLANEJAMENTO PASTORAL – OFÍCIO FÚNEBRE
MARÇO/2026
Rev. Mateus Lages
Bom dia! Saúdo a todos com a graça e a paz de Jesus Cristo!
Peço a atenção de todos: Salmo 139.16 “Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles ainda existia.”
Nascida em 10 de janeiro de 1977, aprouve ao Senhor chamar para si no dia 25 de março a Clarice Oliveira de Morais, estimada por todos nós aqui presentes.
Oração inicial
Hino 116 - União com Deus
Salmo 89.48 “Quem é que pode viver e não ver a morte? Ou quem pode livrar a sua alma do poder da sepultura?”
Hino 194 - Morada feliz
Oração de consolo
Quando eu penso na Clarice, uma das sua características principais é a mansidão.
Quando Jesus começa seu ministério, no conhecido sermão do monte, Jesus disse: Mateus 5.5 “— Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”
Introdução/Contexto
O objetivo de Jesus era se tornar conhecido pelos discípulos e, assim, os discípulos pudessem também conhecer a si mesmos como quem olha no espelho.
Estamos no início do Sermão de Jesus, que está trazendo uma nova perspectiva sobre a felicidade. As duas primeiras bem-aventuranças trataram sobre o perdão e consolo destinados ao bem-aventurado, destacando o relacionamento de Deus conosco. Nestas próximas bem-aventuranças, vamos notar como Jesus atribui função que deve ser destinada ao nosso próximo. A mansidão será a primeira delas, para que assim encontremos uma vida de alegrias.
Sabemos que a Clarice está com Deus porque ela admitiu Jesus como seu salvador pessoal e demonstrou isso em atitudes, dentre tantas, pela mansidão. Jesus disse: os mansos hedarão a terra. Mas, por quê? 1) Porque Cristo capacita os mansos a não desejarem vingança; 2) Porque Cristo capacita os mansos a terem esperança.
Vamos aos textos: Mt 5.5 - A mansidão do Bem-Aventurado;
1. Elimina o desejo por vingança
Todas as bem-aventuranças estão conectadas. Não revelam ensino único, mas uma complementa a outra. A anterior complementa a seguinte, como a que virá complementará a que já foi ensinada. Assim também é contínuo o confronto que a bem- aventurança causa, pois todas elas trazem um contraponto ao pensamento anterior. Causam tanto conforto quanto confronto.
Nesta bem-aventurança, Jesus está recordando o ensino antigo do Salmo 37.11 “Mas os mansos herdarão a terra e terão alegria na abundância de paz.”. Note: a mansidão sempre esteve interligada a humildade.
Jesus começa o seu sermão ensinando: Mateus 5.3 “— Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”
Porém, algo curioso é que a mansidão aqui traz o sentido de ausência de pretensão e até mesmo o autocontrole, enquanto a humildade do verso 3, é a usada uma palavra que significa pobreza de fato. Então, quando Mateus registra o ensino de Jesus e utiliza a palavra para descreve-lo, indica que ser humilde em relação aos outros envolve ausência de maldade e, portanto, ausência de desejo por vingança.
Quem mais do que Jesus poderia ensinar sobre isso, não é mesmo?
Sobre humildade: “a humildade requer uma verdadeira percepção de nós mesmos enquanto se expressa até mesmo em nossa atitude em relação ao outro”.
Por isso, o manso - não o agressivo ou vingativo – herdará a terra. Jesus ensina que não são os que tentam implantar o reino por meio da política ou da força militar, mas os que esperam de forma humilde a ação de Deus que “herdarão a terra”.
Sabe-se que nos dias de Jesus, os judeus tinham a expectativa de que o povo viria a reinar sobre toda a terra, não para implementar a paz, mas para subjugar os povos.
Essa expectativa por parte dos judeus, após cativeiro egípcio, babilônico, persa, grego, sírio e romano – época de Jesus – os fazia intensificar a esperança pelo Messias. Bom, isso é o que esperavam, mas não foi isso que ele ensinou e nem fez.
Diante disso, imaginamos o motivo deste ensino ter sido conflitante para mentalidade judia, mas, e para nós hoje, qual conflito a exigência da mansidão nos traz? Você admirava essa faceta de Jesus na vida da Clarice? Eu, sim.
2. Elimina a falta de esperança
Tratemos, agora, dessa herança. Concordamos que aquele que herda algo, não tem participação no ganho da coisa. Seja um terreno, imóvel, automóvel, herança é herdada, não conquistada. Aquele que herda, na verdade, só recebe. O direito da posse sobre a herança é dado graças a filiação, que também não é escolha do filho, mas daquele que reparte a herança, pois, se quiser, o dono das coisas pode destinar a herança a quem desejar. No entanto, em seu ensino, Jesus traz o bem-aventurado que é manso até este lugar seguro de herdeiro da terra.
Porém, que terra seria essa? Bom, voltando ao Salmo 37, Jesus não está falando da terra de modo literal, mas também não podemos dizer que esteja tratando apenas do reino dos céus. Ou seja, assumimos que Jesus está tratando daquilo que vamos compreender ser uma união dessas duas realidades, pois o que nos chega como promessa de herança são novos céus e nova terra, e isso envolve tanto a perfeição celestial quanto a perfeição da nova Jerusalém na consumação de todas as coisas. Isso foi revelado tanto no AT quanto no NT (Is 66.22; Ap 21.1). É diante dessa promessa que nos perguntamos qual seria o motivo de requerer algo agora, com a própria força, se o tempo de Deus para a redenção de todas as coisas não é agora, mas está seguramente guardado para o porvir?
Em outras palavras, por que brigar por algo que você considera seu “por direito” enquanto o perdão dos pecados, aquilo que você não tinha direito foi concedido pela obra de Jesus na cruz? Pondere, reflita e lembre-se que esta vida é um caminho para a eternidade.
E reconheça algo importante: essa mansidão, portanto, não é algo que se espera do nosso exterior, mas antes, do nosso interior. Por isso, irmãos, controlem seus impulsos raivosos, pecaminosos, vingativos e cheios de ira.
Penso que diante dessa segurança da mensagem de Jesus viveu nossa irmã Clarice. Você concorda comigo? Agora pense um pouco sobre como você tem vivido. Você está seguro em Cristo?
Conclusão/Aplicação
Concluindo, aprendemos neste brevíssimo versículo que o bem-aventurado foi aquele que é excepcionalmente favorecido por Deus e, por isso, em algum sentido é feliz. O sentido é o exercício da mansidão, que é a ausência do desejo por qualquer maldade vingativa.
Assim, termino fazendo um apelo a todos que consideram a agressividade como um caminho eficaz: considerem se esse sentimento não está vinculado a ausência de conteúdo bíblico, uma vez que o que Deus requer de nós é argumentação bíblica, que dá razão para a fé, não uma força ou poderio para dominar os adversários.
Para ser manso, há necessidade de sujeitar-se. Assim, sujeite-se a Jesus como único Senhor, à Palavra de modo obediência até a morte, como fez o seu Senhor Jesus Cristo, e sujeite-se sem temer, pois neste caminho de mansidão habita a certeza de herdar a terra.
Hino 109 - O bom pastor
Oração final e bênção
