Eclesiastes 2.1-11: A frustração em querer ser feliz

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Transcript

Introdução: Nossso objetivo de vida é ser feliz?

Em meio aos escândalos envolvendo o caso do Banco Master, acabamos também por saber como funcionava a vida de uma pessoa que, para muitos de nós, era um desconhecido.
O chefe deste banco não era apenas um banqueiro. Ficamos sabendo também de sua vida de luxo, das namoradas que ele teve e da grande rede de contatos que ele possuia com grandes autoridades da nossa República.
Em meio a tudo isso, um tweet me chamou a atenção. Ele dizia mais ou menos assim: “Este homem (o dono do Master) teve uma vida que a maioria dos homens entre 25 e 40 anos desejam. E, provavelmente, a maioria destes homens fariam as mesmas coisas que ele fez.”
Isso me chamou a atenção porque talvez a afirmação seja verdadeira não só para a maioria dos homens, mas também para a maioria das pessoas. O que nós buscamos? E se alguém nos oferecesse uma vida de luxo, cheia de riquezas, prazeres e, principalmente, poder? Você toparia?
Tudo isso tem como pano de fundo elementos que nós pressupomos que nos darão a chamada felicidade. Mas o que é felicidade? Será que nascemos para ser felizes?

Contexto

Na última mensagem, nós vimos as qualificações de Qohélet. Ele procura se apresentar como alguém que tem autoridade para dizer que a vida é Hebel (vapor/vaidade).
Vimos que suas qualificações podem ser resumidas em três aspectos: 1) Ele era Rei de Israel em Jerusalém; 2) Ele se dedicou em conhecer a sabedoria; 3) Ele se tornou o mais sábio da sua época.
Todas estas qualificações demonstravam que ele tinha competência para fazer a sua afirmação: Tudo é vapor. Tudo é vaidade.
Agora, ele continua a falar em primeira pessoa. Agora ele busca demonstrar a sua busca pela felicidade. Ele demonstra como ele tentou tudo que era possível para ser feliz debaixo do sol, e como isso tudo foi frustrante.
Portanto, olhemos pra esse texto dessa forma:

TEMA: Tentativas frustadas de querer ser feliz

1. Da Alegria (v. 1-2)

Eclesiastes 2.1–2 “Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade.Do riso disse: é loucura; e da alegria: de que serve?”
A primeira tentativa descrita pelo Qohélet para ser feliz era a alegria. Mas, ao fazer uso dele, ele afirma que ela é loucura e inútil.
Alguém já disse que rir é o melhor remédio. Mas não é estranho pensar que tantas figuras ligadas ao humor sofram tanto de depressão e problemas psicológicos (Exemplos: Fausto do Hermes e Renato e Robbie Willians).
Parece que rir pode ser um bom remédio, mas não para quem o aplica.

2. Do vinho (v. 3)

Eclesiastes 2.3 “Resolvi no meu coração dar-me ao vinho, regendo-me, contudo, pela sabedoria, e entregar-me à loucura, até ver o que melhor seria que fizessem os filhos dos homens debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida.”
Depois de buscar felicidade na alegria ele faz uso do vinho.
O vinho é um símbolo de prazer na Bíblia.
Mas mesmo aquilo que pode representar algo tão prazeroso, tornou-se incompleto para o pregador.
Isso me lembra um caso contado por uma psicóloga sobre um paciente que veio procura-la, mas não se sentou na cadeira sem antes ela responder uma pergunta:
O que aconteceu no dia 01/05/1994?
Ela respondeu: morreu Ayrton Senna.
Então, ele finalmente se sentou, e disse que já tinha ido em outros psicólogos, e que não havia ficado porque eles não sabiam responder essa pergunta.
A questão é: o que tem haver a morte de Ayrton Senna com o seu problema?
Ele então explicou que costumava beber somente aos finais de semana. Mas que, de repente, modificou isso e passou a beber todos os dias.
Ao investigar o caso, a psicóloga percebeu que o gatilho pra isso aconteceu justamente no fim de semana da morte de Ayrton Senna.
Segundo ela, o álcool produz um estado de prazer e relaxamento, mas que é passageiro. O usuário, então, passa a beber mais para poder voltar a este estado. O problema é que este estado não retorna e pode trazer ao invés disso um estado de tristeza, confusão mental, e por fim de ressaca.
Só que este homem tinha um antídoto pra ressaca. A corrida de Fórmula 1 era um prazer que o curava da ressaca de sábado a noite. Ele não bebia mais no domingo porque tinha algo bom pra poder apreciar.
Até que, no dia 01/05/1994, ele perde o seu antídoto pra ressaca. E, então, o que ele faz? Ele procura desesperadamente por algo que possa suprir a sensação que ele tinha. Ele passa a beber nos domingos, e posteriormente, todos os dias.
Veja, o problema não foi a morte do Ayrton Senna. O problema foi a tentativa dele de buscar este alívio da realidade no álcool.
É justamente o que Qohélet nos adverte aqui em relação ao vinho. Ele é bom, prazeroso, alegra o coração, mas seu efeito é passageiro. E tentar prolongar este efeito com mais vinho só vai trazer mais frustração.

3. Grandes obras (v. 4)

Eclesiastes 2.4 “Empreendi grandes obras; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.”
Qohélet agora tenta buscar a felicidade em grandes empreendimentos.
Esta atitude é muito comum em nossos dias, principalmente em grandes líderes.
Pra não falar de ninguém, vou falar do meu grupo. É comum acontecer com pastores o seguinte diálogo:
Como vai a igreja?
A igreja vai muito bem. Estamos construindo isso, ampliando aquilo, comprando um terreno ao lado...
Obviamente, não estou dizendo que isso não seja algo bom. É claro que é, e estas questões são importantes para se avaliar um ministério ou um andamento da igreja.
Porém, do ponto de vista bíblico, isso não é o mais importante.
É muito mais importante vida de oração do que grandes projetos. É muito mais importante discipulado atuante em toda a membresia do que grandes obras. É muito mais importante comunhão profunda e intensa do que arrecadação financeira.
Só que isso revela que muitos dos critérios que nós mesmos utilizamos para avaliar nossa vida e nossa igreja são critérios mais mundanos do que bíblicos.
Eu sempre lembro de Paul Tripp, falando dele mesmo no livro Vocação perigosa:
Ele tinha uma igreja crescendo, era diretor de uma escola cristã que ia muito bem, mas seu casamento não estava bem.
Em uma das discussões com sua esposa ele solta: “95% das mulheres gostariam de estar casadas com um homem feito eu.”
Então ela retruca: “Então, eu faço parte dos outros 5%”.
Aquilo fez com que ele repenssasse tudo na sua vida ministerial. Ele, finalmente, percebeu que seu ministério poderia até estar bem para quem vê de fora, mas na verdade, seu ministério não estava bem. Ele era um marido pouco dedicado e um pai distante. A partir de então, ele passou a modificar tudo.
Qual o seu grande projeto? Uma casa? Chegar em momentos para poder viajar o mundo? Será que você está em busca do shape inexplicável? Em busca do seu primeiro milhão? Será que o que você almeja é a família exemplar?
Talvez muitos de nós precisemos passar pela mesma virada de chave do pastor Paul Tripp. Como você está? Está construindo grandes coisas? E isso é o que vale a pena?

4. Das Posses (v. 5-8)

Eclesiastes 2.5–6 “Fiz jardins e pomares para mim e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie.Fiz para mim açudes, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.”
Em uma época como aquela, ter grandes pomares, bosques e jardins era ter grandes suprimentos para a alimentação.
Nós vivemos em uma época diferente, em uma economia baseada nos serviços e na indústria, mas que ainda dá importância no comer bem.
Só que a comida também nos frustra.
Dercy Gonçalves disse uma vez que a melhor coisa que tem a fazer no mundo é comer.
Mas só o comer também é frustrante.
Quando já se experimentou do melhor de tudo, mesmo assim, não se tem uma plena satisfação.
Eclesiastes 2.6–8 “Fiz para mim açudes, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.Comprei servos e servas e tive servos nascidos em casa; também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os que antes de mim viveram em Jerusalém.Amontoei também para mim prata e ouro e tesouros de reis e de províncias; provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres.”
As posses. Qohélet demonstra que teve o máximo de posses que um homem em sua época poderia ter.
Todas estas posses lhe davam garantia de que nada ele teria falta.
A quantidade de mulheres lhe dava o privilégio de escolher quem ele quisesse no momento em que ele quisesse, e se quisesse.
E tudo isso não o satisfez.

5. Sucesso e recompensa pelo trabalho duro (v. 9-10

Eclesiastes 2.9 “Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que viveram antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.”
Assim como na seção anterior, Qohélet demonstra o seu grau de proeminência. Ele conhecido não somente por sua sabedoria mas por sua grandeza material. Ninguém foi igual a ele.
Sucesso é algo atraente. Mesmo sem sermos jogadores de libertadores, há em nós um desejo pela glória eterna, por nos tornarmos conhecidos. Mas isso também não nos satisfaz.
Pense em quantas celebridades, reconhecidíssimas por causa de seus trabalhos, não suportaram o peso da fama e cometeram suicídio? Os exemplos são vários.
Eclesiastes 2.10 “Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas.”
Aqui ele fala de algo que nós buscamos. Trabalhamos duro, damos o nosso melhor, então buscamos uma recompensa por isso. Mas as vezes isso não é possível. Tem muita gente que trabalha muito e não consegue um momento de refrigério.
Não foi o caso de Qohélet. Ele trabalhou muito como Rei de Israel, mas em nenhum momento ele deixou de desfrutar das coisas que ele realizou. É alguém que viveu não somente o fim, mas aproveitou a caminhada, desfrutou do processo. Isso é algo muito enfatizado pelos coachs de hoje, não é mesm?

Conclusão: Tudo isso é vapor (v. 11)

Eclesiastes 2.11 “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol.”
Mas a conclusão dele de ter passado por tudo isso é: tudo isso é vapor. É ilusório, passageiro, monótono. Não vale a pena.
Talvez você pense assim: gostaria de pasar por isso também pra ter certeza.
Só que Deus já nos deu algo melhor. Algo mais precioso.
Ele nos deu Cristo.
Mas ao termos Cristo não precisamos, necessariamente, não desfrutar das outras coisas.
Na verdade todas as coisas fazem sentido em te-las porque já temos Cristo.
Por isso, a Palavra de Deus não nos proíbe de termos posses, alimentação, prazeres. Mas ela nos ajuda a entender que estas coisas podem ser desfrutadas tendo Cristo como centro do nosso viver.
Lembra do Filho Pródigo?
Ele faz um paralelo aqui. O Filho Pródigo perdeu tudo para perceber que a melhor coisa era estar na casa do Pai.
Qohélet precisou ganhar tudo debaixo do sol, para notar que esta não era a resposta.
Mas ambos percebem, que a resposta está em algo acima do sol.
Se sabemos que temos um grande vazio e que há algo que preenche esse vazio, porque ainda insitimos em buscar preencher esse vazio com outras coisas?
Precisamos olhar os lírios do campo:
Mateus 6.28–30 “E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?”
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