Sem título Sermão (2)

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Tiago 1.22–25 “Sede praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos. Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era. Entretanto, aquele que atenta bem para a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas praticante zeloso, será abençoado no que fizer.”
Tiago agora se volta para outra coisa em nosso relacionamento frutífero com a Palavra de Deus. Nós a ouvimos (19) e a recebemos (21). Mas também devemos expressá-la, cumpri-la (22–23, 25); devemos ser praticantes. E devemos ter cuidado para não nos enganarmos (22) a respeito disso. Veremos o que Tiago quer dizer com esta advertência contra o autoengano se colocarmos lado a lado os verbos-chave na ilustração do homem com o espelho (23–24) e no que ela se destina a ilustrar (25):
o homem com o espelho o crente com a palavra observa (23–24) (25) examina vai embora (24) (25) persevera esquece (24) (25) age Esta forma de apresentar as palavras mostra que a comparação não é (como alguns comentaristas defendem) entre um olhar apressado (o homem com o espelho) e um olhar sustentado (o crente com a palavra). Ambos estão, de fato, igualmente atentos ao que veem: observar (katanoeō) significa ‘olhar, com reflexão; considerar’; examinar significa literalmente ‘inclinar-se sobre’, portanto, em relação à Palavra de Deus, ‘debruçar-se sobre’. Cada um é igualmente sério em seu olhar. É o que acontece a seguir que faz a diferença. Quanto ao homem com o espelho, ‘ele vai embora’, mas seus amigos, encontrando-o em seu caminho, poderiam dizer-lhe que o espelho não é o pente ou a toalha de rosto, e que sem essas ajudas para uma vida graciosa, sua devoção ao espelho é, em si mesma, sem valor.
É em conexão com tudo isso que Tiago diz que temos uma escolha: podemos nos enganar (22) ou nos abençoar (25). Nós nos enganamos quando confundimos a parte com o todo. Ouvir e receber a Palavra de Deus é apenas parte do nosso uso frutífero dela, mas é uma parte da qual podemos nos orgulhar indevidamente: 'Passei cinquenta minutos esta manhã lendo a Bíblia – e consigo lembrar o que li. Foi um tempo excelente e ininterrupto.' E Tiago diria: 'Muito bem! Mas agora, e quanto a obedecer à palavra que você leu? Você realmente mudou sua mente para que agora considere verdadeiro o que aprendeu na palavra? Você (e está) redirecionando sua imaginação, seus olhos e seus pensamentos para viver de acordo com os padrões do mundo? Seus relacionamentos são diferentes, como a palavra instruiu que deveriam ser?' – e assim ele poderia continuar. Devemos ser praticantes da palavra. Onde o homem com o espelho se afasta (24), o crente com a Bíblia persevera (25) – mais literalmente, 'continua (em sua companhia)'. Isso pode acontecer a qualquer dia e todos os dias. Pode haver um desfrute contínuo de um relacionamento com a verdade de Deus e a lei de Deus iniciado de manhã cedo – mas é o trabalho de uma vida. É como a profunda e abrangente correspondência de vidas, personalidades e pensamentos que emerge no curso de um casamento feliz.
É a este tipo de 'companheirismo da palavra' que Tiago nos encoraja quando fala da lei perfeita, a lei da liberdade (25). Como lei, a Palavra de Deus é projetada para a obediência, embora haja mais do que apenas isso. Contra o seu pano de fundo do Antigo Testamento, lei significa 'ensino'. É o que acontece em casa, entre pais carinhosos e filhos amados (por exemplo, Pv. 4:1-4; 7:1-3), mas eles o fazem imitando a maneira amorosa como o Senhor instruiu seus filhos e filhas. Claro, sua instrução contém regras para a vida e ele pretende que seus mandamentos sejam obedecidos (por exemplo, Dt. 6:2), mas mesmo suas leis mais severas e exigentes não são uma imposição austera de autoridade externa, mas uma diretriz paternal que surge do amor.
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